Não Existe uma Pessoa Certa
O mundo e quase tudo que nele existe foi criado pela palavra… Mas é pela ironia que ele quase sempre subsiste.
Antes de ser matéria, quase tudo foi ideia.
Antes de ser gesto, foi intenção.
Antes de ganhar forma, alguém precisou nomear, imaginar, ordenar ou simplesmente dizer: seja.
A palavra tem esse estranho poder de inaugurar realidades.
Com ela fazemos promessas, construímos pontes, declaramos amores, iniciamos guerras, criamos leis e inventamos futuros.
Uma palavra pode levantar alguém do chão ou empurrá-lo ainda mais para dentro de si.
Pode aproximar desconhecidos, separar amigos e transformar um instante em memória.
Mas há algo curioso na condição humana: aquilo que construímos com tanta seriedade, frequentemente só consegue continuar existindo porque aprendemos a rir de sua própria seriedade.
É aí que entra a ironia.
A ironia talvez seja uma das formas mais sofisticadas de lucidez.
Ela nasce quando percebemos que o mundo raramente corresponde ao que dizemos sobre ele.
Falamos em justiça, mas almejamos privilégios.
Pregamos a tolerância, mas escolhemos cuidadosamente aquilo que estamos dispostos a tolerar.
Defendemos a verdade, desde que ela não contrarie aquilo em que já acreditamos.
E seguimos…
Talvez porque a ironia nos permita suportar essa distância entre o que somos e aquilo que gostaríamos de ser.
Rimos de nossas contradições porque, muitas vezes, levá-las inteiramente a sério seria insuportável.
O homem constrói monumentos à eternidade sabendo que morrerá.
Escreve declarações de amor como se o sentimento pudesse vencer o tempo.
Cria regras para organizar o caos e, logo depois, inventa exceções para conseguir viver dentro delas.
Somos criaturas paradoxais: precisamos acreditar nas palavras que criamos, mas também precisamos desconfiar delas.
Porque a palavra constrói, mas pode aprisionar.
Um nome transforma uma coisa em conceito.
Um conceito transforma-se em certeza.
E uma certeza, quando ninguém mais ousa questioná-la, pode se transformar em dogma.
Talvez por isso a ironia seja tão necessária.
Ela abre uma pequena fresta na parede das nossas certezas.
Não necessariamente para destruir aquilo que acreditamos, mas para lembrar que nenhuma construção humana deveria ser tão sagrada a ponto de não suportar uma pergunta.
A ironia nos sussurra: olhe novamente.
Olhe para aquilo que você chama de sucesso.
Olhe para aquilo que chama de fracasso.
Olhe para as convicções que herdou e que nunca examinou.
Olhe para as verdades que defende com tanta veemência — e pergunte se ainda acredita nelas ou apenas aprendeu a repeti-las.
Talvez a maturidade esteja justamente nesse movimento: continuar usando a palavra para construir, sem esquecer que toda construção humana é provisória.
Criamos o mundo quando falamos sobre ele.
Mas também podemos recriá-lo quando encontramos novas palavras para aquilo que antes parecia definitivo.
No fim, talvez a existência seja essa curiosa negociação entre a palavra e a ironia.
A palavra diz: “É assim.”
A ironia pergunta:“Será?”
E, entre as duas, nesse pequeno espaço aberto pela dúvida, talvez esteja aquilo que chamamos de liberdade.
Não
há Cuidado mais Bonito e Charmoso que cuidar de quem não está doente.
Porque existe uma Delicadeza muito extraordinária em oferecer carinho quando ninguém está sentindo dor, em perguntar se está tudo bem quando não há sinais de tristeza, em abraçar sem que exista um motivo aparente e em demonstrar preocupação sem esperar um pedido de socorro.
É que, muitas vezes, aprendemos a cuidar quando a vida nos apresenta uma urgência, quando o corpo adoece, quando a alma desaba ou quando a ausência ameaça levar embora aquilo que a presença não soube valorizar.
