O Poeta e o Passarinho

Cerca de 26128 frases e pensamentos: O Poeta e o Passarinho

Deixe

Deixe quieto
Ou deixe rolar,

Só não deixe
Que fique
Por isso mesmo.

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Pragóra

Templo Edificante do Conhecimento - Bradou o Andarilho. Há de ser assim, sapiência vindo de onde se espera. Mas não exagere no uso do verbo esperar, a sabedoria é pra agora.

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Rima sobre Rima
(ou a Monografia Senil
de um Inovador Ultrapassado)

Do barulho infernal,
Ao brilho cegante,
Energia estridente,
Dissipada em instantes.

Nós somos as massas
E as minorias,
Saboreamos o bônus
E as consequências.

Fomos barbárie em harmonia,
Trouxemos uniformidade e conflitância.
Regamos os buquês floridos da melancolia,

Eufóricos desenfreados, anatomistas.
Portamos as causas e as epifanias.
Éforos da argumentação,
Baboseiras intimistas,
Infinitas.

Estratagemas, pilherias,
Ardis e trapaças,
Emboscadas, astucias,
Arapucas, ciladas.

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Não fazemos ideia
Dos porquês,
Ocupamo-nos
Apenas, do aroma dos buquês.

Que restem penas,
Cheiros, perfumes, odores,
Penachos, farroupilhas.

Que restem arenas,
Termas, gladiadores,
Pomares, pantomimas.

Que seja esta nossa sina.
Que reste apenas,
Rima sobre Rima.

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Ver, de Verônica

Nem só de aleatórias combinações vive a poetisa, mas de toda sobrecarga que lhe é imposta. Doloridos tendões, quanto mais nos atendem, mais tendem a latejar. Propriocepção exagerada em nós. Coloridos vasos pulsantes sanguíneos, atarefados, florescendo veias dilatadas, senhoritas ritmadas, gingam joviais, perfumes orgânicos de ti exalam. Talento para olhar e ver, não somente lar, muito mais que isso, o porto quase sempre inseguro, acolhimento em parto, aconchego em partes, invólucro, lúmen inteiro expandindo, teus diâmetros, nossos perímetros, dilatam intuitos, estásativa, tuésmística, alternativa, grandezavetorial, peregrina, intuitiva, nativa, provavelmente em magnitude e possivelmente com direção, uterina. Cafeína achocolatada, alerta em repouso, extenuante, muito bem nutrida e pós avaliativa, fadigada, (des)enfadonha. Chegou tão alto com o empuxo, que nem mesmo a gravidade pôde se justificar, rotineira singularidade. Canto propensão a estridentechamativo-arrepiante do emudecimento, microfonia que tilinta e repica, batevolta-quica-escorrega-quintuplica. Tchuca-propulsiva-curiosa-assídua-in-finita. Simples-ser para ter, articular, parecer e parati, printei uma foto tua com baton escarlate, contra o vidro e a selecionei cuidadosamente, como meu fundo de tela, para sentir e então... Ver, de Verônica.

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Que seja fluente quando percorra
E que deslize fluindo enquanto existir.

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Florida Idiotice Alada na Era dos Rasos

Insanos Púberes,
Adagas de papelão, evolucionários,
Tirando retratos no elevador.

Teus cruzados certeiros,
Teu discurso inflado,
Um corte tendência pro conquistador.

Pigmentos descolados,
Alastrados na epiderme,
Nenhum sentido.

Perfumes, loções,
Cheiros importados,
A briga não cessa em rede social.

Cartões estourando
Sem arrependimento,
Teu ringue é a noite,
À prova de personalidade.

O desprezo total pelo que respira,
Tua mania geral, tua ciência e guia.
Um salva de nadas,

Nobre inconsistência,
Atraentes, perfeitas anomalias.

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Declives severos
Nessa nossa investida,

Um passo atrás,
A cada novos passos,

Florida Idiotice Alada Na Era dos Rasos.

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Caso todas as explicações fossem alcançadas e todas as perguntas respondidas, na realidade, de qualquer forma, eu jamais saberia, o que fazer de mim.

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Subatômicos

Nunca tive nada na vida,
Só tive a poesia.

Eu tinha ela, ela me tinha,
Jamais me decepcionou.

Como um brilho no telescópio,
Olhar pra pia limpa e ver o bule cheio,

Após o buraco de minhoca,
Na nebulosa bumerangue.

