Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
'NĂO DESISTA... '
Sonho esparramado no amanhecer.
Na alma,
caminhos sem rumos.
Rotatividade devorando o pĂŽr-do-sol.
E uma insĂŽnia impregnada no peito...
Olhos fechados,
sonolentos Ă procura de grĂŁos de areias.
Estrelas sĂŁo diariamente ofuscadas.
Salobro o cafĂ© da manhĂŁ nĂŁo vĂȘ sentimentos.
Tudo vai se distanciando...
NĂŁo desista dos distantes corpos celestes.
Tampouco dos sonhos que hĂĄ de se conquistar.
Trilhe os caminhos de ausĂȘncias,
e sinta-se forte o bastante para transformar vidas.
Cultive o amor prĂłprio jĂĄ esquecido...
Seja sedento por transformar sua jornada cervical em pulsos eletrizantes.
Junte os sonhos jogado nas calçadas.
NĂŁo desista de transformĂĄ-los um a um.
Deixando o coração aberto às descobertas
E um peito suspirando vida...
POR-DO-SOL
SĂO SERES HUMANOS
Apenas isso!
Contemplando o pĂŽr-do-sol
Quebrando infinitos planos
Maresias turbulentas...
PARA ONDE VAI PUJANTE CREPĂSCULO?
Contratempos minĂșsculos
Discursos de ausĂȘncias
Outrora fabuloso
Vagarosa dolĂȘncia
Antigas cançÔes de ninar...
MĂOS EM SEDENTĂRIO PIANO
Verbos naufragando
Faz guerras irascĂveis no tempo
Inventando contratempos
Entardecer aparente
Lentamente
Ambos se esvaem ...
âVALE DO TAPAJĂS: UM BREVE RELATO...â
Meu bairro tem apenas doze anos. Passou a minha idade! Tenho dez, mas sou muito pequeno para o meu tamanho. Tem um lago aqui prĂłximo onde juntos quase moramos. Quase todos dias me levam lĂĄ! Aqui nĂŁo tem ĂĄgua encanada ou esgoto para jogar resĂduos. NinguĂ©m estĂĄ imbuĂdo em ajudar o bairro que eu amoâŠ
NĂŁo tem praças para meus amigos me levarem ou brincarem. Quando chove Ă© o melhor dia, na brenha da mata, fazendo alegrias, adoramos brincar na lama! A rua Ă© querido abrigo, tĂŁo largo, tĂŁo vasto, tĂŁo plano. Serviço pĂșblico aqui sĂł promessas, jĂĄ hĂĄ todos esses anos. Sei nĂŁo! Mas acho que o atual estĂĄ se recandidatando. Muita gente gosta dele na cidade que eu canto. Pode ser bom lĂĄ nos outros, mas aqui Ă© ledo enganoâŠ
Ă um bairro perifĂ©rico suburbano. Posto de saĂșde nĂŁo tem! Ă uma tremenda agonia. Sempre me levam em outros, quando vou lĂĄ todo dia. A principal Ă© cheia de buracos e quando chove? Ah meu Deus quando chove! Ir Ă escola mais prĂłxima Ă© engano. E quando lĂĄ chegamos, nĂŁo tem merenda! O professor estĂĄ revolto, Ă© tanto baixo o salĂĄrio que nĂłs quase nĂŁo reclamamos. A vida aqui Ă© bonita, mas turbulenta e esquecida. Vejo a rua sempre larga, imagino cada casa, Ă s vezes fico voandoâŠ
MamĂŁe foi para casa da patroa. Ela Ă© meio Ă toa, fica igual a eu sonhando: com uma escola bem pertinho, um pouco de ĂĄgua tratada, famĂlias com boas moradas e uma creche para o meu maninho. AmanhĂŁ faço onze anos! Nunca tive aniversĂĄrio e nem cultivo. Mas isso nĂŁo me deixa bobo. Sou contente com o pouco, ÂŽsĂł queria ter mais anos. AlguĂ©m para escutar os gritos, ver meu Vale bem bonito, e voltar para casa andandoâŠ
'QUANDO EU PARAR DE SONHAR...'
Quando eu parar de sonhar,
serei um hipĂłcrita simulando poesias.
Praguejando dias irreais.
Sem cordilheiras,
fingirei a presença de verbos...