Mas o Cuidado mais elegante é aquele que não espera a tragédia bater à porta para se fazer presente.
Cuidar de quem está bem é uma forma bastante silenciosa de dizer: “Eu não preciso que você sofra para reconhecer o quanto você é importante para mim.”
É perceber que o amor não deve ser apenas um alento para as dores, mas também um ingrediente para os dias comuns.
Afinal, ninguém deveria precisar adoecer para receber atenção, entristecer para ganhar colo ou se afastar para despertar saudade.
Há quem só ofereça flores diante de um leito de hospital, como se a fragilidade fosse a única ocasião capaz de despertar ternura.
Mas existem pessoas que preferem regar o jardim enquanto as flores ainda estão vivas, porque compreenderam que a beleza também precisa de manutenção, e que o afeto, quando chega antes da necessidade, tem um valor imensurável.
Talvez seja essa uma das formas mais Bonitas e Charmosas de amar: não transformar o cuidado em obrigação, nem a atenção em resposta a uma emergência.
É fazer do Carinho uma presença cotidiana, da Gentileza um hábito e da Preocupação uma demonstração espontânea de Afeto.
Porque quem cuida antes da dor não está apenas tentando aliviar um sofrimento; está ajudando a construir uma vida na qual o sofrimento não precisa ser a única razão para alguém se sentir amado.
No fim das contas, o cuidado mais Bonito não é aquele que chega para salvar alguém do pior, mas aquele que se faz presente para que a vida, mesmo nos seus dias mais comuns, continue valendo a pena.
E convenhamos: há algo profundamente charmoso em ser lembrado quando não se precisa de nada, acolhido quando se está bem e amado sem precisar apresentar feridas para merecer carinho.
Isso não é excesso de zelo.
É maturidade afetiva.
É entender que o amor não deve ser apenas um pronto-socorro para corações feridos, mas também um lugar de paz para corações que, simplesmente, querem continuar florescendo.
Onde o Estado Paralelo atua, existe até pena de morte; onde o Estado finge atuar, não existe quase pena nenhuma.
Há uma ironia bastante cruel nessa constatação: onde a lei deveria imperar, muitas vezes prevalece a impunidade; onde a lei não existe, ou foi substituída pela força, a punição costuma ser imediata, implacável e até definitiva.
O Estado Paralelo não precisa de tribunais legais, recursos ou códigos escritos.
Impõe suas próprias regras, estabelece seus próprios julgamentos e executa suas próprias sentenças.
Não há presunção de inocência, direito à defesa ou possibilidade de contestação.
Há apenas o poder de quem manda e o medo de quem obedece.
Ali, a Sentença pode ser a morte, e o julgamento, uma formalidade dispensável.
Já o Estado legítimo, aquele que deveria garantir a lei e a ordem sem sacrificar a justiça, parece, por vezes, preso a uma contradição que corrói sua própria autoridade: possui leis, instituições, tribunais e instrumentos de coerção, mas frequentemente falha em transformar tudo isso em consequências concretas para quem viola as regras.
A demora se torna rotina, a reincidência parece um detalhe estatístico e a impunidade, antes uma exceção vergonhosa, passa a ser percebida como parte do funcionamento do sistema.
É preciso, contudo, distinguir justiça de vingança.
A força de um Estado não se mede pela quantidade de pessoas que pune, muito menos pela brutalidade de suas penas, mas pela capacidade de investigar, julgar com imparcialidade e aplicar a lei de maneira efetiva, proporcional e igualitária.
A justiça não precisa ser cruel para ser respeitada; precisa ser confiável para não ser desprezada.
O problema começa quando o cidadão percebe que o criminoso teme mais a sentença de uma Organização Criminosa do que a resposta das instituições públicas.
Nesse momento, não é apenas a autoridade do Estado que se enfraquece: é a própria ideia de que a vida em sociedade pode ser organizada por regras comuns, e não pela vontade arbitrária de quem detém o poder.
