Poema Sobre Solidão
Viajo e volto sempre que posso, a aquele lugar só nosso, que sonhamos construir...
O lugar mais que perfeito, onde ao menos do mesmo jeito, ninguém mais ia de partir...
O tempo passou ligeiro,
fez de nós passageiros, da saudade prisioneiros, nesse eterno ir e vir...
Quem sabe paro o ano te vejo, depois do dia primeiro, talvez de março a janeiro, ou lá pro outro fevereiro, se assim Deus permitir...
Naquele lugar chamado encontro, tem um coração sempre pronto, quem quiser pode chegar sem ter hora de partir...
ARIDEZ NO CERRARDO
A sequidão ainda a porta
Lá fora, por aí, acinzentado
Espalha o sertão com vida semimorta
Brilhante o sol roborizado
A secura parece que corta
E o silêncio destrói...
À melancolia pouco importa
Em nada corrói
E aos sonhos, não comporta...
Aridez, rodeia a minha casa
Com uma manta marrom de poeira
Em algum lugar você dorme, em brasa
Em algum lugar, assim, como queira!
Não ao meu lado, desasa...
Junho se vai lentamente
Em algum lugar, longe
Como eu, o teu sono ausente
Inconstante, monge...
Você está em algum lugar
No meio da minha saudade
Não vai entender, vai julgar
Dessaber, do amor, deslealdade...
O vento está girando ao lado
O pequizeiro está tranquilo
O meu poema está fustigado
Embriagado a ilusão, restilo
Escassez, de você no cerrado!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
13/12/2019, cerrado goiano
copyright © Todos os direitos reservados
Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol
Onde não há recíprocidade,
Somente espaçamento se faz,
Voraz,
Devora todo entendimento,
Te desfaz,
Em Vazio,
Oco,
Solidão em presença,
Que é a pior ausência que se pode existir.
Não espere
Não cobre
Tem que ser espontâneo
Você deixa os sinais
Deixa rastros
Já chega de pistas,menina!
Deixa
Você sempre disse que a porta estaria aberta e a janela
Teu endereço
É tudo um começo
Uma mensagem para saber se você está bem
Poucas palavras, seriam suficientes
Para sair por ai, jogar conversa fora, rir do nada
Você está cansada
Que ficar sozinha virou uma rotina tão saudável
Você fica em paz, aprecia a própria companhia
A solidão faz cócegas em seus pulmões
Você respira fundo e sorria.
Ainda bem!
Ela era um bicho sem maldade e tão cruel consigo
Sorrir parecia lhe ferir, se a felicidade não fosse alheia
Transformava monstros em anjos e convivia bem com cada um deles
Doou aos miseráveis até o que não tinha
Curou sozinha as suas próprias dores
Encurralou os seus desejos num canto qualquer da vida
Mendigou amores e farejou traições
Sofreu com cada decepção e debochou de todas elas
Transformou em comédia os seus maiores dramas
Viveu tentando ser outra, ouvindo que mudar era necessário
Mas ela acreditava na essência que ninguém via
E por isso, mesmo exausta, seguia
Não se arrependeu do que cativou sendo errada
E não renuncia ao que conquistou sem ter nada.
Não é uma questão de perder só os sapatos e a hora.
É a vida lhe tirando tudo
Como o tempo e o caminhar
Se fosse só perder as chances e os sonhos
Mas é a vida lhe tirando tudo
E instalando nestas lacunas medo e culpa
Não é só perder o dente
Mas perder a vontade de falar
É oprimir os sentimentos antes tão manuseáveis
Não é só perder a calma
É se abater por tudo e ainda caminhar pela vida como um zumbi das séries americanas
Onde tudo dói intensamente, mas não se percebe
Onde há feridas abertas na boca, na alma e no coração, mas não lhe assusta.
Se fosse só perder a luta,
Mas tudo acaba quando a vida lhe tira a paz.
Ele é breu
Faltou o doce do mel, faltou o azul do céu.
A nascente sem água, uma floresta sem mata.
Um céu sem estrelas, uma noite fria sem fogueira.
A vida é cinza do seu lado do horizonte, não existe cores, amores ou mais nada que o encante.
Ele é breu, não chama nada de seu, caminha na solidão, não quer nada no coração.
A existência intrínseca de ter meu mundo num abraço
Por disfrutar de minha permanência metodicamente solitária
Por onde meus devaneios faço meu abrigo
Não há vislumbre melhor de paz
Se não a solitude interna em suma alcançada
ABANDONO
Queima a garganta,
Em vincos de lágrimas mortas,
Chama que inflama, pétalas soltas,
Deste amor que me adoece.
As vestes vou queimar,
Soluçando lembranças,
Que outrora foi vida, feito pedra.
E hoje como cinzas, repousam no ar…
Síntese
Poucas palavras quero
Pra expressar minha dor
E pra não tomar seu tempo
Resumo em uma só: amor.
No cilêncio da noite
Busco no silêncio da noite uma solução para os meus problemas...
A noite logo, logo, vai embora, e a manhã já vem chegando...
E os meus pensamentos viajam por dimensões, mergulhados no passado de um amor mal resolvido...
O verão já se decipou, e lá vem a primavera, e agora o que fazer que não estou mais com ela.
Com os olhos cansados e tristonhos, eu não consigo parar de pensar nela...
Robson de Carvalho
Não. Eu não escolhi gostar de você!
Não escolhi…
Pois se eu escolhesse, você também gostaria de mim… Assim como eu de você.
