Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Plante uma mudinha, com o tempo, perceberĂĄ que ela crescerĂĄ e com certeza, lhe darĂĄ frutos. Mas plante uma ĂĄrvore boa, senĂŁo,colherĂĄ consequĂȘncias. Trace boas metas. Pague um preço em cultivĂĄ-las. No final, vocĂȘ darĂĄ risadas.
'EU FELICIDADE?'
Calor intenso,
puxada [...], telha baixa.
Criatura nĂŁo conhece:
- Que sujidade!
Assembleia diĂĄria,
papos em dia:
cornagem, piadas, cachaças, religião, pescarias.
A roda Ă© veemente,
ela sempre acontece, Ă tardinha,
quando se começa a ver a poeira da rua,
[feia e esquecida] abarrotando o cabelo.
Parcialmente esquecido,
o bairro todos admiram.
Ar de tranquilidade,
costume de 'sĂtio', todos se abraçam:
Vagabundos, padres, alcoĂłlatras, senhoras, prostitutas!.
A vida congela,
o olhar fala[...], o mundo fala:
- Estou tracejado em dissabores!
ExperiĂȘncias peculiares,
vida empurrada no ombro.
Como anda a vida,
como a vida anda?
- Bem, graças a Deus, se melhorar estraga!
Fala-se de felicidade,
muitos acenam, apreciam a vida como ela Ă©:
OraçÔes,
fé.
Vida difĂcil!
Pitada de euforia.
Arco-Ăris nas nuvens,
temporais, chuvas.
A releitura Ă© diĂĄria,
abraçar o primordial é primordial.
Facetas?
Nada tira o ar [felicidade],
mesmo que aparente.
Importante Ă© levar a vida,
[atemporal].
Diagnosticada, risadas.
Aperto de mĂŁos,
devorar o improvĂĄvel.
E a vida,
ficando mais vida, a cada rodada.
'A CAIXA'
Debaixo da caixa,
existe uma sombra.
Debaixo da caixa,
sĂł hĂĄ escuridĂŁo.
Debaixo da caixa,
tempestade habita.
A caixa Ă© vazia,
não tem coração.
A caixa Ă© enorme,
ausente de pé.
A caixa Ă© clemente,
ela tem pouca fé.
O grito da caixa,
Ă© desesperado.
Sempre lastimando,
ela chega de lado.
A caixa milagre,
sentindo fadiga.
Plantando sementes,
ela nĂŁo tem comida.
A histĂłria da caixa,
Ă© histĂłria nĂŁo lida.
A histĂłria dos homens,
Ă© bem parecida.
'O PEQUENINO'
Todas as pessoa que veem ao mundo,
escondem uma parte de si.
Um segredo que sĂł ela conhece e
que leva consigo por toda a vida.
Houve um menino no mundo dentre os milhares.
Precoce por natureza.
Prematuro de futuro e
pequeno de gestos.
O olhar Ăngreme e chamuscado,
muito falou aos que lhe deram as boas vindas.
A probabilidade de sobrevivĂȘncia era escasso,
exceto pelo poder que trouxera na alma.
A euforia abrasadora de saltitar,
de apagar os dias escuros era colossal.
Mudar seu reflexo,
era rumo certo,
quando o mundo tentava-lhe sufocar.
Também descobriu que o dom da vida,
nĂŁo tinha nada de dom.
E, em meio aos tantos entraves,
ele seguia,
com sua infĂąncia promĂscua.
Porém,
houve tempos em que pensara ser imortal.
Os sentimentos de conflitos nĂŁo aliciavam.
E seus dias,
em meio as tantas turbulĂȘncias,
era um verdadeiro éden.
Não conhecera a palavra esperança e
pouco se importara com ela.
A preciosidade do tempo que se demorava,
apagava suas lembranças escassas.
NĂŁo conhecia o fracasso,
tampouco o sucesso.
NĂŁo sabia do desperdĂcio da vida,
nem como aproveitĂĄ-la.
Era tudo tĂŁo lĂșdico e sem importĂąncia.
Suas esperanças permanecera nas årvores e
o meio termo, o meio termo era apenas distração.
Nunca se sentira sozinho,
havia luz nos seus longos caminhos.
Os fracassos que lhe rodeavam,
importĂąncia nenhuma tinha.
Pouco falava.
Os discursos sobre Deus,
ele o ignorava sem reflexÔes.
Perder, ganhar,
vocabulĂĄrio desconhecido,
tudo parecia atraente,
pouco preciso.
A palavra 'adeus' era-lhe rĂĄpida,
logo caĂa no esquecimento.
O seu choro,
tinha aparĂȘncia de luz,
sem tormento.
