Literatura de Cordel
Taciturnidade
Zetalhões de poesias a disposição.
Quanta literatura
Livre para ler.
Tanta manifestação
De falsas virtudes.
Tenho saudade dos filmes mudos
Estes sim, diziam muito.
Uma Gota de Leitura permite um acesso incrível a uma Praia de Literatura e assim começa um Mar de Aventura que corre para um Oceano de Cultura.
O poder da leitura
Pus-me a deitar e apreciar a literatura científica.
Comecei da pré-história, época Jurássica,
E caí em sono profundo, sonhando com aqueles terrenos primitivos.
Todo o mundo fóssil renasce em minha mente.
A natureza era diferente: Esfenofíleas, Asterofíleas, Licopodios...
Minha imaginação me transportara para as maravilhas da época.
Imagino ver, nas águas, enormes animais sem poder distinguí-los.
Vejo animais monstruosos, gigantes como o Elasmossauro, Plesiossauro,Ictiossauro, Tartarugas antediluvianas.
Na terra, no ar, em todos os lugares estão esses assustadores animais primitivos.
Minha imaginação transporta-me as épocas antes do nascimento do homem,
Quando a Terra, ainda incompleta, era-lhe insuficiente.
Surgiram então os Crustáceos, os Répteis, os Pássaros.
Desapareceram todos os animais jurássicos.
Apenas estavam presentes os animais da época.
Vi animais que se extinguiram há séculos.
E também os que corriam os riscos de extinguir.
Deito-me a sombra das árvores, passo entre margens coloridas,
Me refresco com a Brisa Marítima e as Brumas.
Avanço nos séculos assim como os dias avançam de um para o outro.
O estado líquido vai assumindo o estado sólido.
O calor se torna mais intenso. A poluição, constante.
Estou aproximadamente no século XIX...
Vejo a expansão dos povos, suas origens e costumes.
E também a beleza da natureza, suas águas cristalinas,
Suas cascatas e cachoeiras enfeitando a paisagem.
Vejo também a ignorância das pessoas ao destruírem esta maravilha
para construir seu habitat demasiado belo sem ver o que faz ao seu redor.
Que sonho! Para onde me transporta agora?
Ah! O Universo, cheio de beleza e mistério.
Me lembro do momento em que o homem chegou a Lua.
Os astrólogos Galileu Galilei; Ptolomeu; Copérnico; Johannes Keepler; Newton, e muitos outros com suas leis e teorias .
Ao poucos fui despertando, mas a ideia não saiu de minha cabeça.
Peguei outro livro e comecei a ler, pois com a leitura
Viajamos onde poucos pensam em ir.
No mundo dos sonhos e da fantasia.
A literatura brasileira, quando observada em sua profundidade, revela não apenas estilos e escolas, mas sobretudo investigações sobre a natureza humana. Ao percorrer autores centrais como Machado de Assis, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Lima Barreto, Drummond, Graciliano, Cecília Meireles, Jorge Amado e João Cabral de Melo Neto, percebe-se que cada um deles, à sua maneira, construiu um modo singular de enxergar o mundo e o homem.
Em Machado de Assis, a razão humana e a hipocrisia não aparecem como opostos, mas como um contínuo. Quanto mais o autor investiga os mecanismos da razão, mais expõe as camadas de dissimulação que sustentam as relações sociais. Sua literatura não nega a inteligência humana, mas revela como essa inteligência frequentemente serve para justificar interesses, mascarar intenções e sustentar aparências. Assim, a análise psicológica machadiana não conduz à exaltação da racionalidade, e sim ao desvelamento de suas ambiguidades morais.
Clarice Lispector, por sua vez, constrói uma escrita em que lucidez e angústia coexistem de forma inseparável. Em A Hora da Estrela, a personagem Macabéa vive uma existência marcada pela dor e pela invisibilidade, mas sem plena consciência disso. A autora, no entanto, possui a lucidez de enxergar essa condição e, justamente por enxergá-la, experimenta a angústia. A escrita clariceana revela esse descompasso entre a vida vivida e a consciência da vida, mostrando que a lucidez sobre o sofrimento alheio pode ser uma forma profunda de inquietação.