E há algo ainda mais grave nessa inversão: quando o Estado deixa de ocupar os espaços que lhe cabem, outros poderes os ocupam.
Onde falta segurança, instala-se o domínio pelo medo.
Onde falta justiça, surge a justiça privada.
Onde falta presença institucional, cresce a autoridade paralela.
O vazio deixado pelo poder público raramente permanece vazio por muito tempo.
A sociedade, então, passa a conviver com duas realidades igualmente perturbadoras: de um lado, um poder clandestino que pune sem direito; de outro, um poder legítimo que, quando falha sistematicamente em responsabilizar, transmite a sensação de que o direito existe apenas no papel, e nem sempre alcança a realidade.
A questão fundamental, portanto, não é por que o Estado Paralelo consegue ser tão implacável, mas por que o Estado de Direito tantas vezes parece incapaz de ser efetivo.
A resposta não está em abolir garantias, naturalizar a violência ou desejar que o Estado se transforme naquilo que deveria combater.
Está em exigir instituições que funcionem, leis que sejam aplicadas e uma justiça que não seja nem instrumento de terror nem sinônimo de impunidade.
Porque uma Sociedade Civilizada não pode escolher entre o medo da execução clandestina e a descrença na justiça oficial.
Precisa ter o direito de confiar em uma terceira possibilidade: a de que ninguém esteja acima da lei, mas que ninguém esteja abaixo da proteção que ela deve oferecer.
Quando o Poder Paralelo mata, revela a tirania de quem se julga dono da vida alheia.
Quando o Estado se omite, revela a fragilidade de quem recebeu a responsabilidade de protegê-lo.
E quando ambos passam a coexistir sem que a sociedade consiga vislumbrar a autoridade da lei, o que está em julgamento já não é apenas a segurança pública: é a própria capacidade do Estado de justificar sua existência.
Existe um brilho raro em quem continua absorvendo os pequenos raios de sol depois de tudo o que poderia ter escurecido o coração.
— Jullye Alves
Entre uma lembrança tua e outra existe um instante tão breve que inventei chamá-lo de esquecimento. Mas nem nele te ausentas: apenas descansas um momento dentro de mim.
“Se o futuro da humanidade não for colaborativo, não existe futuro.“
— Moises Felippe Bertges (pioneiro em acessibilidade digital e criador do modo escuro).
A ideia de que existe um ser divino com poderes cósmicos, capaz de criar tudo em meros instantes, é muito perigosa na mente de criaturas tão ignorantes quanto a nossa espécie.
Estamos destruindo o mundo, exterminando espécies e acabando com biomas.
A ideia de que existe um ser divino com poderes cósmicos, capaz de criar tudo em meros instantes, é muito perigosa na mente de criaturas tão ignorantes quanto a nossa espécie.
Enquanto a estupidez nos faz discutir se pintar a cara é pecado, o verdadeiro pecado toma a Terra.
Rolamos nosso feed em busca de um fim que não existe, hipnotizados por um mundo digital, enquanto o mundo real perece longe de nossos olhos, sem receber a devida atenção.
O amanhã existe.
Hoje
Mais uma vez botaram um nó em minha garganta.
Mais uma vez ataram minhas mãos.
Hoje
Mais uma vez calaram minha minha voz.
Mais uma vez puseram minha paciência a prova.
Hoje... mais só hoje.
Esquecem eles que o amanhã existe.
E no amanhã, voltarei a cantar.
Voltarei a acenar para o mundo.
Voltarei a falar de amor.
E com a paciência de sempre, mostrarei a essa gente.
Que a vida é mais que um hoje... e sempre existe um amanhã.
20/07/2013
Não existe maior hipócrita do que aquele que diz seguir Jesus Cristo, mas não ama o seu próximo pecador, assim como ele.
Existe uma diferença entre aquilo que você é capaz de fazer e aquilo que efetivamente realiza. O potencial pode despertar admiração, mas não sustenta uma carreira, não constrói uma empresa e não resolve problemas. Enquanto você se orgulhar mais do que poderia ser do que daquilo que entrega, continuará vivendo abaixo das próprias possibilidades. O mercado não conhece suas intenções. Conhece seus resultados.
