Penas
FEITOS DE UM POEMA
Eu tenho um poema...
Que fala de penas
que fala de asas e liberdade,
de musica leves tocadas
de sonhos nascidos do nada
das alegrias e felicidades.
Eu tenho um poema...
Que fala de versos e rimas
do cheiro da casa simples
das tranças d'aquela menina
que fala do rancor e da irá
do amor vivido em flor
do rancor causado pela dor
do amanhã e da doce vida.
Eu tenho um poema...
Já feito no fim da tarde
falando do alvorecer
da lua prata da noite
do vento e seus açoites
horizonte e por do sol
da solidão e seu anzol.
Eu tenho um poema...
Nascido de prosas e palavras
com boiada e boiadeiro
da vida mansa e canseira
do menino e da peteca
do ranger da velha porteira
e a moeda na gibeira...
Fala do velho caminho
das flores d'aquelas margens
das remadas na canoa
a brisa do amor na proa
os feitos de gente boa
dos desfeitos e das vantagens.
Eu tenho um poema...
Que também fala das espadas
das guerras desenfreadas
feita para lucro de facínoras,
um poema cheio te temas
com suas penas e lagrimas
suas magoas e suas tremas
nele contem as façanhas
e contendas de um poema.
Antonio Montes
APENAS UM PENSADOR
Marcial Salaverry
Sou pensador apenas,
que pensa se há penas,
algo que valha a pena,
para pegar a pena
e algo escrever...
Com vagar,
ponho-me a divagar,
e assim penso devagar...
Algo sobre a vida,
com total sobrevida,
podemos analisar,
chegando à sábia conclusão,
que o real não é invenção,
e que dois lados tem a verdade...
Assim, o seu certo, pode ser inverdade,
porque, em verdade,
transforma-se o certo
num instável incerto,
e isso, decerto,
muda a face da verdade,
dependendo quais os interesses
a serem defendidos, com justiça ou não...
Para falar em justiça,
não se pensa na injustiça,
que um erro justifica...
E justo isso, tira da justiça,
o que justo fica,
mas não justifica...
E já se diz que "Herrar é Umano"...
Geralmente quem erra, é quem se diz humano,
e que na verdade é desumano,
porque não respeita
nem a Deus e nem ao mano...
Nem pensa na humanidade,
vivendo em desumanidade,
não justificando sua humana idade
que vive na Terra...
Terra, pobre Terra,
pelos homens vilipendiada,
maltratada, poluida, incendiada,
bombardeada, avacalhada,
sem que saiba o porque,
pois espaço aqui, para ninguém falta,
mas uma dúvida me assalta,
quando vejo os homens guerreando
por pequenos espaços de terra,
se há tanta terra nesta nossa Terra...
Por que brigar por um pequeno espaço,
se há tanto espaço?
Por que lutar, matar, queimar,
incendiar e bombardear,
se para todos viverem há lugar?
Basta que se queira em paz viver...
Para acabar com todo esse sofrer,
basta um pouco de boa vontade,
para se ter felicidade...
Pobre Terra, que cada vez mais se enterra...
Depois do desabafo, deixo apenas
minha admiração a todos que querem viver sem penas,
curtindo o desejo de viver em paz,
e que abominam tanta violência...
Juntamos nossas vozes num Canto de Paz...
Marcial Salaverry
O sopro do saldo que baforo não me assegura o alívio das duras penas dos longos anos letivos e do jugo imposto a distância.
Abri aspas :
Só o silêncio.
Fechei aspas
e fui
viver.
Penas?
criei asas e voei
plantando estrelas
para encontrar
a luz .
PENAS E GUERRAS
O homem em busca de paz
Escolhe armas para lutar
O poeta em busca de mais
Recolhe as penas que os escreve poemas
Transforma em asas
Para voar.
PÁSSARO NO ESPANTALHO
Bico preto
penas pretas
canta sem fazer careta...
Pássaro preto.
pretinho, pretinho!
Canta no galho
pousa no espantalho
rouba cisco
p'ra fazer seu ninhozinho.
Oh! Meu pássaro...
Que canta com assoviar
me ensine seu assovio
não me deixe a ver navio
porque eu, não sei nadar.
Me ensine a cantar, a flor
para que eu cante a saudade
um canto que encanta o amor
no canto da felicidade.
Antonio Montes
EFEITOS DA PEDRA
A pedra poderia voar
se tivesse asas com penas
mas tudo que a pedra fez, foi leis...
Aquelas leis que nos condena.
Editou com seus rabiscos
a condenação dos pecados
depois de cima do muro
ouviu o amor ser jurado.
A pedra, ainda em seu feito...
foi tumulo do salvador
estatuas de: Vênus de Milo, e Zeus.
e a topada dos ateus.
Deixou tudo satisfeito...
Quando o gigante tombou
e o Davi com sua pedra
o seu estima selou.
Do Drummond, foi o poema
da pedra de pedra e pedra
a pedra lá da calçada
a pedra lá do caminho
a pedra de todas as pedras.
Antonio Montes
A DURAS PENAS
Lara barganhou o Mothorhome por meses, antes de adquiri-lo. Era um trailer pequeno, com a mesinha, armários envernizados, o frigobar e a cama. Mas não importava se fosse simples, sujo ou claustrofóbico. Bastava para ir embora. Encheu-o com tudo o que tinha e, em apenas três dias, partiu em busca de um sonho.