No universo de Guimarães Rosa, o sertão ultrapassa a geografia e se torna um território psicológico e metafísico. Quando se afirma que “o sertão é do tamanho do mundo” e que ninguém o conhece por inteiro, sugere-se que a vida humana é feita de veredas parciais, de caminhos incompletos. A linguagem regional reinventada por Rosa não é apenas recurso estilístico, mas uma forma de deslocar o centro da linguagem e explorar a complexidade da experiência humana. O sertão, assim, torna-se metáfora da própria existência: vasto, desconhecido e atravessado por pequenas trilhas de compreensão.
Lima Barreto escreve a partir de uma lucidez que, ao desmascarar as estruturas sociais, inevitavelmente gera revolta. Sua crítica à República e ao nacionalismo ufanista revela um país marcado por contradições e fragilidades. A lucidez literária, nesse caso, não é neutra; ela expõe e, ao expor, denuncia. A revolta surge como consequência da percepção aguda das falhas estruturais e da distância entre o ideal proclamado e a realidade vivida.
Carlos Drummond de Andrade reúne ironia e melancolia em uma poesia que reflete a crise do indivíduo moderno. Ao questionar o sentido da poesia em um mundo instável e muitas vezes insano, o poeta revela tanto desencanto quanto consciência crítica. Sua ironia funciona como mecanismo de distanciamento, enquanto a melancolia evidencia a percepção de um mundo em transformação e, por vezes, em decadência.
Em Graciliano Ramos, a secura estilística é simultaneamente estética e existencial. A economia de palavras e a dureza narrativa refletem a vida marcada pela pobreza e pela sobrevivência no sertão. A forma seca não é apenas escolha literária; ela corresponde a uma realidade igualmente árida. Contudo, ao transformar a miséria em linguagem literária, surge também a tensão entre representar o sofrimento e estetizá-lo, evidenciando a complexidade ética da escrita sobre a pobreza.
Cecília Meireles constrói uma poesia profundamente espiritual e melancólica, marcada pela reflexão sobre o tempo, a finitude e a transitoriedade da vida. Seu lirismo volta-se para dimensões mais contemplativas e menos materiais da existência, privilegiando o efêmero e o metafísico. Em contraste com a poesia de Drummond, mais ancorada no mundo concreto, a escrita de Cecília enfatiza uma interioridade que, embora bela, por vezes se afasta da materialidade social.
Jorge Amado, ao retratar o povo brasileiro, busca celebrá-lo em sua vitalidade, sensualidade e força coletiva. No entanto, essa celebração pode também revelar fragilidades estruturais, expondo um universo popular atravessado por contradições. A alegria e o colorido narrativos convivem com uma realidade social complexa, em que a exaltação do cotidiano popular pode evidenciar tanto resistência quanto precariedade.
João Cabral de Melo Neto demonstra que a emoção não depende do sentimentalismo. Sua poesia racional e precisa, especialmente em Morte e Vida Severina, constrói uma emoção verdadeira por meio da estrutura e da clareza. A experiência do retirante nordestino e a sucessão de mortes ao longo do caminho produzem impacto afetivo não pelo excesso de lirismo, mas pela precisão formal. A racionalidade cabralina revela que a emoção pode emergir da lucidez e da construção rigorosa do poema.
Entre todos esses autores, Machado de Assis se destaca como um dos mais lúcidos na investigação da natureza humana. Sua obra desmonta as aparências sociais e revela a complexidade moral dos indivíduos. Ao expor a hipocrisia e as ambiguidades das relações, ele constrói uma visão aguda e duradoura da sociedade. Sua lucidez permanece atual porque continua a revelar mecanismos universais do comportamento humano, mostrando que, por trás das convenções e discursos, persistem contradições profundas e permanentes.
A literatura brasileira pode ser entendida como uma tentativa contínua de construção de identidade nacional, mas não de modo linear ou estável. Desde suas origens, ela se constitui como um campo de reflexão sobre o próprio país, suas fraturas históricas, suas influências externas e suas tensões internas. Mais do que um reflexo passivo da nação, a literatura brasileira participa ativamente da elaboração simbólica do Brasil, questionando e reconstruindo constantemente aquilo que se entende por identidade nacional.
Essa instabilidade pode ser percebida ao longo da evolução de seus autores. Machado de Assis, por exemplo, não apresenta uma obra linear. Seus primeiros romances ainda dialogam com o romantismo, enquanto sua fase realista introduz a ironia como uma forma de leitura do mundo e do ser humano. A ironia machadiana não é apenas um recurso estilístico, mas revela uma visão ontológica: o ser humano é contraditório, autoconsciente e frequentemente incapaz de compreender a si mesmo plenamente. No entanto, em sua fase final, como em Esaú e Jacó, essa ironia se suaviza, indicando que a própria visão de mundo do autor se transforma ao longo da vida. Machado, portanto, encarna uma consciência literária em movimento, que evolui e se reconfigura.