A caminhada serĂĄ insensata,
abstrata com sua burca espalhando negrume.
O novo Oriente implorarĂĄ complacĂȘncia.
Pretenso,
nĂŁo mais falarĂĄ de religiĂŁo...
Quando eu parar de sonhar,
Não terei os abraços convencionais,
desleais/egoĂstas.
A casa nĂŁo terĂĄ crianças para avivar os dias fĂșteis.
O ar exalarĂĄ despedidas misturada Ă escassez de utopias...
O coração arrĂtmico confessarĂĄ segredos nĂŁo mais sonhados.
Medos terĂŁo descansos promĂscuos.
Ao lado a realidade verĂdica,
tĂŁo implĂcita,
agonizando os dias reais...
'VELHO ANO...'
Mais um Velho Ano que se aproxima. Menos saĂșde para comemorarmos. Milhares de cĂ©lulas morrendo. Nunca entendi, por exemplo, algumas das comemoraçÔes. Para quĂȘ tal, se um Velho Ano nĂŁo faz tanto sentido, faz tĂŁo mal para um velho bocado de pessoas...
Quem conquistou, quem nĂŁo conquistou nĂŁo interessa! Interessa nos reconhecemos. Sermos mais irmĂŁos! Se bem que essas frases de Ano Velho nĂŁo surtem mais efeito na vida das pessoas. Elas continuam as mesmas. Do modo como vieram ao mundo. Talvez nĂŁo!
Dia dos Namorados, Natal, Ano Velho e Outros tem cara de Segunda-Feira. As pessoas vĂȘm e vĂŁo. Outras com fĂ©, outras com sentimentalismo. Ă aquele famoso rodĂzio melancolizando os dias que virĂŁo...
Que venha o proximo ano parecido com o que se foi. Talvez a grande diferença seja o fato de termos menos tempo. Sabe Deus o quanto! Apesar dos pesares, quero agradecer por ainda estar preso nele, comemorando a minha forma velha de vĂȘ-lo...
''NĂO HĂ...'
NĂŁo hĂĄ fases para predizer o presente.
Sequer liberdade para abraçar o infinito derramado sob a terra em avesso.
Nada cĂclico!
Para quĂȘ infĂąncia,
mistérios,
mĂseros sonhos exalando pelas mĂŁos...
Inerte cenĂĄrio!
NĂŁo hĂĄ fotografias antigas para matar a saudade!
Nem pinceladas atuais tratando um novo destino.
Sem fotoperĂodos para o crescimento do caule na alma.
SĂł evidencias regressivas estilhaçando desĂgnios...
NĂŁo hĂĄ imaginĂĄrio,
fantasias.
Apenas corridas contra o tempo.
Tudo opaco e vazio,
tal qual o eco de um desconhecido falando de razĂŁo.
Suspirando um novo espĂrito nos ĂłrgĂŁos.
Sob a janela amarroada,
amparando vaga-lumes,
ausentes de lumes nas seguidas noites sem cançÔes...
'QUANDO EU CRESCER...'
Abarcarei montanhas e mares de ausĂȘncias, turbulĂȘncia e poeira nos olhos tornar-se-ĂŁo verdadeiras. FicarĂĄ a saudade dos abrolhos nas plantas rasteiras exalando o que realmente seria a vida...
As lĂĄgrimas cor de sangue ficarĂŁo mais impetuosas e perceptĂveis. NĂŁo haverĂĄ mais lugar para elas caĂrem ou mĂŁos para agarrarem-nas nas pontas. O sol agora em ruĂnas tornar-se-ĂĄ mais avassalador, dissecando dores e as poucas esperanças nas tempestades e dias sombrios...
Quando eu crescer, quero ter olhos de criança. Não o ser sem bonança que fizeram de mim: sem identidade própria e lugar no mundo, trancafiado numa caixa de pandora, respirando desvairados acasos e um amotinado de questÔes sem respostas ...
Tudo acontece lentamente quando se vai espichando o espĂrito. A coleta de sorrisos esparramados tornam-se resquĂcios, sem arco-Ăris. Quer-se acalanto, um mundo menos profano e de todos, sem metafĂsica...
