O Poeta e o Passarinho
UTOPIA
Aquela estrela é minha
Aquela, pequenina,
Na esquina do Universo, escondidinha.
Eu, que não tenho nada além dos meus chinelos,
Além dos meus poemas, além dos meus anseios,
Sou feliz proprietário de uma estrela,
Uma que eu inventei, e para vê-la,
Fecho os olhos na hora de sonhar.
Aquela estrela é minha, senhores astronautas,
Vagabundos do espaço de ninguém:
Cuidado, ela é frágil, assim como meus versos,
Astrônomos, que fuxicai pelo Universo,
Se um dia descobrirem essa estrela,
Ela tem nome, chama-se Utopia.
Aquela estrela é minha, senhor Deus,
Que pastoreais nuvens no Infinito,
E que semeais sóis e tempestades
Não leves a mal a pretensão do poeta,
Mas, aquela estrela, ainda que feia, é minha,
Não faz parte do elenco dos teus astros,
Eu a fiz com as mãos, o sonho, o coração.
Aquela estrela é minha, senhoras e senhores
E, quem quiser passear na minha estrela,
Numa tarde qualquer, de chuva ou sol,
É só me dar as mãos, ser meu amigo,
Compreender minhas incompreensões,
E caminhar comigo.
Mas não reparem se, de madrugada,
Não houver mais estrelas nem mais nada
É que ,às vezes, acordo mal dormido,
Oprimido, homem e pingente,
E minha estrela, triste, vai embora,
E só regressa numa nova aurora,
Quando eu volto a ser gente..
O tempo passa, como voa!
vamos juntos, passo a passo,
na canção da vida que destoa
num ou outro compasso
Vão singulares os amores...
Quem pagou os direitos autorais ao amor ?
Por tê-lo usado banalmente, sem créditos do autor.
Desconheço a autoria conhecida, em nosso favor;
Clonagem, cópia, plágio ou imitação,
Do que já publicaram sem devida concessão,
Descrevendo o exaustivamente descrito;
Sem receio de ser bobo, caio no que já foi dito,
Despenco na repetição, repetição.
Do que causa-nos contágio,
Portador de bons-presságios,
O mais caro dos pedágios,
Dentre todos os valores.
Amores que vivi,
que se ausentaram.
Amores que vivi,
que me castigaram.
Amores que vivi
e se quer me notaram.
Amores que vivi,
que me contagiaram.
Amores que vivi,
que me desfiaram.
Amores que vivi,
que me restauraram.
Amores que vivi,
me impulsionaram.
Amores que vivi,
amores que me amaram.
Amores que vivi
Vão singulares os amores...
Quem pagou os direitos autorais ao amor ?
Por tê-lo usado banalmente, sem créditos do autor.
Desconheço a autoria conhecida, em nosso favor;
Clonagem, cópia, plágio ou imitação,
Do que já publicaram sem devida concessão,
Descrevendo o exaustivamente descrito;
Sem receio de ser bobo, caio no que já foi dito,
Despenco na repetição, repetição.
Do que causa-nos contágio,
Portador de bons-presságios,
O mais caro dos pedágios,
Dentre todos os valores.
Frágeis, ágeis, inabaláveis,
Vão singulares os amores...
Amores que vivi, que se ausentaram.
Amores que vivi, que me castigaram.
Amores que vivi e se quer me notaram.
Amores que vivi, que me contagiaram.
Voam singulares os amores...
Amores que vivi, que me desfiaram.
Amores que vivi, que me restauraram.
Amores que vivi, me impulsionaram.
Amores que vivi, amores que me amaram.
Voam singulares os amores e se vão...
PINGOS DE SANGUE
Às vezes me deixo magoar
Por pessoas insignificantes
Pessoas que juram amor
De maneira apedrejante
As perguntas sobre meu avesso
Parecem óbvias aos meus olhos
E não conheço uma resposta
Que satisfaça meus anseios
Mas sou poeta, sou poeta!
Posso me transformar no que quiser
Por ser poeta sou profundo
Sou pobre, sou rico, sou imundo
Mutações são necessárias
Quando há insignificâncias
Que perturbam a mente
Talvez o que me incomoda
Esteja na importância dada aos fatos
E há uma força incrível
Que me mantém de cabeça erguida
Mesmo pingando sangue.
POESIA É CAPASSO
Poesia é compasso, com melodias
Suaves que musicam o bom viver
Suas cadências são visões luzidias
E ao ledor se torna graça a prover
E esse par, de fato, são harmonias
Que nos levam ao doce alvorecer
De quimeras, sonhos e fantasias
Que ao agrado traz o bem querer
Sussurram os diversos cotidianos
Traçados, feitos e outros planos
Do Bardo, que tira da sensação
Cada verso o ritmo a nos aninar
Adentrando a alma pra lhe falar
Dos ousas cadenciando o coração
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14 janeiro, 2022, 10’06” – Araguari, MG
Colho o vento,
colho as horas,
junto tudo ao segredo
que guardo no peito,
e vago em direção
ao infinito instante,
onde tudo é possível.
Mesmo que seja
apenas na algoz
inquietude silenciosa
do meu ser poeta.
Às vezes, falar o que você pensa cria um abismo entre você e outras pessoas; outras vezes, expor os teus pensamentos constrói pontes sobre abismos já existentes.
Por isso, construa pontes, não abismos.
PEÇA PERDÃO, AINDA QUE VOCÊ SE SINTA VÍTIMA. VAI QUE A RAZÃO ESTEJA DO OUTRO LADO!!!
Altamira, teu segredo foi revelado
Você mata inocentes e inocenta culpados...
Culpados por Belo Monte...
Culpados por tantas águas
Que trazem no horizonte
Um rastro de violência
Escrita em muitas tábuas
Transformadas em cruzes
De flores adornadas.
E o que se faz?
Nada e Nada e Nada!
O fazer também JAZ!
Não modifique os textos de nenhum autor e nem tire a sua Autoria.
Dê- lhe sempre os créditos, pois tudo é registrado.
A caneta.
O grito mais alto do mundo.
Plangente de solidão,
algente de tão profundo
que tolda o coração.
Adágio de uma canção,
prelúdio sabotador
nas mãos do compositor.