Em Clarice Lispector, a literatura deixa de ser apenas narrativa de acontecimentos e passa a se concentrar nos estados do ser. Sua linguagem pode tanto revelar quanto dissolver o sujeito. A epifania clariceana, recorrente em sua obra, é um momento de revelação que simultaneamente desestabiliza a identidade do personagem. Em A Hora da Estrela, por exemplo, a linguagem se apresenta mais linear, enquanto em outras obras se torna mais hermética e introspectiva. Em todos os casos, porém, há uma tensão contínua entre revelar o sujeito e desorganizá-lo, indicando que a identidade nunca é plenamente fixa.
Essa dimensão ontológica também se manifesta em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. O sertão, ali, é simultaneamente geografia e metafísica. Embora a narrativa se construa a partir de histórias de jagunços, essas histórias funcionam como pano de fundo para reflexões mais profundas sobre Deus, o diabo, o amor e a própria realidade. O sertão rosiano representa um estado existencial no qual o ser humano questiona constantemente o sentido de sua existência. A linguagem regionalista, elaborada e inventiva, não limita o alcance da obra; ao contrário, serve como veículo para questões universais e ontológicas.
Na poesia de Carlos Drummond de Andrade, o “eu” frequentemente se apresenta deslocado. Esse sentimento de inadequação é simultaneamente psicológico, social e metafísico. Ao afirmar que não será o poeta de um mundo caduco, Drummond revela tanto sua leitura crítica da sociedade quanto sua própria percepção existencial do mundo. O deslocamento não é apenas individual, mas também histórico e ontológico, refletindo a dificuldade de encontrar um lugar estável em uma realidade em transformação.
O modernismo brasileiro, por sua vez, buscou romper com a tradição europeia, mas também se constituiu a partir dela. Influenciado pelas vanguardas europeias — como o cubismo, o futurismo e o expressionismo —, o modernismo brasileiro não pode ser considerado totalmente revolucionário. Ele representou, antes, uma reconfiguração cultural que reposicionou o Brasil dentro de um cenário internacional. Embora tenha introduzido novas formas de expressão e valorizado elementos nacionais, manteve diálogo constante com modelos estrangeiros, revelando a complexidade da construção de uma identidade cultural autônoma.
Lima Barreto exemplifica a fusão entre literatura e política. Sua obra é simultaneamente um ato literário e um ato político. Ao desconstruir visões ufanistas do Brasil e expor desigualdades sociais profundas, ele revela um país distante da imagem idealizada. Sua escrita, crítica e amarga, continua atual justamente por evidenciar problemas estruturais que persistem. A literatura, nesse caso, torna-se instrumento de lucidez social e histórica.
Na poesia de Cecília Meireles, a temporalidade assume caráter ao mesmo tempo nostálgico e metafísico. Seus versos frequentemente refletem sobre a passagem do tempo e a transitoriedade da vida, construindo uma nostalgia que não se limita à memória pessoal, mas se expande para uma reflexão existencial sobre o destino humano. O tempo, em sua poesia, é consciência da impermanência.
A questão da identidade nacional atravessa toda a literatura brasileira. Durante muito tempo, a produção literária refletiu fortemente influências europeias. Apenas ao longo do século XX, especialmente após o modernismo e nas décadas seguintes, é possível perceber a consolidação de uma identidade literária mais autônoma. Ainda assim, essa identidade permanece instável, construída em diálogo constante com referências externas e internas. A literatura brasileira não define uma identidade fixa; antes, revela a dificuldade de estabelecê-la de forma definitiva.
Por fim, a relação entre forma estética e verdade social é central na tradição literária brasileira. Em obras como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, a linguagem seca e direta corresponde ao conteúdo narrado, criando uma unidade entre forma e temática. A estética não suaviza a realidade, mas a traduz e a intensifica. Quando forma e conteúdo caminham juntos, a literatura alcança maior potência expressiva e crítica.
Assim, a literatura brasileira pode ser compreendida como um espaço simbólico em que a identidade nacional é continuamente construída, questionada e reformulada. Ela não oferece respostas definitivas, mas evidencia a complexidade de um país cuja identidade permanece em permanente elaboração.
