Linha Reta
Bem na minha vez
De viver aquilo tudo que eu sonhei
Bem na hora que eu estava prestes a chegar
Na linha de chegada para conquistar
Bem na minha vez
Só Deus sabe quantas vezes eu busquei
Mas vi outra pessoa conquistar o que eu pedi
Aquilo que eu achava que era para mim
AGULHA, PONTA E LINHA
Entre agulha, ponta e linha
Vive o romance esquisito
De um triângulo sem visco
Que sempre finda aflito.
A ponta é da agulha. E a linha?
A linha, sempre sempre sozinha,
Vive à procura do amor
Que no outro amor se encontrou.
A agulha, bem de metal,
Segue os passos da sua ponta,
A que lhe abre o caminho
E vai tecendo suas estampas;
A que lhe chega de mansinho
E, com jeito, devagarzinho,
Passa aqui e passa ali
Sem lhe fechar o caminho.
A agulha, "enrijizada",
Sem precisar pensar em nada,
Segue o caminho certinho
Da ponta que lhe mostra a estrada.
A linha, essa sorrateira,
Vive atrás da agulha faceira
Que segue seu lindo curso
Sem se lhe envergar nem um pouco.
A linha, sem se dar conta,
Vai deixando de perceber
Que o caminho em que ela se encontra
A ponta já esteve a fazer.
E ela, a linha malvada,
Sem se sentir resignada,
Segue tonta, feito cega,
Seguindo o caminho somente
Que a ponta da agulha carrega.
Assim são as relações
Que se estendem a três corações:
A ponta conduz o caminho,
Traçando sozinha o destino.
A agulha segue a vida
Despreocupada e destemida.
A linha, que vem perdida,
Só serve pra fechar saídas.
Aceite ser uma agulha
E não se curve facilmente.
Aceite ser uma ponta
Que da agulha está à frente,
Mas não aceite ser linha
Que, sempre sempre sozinha,
Percorre, sem nem um adeus,
Um caminho que não é seu,
Porque a ponta e a agulha
No mesmo caminho seguem
E deixam sempre para trás
A linha que, na roupa que faz,
Sozinha em si se perdeu.
Nara Minervino.
Reflito sobre a tênue e frágil linha que nos separa da desventura, quase como uma forma de agradecer por não ter passado por isso, como uma proteção que evitasse que o mesmo acontecesse comigo.
Esse coração tá na linha de tiro e você nunca erra
Só com seu sorriso já ganhou a guerra
Ai, sou todo seu
Um coração feliz não é mera obra do acaso. É um bordado delicado feito com pequenos encantamentos do dia a dia, com a linha do cuidado e as cores da gratidão.
Singela sabedoria
Sabedoria, costurada com a mesma linha, alinhavada na mesma entretela, a lhe dizer sem corruptela: Seja rico, seja pobre, seja livre, seja nobre, seja tudo, seja nada, e quando for quase isso tudo, terá vivido os riscos dessa estrada. Terá aprendido o desprendimento de um viajante-viandante sem lamento. Só tem um porém: O seu erro pode estar ao se comparar ao seu vizinho, pois, ainda não aprendeu a caminhar sozinho. Isso pode ser o seu desterro.
Que diferença faz aquilo que pensam de você?
Tudo se vai como um perfumoso e lindo buquê.
Ao fenecer, seca pela natureza e jamais por você.
“Enquanto, os cães ladram a caravana
passa sem saber direito donde se emana”.
jbcampos
Remendos
Primeiro vou
alinhavando os trapos
refazendo
com pontos largos
depois ajusto
com pontos miúdos
juntando os pedaços
parte a parte
puxo daqui
uma linha ali
por ultimo um nó
bem apertado
que é pra ver
se não me desfaço
"Viver é um rasgar-se e remendar-se."
(Guimarães Rosa)
As vezes devemos para de andar tanto assim na ' LINHA ' e curti mais a vida Pois ela é uma alucinante aventura na qual ' JAMAIS ' sairemos vivos...
