Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

'TALVEZ LINA'

Tento desnudar, a cada promessa nĂŁo dita, os teus segredos mais profundos. Sem perceber, na serenidade das noites, ousei invadi teus sonhos para que eles se tornassem reais e os seus olhos Sirius: sumptuosos e sedutores! PorquĂȘ nĂŁo traguei barreiras? NĂŁo sei! Talvez a flecha da paixĂŁo nĂŁo estivesse pontiaguda. Talvez a força do meu olhar estivesse sem...

Viajo nuvens de anseios, abraços nos dias de calor, romaria alĂ©m dos horizontes. Vejo-te segredos, clave harmĂŽnica, essĂȘncia das minhas loucuras. Sinto fome de vocĂȘ, tradução da minha essĂȘncia. Jeito menina. TĂŁo pequenina e violentamente graciosa...

Devorar-te-ei nas minhas ficçÔes diĂĄrias. Desde entĂŁo, as noites sĂŁo fantasmas. Fecho o mundo criado! Esbarro decididamente covarde. Estiveste tĂŁo perto e num sopro, distanciou-se. Deixou ausĂȘncia, carĂȘncia, mancha inspiração, bolha sabĂŁo...

Inserida por risomarsilva

'ESCURECER'

Açoite.
Pernoite.
O céu estufado.
Corre José!
Vislumbra a escuridĂŁo,
Violenta e cortĂȘs,
Exausta o coração.

Berra!
Vocifera!
Adormece as crianças,
Na cama doente.
Sem castiçal,
Anjos devoram,
O sonho mortal.

Suplica demĂŽnios.
Aluvia as igrejas.
Desaponta o acaso,
HĂĄ tempo na vida!
Peregrina...
Corre José!
Foge morfina!

A cada escurecer,
O coração grita vida:
Vem! Vem! Vem!
Aqui! Galgas o peito.

Inserida por risomarsilva

Eu seria um imbecil se afirmasse ser infeliz. A felicidade nĂŁo estĂĄ no inĂ­cio, tampouco no fim. Ela estĂĄ no percurso e cresce na medida exata se assim vocĂȘ o permitir. A minha tem vĂĄrios nomes...

Inserida por risomarsilva

Eu,
Trilho...
Lacuna...

Inserida por risomarsilva

'DISJUNÇÃO'

Carrego teus olhos nos meus,
Perdidos em sombras disfarçadas.
Participo das tuas noites perdidas,
Ludibriada em paixÔes lufadas...

Abraço-te não mais como a flor que imaginei,
A essĂȘncia do perfume nĂŁo mais existe.
Sonhos de outrora encarcerou-se,
Gracejos ficaram tristes...

'DireçÔes' serão outras,
NĂŁo hĂĄ culpados quando a dor Ă© ausente.
Andar-nos-emos outros destinos,
Discorrendo-nos do presente...

Envolto nas pedras que seremos,
Nas almas acorrentadas em fragrĂąncias.
Seremos como velhos artigos:
'O aMoR oCuLtO eM lEmBrAnÇaS.'

Inserida por risomarsilva

'EU'

Ando descalço no mundo genuíno.
NĂŁo porque o abracei,
As terras temporĂĄrias sĂŁo forasteiras.
No meu amplexo jĂĄ cansado,
Diluo a espera.
No branco sem destino,
Na latĂȘncia de sentimentos,
A fluorescĂȘncia ofusca-me,
Assombra-me.
Sou migalhas de um pobre na dor que nĂŁo cura...

Invento psicanĂĄlises nos dias perturbadores.
Adentro o espírito infértil vaga fortuito,
Probabilidades casuais,
Sedento de anseios como as infinitas variåveis no espaço,
Sem cabanas.
Sou inesperado,
Duvidoso,
Eventual tal qual os olhares distantes que se abraçam demorado...

As sĂĄtiras deixaram-me,
Corro feito louco,
Sem domicilio.
Abraço o improvåvel como se abraça os mares.
Os tantos mares que moram em mim,
Chegando tempestuosos,
De sĂșbitos,
Embaçando a ficção aflorada.
Na incerteza,
Crio outros mundos,
Terras ditantes,
Aconchegantes para aliviar as dores.
As dores que outrora,
Tornaram-me identidade,
Sem essĂȘncia,
Ou analogias...