Não basta só ler, deve-se compreender, o importante é a diferença que a literatura faz na vida das pessoas, cultura, maior capacidade de comunicação e expressão são os maiores bens que os livros dão aos leitores. Todos os livros bons, interessantes, levam a pensar, refletir, questionar, incentivam a criatividade e principalmente o desenvolvimento espontâneo do prazer de ler, a ortografia perfeita, o que é fundamental.
"Penso em um país que forma leitores, acreditando que a literatura ainda é um espaço privilegiado de escuta, elaboração crítica e imaginação do futuro."
A literatura muda nossa mente. A cada página virada mais informações a serem acolhidas. Eu leio e escrevo, e depois re-escrevo. Sou um típico escritor brasileirado e diferenciado artista.
Reflexões. Uma literatura real (I-VIII)
I.
E Jeoaquim chorava porque queria participar da história que sua irmã Léia estava brincando e inventando.
Não sabia quem era na história, pois não estava nela, e por isso chorava.
E quem observava refletiu uma solução:
Que Jeoaquim brinque sozinho e faça sua própria brincadeira, ao invés de tentar entrar na de Léia, que fazia suas próprias regras.
E ele, talvez me dissesse, não consigo.
E eu a ele: você já tentou?
–Sim, muitas vezes e não consigo.
E eu concordei. Sim, se você não tentar de novo, nunca vai conseguir mesmo.
Reflexões. Uma literatura real (I-VIII)
II.
Mas, bem sei eu que não iria conseguir mesmo.
Não se tentasse com mesma pessoa, ambiente e circunstância: que dão o mesmo resultado. E semelhança entre eles cabe um resultado semelhante.
Enfim.
Voltando ao ponto onde queria chegar:
Cada pessoa é a protagonista de si mesmo.
Imagine que você se identifica nesta mais com Léia, porque talvez seja irmã mais velha e passou por algo parecido na infância.
Mas agora imagine, pelo menos tente, e se você tivesse nascido Jeoaquim?
Como se sentiria?
Seria aquilo que já estimado dele, ou faria diferente, e tentaria criar sua própria história?
Reflexões. Uma literatura real (I-VIII)
III.
O mundo se compõe em uma série de literatura de diversos gêneros e gostos.
Cada um se identifica com um.
Mas, no mundo real é um pouco mais complexo.
É composto por uma série de histórias diferentes, e cada personagem vive sua própria história, visando o melhor para si, sem saber o fim.
IV.
O melhor para ele não é o que é melhor para ela, que também visa seu prório bem.
Exemplo:
O melhor para um cara, sem família, que só amaduresse aos 45 anos, é achar a mais pura e valorosa para lhe dar um lar, apesar de ele já ter tido um filho não assumido.
O melhor para esta não-candidata é achar alguém semelhante a ela e ter algo fixo e seguro
Reflexões. Uma literatura real (I-VIII)
V.
E as diversas facetas brigam entre si buscando o melhor para seu personagem, nesta literatura real. Apesar de não terem escolhido nascer nele.
Mal sabem que nada são, e suas histórias um dia se apagarão.
Quem é o protagonista, então?
"A literatura começou no dia em que alguém decidiu escutar em vez de interromper."
(Osman Matos, séc. XXI)
"A literatura é uma forma de permanecer escutando o mundo, mesmo depois que a nossa voz se cala."
( Osman Matos, séc. XXI)
"A literatura não nasce do desejo de ser lembrado; nasce do desejo de não deixar o outro ser esquecido."
(Osman Matos, séc. XXI)
"A vida é um livro vivo de poesia, literatura, filosofia, teologia e ciência; somos leitores e participantes deste livro vivo."
"A cultura — filosofia, literatura, ciência, artes e conhecimento — é a melhor forma de desenvolvimento das habilidades intelectuais, pessoais, artísticas, éticas e morais. É o desenvolver da sua humanidade, a melhor forma de conexão e pertencimento entre seres humanos, fonte de prazer e contemplação. A cultura não pertence à elite ou aos intelectuais, mas pertence a toda a humanidade. A cultura tem um fim em si mesma; não pode ser só um meio para as pessoas se capacitarem para o mercado de trabalho. Cultura é para desenvolver nossa humanidade e formar a alma e o espírito, o coração e a razão."
