Nada Pior que o Silencio
entrei no trem
estava um silêncio atípico
três minutos depois...
o homem entrou vendendo seu peixe
o neném despertou querendo leite
a chuva começou a bater na janela
e como sempre o barulho em mim ficou tão alto
que minha atenção envolveu-se nas cenas
o caderno acabou ganhando sons de uma caneta rasbiscando
e o coral de desconhecidos foram intrusos que acabaram presos nesse silencioso poema.
Para os que tripudiam sobre minhas palavras simples, eu ofereço meu silêncio na taça do mais fino cristal da minha rebuscada indiferença.
Às vezes, prefiro dá meu silêncio como resposta, do que proferir palavras para depois tornar-me escravo das mesmas.
Costumo criar asas, quando fico preso em meu silêncio. Ninguém me entende, sinto que estou só e derepente, mesmo com asas não sei o que fazer, posso ir para qualquer lugar, mas ainda assim não devo voar, não quero te abandonar, não posso correr o risco de te perder. Meu silêncio me faz te observar e te manter por perto, assim quando precisar estarei aqui com minhas asas fortes e prontas para voar para onde você quiser, mais até lá saiba que o silêncio que me domina é o mesmo que grita Eu Te Amo...
FLOR
É preciso mais que uma flor
Para expressar a solidão que o
Teu silêncio causou em mim
Por instantes alguma coisa floresceu
No chão agreste de minha vida
Um inverno de lágrimas inunda meus olhos
O que restou do meu jardim eu recolhi
Num vaso
Uma rosa
Sem espinhos
Sem sépalas
Uma rosa vermelha de pétalas frias
Como a chuva que você fez chover em mim
Nem essa flor consegue expressar
A solidão que teu silêncio deixou em mim.
Volta
Somes sem que eu a ti veja,
procuro-te em todo canto.
O coração guarda silêncio
e baixinho bate.
Não deixes sofrer, a quem
te ama.
Volta meu sonho de mulher,
faz viver a quem tanto te quer
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Eu só quero o silêncio,
sonho acordado.
Som maduro e luz,
por montanhas azuis
O misterioso pensamento
em que posso voar!
As expressões calmas.
Oh, que alegre tristeza tu me provocas,
vêm de idades mais profundas,
onde podes tocar os teus silêncios.
Hélder Fonseca
NO TEU SILÊNCIO
No teu silêncio
Sonho e divago
Entre delírios
E versos.
No teu vácuo
Me aquieto
Sentindo o gosto amargo
Da indiferença.
No teu nada
Me lanço, perdida
No ar pesado
Entre galáxias e estrelas.
No teu vazio
Permaneço com o que me resta
A solidão
Carente como sempre fui
Do amor essencial.
O silêncio é imprescindível para nos defendermos das balburdias ideológicas e midiáticas que vicejam a nossa alma para devorá-la. Desgostar e mesmo temer o silêncio já é, em si, um sinal de degenerescência do caráter e de decrepitude da personalidade.
A alma precisa de paz, a mente de um pouco de silêncio, os pés de um chão para pisar e os olhos precisam de algo para perceber que sempre há alguma coisa maior que sua lágrima.
Amar é...
Sorrir dentro de uma lágrima que nos beija
Num silêncio que nos abraça
Quando as palavras tornam-se vã na acolhida do tudo!