Inserida por risomarsilva

'VASO'

Ruidoso, feito com as mĂŁos,
Industrializado.
Sou natureza.
Ferro.
Do homem estraçalhado.
Cheiro/argila, cerùmica, madeira, polietileno, resina, palha, sintético.
Castiço...

Quando bem trabalhado, sou admirado, beleza, suspiros.
Decoro, adorno, alinho, ornamento, aformoseio.
Enfeito o imperfeito.
Sitio povoados, vidros temperados...
Sou dos cantos.
Dos lados.
Artificial.
Nas paredes pendurados...

Sou do arcaico, do homem abstrato, sarcĂĄstico, quadrado, redondo.
Aromo onde passo.
Encanto com minhas formas diferenciadas.
Tenho sabor tateado.
Expressão do humano: transparente, engraçado, pintado em infinitas cores.
Cristalizado ou inexpressivo.
Sem desĂ­gnios ou escritos, serei intuito,
Vaso qUeBrAdO...

Inserida por risomarsilva

As estrelas imbuĂ­das em mim, tĂȘm a luminosidade do 'A'. Nesse compasso, aparentemente brilhante, sou trilhas, livros. Promessas, adjacente, distante...

Inserida por risomarsilva

'DESENHO'

Cogito o mundo dos vernizes,
obra de arte,
teu corpo.
Sou breve em rasuro,
representaçÔes,
embaralho.
Fragmento telas,
borracho novos quadros.
Fito o linear dos olhares.
Pinto ĂĄlgebras em giz,
cenĂĄrios.
AmplificaçÔes de afeiçÔes,
Painéis,
compassos...

Traço esboços diårios,
tuas curvas,
retratos.
Infinito novos dramas.
Torturo faces,
mĂŁos,
papéis,
panoramas.
Inspiro geometricamente tua forma,
incorporo métodos,
desejos...

Nos quadrĂąngulos/cĂŽncavos,
sussurro prospectivas.
És partículas,
com seus Ăąngulos moldados Ă  grafites,
tintas,
cores,
sulfites.
SĂ­nteses de contornos harmoniosos,
fictĂ­cios,
provisĂłrios.
TentaçÔes...

Inserida por risomarsilva

'QUADROS'

Pincelo quadros como quem esculpi sonhos intocĂĄveis.
Faço traçados diluindo curvas,
lacunas,
eixos.
Talho sonhos tal qual a quem escreve poesias,
que a cada toque,
desfaz-se fugaz Ă  imagem passada...

Imagens recriadas envoltos Ă s linhas que revivem bruscamente.
Metamorfoses de mãos e suas injustas proporçÔes em molduras,
pensamentos.
Fixados nas velhas paredes,
estranhamente modernos.
Velhos quadros,
no ontem rabiscados,
fluem pelas veias como correntes,
ascendentes,
hodiernos...

Gero quadros/transiçÔes tornando-se passadouros,
ausentes.
Porém,
Insisti-lo-ei aos sonhos de outrora,
Ă  beleza,
Ă  vida,
Ă  angĂșstia da criança que chora sem saber.
MĂŁos que tremem sem querer,
são quadros desejando mutaçÔes,
aquarelas,
tantas outras formas,
novas telas.
VocĂȘ...

Escrito por Willas Gavronsk e Risomar Silva.

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'SEI LÁ O QUÊ!'

É fĂĄcil 'amar' quando a pessoa cobiçada Ă© inalcançåvel.
É fácil 'amar' os olhos,
cabelos,
sorrisos.
NĂŁo Ă© nada estranho admirar o modo como se anda,
o jogo de cintura,
passos lentos esbanjando sensualidade...
Fala-se:
- Quero-te nem que seja pela metade.
Alguns diriam que sĂł serviria 'o todo'!.

Ela parece desprezar-lhe.
Talvez nem saiba da explosĂŁo que corrĂłi-lhe a alma ou das noites em afrescos pensamentos.
O amor talvez comece com a troca de olhares.
Essa 'troca', talvez, nunca tenha existido para um dos amantes.
Mas do outro lado,
a perfuração sempre serå profunda,
enraizadora.
Mistura de dores sem medidas exatas.
NĂŁo importa a idade,
a criança começa aflorar e o falta de doces deixa-lhe os dias entristecidos.