Pois se eu escolhesse, eu seguraria na sua mão, e assim como você na minha.
Pois se eu escolhesse, isso não seria dor nem ilusão.
Eu não escolhi, mas escolheria mil vezes gostar de você.
Eu não escolhi, mas no teu abraço escolheria ficar.
Eu não escolhi, mas teu sorriso é o que me faz bem.
Não escolhi, mas é o teu jeito que me dá um momento de felicidade.
Apenas não escolhi…
Apenas não escolhi, mas escolho te esquecer.
Escolho a dor,
Embora o tempo passe e insista em me deixar com esse amor.
1/4
A dor do mundo não é inteira.
A dor do mundo é fracionada.
Uma fração desigual, ora com partes muito pequenas, ora com partes demasiadamente grandes.
A dor do mundo é dividida em quartos.
E dentro de cada um, existe um ser tomado pelo tamanho da sua.
Que em horas vem em doses pequenas e em outras vem pra impregnar e nunca mais ir embora.
No meu quarto hoje, depois desse texto, ela deu um malicioso sorriso, afivelou as calças e saiu pela porta depois de ter me usado.
Espero que ela não volte.
Ou se voltar, que pelo menos me use, fitando em meus olhos.
Caneta e papel,
Não tem surtido o efeito devido,
Necessidade,
Aflita,
De pronúncia,
Sem palavras,
Somente quietitude e violão,
Beira da praia,
Solidão,
Ausência de palavras,
Altitude de Amor.
Chuva
Então ontem a noite choveu!
E também foi ontem a noite,
Que o nosso relacionamento
Rompeu.
Hoje também choveu!
A nossa playlist estava tocando,
E com ela me peguei lembrando
Do que a gente viveu.
Amanhã poderá chover…
Mas não me importa o que o
Tempo vai escolher,pois para mim,
Todo dia que vier agora tem chuva.
Vento, pássaros cantando, brisa do mar, folhas verdes, céu azul e uma janela - janela da alma? vidraça? um simples vão no imaginário?
Cachorro latindo, caminhão passando, coração a pulsar;
Teclas sendo pressionadas, respiração ofegante (ansiedade?);
Pequeno momento de percepção e reflexão na solidão criativa.
O sentimento e a dor que fica.
Quando quem amamos se vai.
Não se faz idéia aqueles que estão indo.
Pois a Dor só fica nos corações dos que ficam.
A Alma chora, o corpo sangra, o coração dos.
Os dias não tem sentido, a alegria não vem.
Podes procurá-la, mas não acha.
Os dias são cinzas, as cores se derretem, junto as lágrimas do meu coração.
Passa os dias, conto as horas, vejo ao redor,
Tudo está igual.
Te procuro em um gole de uma garrafa.
Te procuro nos cantos onde nós amamos.
Na cama procuro seu cheiro, fios de seus cabelos me fazem lembrar das nossas noites de amor.
Mas não te encontro, não te sinto e não te vejo.
Onde está você?
Onde está a alegria que você me traz?
Onde está você?
Que traz o desejo de viver.
Onde está você?
"Mas eu vagueio sozinha,
pela sombra do quintal,
e penso em meu triste corpo,
que não posso levantar"
Estranhamento
Lindas palavras, sem saberem, não são ditas à face oculta
E enrijecem a máscara construída e mantida por medo e amor
A alma imóvel, presa e angustiada anseia por liberdade
Como um estranho no próprio corpo que deseja se tornar conhecido
Antes que sua essência permaneça, para sempre, refém de seu próprio invólucro
A incerteza paralisa
Haverá quem fará jus às palavras ditas?
O rosto desmascarado terá que suplicar sorrisos?
Quem apoiará a fluidez de seu espírito?
Sua estranheza, enfim, tornar-se-á familiar?
Por que o medo da solidão o estagna se já é uma companheira de viagem?
Quebre o padrão, Estranho! Arrisque, energize, aja!
Entenda que em todo o caso você é suficiente...
E que você merece a aceitação.
A começar pela sua!
A ceia
A mesa está pronta!
Ódio, rancor e muito sangue.
O preparo para a comemoração foi lenta.
Passou se quase um ano.
Na mesa o reflexo de uma pessoa gélida e pálida, não há mais coração.
Ela olha a mesa posta, admira com frieza , o jantar está na mesa, não há convidados nessa noite tão sombria.
Suas receitas ninguém provaria.
Na taça o mais puro fel, cultivado nas montanhas das angústias, colhido nas noites sem céu.
A sua direita uma travessa, uma sopa de lamentos, uma entrada delicada que pede acompanhamento.
Pães feito com puro ódio, com a força do horror.
O prato principal, ela não esquecerá o sabor.
Servido em travessa elegante, grande pedaço de desamor, temperado com lágrimas e até com rancor.
Está frio, e sem sabor, mas ela provou.
De sobremesa um sorvete de coração pisoteado e triturado com calda solidão.
Na sua mente ela repassa todas as receitas que usou.
Percebe que de tudo nada mais tem sabor.
Ela olha para o lado e percebe que nada mais ficou.
E nessa grande ceia ela planejou, gostaria de receber um convidado.
No meio do tempero ela veneno usou.
Mas como não tinha convidados ela mesma o provou.
Um dia houve convidado, porém ele nunca mais voltou.
O veneno usado matou todo seu amor.
Nada mais de ceia, nada de amor
Nada de felicidade, ela nunca mais superou.
E num suspiro o jantar se findou.
Renata Batista
26/12/19
