Pobre
Córrego das Desilusões
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És tão dura,
Ó vida de luta,
De madrugada em madrugada,
Viver é um detalhe,
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Trem, ônibus ou pé,
Vida dura demais,
Não pode perder a fé?
Mas não se vive mais,
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A conta do pão,
Tão cruel e sofrida,
porque vives em vão?
O pobre e as suas feridas,
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Quem é pelo povo?
Há esperança em alguém?
Governante ignora de novo,
A massa não tem ninguém,
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Aluguel está por vencer,
Falta uma semana, o que vamos comer?
A luz também acabou nos vizinhos?
O mercadinho só quer receber.
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Psiu filho, fala baixinho,
O moço não pode ouvir,
Ele bate forte na porta e grita,
Vive de juros, não vai desistir,
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O pobre vive humilhado,
A prole protegida e preservada,
Não sabe pra correr em que lado…
Desperança é a sua morada,
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Como estão as coisas seu Zé?
Tá ruim, mas vai melhorar…
Mas quando a melhora vem?
Só quando o mundo acabar ….
Tem pessoas tão POBRES que a
única coisa que elas tem é DINHEIRO.
A LUXÚRIA tomou o lugar da HUMILDADE
A PAIXÃO tomou o lugar do AMOR VERDADEIRO
A INVEJA tomou o lugar da ADMIRAÇÃO e INSPIRAÇÃO
A VAIDADE tomou o lugar da EMPATIA
A AVAREZA tomou o lugar do EXPERIENCIAR
O CONFRONTO tomou o lugar da PAZ
A RAIVA tomou o lugar da SERENIDADE
A PREGUIÇA tomou o lugar da AÇÃO CERTA
O MEDO ESTAGNOU e tomou o lugar do EVOLUIR
A GULA tomou lugar do soltar e DEIXAR IR
O VÍCIO tomou o lugar da VIRTUDE, assim a
A ESTAGNAÇÃO tomou lugar da ASCENSÃO
Pessoas não são POBRES pela FORMA QUE VIVEM
e sim pelo estado da sua ALMA,
POBRES DE ESPÍRITO.
Pobre, é aquele que tem carência do necessário,
Pobre, é aquele que não sabe escolher o momento de falar...
Pobre, é o radical soberbo, arrogante e solitário,
Pobre, é o que não sabe o momento de se calar...
A direita quer resolver os problemas, a partir do efeito, não tratando da causa, não trata a raiz do problema, que é o ser humano ter o direito a vida digna e boa. Coisas como pena de morte, diminuição da idade penal, controle de Natalidade, polícia ostensiva, rigor da lei, armamento da população, tudo sempre, violência contra o pobre.
Grande ilusão morta no espaço tempo...
Do fundo do copo...
Disfarçando a espera de um qualquer sofrimento...
Pelas saudades que lhe aterram...
Procurando no amor a felicidade...
Entre conversas vãs...
Entre os descasos sem cuidados...
Pertencer a quem souber...
Apreciar os trejeitos...
No íntimo mais profundo...
Ignora o silêncio e o eco...
O que o coração murmura, a voz não diz...
Entorpecido sente-se feliz...
E vão-se em mar a fora...
Os sentidos embriagados e mal sentidos...
Que tudo é ilusão que esta alma sente...
Se nada há de novo e tudo o que há...
Sentir prazer em deitar-se com o perigo...
Que alguém lhe mostre a tua imagem, como tantos, sem sentido...
Sem expor à vergonha...
Sem alardear seus gemidos...
Pobre esperançado...
Que anda crê na ilusão…
Do amor…
Da fantasia...
Que nas portas dos bares aguarda...
Alguém a lhe acompanhar pelas ruas...
Tudo posso esquecer em minha vida...
As visões em minhas estradas percorridas...
Só não consigo me esquecer no entanto...
Dessa figura de alma nua...
Sandro Paschoal Nogueira
“Desejo com o coração que todos conquistem suas maiores uberdades do mundo profano para compreenderem que sua única riqueza está em quem você é e não onde pode ir, estar ou comprar”
RELATIVIDADE
O pobre não é tão pobre:
A visão dos jardins lhe pertence.
O rico não é tão rico:
Ele não pode permanecer acordado.
A idiotização da camada mais pobre da população parece que se tornou lei, mas na política não poderia ser diferente, pessoas simples e sem instrução são mais fáceis de manipular.