Quando eu crescer, quero ser um casebre de palha, sem retratos pendurados nas janelas. Sem sequelas ou falas para reproduzir a harmonia passada. Tudo sem dualidades, sem metåforas que fazem da vida uma repetição desastrosa e colapsada. Eu nunca pedi para crescer! ...
'ANĂLOGO...'
Anålogo, repetitivo. Ele caminha observando as mesmas imagens. Plantou sua imortalidade nos filhos. Acreditou naquilo que poucos acreditam: cogitação perpétua...
AnĂĄlogo, sĂmile. Ele acorda Ă s seis da manhĂŁ e dorme apĂłs Ă s duas da madrugada tentando encorajar seus congĂȘneres. Poucos sabem, mas ele Ă© reticĂȘncias...
AnĂĄlogo, tem dormĂȘncias diĂĄrias. NĂŁo contraria o acaso. Mas ver-se disperso fitando inĂcio, meio e fim. Quebra espelhos! Mas espelha-se no semblante abatido e cansado na qual todos tornam-se...
AnĂĄlogo, fitando o absurdo. Ele Ă© mudo nas horas hostis. Observa a sobrevivĂȘncia das orquestras cantando as mesmas cançÔes hĂĄ milĂȘnios. Melodias antifĂŽnicas que fazem parte do mundo, sobrevivendo e enraizando as almas...
'LIBERDADE'
E quando algum dia tudo findar,
nĂŁo serei religiĂŁo.
Sem razĂŁo ou princĂpios abstratos.
NĂŁo mais serei terra seca,
emoçÔes,
essĂȘncias ou buscas.
Tampouco punhado de areia [fragmentado],
deixado aos cantos,
felicidade exilada ou resignação...
NĂŁo serei saudade nas alcateias que compartilhei.
Tudo sempre serĂĄ como fora um dia.
Sem matilha,
o mundo serĂĄ o mesmo.
Agora deitado ao chĂŁo,
NĂŁo quero donzela reascendendo paixĂŁo fĂșnebre ou amores de outrora.
Quero algo maior!
NĂŁo o luxo de uma consciĂȘncia sem lume...
Liberdade!
As portas do primeiro choro cumprirĂŁo suas promessas.
Deverias vir sorrindo,
brancacenta,
sem foice nas mĂŁos.
Mais pessoas precisarĂŁo serem libertas.
Sentir a calmaria do teu bafo quando a dormĂȘncia ficar o coração.
Pode vir sem dĂł,
aduzindo ventos [galhas] e palmeiras...
'POETA [...]'
Palavras e versos manufaturados.
Sou tinta escalada nos quadros amoldurados,
sem finalidades para os milhares de olhares.
Obra de arte nĂŁo apalpĂĄvel.
EssĂȘncia de perguntas e proposiçÔes sem respostas.
Procuro sentido no mundo obsceno e nĂŁo passo de ponto na escuridĂŁo.
Alguém a morrer e viver desesperadamente.
Tentando definir os romances da vida como se desejaria...
Rasgo paraĂsos/infernos sem molares.
Desço nos mais profundos mundos obscuros e indefinidos.
E escrevo histĂłrias quotidianas e ilusĂłrias,
sem inĂcio,
meio e fim.
Algo nada particular para quem diz amar os lagos,
mares.
IdĂlio nos sentidos e pasmo nos sentimentos.
NostĂĄlgico ao extremo,
reinventando amanheceres infames...
Sou poeta!
Ă o que me resta de melhor!
Calo os que de mim fazem pensamentos.
E a cada extravio na procura,
encontro beleza.
E faço do mundo de insanos,
o mundo que desejamos!
Menos patético,
metropolitano.
Transfuso sopa de palavras e morfinas pela manhĂŁ,
e vomito o que penso aos quatros cantos,
sem canto para vislumbrar os absurdos,
que faz do homem: pontiagudo,
unidade,
fragmentação,
poeta...
'LAGO'
O trilho teria que findar nos lagos. Eles lembram um ar de tranquilidade. Seria o fim perfeito para as procuras lesivas que a vida proporciona. Uma cabana de palha e seu fogĂŁo Ă lenha, e a velha canoa fazendo um convite a um passeio reflexivo pela alma...
