AS CRIAÇÕES FLUÍDICAS E A HARMONIA... Marcelo Caetano Monteiro
AS CRIAÇÕES FLUÍDICAS E A HARMONIA COM A LITERATURA MEDIÚNICA DE ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A leitura atenta da mensagem intitulada “Sobre as criações fluídicas”, publicada na Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos, em 1865, sob a direção de Allan Kardec, desperta uma profunda reflexão acerca da continuidade e da coerência dos princípios espirituais apresentados posteriormente pela literatura mediúnica de reconhecido valor doutrinário.
O Espírito comunicante afirma que o Universo espiritual não constitui uma realidade abstrata ou destituída de organização, mas um ambiente regido por leis próprias, onde os elementos fluídicos desempenham papel essencial na manifestação da vontade consciente. Ao afirmar que “os objetos procriados instantaneamente pela vontade (...) são colhidos nos fluidos semimateriais”, apresenta-se uma concepção que encontra notável consonância com diversas descrições mediúnicas recebidas por intermédio de Chico Xavier, especialmente nas obras atribuídas a Emmanuel e André Luiz.
Não se trata de estabelecer uma identidade absoluta entre fenômenos descritos em épocas e contextos distintos, mas de reconhecer uma linha de continuidade filosófica: a ideia de que o pensamento, quando suficientemente educado e fortalecido pela evolução espiritual, possui capacidade de atuar sobre elementos sutis da criação.
Nas obras de André Luiz, particularmente na série “A Vida no Mundo Espiritual”, observa-se a descrição de ambientes espirituais estruturados pela ação mental dos Espíritos, onde a vontade, associada ao conhecimento e à elevação moral, participa da formação de elementos necessários à vida extrafísica. Tais relatos apresentam, em linguagem narrativa, conceitos que guardam profunda relação com os fundamentos expostos na Codificação Espírita.
A observação de Kardec permanece atual: o mundo espiritual não seria uma simples reprodução do mundo material, mas o plano físico representaria uma manifestação imperfeita e limitada das realidades superiores. A matéria, nessa perspectiva, seria apenas uma expressão mais condensada de princípios universais que se apresentam em estados mais sutis.
Essa compreensão conduz igualmente a uma consequência moral: o pensamento humano não é um fenômeno isolado ou sem responsabilidade. Se a vontade espiritual possui poder criador, ainda que em diferentes graus conforme o progresso do ser, torna-se evidente a necessidade de educar sentimentos, pensamentos e atitudes. A verdadeira evolução não consiste apenas em adquirir conhecimento, mas em purificar a própria natureza íntima.
Assim, a possível ressonância entre a mensagem de 1864, publicada por Allan Kardec em 1865, e os ensinamentos transmitidos por intermédio de Chico Xavier, Emmanuel e André Luiz, revela uma interessante convergência dentro da tradição espírita: a afirmação de que o Espírito é um agente inteligente da criação, e que sua ascensão moral amplia gradativamente sua capacidade de compreender e cooperar com as leis divinas.
Fontes:
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos. Ano de 1865. “Sobre as criações fluídicas” (Sociedade de Paris, 14 de outubro de 1864, médium Sr. Delanne).
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questões 76 a 95 — natureza dos Espíritos e do perispírito.
KARDEC, Allan. A Gênese. Capítulo XIV — “Os Fluidos”.
XAVIER, Francisco Cândido (André Luiz). Nosso Lar. FEB.
XAVIER, Francisco Cândido (André Luiz). Evolução em Dois Mundos. FEB.
XAVIER, Francisco Cândido (Emmanuel). O Consolador. FEB.
