Nao Chega aos meus Pes
Eu uso sapatos n°35, que cabem confortavelmente nos meus pés,e só as vezes dão uma machucadinha. Mas eu já tive um sapato n°34, esses são quase impossíveis de usar, machucam demais, sem contar que quase não cabem no meu pé, eu tenho que fazer um esforço enorme. Mas depois eles machucam tanto, incomodam, apertam, criam bolhas. Eu não compro um sapato n°34 porque eu quero, mas eu vejo aquele sapato vermelho lindo na vitrine, e só tem o n°34, como não comprar? Mas depois ele me machuca tanto que faz eu não querer ter pé. É como se amor pra mim fosse um sapato n°34...
MATULÃO
Vivo das lembranças...
De levantar do chão meus pés andarilhos.
Nessas investidas, quase muito eu vi.
A florada no seu tempo
Escutei com displicência o argumento dos homens
Duvidosos das chuvas, de língua seca.
Remôo essas lembranças
Eu apanhando do chão
Meu matulão cansado da estrada
E eu um homem desertificado,
Orado, rezado, benzido pelas sombras boas.
Cacho de alecrim, pra espantar mutuca,
E deixar um cheirinho
Que a gente logo abusa.
E de noitinha ouvir a sinfonia mais desencontrada
A saparia escondida do maestro ensaboado.
Araras no topo jogando migalhas,
Que os bichos rasteiros
Comiam lembranças do chão.
Adoeço só de ver as estradas encobertas,
E um céu descoberto, nem uma nuvem que se pise.
Quanto mais me disto desses lugares meus.
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naeno*comreservas
MATULÃO
Vivo das lembranças
De levantar do chão meus pés andarilhos.
Nessas investidas, quase muito eu vi...
A florada no seu tempo certo,
E vi errado o argumento dos homens
Duvidosos das chuvas, de língua seca.
Morro das lembranças
Eu apanhando do chão
Meu matulão cansado da estrada
E eu um homem desertificado,
Orado, rezado, benzido pelas sombras boas.
Cacho de alecrim, pra espantar mutuca,
E deixar um cheirinho
Que a gente logo abusa.
E de noitinha ouvir a sinfonia mais desencontrada
Da saparia escondida nas locas.
Arengas na estrada de cobra e lagarta,
Araras no topo jogando migalhas,
Que até eu, com a fome no estômago, alimentada,
Pegava e comia, essas lembranças do chão.
Adoeço só de ver essas estradas raspadas,
E um céu descoberto, nem uma nuvem que se pise
Quanto mais me disto desses lugares meus.
Mantenho firme meus pés ao chão, esperando um dia te encontrar e ter você junto a mim. É o que mais anseio, o que mais preciso.
Minhas atitudes me fazem ir em busca, minhas escolhas me mostra o caminho, meus pés o segue e meu Deus me guia.
Ninguém há de me dizer o que fazer!
Se da estrada que se apresenta por debaixo dos meus pés, rente a minha visão, em horizontes encobertos de passos: largos, curtos, firmes ou titubeantes, só eu sei aonde ir, por onde andar.
Se os caminhos se cruzam e se da faca que corta os perigos, de macios pelos da forjada malícia humana, sei bem amolar. Não sou de força, sou de coragem, e com ela brigo até com vento arrepiante, que seca o gosto, paralisa o ar e faz o riso chorar.
Ah, sem mais pra cá! Fora de mim a dissimulada bondade, composta de certezas impuras, finca e vil expressão da maldade. Coração que canta não bravura desamor! E da voz que se entoa, há de fazer ninar em braços esparsos, inclusive, em tempestade.
Ninguém há de me fazer ser! Porque sou o que ninguém tem nada a ver. Se não me tens apreço, abro atalho para te pôr daqui pra lá, léguas de mim. Não perco tempo nem com exclusão à toa.
Minha vida anda ocupada demais com as colheitas floridas, de frutos doces e de árvores que me fazem sombra feliz, detendo o sol escaldante, que queima a pele e faz cicatrizes profundas de dor.
E, caso por tudo falado, não me fizer pra ti bem explicado, preocupes somente contigo. Sê e faze o que tu quiseres! Vida que da gente é, não precisa de endosso coletivo.
Espero que por esse caminho que sigo o chão esteja leve e solto, para que as marcas dos meus pés permaneçam até a minha volta, assim um dia saberei qual estrada me levou ao sucesso
Quando criança, meus joelhos e cotovelos andavam sempre ralados, pés, mãos cortadas. As feridas de hoje são mais intensas e impetuosas, estão permeadas na alma.
Ao invés de perder-me na caminhada
Prefiro aliviar meus
pés
Respirar fundo e seguir
em frente
Com a certeza de que tudo
pode mudar a cada segundo.
Ahhh...
Não me canso de viver
e de lutar.
Tenho paixão por mim e
pra ser feliz?
Vou até o fim do mundo!
SONETO ORANTE
Em teu louvor, Senhor, estes meus versos
Aqui a teus pés, minha fé, para cantar-te
Neste soneto em rogo, orante... Destarte
Aqui as falhas mortais, na prece imersos
Humildemente o meu olhar a adorar-te
Ó Sacrossanto que reina os universos
E põe a margem os corações perversos
Os meus erros para ao Teu perdão parte
Diz-me o necessário dos maus anversos
Pra que possa me redimir em descarte
E ter comunhão, caridade n'alma emersos
No merecimento do Céu inteiro, fartes
Meu coração de paz e bem, dispersos
Nas boas ações, e na fé como baluartes (Amém!)
Luciano Spagnol
Dezembro, 2016
Cerrado goiano
Poeta simplista do cerrado
SONETO COM O MAR
Estatuei-me diante da imensidão do mar
Deixei as ondas marolarem sobre meus pés
Senti no clamor das águas sopro de colo
Meus olhos de maresia lacrimejaram
Nas águas salinas as lágrimas se misturaram.
Na limpidez meu olhar enxergou o horizonte
Pude sentir as promessas vindas de longe
Acreditei em meus sonhos já esquecidos
Minhas mãos levantei ao céu agradecida .
Senti o sol me aquecendo internamente
O mar inocente sorriu como criança
A mensagem me foi entregue divinamente.
Os segredos ficaram ondulando
Ao longo do infinito oceano
Meu coração em paz ficou pulsando.
melania
Tenho o mundo em meus pés, quando a sua presença é mais que uma lembrança em mim. As muralhas se abrem, as rochas se partem e o céu desce, curvando-se ao amor. Tudo é verdadeiro, tudo é bem-feito, tudo é... e nada nos falta. Tom: corpos e mentes seguem o ritmo, adentram em nosso rito; sobrepõem-nos. Nada nos limita! Sabor: olhares e toques alimentam o silêncio, penetram em nossas vontades; misturam-nos. Nada nos basta! E tudo em nós nos completa, porque temos o mundo de amor.
Há um rio formoso, abundante, que corre junto aos meus pés, e, eu tendo sede fui buscar água no deserto.
Bom seria tocar meus pés em solo fértil
Sentir minhas raízes
me lançar em outro mundo
Me entregar a todas as estrelas
Levar comigo o tropeço de transcender em violeta
Ser viajante da alma
Me perder no vazio
Sentir-me coração pulsante
Provar dos mais diversos frutos
Das mais diversas gentes
Ouvir os cândidos tocar da mata negra
Botar-me em frente ao ar
Cortando um sorriso em meu rosto
E o sentir em meu peito.