Os pequenos påssaros e a brisa suave é despertador. O cheiro de fumaça a entrar pelas narinas fala que é hora de vivificar a pequena fogueira que não mais apaga. O amanhecer reflete as imagens que tanto sonhara. Os peixes a saltitar, lenificam o coração...
O retrato de um lago deveria ser eterno. Todos deveriam criar um para si e fixå-lo na parede. A trilha deveria começar a partir dele e para ele. Não tenho que tolerar o medo ou definir as dores do mundo. O lago deixa tudo mais desejåvel, florido, lago dos sonhos...
'MAZELAS'
As mazelas da vida nos fazem mais romĂąnticos, patĂ©ticos, poĂ©ticos. Alça-nos com a sĂșbita ideia de que levamos uma vida prosaica, fulgida de sentimentos...
A nobreza mora no coração do poeta. Longe de mim ser comparado com tal! Poetas sim, esses são nobres. Conseguem brilhar o diamante que perdeu o fulgor ou que hå muito estar sem brilho no peito...
E a fonte sempre jorra. Parece nĂŁo ter fim. Como as mĂșsicas e suas melodias. Se reinventando nos seus acordes infinitos. - ainda brilharei como um! Mensagem p'ra vida toda! Brilhar e ser reconhecido pelas palavras. SĂł elas dĂŁo reconhecimentos. Talvez uma frase de bolso mude tudo...
Por enquanto sou mazelas. NĂŁo que isso me incomode. Ao contrĂĄrio, fortalece-me nos meus desvios e devaneios. Antes do poeta, o dicionĂĄrio de cicatrizes falando ao ouvido. Vomitando o que de mais puro existe na alma. Serei estrada sem fim, atĂ© encontrar o equilĂbrio preciso. Talvez seja a utopia que deixa-me tortuoso, mais seguro, dono das palavras...
'MAZELAS'
As mazelas da vida nos fazem mais romĂąnticos, patĂ©ticos, poĂ©ticos. Alça-nos com a sĂșbita ideia de que levamos uma vida prosaica, fulgida de sentimentos...
A nobreza mora no coração do poeta. Longe de mim ser comparado com tal! Poetas sim, esses são nobres. Conseguem brilhar o diamante que perdeu o fulgor ou que hå muito estar sem brilho no peito...
E a fonte sempre jorra. Parece nĂŁo ter fim. Como as mĂșsicas e suas melodias. Se reinventando nos seus acordes infinitos. - ainda brilharei como um! Mensagem p'ra vida toda! Brilhar e ser reconhecido pelas palavras. SĂł elas dĂŁo reconhecimentos. Talvez uma frase de bolso mude tudo...
Por enquanto sou mazelas. NĂŁo que isso me incomode. Ao contrĂĄrio, fortalece-me nos meus desvios e devaneios. Antes do poeta, o dicionĂĄrio de cicatrizes falando ao ouvido. Vomitando o que de mais puro existe na alma. Serei estrada sem fim, atĂ© encontrar o equilĂbrio preciso. Talvez seja a utopia que deixa-me tortuoso, mais seguro, dono das palavras...
'HISTĂRIA...'
HĂĄ centenas de histĂłrias. Elas sĂŁo momentaneamente escritas Ă mĂŁo, pinceis e adubos. Os quintais sĂŁo enormes e os canteiros tem cheiro de livro novo. As plantas crescem e os pequenos arbustos se fortalecem nos variados climas, vigorosos a cada manhĂŁ...
A cada novo broto, uma nova sensação diferente. Abraços nos pequenos rebentos, regados pela manhĂŁ, Ă tardinha e nas noites cĂĄlidas. O cheiro da vida vai fixando as pequenas raĂzes. Uma nova esperança renasce, um novo verde, novos olhares, novos suspiros...
As histĂłria de primaveras sĂŁo vĂĄrias e infinitas. Algumas tristes. Outras melancĂłlicas. E as pessoas tentam pintar seu esboços Ășnicos, como as manhĂŁs nubladas e distintas. Cultivando a seiva das pequenas flores que se tornarĂŁo frutos, novas sementes...
A histĂłria estĂĄ nas mĂŁos e merece ser lembrada quando a terra exaurir o que chamamos imensidĂŁo. Talvez isso nĂŁo faça tanto sentido! Tantos seres ambĂguos. Sem concerto para aplaudir, tentando explicar os milhares de conceitos formados pelos vĂŁos que a vida amestrou...
