Nao Chega aos meus Pes
Olhar em volta não vai trazer uma perspectiva positiva do mundo, meus caros. A beleza é relativa, muito relativa. Qual a visão de mundo perfeito? Estabilidade financeira, casar depois dos 30, casa própria e uma tentativa de sorriso? Não, não pra mim. Antes de qualquer plano perfeito de vida, antes de qualquer escolha difícil, eu simplesmente vivo, sinto cada momento, cada decepção, cada volta por cima. Me entrego no amor, caio de cabeça por mais vadio que esse seja. O que eu ganho com isso? Talvez nada, talvez tudo. Quem sabe até uma perspectiva positiva, mas não do mundo e sim de mim, das coisas que vivi e que vou viver. A vida é surpreendente, mas se ao invés de nos deixarmos surpreender por ela, por que não surpreende-la?
Nao estou dizendo que nao
muito menos afirmando que sim
mas meus sentimentos estao sendo em vao
e preciso cuidar um pouquinho mais de mim
Me afoguei num mar de mentiras
foi tudo um simples devaneio
nao quero magoas, nao quero intrigas
tenho que esquecer o passado que ainda anseio
Voce brincou e se cansou de me usar
mas lembre-se disso
essa boba aqui, pra ti nao vai mais se entregar
Marcou minha historia
com falsidade tem me logrado
mas vou fugir e te apagar da minha memoria
Para mim própria não seria ambiciosa em meus desejos de querer ser muito melhor em tudo. Mas triplicar quisera vinte vezes, para vós, o que sou, ser mais formosa mil vezes, dez mil vezes mais senhora de um rico patrimônio. Para em vosso conceito ser mais alta, desejara ter conta incalculável de virtudes, belezas, bens e amigos; suas a soma total de quanto valho é soma negativa, que define, grosso modo, uma jovem sem preparo, talentos e experiência, que se julga feliz apenas por não ser tão velha que não possa aprender, e venturosa por não ser tão obtusa de nascença que aprender não consiga coisa alguma. Mas a suma ventura nisto tudo consiste em poder ela inteiramente vos confiar o espírito maleável, para que a dirijais, na qualidade de arido, senhor e soberano. Eu, com tudo o que tenho, desde agora passo a ser toda vossa. Até há momentos, era eu senhora desta bela casa, dona dos meus criados, soberana de mim própria; mas desde este momento a casa, a famulagem, minha própria pessoa, meu senhor, a vós pertence. Tudo vos dou com este anel. Se acaso vos separardes dele, ou se o perderdes, ou se presente a alguém dele fizerdes indício certo isso será da morte de nosso amor e causa de queixar-me.
Entre eu e meus pensamentos, cheguei a uma comparação que talvez ajude a entender: Não é porque o tempo está nublado que está frio; do mesmo jeito, não é só porque uma pessoa é bonita que você vai se apaixonar por ela.
Me sinto fraco por não conseguir esconder meus pesares, isto vira uma fraqueza minha, tenho que me reparar.
Meu coração se acalma, meus pensamentos não te procuram a toda hora, então eu penso que te esqueci, que não te amo mais.
De repente você aparece na minha frente. Sorri pra mim, canta a musica que adoro, me abraça, me beija, olha nos meus olhos e diz que sentiu saudades. Nesta hora eu percebo que te esquecer é impossível, e já não sei mais se o tempo será suficiente para fazer esta paixão acabar.
Eu não diria jamais que sou gorda, porque são seus olhos que me veem assim, os meus só me desejam, e se eu deixar eles me pedem em casamento.
“Lagrimas, adiantarão de alguma cosia? Não.
Acho que é por isso que elas não vêm aos meus olhos
Se elas fizessem o tempo voltar, se alterassem minhas atitudes,
Mais fácil seria, e não precisaria delas”
Não, eu não tenho uma vida cor-de-rosa, extremamente organizada e perfeitinha. Tenho meus dias de cinza e com tudo fora lugar, mas a força de dentro é maior; muito maior do que qualquer coisa ruim que aqui queira criar raiz.
Por meus sonhos, sou capaz de seguir em frente, mesmo quando não parece que vou conseguir.
No final, todo esforço vale a pena.
Tenho Meus Motivos para Dormir Tarde
Sentir a paz das pessoas,
não ouvir nenhuma voz, só pesadelo,
em cima do prédio bem grande
e subir no terraço descalço, guiado pelo vento,
refletir em sintonia com o escuro derradeiro
desenhar debaixo da cama monstros
com papos enormes, esmiuçados
pelos pijamas de ursinho da criança
curiosa que o puxa pra dançar,
com os cabelos tocados ao chão,
só por desejo e tentação
da proibição de dormir tarde dos pais
"Ele te pega filhão"
tomar antidepressivos com vodka
muita vodka, o máximo de embriaguez
possível com doses de procura,
vontade
de dormir depois que o sol nascer,
lembrar do zelo geado nas árvores
sobre a pessoa que me deu bom-dia
enquanto eu comia pão-francês
na padaria da esquina, ao lado do boteco
de cerveja barata.
Acordar alguém de propósito,
receber ofensas junto com os
uivos dos lobos ou cães de estimação,
medo de bala perdida, há muito ladrão,
assassino de inocente.
Sou um vigia do ócio, não por peregrinação
sem contrato ou negócio,
movido por castigo da solidão.
Estou livre, tenho nove anos
e nenhum pai ou mãe pra xingar,
faço traquinagem olhando
a janela da vizinha com insônia.
Escuto apitos da polícia contra
os baderneiros bêbados
encerrando assim a sinfonia da madrugada
com meu bocejar cansado
do dia penado,
Depois de revirar e me achar,
procurar companhia na fantasia,
sentir-me completo, ouvir o primeiro
sino da igreja a chamar o morador
que gosta de café quentinho,
condiz com sua tradição
de interior.
Escutar o galo, mesmo na cidade,
cacarejar bem forte
pra bola de fogo raiar.
A maior raridade da terra e,
o mais precioso cantar.
Nada é concreto,
Tudo dá pra poetizar.
Mas não toque na minha irreverência.
Deixe minhas partes, minhas vontades, meus desejos.
Eu dou conta da minha loucura, não tente sufocar o meu eu.
Afinal, eu sou dono do meu umbigo, e só eu sei o peso de carregar tudo que trago dentro de mim.