- Deve ter sido amor Ă  primeira vista!
Amor,
paixĂŁo,
fanatismo,
entusiamo.
Sei lĂĄ o quĂȘ!
Sabe-se apenas que a intensidade ardente de querĂȘ-la Ă© desvairado.
- A felicidade poderia estar na dor.
Levaria milhares de topadas se em indenização,
conhecesse seus olhos,
cabelos,
sorrisos...

Inserida por risomarsilva

'PARAENSE'

Por do sol Paraense,
sem olhos,
horizontes,
sementes.
Do GrĂŁo-ParĂĄ,
antipolĂ­tico,
sobeja cachaças,
bicho das matas,
das brenhas,
chibés,
munguzĂĄs...

Nascido das chuvas,
distraĂ­do amazĂŽnico.
ParticĂ­pio.
Respira hidrografias,
farinhas.
Sem trajes,
És Carimbó conformado,
ribeirinha...

Cultiva ouro preto,
isolação,
açaí.
Saboreia pupunhas,
tacacĂĄ,
camarĂŁo.
És baião,
multidĂŁo,
muricis...

Guarda tralhas,
bacuris,
pirĂŁo,
pescado.
Cultua piquiĂĄs,
esperanças,
tucumĂŁs,
cajados...

Subsiste manhĂŁs,
neblinas.
És indígena,
fardo.
Flutua canoas,
rio acima,
bicho sem mato...

Exala naturezas,
apogeus sem cobiças.
Pela força admirado.
És espelho.
Paraense.
Reluzente.
Estilhaçado...

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'FOLHAS'

As folhas estĂŁo em coma,
despencaram-se aos campos como tantas outras.
Acinzentadas ao sol,
chuvas...

Elas sempre caem ao chĂŁo,
subterfugias.
Evasivas,
levadas aos ventos...

Vislumbrou estrelas,
galĂĄxias.
Suaves discursos,
farĂłis desconhecidos...

Porém,
sucumbiu-se em mĂĄgoas,
esmagadas ao chĂŁo,
destino decesso...

Era suave como a flor,
outono.
Hoje Ă© incinerada,
triste,
sopeada.
Folha sem vida...

Inserida por risomarsilva

'SOMBRAS'

Possui lugares imprescindĂ­veis quando os homens te nascem.
Imortal como trevas pedindo fluorescĂȘncias.
Oculto entre atalhos deméritos,
cabanas,
fissuras.
AparĂȘncia obscura,
és profundeza de almas,
oceanos.
Fantasmas...

Atrofia solidĂŁo submersa no peito,
aposentos.
Cultivas segredos,
passos.
Suspira luxĂșria,
dispersĂŁo.
Tirania minguante quando o sol expira,
imitação.
PenĂșria...

Embarcado nos movimentos,
sombrio.
És vestígio de aproximação ausente,
travesseiro.
Opaco como as veias que Ă  sombra do pulsar respira vida,
receio.
IntrĂ­nseco aos homens falecendo dias.
Amordaçando loucuras,
paixÔes,
perfumes,
melodias...

Inserida por risomarsilva

'NÃO DESISTA!'

NĂŁo desista das estrelas quando elas se forem,
tudo ficarĂĄ bem!
Insista nas boas lembranças dos tempos de outrora,
das brincadeiras atravessando ruas,
lagoas.
Não adormeça os lugares que se vai tão facilmente quando se estar triste,
faz parte viajarmos distraĂ­do respirando o ontem...

NĂŁo desista dos novos amores que baterĂŁo a velha porta empoeirada,
abra-o sem medo de ser feliz.
Não esqueça dos rastros perdidos na chuva ou dos pingos molhando o velho espírito,
as flores na varanda podem jĂĄ nĂŁo ter tanta importĂąncia,
mas elas continuam exalando vida,
abraços...

NĂŁo seja tolo confinando mĂĄgoas no escasso tempo,
ele Ă© verdadeiro em curar dores,
angĂșstias,
sofrimentos.
Seja fĂŁ dos temporais,
nĂŁo pelos fortes ventos ou a violĂȘncia dos estragos,
mas pelos rastros das aprendizagens,
ensaios...