Eis a filosofia da Arara Azul (Anodorhynchus hyacinthinus): Abraçar a linha que cruza o Equador. Beijar o Atlântico. E guardar no peito um único Amor.
Minha cabeça vai de chuva á sol,
De norte a sul,
Do capitalismo ao socialismo,
DO frenético ao pacato,
Do bem ao mau...
Não existe uma linha tênue que separa meus pensamentos.
Eis de ser sempre a linha ?
DESERTO SECO
Nado em terras secas, cheias de cactos
Despidas cegas como uma toupeira
Em breves rasgos onde descrevo o mar
Deserto seco de areia fértil ou estéril
Ninguém pode dar aquilo que não tem
Sou pó, ao pó eu voltarei a desfazer-me
Onde a vida tira-me as lascas, que importa
Nasce o sol e não dura mais que um dia
Depois da luz, segue-se a noite escura
Sombras que morrem na sua formosura
Tristezas transfiguradas pela ignorância
Nado no deserto de cactos em terra seca.
ENGANAR O TEMPO
O tempo corre nos retalhos da nossa vida
Dos nossos corpos já fragilizados de dor
Acumula-se na poeira dos olhos sem ver
Embaça os nossos próprios pensamentos
Escondendo todos os sentimentos doces
De cada um de nós, espalhando os medos
Deixando a descoberto os nossos segredos
Marcam para sempre as páginas envelhecidas
Do livro dos nossos sonhos mais perversos
As memórias são um velho espelho abstrato
Porta-retratos escondido na mente pela alma
O tempo marca o rosto de qualquer humano
Engana-se o tempo, mas é ele que nos engana
Cada lágrima perdida no chão é uma esperança
Talvez em cada dor uma pequena doce lembrança.
Lagrimas escorrem em meu rosto, pensamentos se espalham em uma linha de tempo no qual nem sei quando posso parar.
VIAGEM EXÓTICA SABORES EXÓTICOS
A boca, o beijo são o paladar dos sentidos
Bebamos o café com chocolate e hortelã
Tu já sabes que desejo-te na penumbra da noite
No entrecosto assado com limão, louro e alho
Eu não sei por onde anda o teu perfume de dia
De noite sinto-te no bolo de azeite, mel e nozes
Sei de ti na espera interminável, num dia de trabalho
Nas batatas assadas com bacon, alecrim e míscaros
Onde os gestos gritam de prazer na incerteza da dor
Do forno das peras assadas com mel e vinho do porto
Desejo-te só a ti e percorro cada cantinho da tua doce pele
Como se de um bolo de abóbora com laranja tratasse
Prometes-me a lua e eu acreditei na tua promessa
Entre o salmão assado com açúcar mascavo e cominhos
A tua respiração engole os meus doces suspiros
No borrego grelhado com o molho de iogurte e hortelã
Desejo-te só a ti como nunca desejei alguém
Como tu desejas o bife com molho de cerveja e ovo
Os teus lábios abrigam a minha boca do frio
No pato com laranja ou nos figos com amoras com vinho tinto
À noite fizemos o que mais gostávamos de fazer, perdermo-nos
Nos olhos um do outro entre a canela, gengibre e pimenta
Os olhos são a janela da tentação, o corpo a porta do prazer
O passaporte é o amor, ele é fundamental para a viagem pelos sabores exóticos.
SE EU FOSSE TALVEZ UM POETA
Se eu fosse talvez um poeta
Faria em magia todas as páginas
Livres sem lágrimas, sem dor
Refeitas de sonhos coloridos
Vestidas com tinta da liberdade
Pintadas com dignidade e vida
Se eu fosse talvez um poeta
As letras tornar-se-iam em magia
Cobririam as páginas em branco
Já vazias, esquecidas, perdidas
Que de negro se vestiram
Pelas mágoas, dores e sofrimentos
Se eu fosse talvez um poeta
Escreveria somente poesia
Na autenticidade de um verso
As letras tornar-se-iam em magia
Cobriam as letras de toda felicidade
Neste mundo de dor sem amor
Se eu fosse talvez um poeta.....