Ele nasceu em meio a escuridĂŁo,
mas a escuridĂŁo pouco lhe importara,
porque no seu coração,
havia esperança.
Aquela esperança que conservamos,
nĂŁo importa a idade:
a de sermos verdadeiro na infĂąncia,
de construirmos o amor na juventude
e a de fazermos planos na velhice.
NĂŁo tinha maldades.
PorquĂȘ nĂŁo volta e decifra o segredo de outrora?
Restitui a saudade imensa que sinto de ti!
Levaste de mim as luzes que tanto brilhavam.
Quando resolveu desamparar-me,
o meu mais precioso extinguiu-se.
Desvenda a porção que aflige o meu coração.
Ah pequenino!
Agora somos dois que nĂŁo mais existe.
ConstelaçÔes procurando galåxias.
Saudade diluĂda,
renovando esperanças,
deixando feridas.
Ah pequenino!
Porque foste embora tĂŁo cedo e me deixaste sozinho?
Ontem vi seu nome. Era um nome esquecido. Apagado. Estampado. Ontem vi seu nome, mas nĂŁo era realmente vocĂȘ. Era um fantasma que assombra as noites calmas. Que me deixa inquieto todas as vezes que vejo....
Amizades sĂŁo temporais. Elas mudam com o Tempo e o lugar onde estamos, quer queiramos ou nĂŁo. PorĂ©m, hĂĄ amizades que derrubam as barreiras do Tempo e permanecem, demonstrando-nos que o Senhor da ExistĂȘncia, na sua peculiaridade, pode ser derrotado pelo breve sentimento de amorosidade entre as pessoas.
'MEU NOME Ă RONALDO...'
Meu nome Ă© Ronaldo, sem sobrenomes.
Me fizeram ilusionismo, perpetuo enganação.
Vida privada, sem reflexos, sem nexos, sem pousadas.
Sem identidade, se tivesse alguma, seria servil, oprimido, lacunas.
Desenhei meu mundo, metĂĄforas.
Só entra os ilusionados, patéticos, sem fortunas.
Me batem na cara.
Sem biografia, sem dor.
Esculachado, deito no chĂŁo, terra batida, frio na barriga.
Dor corroĂda, mas de peito aberto.
Tento ser sincero, falar a verdade,
Ă s pessoas mesquinhas, que se deixam enganar.
Tenho que trabalhar, isso desola.
Prefiro donativos e pura cachaça.
Droga de mundo! Sentimento profundo, dĂĄ um nĂł na garganta.
Falo o que quero, tenho pouca simpatia.
No meu mundo fechado e repulsĂŁo aparente.
Me deixa dormente com sonhos profundos.
Prefiro o meu eu, do que ser enganado.
Nesse mundo fechado, onde todos sobrevivem.
Pretensiosos e alheios, peito estufado.
NĂŁo lembram que vamos, para o mesmo buraco.
Somos todos fiascos de possibilidades.
Onde a causalidade, nos deixa oprimido.
E a alma dormente, me deixa Ronaldo.
Homem coitado, entrar no meu mundo?
Tire sobrenome, da sociedade incĂłlume.
Apegue-se Ă s sĂndromes, lesione-se aos goles.
Vamos rir dos pobres, contemporĂąneos doentes.
Da vida diĂĄria, presos no tempo, sem proeminentes.
Dos que nĂŁo tĂȘm tempo, de ser um Ronaldo.
A vida prossegue, sem identidade.
Lhe falta coragem, abandone seu mundo.
Se dĂȘ um bofetĂŁo, pegue artilharias.
Quem sabe a vida, fica mais estimada
Quem sabe ela pare... ou fique calada!
Para que o chĂŁo nĂŁo caia e o teto lĂĄpide por definitivo, acataremos inquieto a lua ausente; abraçaremos o sol de forma aprazĂvel e... desconcertante, esperaremos o amanhĂŁ tardio. Nem tudo estĂĄ perdido, apenas o coração, fragmentado com os resquĂcios...
'SABOR: CIĂMES'
Me vi louco, debruçado sob o idoso sofĂĄ de alcatifa. Dia antes, vocĂȘ passara com outro Ă minha frente. NĂŁo tĂŁo de repente, meu coração disparou: pistola automĂĄtica com tiros se reciclando ininterruptamente!
No sol de verĂŁo, em meio a multidĂŁo, a rua saborosa de
ausĂȘncia, sinalizava dano. "Aperto de mĂŁos". NĂŁo mais que isso! E jĂĄ te imaginava minha. Te devorava nos meus olhos e vocĂȘ, vocĂȘ passou com outro!
