Pés Descalços
Chegará o dia em que vais tirar os calçados e pisar em terra firme com teus pés descalços pelo chão, sentirás o cheiro da terra molhada e as gotas de orvalho caindo do céu como filetes de luz que irás tentar segurar com tuas mãos.
Durante muito tempo meus pés descalços trilharam um caminho de pedras pontiagudas que os feriam... foi aí que fatigada e já sem forças pra continuar sento no chão e eis que nesse instante vejo um rio de todas as lágrimas que derramei nesse percurso, e então avisto um anjo vindo em minha direção com um par de asas na mão e diz : - Eis que o tempo chegou e a liberdade pra voar. Voe... O céu é infinito...
Apenas Criança
Pés descalços que sentiam o chão,
Brincadeiras de meninos, meninas e a pureza na mão.
A rua era o nosso reino, o lazer sem fim,
Onde a imaginação brotava como flor no jardim.
Lá, o nada virava tudo, o simples era invenção,
Brinquedos ganhavam forma no centro do coração.
Ganhar um presente era luxo, raridade de um dia,
No aniversário, a caixa aberta era pura euforia.
Vestíamos histórias em roupas de outros carnavais,
Passadas de mão em mão, heranças dos nossos pais.
Mas quando o tecido era novo, guardado com devoção,
Era para os momentos solenes, de grande celebração.
Lembro dos vestidos rodados, rendas e babados ao vento,
Costurados pela mãe, com carinho e sentimento.
Cabelos esvoaçantes, laços presos com cuidado,
Enquanto o joelho trazia o selo do tombo levado.
Marcas de bicicleta, do carrinho de rolimã na ladeira,
Cicatrizes de uma infância vivida inteira.
As pétalas de rosas eram unhas de rainha,
E o lençol no corpo, a mais nobre baianinha.
Eu descia a escada, princesa em meu castelo de pano,
Vivendo mil vidas num só dia, num só plano.
Tinha a amiga imaginária, segredo só meu,
E o cachorro fiel, o protetor que Deus me deu.
Ser criança era assim: um mundo criado do nada,
Onde a felicidade morava na estrada.
(Inspirado nas memórias de Roseli Ribeiro)
Pergunte o que quiser
"Parafraseando Dom Oscar Romero, a lei é como cobra, só pica pés descalços, por isso, Igreja deve ser estandarte de justiça, e não vendedora de ilusões".
A genialidade é aquela que sempre anda a pés descalços, nunca com celeridade, pois sabe que nunca será alcançada
Mesmo com
espinhos no chão
e de pés descalços
não desista, à sempre uma recompensa para quem persiste.
"A vida não é uma estrada a ser conquistada,
mas um jardim a ser tocado com os pés descalços da alma.
Quem apressa o passo perde o aroma das flores,
que só se abrem lentamente para quem sabe esperar."
Deusa dos Pés Descalços
Desconcertando a quebrada,
Deslizando pela encosta,
Abrilhantou-se prateada,
Requebrada e predisposta.
Dona da redondeza,
Ronda os arredores,
Prodígio em sua fortaleza,
Fascínio para maiores.
A Deusa dos Pés Descalços.
Já houve quem descasou,
Plantando-lhe junto no encalço,
Afeto que avassalou,
Pela Deusa dos Pés Descalços.
Menção para a vaidade,
Desbancando gingados falsos,
Desce o beco como santidade,
A Deusa dos Pés Descalços.
A Deusa dos Pés Descalços.
Memória poética
de uma infância
com os dois pés
descalços no barro,
Desejo inocente
por doçura socorrida
por uma Mariola,
Talvez alguém
não tenha provado,
Quem provou
provalmente não
tenha reclamado,
Mariola do passado,
de hoje e de sempre
eu honro o seu legado.
Envolventes palmas,
na testa marcada
e nos pés descalços
há os sinais da mais
brilhante e distante
das galáxias nomeadas
e tempos de roseirais:
Cosmos RedShift 7
e o zodíaco na pele
de quem nem mesmo
o mau tempo teme.
Desconfiava sempre
que eu era diferente,
e sempre soube
que estava certa
com o coração voltado
para a Lua e o infinito:
O meu rosto carrega
a herança visível
de um povo perdido,
e da minh'alma gêmea.
