Poemas a um Poeta Olavo Bilac
Ser poeta
Poeta pra ser poeta tem que ter o coração ferido, sonhos utópicos e desejos que não podem ser cumpridos.
Poeta pra ser poeta tem que se apaixonar todo dia, amar com a alma e senti-la vazia. Tem que escrever com o coração, dá azas a emoção com uma pintada de razão.
Tem que amar o impossível, querer o invisível e se apaixonar pelo irreal, para que viva o romance e prevaleça o enlace sentimental. Para dar sentido ao adolescente e a mulher que também senti que o amor é fundamental, e mostrar para o homem que estar carente que tudo dá certo no final.
Ser poeta é ser cordeiro, é se sacrificar pra vê o outro inteiro, ser poeta é desistir pra persistir, é amar sem nada cobrar, é dar sem receber. É chorar a noite e sorrir ao amanhecer.
Ser poeta é acreditar no amor não vivido, viver a ausência de quem ama, amar a quem tem, e ter a fé de ser amado por alguém.
Poeta chora palavras, sorrir sentimentos e canta seus versinhos para dar sentido e alegrar desde o pequenino ao maiorzinho, do novo ao velhinho, de zero a cem aninhos.
Isso é ser poeta, isso é ser artista, é amar a vida que ainda não foi vivida, e viver na pintura de sua obra prima acreditando que em breve não mais será uma utopia.
Ser poeta é sonhar e acreditar em sua realização, para concretização de suas verdades.
Ser poeta é amar de verdade e com lealdade.
Pensamentos e sentimentos de poeta
Não ficam pairando no ar
Viram belíssimas obras
Para que seus leitores
Possam para sempre desfrutar
Poeta
O que seria de mim se não
soubesse ler e escrever?
Porque poeta ás vezes parece louco
onde cabe uma linha ele rima um pouco.
Parece que as palavras saem de mim
ou será que poeta é tudo assim?
SENTES, POETA?
Ora, Poeta, o que sente? Afinal, realmente sente? Ou apenas mente? Estás contente? Sente-te coerente?
Ora, poeta, que lamúria! Dói-te a mente? Comumente, ainda que tente, sente-te contente? Quando aquilo que te dói chega, tu consente?
Não quero saber, poeta... Não me interessa, poeta, daquilo que pensas, pois ler-te, somente, poeta, já me traz recompensas
Não pretendo tentar invadir tua mente... Mente de poeta é mente saliente, É mente candente, mente inconveniente, É mente que nunca se faz dormente,
Afinal, te digo, poeta, Poeta bom não é aquele que bem escreve; Poeta bom é aquele que bem sente.
O poeta pensa de mais
E quase nem aguenta
Tanto sentimento
Pensa e até inventa
Mistura felicidade com sofrimento
ENQUANTO POETA, EU GRITO!
Se eu me calar às injustiças, fechar meus olhos às desigualdades e me fizer mouco a um apelo carente... Definitivamente, melhor seria que não tivesse mãos, do que tê-las e não ajudar um necessitado...
“O que é um poeta, se este é incapaz de indignar-se? Por ventura merecerá ser assim chamado? O poeta é alguém capaz de provar de toda sorte emoções, umedecê-las em sentimentos e transformá-las em expressão. E por que não dizer palavras? E por que não dizer poesias? Ah, é isso... O poeta é um agitador, de certa forma um arauto e, sobretudo é um pensador”!
Enquanto poeta, eu grito!
Mais do que palavras.
De nada me valem as palavras
Se delas tu não fizeres parte.
Sou poeta inspirado por ti.
Mais bela que obra de arte.
Que pensa que se move,
Que me ache,
Que me dome,
Que me tome,
Que me ame.
E sobre teu aconchego me desmorone.
De bravo felino a pobre homem.
Sou gatinho manso em tuas mãos.
E não me atrevo de maneira alguma.
Ainda que não ouça coisa alguma.
A dizer uma só palavra.
E mesmo assim ter pronunciado todas.
Uma a uma, ditas pelo olhar.
O silêncio do poeta
Seu olhar está distante
Num ponto nenhum
A mente divaga sem destino
Por onde andará...vai saber
As mãos parecem inquietas
Sem "estrada" para percorrer
Esquálidas, suadas, desajeitadas
Ele apenas observa à sua volta
Não conversa com ninguém
Nem mesmo vê o que se passa
Parece uma estátua
Tão só...tão solitário
Por onde andará seu pensamento...
Seu silêncio parece arrogância
Aos que com ele falam, sem respostas
Mas no fundo é só um transe hipnótico
Que sem aviso, arrasta a sua alma
Deixando o corpo inanimado assim...calado
Quanto tempo levará...ninguém sabe
Mas o tempo necessário
De um poeta operário...