Justo agora que te convidaria para um sorvete. Se bem que um de açaĂ, me tiraria daqui: zelo criado por mim! Detesto quando falam que sou acanhado! Dia desses, dei um soco num larĂĄpio. Sorte a minha que nĂŁo acertou e saĂ aligeirado.
Mas vocĂȘ Rosalinda! A que seria mulher dos meus cinco filhos. A que ficaria atĂŽnita, esperando minha chegada, a quem eu amestraria para ser amada. Ainda obstĂșpido, fico a viajar nos meus mares, sem lugares, sem ares!
Ei! Agora lembro-me do calhorda! Ă seu primo Rufino! E eu que passei a noite Ă s claras pensado vocĂȘ nos braços de outro. Pura quimera! SĂŁo quase seis da manhĂŁ, daqui a pouco, tentarei criar coragem e te convidarei para um sorvete de açaĂ ou qualquer outro sabor!
'HOJE'
Hoje: alvorecer!
Gritei palavras,
Mas elas ficaram imensas,
Pesadas.
Amanheci dialético,
Tentando dizer: te amo!
Mas nĂŁo proferi.
Montanhas despedaçara a bravura.
Despencar-me-ei amortalhado,
Chorarei granizo,
Horizonte perdido,
ParalelepĂpedos.
Aventurarei mistérios incógnitos.
Seduzirei criar riscas,
Loucuras mortais,
Melodia!
Hoje: alvorecer!
Chorei palavras,
Mas elas tornaram-se monstros,
Quiçå...
Sem identidade, se tivesse alguma, seria servil, oprimido, lacunas. Desenhei meu mundo: metåforas! Só entra os ilusionados, patéticos, sem fortunas.
'RETRATOS'
Olhares fixados na Nebulosa que då vida. Sorrisos obscuros, talvez verdadeiros. Abraços gigantes, protetores, outros singelos. Mãos escorregadias. A meia órbita exige uma corrente que comove uma nova linguagem. A fóton miragem é sempre imitante. Assim como os vasos ornamentais, o melhor alvo tem que ser lapidado, trabalhado com as mãos. Refeito às suas indisposiçÔes.
O passado congelado. Vivificado com suas folhas sob o chão de lama. A trilha encontra-se letårgica, atÎnica. E os påssaros voando sob o céu fatigado? A lagoa onde reavivåvamos a vida ainda resiste? Nessa outra, o violão fala diversas possibilidades: harmonias, melodias, melopeias. A 'nova criatura' reflete o nobre, o profano, a vida, a morte.
Capturando estrelas, profundezas. Em cavernas colecionando meteoros. Andando descalços. Desnudo. Confuso. Sorrindo. Algumas dizem adeus, esclerosadas com o acético do tempo. Exteriormente cabulosos, mas na alma, uma infinidade bucólica, sementes, lembranças.
NĂŁo queremos perspectivas, esboços, formas livres, abstraçÔes ou tampouco efeitos caĂłticos. Queremos paraĂso, Ăcaro. Desvenda-nos a cada olhar turvo. Faz-nos ausente, presente, poeta, singular.
'REENCONTRO'
Serei neurastĂȘnico ao vĂȘ-la. Esguichar-me-ei pelas ventanas como um louco paralisado pelos terremotos vivos. O relĂłgio amordaçado falarĂĄ aos quatros ventos enquanto ficarei na calçada ambĂgua.
Afundarei silente, ruidoso tal qual um quarto escuro, exceto pelo cintilar das insĂŽnias. Descobrirei textos frĂĄgeis e nĂŁo sonharei palavras. Saudarei raios, trovĂ”es, penĂșria, chuva, sete mares.
A luz que nascera na maternidade se tornarĂĄ rupestre, corpo celeste e o escalar das montanhas serĂĄ avesso. O elo, com sofreguidĂŁo, irĂĄ distanciar-se do intermitente alvo. Dizer 'adeus' sempre foi atrito, dilema. NĂŁo mais que um bocejar: desconforto!
Percebe-se que a grande maioria das pessoas fingem nĂŁo saber (ou esquecem) que a lei da gravidade sempre nos atraĂ para baixo e que, somos milhares de vezes menor que um grĂŁo de areia nesse imenso universo.
Vejo pessoas no fracasso falando de sucesso,ĂȘxito, triunfo, vitĂłrias... prefiro falar de superação, volta por cima, isolamento temporĂĄrio, solidĂŁo transitiva, desastre passageiro.
A vida Ă© um pouco 'disso' misturado Ă 'aquilo'. Mistura invulgar. Cachoeiras. Ribanceiras. A vida torna-se retratos. Cria novos quadros. A vida sĂł faz sentido quando a soma dos vĂĄrios sorrisos, tornam-se maiores e verdadeiros.