Mentalidade miserável :
Vou parcelar tudo
Mentalidade pobre :
Vou guardar um pouco
Mentalidade média :
Vou investir um pouco
Mentalidade milionária :
Vou gastar e investir
Mentalidade bilionário :
Vou reinvestir tudo
Já foi há muito tempo que deixei de estudar
A família era pobre tive de ir trabalhar
Comecei na construção
Fiquei com calos nas mãos
Só eu sei o que passei
Três dias de escravidão
Eram muitos lá em casa
E dinheiro não havia
Mas eu trabalhador
Qualquer coisa me servia
Até de bar fui empregado
Estava sempre embriagado
O patrão um dia viu
E logo me despediu
Triste vida triste vida
Mais valia não nascer
Já fiz de tudo na vida
E não ganho para comer
Inventei umas canções
Um dia até fui gravar
Mas tinham mais de três tons
Já ninguém as quis comprar
Até fui arrumador
Já me chamavam parqueiro
Mas veio um vereador
Montou lá um mealheiro
Foi então que fui pedir
Para me alimentar
Mas ninguém me quis ouvir mandaram-me ir trabalhar
Triste vida triste vida
Mas valia não nascer
Já fiz de tudo na vida
E não ganho para comer
Eu sou um pobre caboclo
Ganho a vida na enxada
O que eu colho é dividido
Com quem não prantô nada
Há pessoas com tanto dinheiro, mas tão miseráveis que não há como, nós que não temos dinheiro algum não nos sentirmos ricos perto deles.
Sou pobre, insistente e moro longe...
Pensei que não podia mudar minha condição,
meu pai , minha mãe , só falava em aflição,
isso já desde os tempos de vó e vô que era a mesma situação...
Era uma fartura de tudo, cê não tem noção não...
Fartava comida, sapato e até a vocação
Fartura até de roupa q era tudo emprestado,
E a casa era pequena cheia de menino, as parede de barro
até o piso fartava de ser encimentado,
Semianalfabetos que eram meu pai e minha mãe não tinham muita ambição,
Mas tinham esperança de futuro de ter um filho na escola de ter um mínimo de educação
E o lugar que eu morava era tão longe que nem carro passava,
andava a pé que parecia mil léguas pra chegar em qualquer canto,
sol a pino e só lamento que não adiantava o pranto,
Com fome, com sede, sem canto, só lamento e o pranto,
e não adiantava reclamar porque demorava mais um tanto...
Enfim minha mãe um dia se deu conta,
que eu tinha crescido um pouco
E que esqueceu da escola,
De tanto aperreio e sufoco,
Pergunta aqui e acolá, porque tão longe fui morar ?
Tem uma lá no morro,
vamos simbora matricular,
E começou uma nova saga,
De continuar aquela situação precária,
Também tinha fartura na escola,
Fartava merenda, giz e as vezes professor,
E fartava também o papel e o apagador,
E também quando chovia tinha sala de aula alagada,
Também tinha fartura de vento e até de água encanada,
Lembro do calor da sala,
O suor pingando na testa,
Mas mesmo assim era uma festa,
Porque tava na escola aprendendo pra mudar,
E daquela situação,
Eu conseguir melhorar...
Depois de já ter crescido,
Lembrando de meu passado,
Até o ensino médio eu não deixei de lado
Sempre em escolas públicas,
Vencendo os desafios,
Cheguei na faculdade pulando pedras e rios,
Na UFPE pousei com as cotas para desigualdade,
Para alunos de escola pública ter chance na equidade,
Vendo textos estranhos e longos com novos códigos e linguagens,
Percebo a dificuldade de permanecer na faculdade,
Aprendendo palavras novas e também novos conceitos,
Estratificação social aprendi nos textos de Ana Almeida que li e reli direito,
Que é um conceito sociológico da divisão social,
Quando a elite tem vantagens até em meio cultural,
Tem vantagens e privilégios na sua condição socioeconômica,
Dos cargos direcionados a faculdades e diplomas
Ao pobre só sobra a soma,
De tanta desigualdade,
Que ele vê com novidade as cotas da faculdade
Confesso a Professora Emília e aos colegas de sala,
Que não tenho vergonha nenhuma,
De minha história contada,
Porém digo uma coisa com muita convicção,
Se tivesse políticas públicas com boa vontade e ação,
O mundo seria melhor para o pobre e o negligenciado,
Ninguém ficaria de fora do mundo globalizado,
Não haveria tanta miséria nem gente fora da escola,
Mudaria o continente e quem sabe o rumo da história.
Agradeço a todos a escuta dessa prosa meio sem jeito,
Que começou com uma história, meio cheia de defeito
Mas que foi de boa intenção,
Nada disso foi invenção,
assino e termino aqui,
minha prosa com emoção!