Minha Canis Majoris,
Sou Eta Carinae.

Neste berçário de estrelas,
Só tive a Poesia.

Corpúsculos diminutos,
Nano-elixir-microscópico.

Subatômicos.
Eu tinha ela, ela me tinha.

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Somos suntuosos borrões,
Corajosos apavorados,
Expostos assim de repente,
Na vitrine um vapor dispersado.

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Reviravolta

Um exaustivo
Sobe e desce
E vice versa.

Segue acima,
Prossegue abaixo,
Degraus disso,
Degraus daquilo.

O impacto dos calçados,
Em madeira, taco compensado,
Concreto, piso emborrachado,
Sortidos revestimentos e tal.

Perdurou assim por um longo tanto,
Antes e após, punhados de anos,

Até que a escada se cansou
De ser solo, chão ignorado,
Prostrado em desencanto,
Estática imutável vegetante.

Esperou um instante,
Levantou renovada,
Um atrevimento repleto,
vibrante,

Chocando paredes e teto,
Saiu dando cambalhotas,

Escada arrojada,
Escada rolante.

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No Mesozóico,
Entre Cretáceo e Cretinos,
os Répteis da Pangéia,
trocaram Gondwana por Laurásia

Eu lhe pergunto,
O que mudou entre nós ?

O cara comprava
Seu espaço na caverna,

Com carne salgada
E peles de animais.

Hoje, o troglodita,
Habita um arranha céu,

Ocupando seu espaço,
Com poder e papel,

Ainda vive impunemente,
Procurando paz.

Ainda vivo livremente,
Perseguindo a paz.

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Estamos tão distantes
Da felicidade irretocável,
Que quase podemos tocá-la.

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Aysha

Ainda em sonolência, sentei-me à mesa; emaranhadas mechas ou cachos (impossível determinar com exatidão a essa altura); pálpebras grudentas, rouquidão laríngea, voz mais grave que o habitual; obstruídas vias aéreas, maquilagem em borrões; com tornozelos congelados, contorcida sem edredom, próxima de não sentir os pés, dedos anestesiados; descascando esmalte. Mas o faro apurado, capturando aguçado toda e qualquer molécula de café, pairando sobre o ar resfriado pela estação que mais me agrada. Na cozinha, elevei minha caneca ao status de brinde e brindei, sozinha, ao arrojado inverno, que a primavera repouse agasalhada e confortável, pelo quanto puder, pois nem mesmo meteorologia, astronomia ou horóscopo, juntos, poderiam prever, ainda que nublado, quão fulgurante seria aquele dia.

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Esplendorosa,
A vertente talentosa,
A dissolver,
Com a Tristeza Oculta num Sorriso Púrpura.

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Na Savana o Selvagem

A Zebra, graciosa,
Velocidade listrada,
Bicromática em P&B;

O Elefante,
Grande paquiderme simpático,
De memória gigante;

A Hiena risonha, gargalha,
Mordisca e abocanha;

O Guinú pasta, corre,
Se agrupa, debanda da manada;

A Cobra rastejante vai coreográfica,
É esguia, escorregadia
E se vira como pode;

O Leão, monarca supremo,
Impõe sua posição
Num rugido ecoante,
O território lhe pertence;

E o Homem, detentor da razão,
Único animal que pensa,
Ser existencial,
Sempre vivendo grandes dilemas.

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Extinguiu espécies a esmo,
Matou tudo o que anda, salta, nada,
Flutua, mergulha, voa ou rasteja.

E sendo um humanista,
Ainda lhe sobrou tempo,
Para escrever poemas.

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Para Além da Extensão de Meus Atos

Temo, que não possa viver de outra maneira,
Se não na forma de combustível fóssil,
Sou insustentável por mim mesmo.

Só ajo por combustão
E meus derivados são nocivos,
Minhas fontes que não são renováveis,
Tem se exaurido com velocidade alarmante.

Em meu cartel particular,
Promovo commodities especuladas,
Que monopolizam meus recursos,

Em prejuízo daquilo que tenho de melhor,
Causando estragos, irreversivelmente permanentes,
Que abalam o egosistema.

Em meus escombros,
Me escondo
De mim.

Conquanto,
Sou eficiente
Em denunciar-me.

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O pior, é que com uma única fagulha,
Pode-se facilmente, gerar a reação catatônica,
Para a extinção final.

Por sorte,
A umidade é elevada
Do lado de cá.

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