Nas mãos bailarinas
que trazem acenos
para a imortalidade,
eu sei e você sabe,
e assim nos queremos
com pacientes segredos.
Trazer o momento
mais marcante e infância
à tona para su'alma,
Com os pés descalços,
sem temer percalços
e com as mãos dadas
sob o céu de setembro
enquanto o Jacarandá de Minas
enfeita os nossos cabelos,
os mútuos enleios
e a primavera dos desejos.
Reflexo Distorcido
Sinto o frio do quarto
Corroer a sola do meu pé descalço
E como as dores de um parto
Na beira do infarto
Eu sinto o seu olhar no encalço.
Tudo o que faço é te ver
Me olhando pelo vidro
E eu tento rever
Se algum dia já pude viver
Sem esse olhar tão ferido.
Já está perdido o meu olhar
Pela distância que nos separa
Sinto o meu cabelo molhar,
E pela a minha testa ele suar
Sem o conforto que nos repara.
E isso é para ver nos movendo
Dentro de dimensões paralelas
A mesma dor nos envolvendo
E no torpor nos dissolvendo
Como uma célula sem organelas.
E a bela movimentação
Que faço com meus dedos
Você transmite com a sua ação
Cria um reflexo na retração
Dos nossos próprios medos.
Você mais cedo será 'eu' na frente,
E eu do futuro foi você no passado.
Enquanto as ações do presente
Se tornam presas no inconsciente
Para mudar o futuro solidificado.
Quando pesado ergo o meu braço
Traço uma trajetória duvidosa.
Você seguindo o mesmo passo
Se movendo no mesmo compasso
Com a sua força vigorosa.
A dolorosa vertigem nos embebeda
E nos mostra um mundo novo
E a nossa queda
Traz a escuridão das trevas
Para a nossa vida de novo.
Agora o mundo será mais uma vez sombras na parede
Vamos embora, viajar outra vez nas ondas da complexa rede.
Tsharllez Foucallt
Dizem que para todo pé descalço tem um sapato furado,
Se está furado não me serve! Eu gosto de coisas boas...
Sou assim...
Do mato, cerrado, da mata, do brejo.
Gosto do cheiro, do pé descalço,
Do vento na cara
Até do sol queimando a pele.
Gosto de olhar, de sentir...
Assim me conecto com o criador
É na natureza que Deus está
Na beleza de tudo que Ele me permite admirar!
Não sou poeta, nem sei escrever direito.
Mas com o coração puro tudo se torna perfeito.
Obrigado Senhor por eu ser desse jeito!
AME-SE!
Sem NARCISISMO, sem SUPERVALORIZAÇÃO, com a certeza que "sempre há um pé descalço para um sapato velho e sempre há um sapato velho para um pé descalço"!
Se não nos amamos, como podemos pedir e/ou exigir dos outros aquilo que não conhecemos?
Como mostrar aos outros como fazê-lo?
Precisamos gostar daquilo que vemos no espelho, isto é AMOR PRÓPRIO, AUTO (e não ALTO) ESTIMA.
"AGUAS CLARAS, PÉ DESCALÇO"
Pé descalço, coração de pedra magoado
Que cega esta nossa
Mais que nossa idolatria
Voluntária morte
Esta mortal vida,mal vivida
Onde deixamos reinar a tirania
Tão mal servida
Que bravas águas
Lágrimas no oceano profundo
Perdidas e esquecidas
Que chorei na mocidade
Daquelas que já foram celebradas
Noutra idade
Relembradas em liberdade
Sentidas de bravura
Águas claras
Mostrai-vos tão nossas conquistadas
Da memória antiga
Pé descalço e já magoado
Quando não poder ser amado
O canto das aves
Alegraram o meu pensamento
E o meu ouvido
O perfume das flores
Mostraram-me o céu na terra
Vivo isento e pobre sem abalar
O sentimento da fraca
Humanidade que se vive neste mundo
Cada vez mais frio
De calor humano
Pé descalço e magoado dos caminhos
Onde o mais escuro é claro
O mais leve é pesado
O mais brando é duro
Como as fragas das serras
De giestas, estevas.
Que cega esta nossa idolatria
Desta nossa voluntária morte
Sem viver a mortal vida
Reinando a tirania
Fechando os olhos
De sermos mal servidos
Pé descalço, magoado coração de pedra!