É uma ausência que se impõe
Na sua busca eterna por inspiração
E só sua respiração
Diz que ele está bem, vivo
Deixem o poeta em seu casulo
É só a sua paz que ele busca
Nas palavras que procura
Para expressar a sua arte
Não o julguem arrogante
Ou tão pouco em agonia
O silêncio do poeta
É o prefácio da poesia...
O poeta quando não descoberto
Deixa seu medo o controlar.
A outros olhos
O poeta é calmo é normal,
Mas ainda sim
Não se considera poeta.
Porque é louco é culto fechado
Esquecido.
O seu interior grita
Repudia.
Quer rir...
Chora... Não consegue correr de si.
Não sabe o que é aquilo,
E que confusão inebriante é aquela.
Não se solta
Não se diz! Não se mostra!
Odeia ser chamado de poeta.
Ele simplesmente se apaga!
Sufoca-se, esperneia, grita e geme.
Virei poeta quando minhas emoções queriam gritar.
Virei mulher quando o meu corpo passou a palpitar.
Vi a necessidade de ter que caminhar...
O poeta é guiado pela imaginação
Nos presenteia com escritos cheios de inspiração
Como é bela a alma de um poeta...
Artista que abre sua vida
sem medo do que o mundo vai pensar
sua intenção é apenas de agradar
Como é bela a alma de um poeta...
Num momento de idealismo
transforma sua vida em escritos
nos mostrando seu lado criativo
Fazendo-nos entorpecer de amor
Como é bela a alma de um poeta...
sua poesia é um dom
e também um presente do artista
para encantar a vida da gente
e muitas vezes mostrar
sua alma transparente
Como é bela a alma do poeta...
conta a sua vida
em versos e prosas
como é bela a alma translúcida do poeta.
POETA PEREGRINO
Desce e sobe montes e vales,
Atravessa os mares e os rios
A seco, nos calores dos frios
Imune a todos os males.
Come pão das pedras na fome
Do horror dos tempos tardios,
Presentes futuros vazios
Sem dó sequer do seu nome.
Espetro negro, terço de reza
Nas estradas de um destino
Que os deuses, em pequenino
Lhe traçaram com dureza.
Deixem-no ir na correnteza
Das tempestades da vida,
Um poeta peregrino
Mesmo todo pequenino,
É gigante na pureza.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 24-10-2022)
DECEÇÃO
Nunca de longe ou de perto
Pelo certo do incerto,
Chegarei a ser poeta,
Ou dizedor de palheta.
E assim me tornei anacoreta
Sem relógio ou ampulheta
Nesta gruta
Abrupta,
Onde vou morrer
Sem saber
O que é ser
Realmente,
Verdadeiramente,
Poeta!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 05-01-2023)
Escrevia, Miguel Torga, Poeta Maior, em Coimbra, a 4 de Abril de 1981:
- "Tentei explicar o mecanismo psicológico. O poeta é, de facto, um ser
incómodo. Mais cedo ou mais tarde, obriga os detratores a um embaraçoso
mea culpa. E como eles, no íntimo, o sabem perfeitamente, olham-no sempre
de través, a adiar quanto podem essa hora de rendição. Até que ela chega
irrevogavelmente pela mão da morte. E, então, é uma avalanche de adjetivos a
ver se o soterram e, alçados no cômoro lutuoso, se glorificam na glória que
proclamam." (Diário XIII - Miguel Torga)
MINHA HOMENAGEM:
QUADRA PARA TORGA
Se o poeta é desconforto,
Digam-no já em vida,
Não falsem depois de morto,
Que foi um santo de ermida.
© 𝕮𝖆𝖗𝖑𝖔𝖘 𝕯𝖊 𝕮𝖆𝖘𝖙𝖗𝖔.
CORRE MEU VELHO
Anda, poeta velho!
Escarcavelado!
Escaravelho!
Pingarelho desarmado
De olhos cerados,
Magoados,
Galga, meu velho!
Secaram-te as lágrimas,
Brotaram-te as águas
No leito do teu rio,
Tão vazio
E tão cheio de mágoas.
Não durmas mais a sesta.
Caminha,
Noutro caminho
E foge de mansinho
Da prisão desse lar
Em que te querem encerrar,
Sem te ouvir
Se queres ficar ou desistir
De pensares,
De sonhares...
Foge!
Foge!
Corre, meu velho!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 10-08-2023)
SALVADOR - BAHIA - BRASIL
A terra do turista, do poeta do carnaval, a terra dos amores em céu aberto
dos amantes da boemia,
a terra dos faraós, do elevador
do senhor do Bonfim,
Aqui foi parido o Brasil Pela Baia de todos os Santos em Águas de março, cortada por morro em beira mar,
Terra do índio, do branco, do preto de todas as religiões e canções, quem aqui nasceu é soteropolitano, baiano da Gema, brasileiro do nativo.
O poeta já dizia:
Que o mistério só veste bem às mulheres.
E todo homem misterioso tem algo de charlatão.