Ao pisar no acelerador, deixou para trás o marido. Se conheceram no ensino médio, casaram-se cedo e construíram uma cerca branca aos trinta. Aí começaram as bebedeiras, chegadas tardias, brigas, mágoas e o silêncio. Passaram a trocar poucas palavras entre si. Lara não podia dizer o que pensava, pois isso colocaria em risco o relacionamento e ela nada seria sem ele.
Foram anos de um vazio que ela viveu sabe-se lá porque. Viveu não, suportou. Servia a ele como uma empregada durante o dia e boneca inflável durante a noite. Lavava as roupas e o ouvia reclamar sobre tudo, como se ele tivesse uma vida terrível. Ela queria dizer o que sentia sobre o dia. Reclamar da queimadura no dedo, da roupa manchada ou dos cães que cagavam por tudo. Mas ao abrir a boca, temia. Que ele se cansasse, retrucasse ou ignorasse. O que era dela sem ele afinal?
O pior era quando ele partia, pois nada sobrava para fazer. Não tinha com quem conversar, a quem servir. A ambição de tornar-se fotógrafa ficara na faculdade. As amigas com quem conversava já tinham suas próprias vidas, bem longe dali. Lara fora proibida de falar com elas há muito. Depois foi, aos poucos, sufocando a si mesma. Transformando-se numa sombra, em cinza, até ser tragada quase que completamente.
Mas quase que completamente não é tudo. Escondida na fumaça, quem diria, havia uma luz. Lara a guardava dentro da caixa de sapatos, junto dos poemas que ele nunca lia. De moeda a moeda, como quem compra a liberdade da prisão, lá ela juntou as próprias economias. Só foi preciso um passo, um contato, um ato, não de covardia, para ela largar tudo de mão e correr de volta a si mesma.
Aí chega a parte que eu acho mais linda. Não foi preciso outro alguém para resgatá-la do abismo, da escuridão que ela vivia. Lara foi embora para uma terra distante, onde não havia muitas pessoas e conheceu uma das praias que ela sempre sonhou. Quando lá chegou, pelo que dizem, tirou as sandálias, segurou a saia florida e correu para o mar, agradecendo ao universo pela vida.
O marido ficou no coração, mas dele jamais precisou para ser feliz. Lara entendeu que, ao abrir as próprias asas, renasceu. Calçou as sandálias, voltou ao trailer e seguiu o próprio rumo, pelas estradas desertas, moinhos e campos floridos. Porque no final das contas é assim com todos, concluiu. É preciso saber que na vida nós viemos, ficamos e vamos sozinhos.
Olhos claros, cabelos lisos como penas meninas brancas ou meninas morenas. Ah, sei lá!
Olhos negros, pele escura, negra linda sem mistura, naquela noite de chuva você me provou que entre todas as possibilidades você é única.
Não sou poeta, e nem amante de poesia só tenho o costume de descrever o meu dia.
Céu azul, olhos azuis na beira do mar ela está vivendo intensamente sem pensar.
Não é possível esquecer-se dos nossos momentos bons; princesa você me entende apenas com um olhar, quem foi que disse que não era possível amar?
“Meus pensamentos” Resende, 10 de novembro de 2017.
A maior demonstração de maturidade é quando alguém te machuca e, ao invés de se vingar, você penas tenta entender a situação.
"O pavão de hoje pode ser o espanador de amanhã". Peraí. Não entendi: o que as penas tem a ver com o pavão?
PATO NO CARDÁPIO
O pato esta no cardápio...
No cardápio sem lago sem nado,
sem suas penas sem voar...
E sem o seu espaço no ar.
Esta no cardápio... Cardápio lindo!
Cardápio colorido, com letrinhas
com laço, onde ali, ensina o que há.
O pato esta no cardápio...
Assado grelhado,
temperado com salsa, cebolinha...
Com olho, cebola e açafrão.
O pato esta no cardápio...
Cozido ao molho,
preparado sob folhas de manjericão.
Esta no cardápio... Sob sal, vinagre,
vinho tinto, daquele que nos faz miragem.
O pato, esta no cardápio, ora veja...
Na bandeja, em cima da mesa...
Acompanhado com taças de cervejas.
Antonio Montes
As piores penas que já sofri,foram aquelas impostas por mim mesma,porém também me trouxeram recompensas incríveis.
FOI UM SONHO APENAS
Marcial Salaverry
Foi um sonho apenas,
cujo despertar deixou penas...
Foi um sonho de amor intenso,
sonhado com desejo imenso...
Sonhado com carícias sem fim
num amor tão forte assim,
que foi ao êxtase levando,
à medida que estava sonhando...
Lábios que os corpos percorriam,
e carinhos que maluqueciam...
Bocas unidas, mãos cruzadas,
pernas entrelaçadas...
E quando estava culminando,
e as campainhas do amor soando,
percebe-se que era o despertador tocando...
Que coisa mais inoportuna,
e como isso ao amor importuna...
Vamos combinar,
que mesmo estando a sonhar,
certamente um amor "sonhante",
deve chegar a seu ponto culminante...
E foi lá no meio do corredor
que ficou o importuno despertador...
Marcial Salaverry