Existe um custo em aprender coisas novas, modificar hábitos e abandonar métodos conhecidos. Entretanto, também existe um custo em permanecer exatamente como você está enquanto o ambiente ao redor evolui. A experiência que não se renova pode transformar-se em acomodação, e a segurança proporcionada pelo conhecimento antigo pode impedir que você perceba novas exigências. Evoluir não significa rejeitar tudo o que funcionou, mas reconhecer que o passado não oferece garantias permanentes para o futuro.
É fácil cuidar dos detalhes quando existe a possibilidade de ser avaliado. O desafio verdadeiro é manter o mesmo padrão quando ninguém está observando, quando o esforço não será reconhecido e quando uma pequena falha provavelmente passaria despercebida. A excelência profissional não pode depender da presença de alguém fiscalizando sua execução. Ela precisa fazer parte dos critérios pelos quais você próprio avalia o trabalho realizado. O padrão que você mantém sem testemunhas revela o compromisso que realmente assumiu.
Existe uma diferença entre possuir competência e sentir necessidade de demonstrá-la a todo instante. Quem teme parecer despreparado pode interromper, responder antes de compreender, prometer além do que consegue entregar e esconder dúvidas que precisariam ser esclarecidas. Essa postura talvez preserve uma imagem durante alguns minutos, mas compromete a qualidade das decisões. Profissionais maduros não precisam fingir que sabem tudo. Eles reconhecem os limites do próprio conhecimento e trabalham para superá-los sem transformar cada conversa em uma disputa por superioridade.
Existe uma diferença entre demonstrar competência e tentar convencer todos, a qualquer custo, de que você é competente. A segunda postura frequentemente produz discursos excessivos, promessas desnecessárias e decisões orientadas pela necessidade de aprovação. A autoridade profissional se fortalece quando há coerência entre conhecimento, comportamento e entrega. Você não precisa transformar cada conversa em uma demonstração de superioridade. Precisa construir uma trajetória na qual suas ações sustentem aquilo que suas palavras afirmam.
Admitir que você não possui determinada informação pode parecer arriscado quando existe a expectativa de demonstrar domínio. Entretanto, improvisar uma resposta sem fundamento compromete a confiança muito mais do que reconhecer uma lacuna e assumir o compromisso de investigá-la. A autoridade profissional não depende de aparentar conhecimento ilimitado, mas de distinguir aquilo que sabe, aquilo que precisa verificar e aquilo que não pode garantir. Essa postura exige segurança para não transformar o orgulho em fonte de desinformação. A credibilidade cresce quando suas afirmações respeitam os limites das evidências disponíveis.
Toda vez que uma entrega abaixo do esperado é aceita sem análise ou correção, existe o risco de que aquela exceção passe a ser interpretada como uma condição normal. Isso vale para a qualidade de um serviço, a organização de uma equipe e a maneira como você administra os próprios compromissos. Padrões não são definidos apenas pelo que se exige formalmente, mas também pelas consequências concretas das decisões cotidianas. Preservar a qualidade exige distinguir um erro pontual de uma prática recorrente e agir proporcionalmente em cada caso. O padrão que você estabelece hoje influencia aquilo que amanhã será considerado aceitável.
Persistir é importante quando existe um objetivo relevante e um caminho que ainda oferece possibilidades reais de alcançá-lo. Entretanto, continuar investindo em uma estratégia apenas porque muito tempo, dinheiro ou esforço já foram empregados pode ampliar perdas que poderiam ser limitadas. O investimento passado não garante que a próxima tentativa será vantajosa. É necessário avaliar as condições atuais, os resultados obtidos e as alternativas disponíveis, mesmo quando essa análise exige abandonar um plano no qual você acreditou. A persistência inteligente protege o objetivo sem transformar o método utilizado até aqui em algo intocável.
