Fernanda Santoro

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O corpo humano é um verdadeiro poço alquímico de estruturas que regulam nossas emoções e que orquestram os nossos movimentos físicos.

Seja qual for a força criadora deste universo, parece que ela, deliberadamente, selecionou para os humanos um leque mais extenso e complexo de sentimentos e percepções. Recebemos o bilhete premiado, por assim dizer.

Nosso maior diferencial surgiu quando nos juntamos em grupos para poder usufruir dos benefícios dessa união. Nenhuma outra espécie apresenta um talento tão primoroso para estabelecer relações de cooperação.

A descoberta de que somos um resultado de reações orgânicas bioquímicas poderia nos fazer questionar a nossa pretensa superioridade em relação às demais formas de vida da natureza.

Em um degrau acima da preservação, há também o desejo de felicidade, que representa a aquisição de um conjunto de realizações individuais e algumas realizações coletivas. Na grande festa da vida, ninguém quer ficar o tempo todo sentado.

Não há ainda quem possa convencer as nossas células que elas devem trabalhar indefinidamente. Embora não haja um “sindicato das células trabalhadoras”, é razoável pensar que o infinito não é pouca coisa para se assumir. Talvez, o infinito se enquadre melhor em nosso imaginário mesmo, ao lado de outros conceitos tão impalpáveis como ele.

A mudança e a impermanência são regras que estão insculpidas na própria natureza. As nossas células morrem e são renovadas a todo instante.

A água, que constitui a principal parcela de nossa composição corporal, sai do nosso corpo por meio de processos como a transpiração. Os nossos sofisticados genes podem sofrer processos de mutação. Os nutrientes presentes nos alimentos que ingerimos são digeridos e posteriormente expelidos do nosso corpo. Parece que tudo está fadado a mudar de lugar.

Várias ciências convivem simultaneamente e, felizmente, a maioria delas consegue se unir para compor uma vasta rede de conhecimento, com intercâmbios valiosos de informações.

A própria ciência da saúde já aceita a consciência como um recorte da realidade. O fluxo da consciência, por sua vez, percorre o que chamamos de tempo. E o tempo forma, junto com o espaço, uma estrutura por meio da qual os eventos materiais se desenrolam.

Nossa existência jamais será um espetáculo estático. Assim, as palavras de ordem que estarão presentes em todos os nossos roteiros, enquanto vivos formos, são: criação, destruição, renovação, adaptação, replicação e divisão.

Para cada coisa que cruza nosso caminho, podemos colorir essa imagem com nossas próprias cores e tonalidades, de acordo com o sabor de nossas sensações perante o que aquela coisa produz em nosso íntimo. Ou seja, tudo que recebemos é individualizado dentro de nossa caixa mental.

O movimento é sempre precedido de um pensamento que acione o seu comando. Sem o pensamento, não há ação. E, sem ação, não há giro de energia, nem produção de calor, nem elevação de potência, nem mudança de posição das moléculas, nem realce da cor em luz. Sem cinesia, a vida se desbota.

Os nossos batimentos cardíacos são igualmente compostos por notas musicais, assim como toda nossa fisiologia. Ou seja, somos todos seres pulsantes no ritmo da vida.

Conhecimento é poder. Sempre foi e sempre será. O mundo se transforma de um modo cada vez mais intenso, ágil e, até mesmo, caótico, mas o conhecimento segue como a principal fonte de poder da qual podemos beber.

De modo intemporal, o intelecto é o nosso principal instrumento de vida.

O conhecimento é, então, como um salvo-conduto ou uma palavra-passe para ingressar no território da realização.

É na busca pela verdade, participando do que é universal, que também encontramos o que há, de particular, em nós.

O cultivo do estudo faz mais do que perpetuar sabedoria e recolher a herança dos séculos: o apetite intelectual é o que nos torna mais merecedores das aspirações que carregamos em nós.

A informação é o ativo mais valioso da praça. Não à toa, as grandes empresas pagam fábulas de dinheiro para ter acesso a elas. São os “cookies” que todos tivemos de aceitar.

O caráter de um pensador consiste em conservar a curiosidade da infância, a vivacidade de impressões, a tendência em enxergar tudo sob o ângulo do mistério e, ainda, em encontrar em qualquer parte surpresas a serem fecundadas.

O conhecimento é o farol, mas as mãos são quem içam as velas.

O aprendizado é, portanto, aquela página do contrato que não pode ser pulada. A ignorância é território de penumbra: só enxerga a luz do sol quem se afasta dela.

Assim como o corpo faz com os nutrientes dos alimentos, nossa mente também rumina as informações para que possamos assimilá-las.

Por trás de qual máscara a morte esconde sua face?


Muitas vezes, a morte ingressa em nossa vida de maneira sorrateira, abrupta, súbita.


É despejo sem aviso.


Golpe sem chance de defesa.


Decreto de efeito imediato.