Inserida por risomarsilva

Escrevera uma vida falando de um poema. E no final, percebera que o poema eram apenas rabiscos. NĂŁo valera tanto a pena!'

Inserida por risomarsilva

'OUTUBRO'

Hå multidÔes em ruas coloridas,
betumes.
Fogos e tantos fungicidas,
artifĂ­cios.
Representa-se 'partidos',
'fatias'.
Céus de esperanças,
exageradas mudanças...

PaĂ­s de adornos,
adereços desabrasileirados.
IlusĂŁo paraense,
paulistano,
nordestino.
Covis Inter-raciais disputando palanques,
qualidades,
personagens,
discursos.
Mistura embaĂ­da,
bandeiras coloridas...

Subsiste-se eloquente até a data prevista.
Impetuosos nas pranchas de sonhos,
anseios.
Todavia,
são balÔes que esvai-se no espaço.
TĂĄcitos desesperados,
agora desalentos,
brasileiros,
utopias...

Inserida por risomarsilva

'AINDA HÁ TEMPO'

Ainda hå tempo para os recomeços.
Para os abraços apertarem as almas.
Grandes paixÔes e coisas do coração.
Ouvir a mĂșsica que vai marcar toda uma vida.
Ainda hĂĄ tempo para perdoar,
recordar.
Se doar um pouco mais.
Tempo para ampliar horizontes.
Ter um milagre nas mĂŁos e carregĂĄ-lo no colo.
Ainda hĂĄ tempo para beijar os rebentos que tanto nos admiram.
Abraçar irmãos ainda perdidos no tempo.
Ter nas mĂŁos algumas estrelas e cultivĂĄ-las para a posteridade...

Ainda hĂĄ tempo de sobra para as coisas simples que dĂŁo prazer.
Jogar pedras nas ĂĄguas.
Jogar algumas horas de conversa fora.
Fazer amigos nas praças.
Ouvir os idosos falarem das suas experiĂȘncias de vida.
Apagar as luzes artificiais do coração,
apreciar o luar no quintal e tentar pegar a lua com as mĂŁos.
NĂŁo tem quintal?
Tudo bem!
Aprecie-o da varanda.
A mesa estĂĄ farta?
Reparta o pão e alegre-se em fazer uma criança sorrir.
A fome dĂłi.
Mas a dor maior,
estĂĄ em ficar no quarto,
trancafiado Ă s escuras...

Use o tempo excedente para enterrar as presunçÔes da vida e do dia a dia.
Deixe de lado a truculĂȘncia e o desamor.
Esqueça as desgraças do mundo profano que nos faz mais tristes e limitados.
Existe forma melhor para gastar tempo?
Ele estĂĄ nas mĂŁos,
no presente!
Basta olhå-lo com afinco e atenção.
Ele faz valer justiça.
Justiceiro que nĂŁo falha!
NĂŁo o tranque nas celas cotidianas.
Liberte-o!
Use-o como sua melhor arma sempre que puder.
NĂŁo o deixe te tomar de surpresa.
Ainda hĂĄ tempo,
antes que o tempo te interrompa,
e vocĂȘ nĂŁo registre o tempo que existe em vocĂȘ...

Inserida por risomarsilva

'SINTO FOME'

A fome tem gosto queimadura,
e queima a alma.
Grunhido latente apregoando penĂșria.
A missa ainda reza aos ĂłrfĂŁos,
pobres nas calçadas!
Olhares martĂ­rios,
e tantas outras melancolias...

Urubus Garbosos,
- mirando pasmos entre si -
pulverizando o divino pernil jogado.
Sublinhadas oraçÔes passadas,
alertando o sino amordaçado:
Ă© hora de avocar!
Mendigar acenos...

A luz penumbra,
lembra indumentĂĄrios,
- e uma cama quentinha! -
EscuridĂŁo, escuridĂŁo!
PorquĂȘ embrulhas o tempo indelĂ©vel?
Tempos de fome,
sonhado nas portas das igrejas...

Fome na espinha!
A triste viĂșva e seus rosĂĄrios,
sem revindas no caminhar matinal.
O contemporĂąneo-bicho-papĂŁo,
e suas rezas nĂŁo vindas.
ExcĂȘntrico que assusta,
fome de arrimos...

Inserida por risomarsilva

A vida pendurada na janela...

Inserida por risomarsilva