Talvez as histórias sejam anålogas. Talvez elas não nasçam, quem sabe renasçam. O caminho é tortuoso e é bom cultivar honestidade. Não deixe a barricada frågil. Sonhos e realidades nascem pela manhã se bem regadas...
Nasça na madrugada vazia. Como os brotos no canteiro esquecido, coadjuvado pelo tempo e pelo relento das pequenas almas. Sua histĂłria sempre suportarĂĄ fados. NĂŁo precise da opulĂȘncia ou do ouro para reluzir o que se tem de melhor. Sempre haverĂĄ novo recomeço. Irrigue amizades. Escreva um livro, faça trajetĂłria. Contagie pequenas pĂ©talas, famĂlia, amigos, sua infinita histĂłria...
'TE DESEJO O MELHOR, CARO IRMĂO'
Que o amanhĂŁ seja melhor que hoje,
e suas esperanças jå engavetadas sejam libertas.
A 'liberdade' tem sido tua inimiga,
privando-te de viver razoavelmente a vida,
de sentir as tantas fragrĂąncias expostas ao nosso redor.
Olha a tua dor como aprendizado e algo passageiro,
lembrando que tu a compartilha,
sem que percebas...
Não se precisa daqueles enormes castelos vistos nos filmes de ficção para ser feliz.
Precisamos cultivar apenas um: o nosso castelo interior.
Que ele seja simples,
aconchegante e de bom grado.
As construçÔes da vida começam com um pequenino tijolo,
depois,
se tiveres foco,
virĂŁo as prĂłximas etapas...
NĂŁo esqueces de acolchoar a cama [para que ela fique quente] nas noites geladas.
NĂŁo te entristeces se sentires muito frio.
Levantas as mãos e pede lençóis.
A 'jogada' estar em dar o primeiro passo,
o primeiro abraço verdadeiro.
A labuta tem que ser diĂĄria,
para confortar a alma.
Se o quarto sempre escurece,
janelas deverĂŁo ser abertas para que a luz da lua nos ampare,
sem medos ou receios...
NĂŁo quero te perder para a ignorĂąncia,
nem tampouco para o mundo negro.
Ando triste ao ver esses olhos vendados,
culminando falĂȘncia de ĂłrgĂŁos.
Lembras que,
hå como contornar quase todas as situaçÔes desarmoniosas da vida e mudar uma história.
NĂŁo te fixas em reescrever o presente tĂŁo sofrido focado no passado.
Te fixas num novo recomeço.
Vira a pĂĄgina calmamente e sem pressa.
VĂȘ que ela estar em branco,
precisando das tuas mãos com novos pincéis e outras tintas.
Não hå erro em recomeçar uma nova história,
uma nova vida...
'PORTA'
A porta nĂŁo estĂĄ deserta,
hĂĄ fantasmas fazendo-lhe companhia.
IndivĂduos mĂłrbidos,
cada vez que Ă© entreaberta...
AtrĂĄs dela,
as faces e as dores.
Com seus condolentes personagens,
gritos sem cores...
A porta Ă© ĂĄspera,
e nĂŁo abri com facilidade.
Por mais que se tente,
Ă© tristeza aparente e saudade...
Mas a porta hĂĄ de enfraquecer-se,
nas suas microbactérias.
E os pequenos olhares terĂŁo lugar definido,
com suas reconstruçÔes e artérias...
Ela Ă© passagem,
caminho bucĂłlico.
NĂŁo precisas mais ocultar-se,
nem cantar cançÔes melancólicas...
Teus segredos jĂĄ fora definhados,
tenta seguir a razĂŁo.
Ser alegre na intuição,
escultando as pessoas de tenra idade...
Somos alguém,
com nossas portas esquartejadas,
algumas dolosas,
nas suas formas diferenciadas...
Porém,
somos vigor e podemos mais que ela,
aflingi-mo-los eis as sequelas,
e as esperanças baterão à nossa porta...
NĂŁo evitas o mundo,
nem tenta ser abstrato!
Abre todas as portas sem receios,
e não serå mais refém desse quarto...
'ESPARTILHO'
O espartilho,
vazio.
NinguĂ©m vĂȘ condolĂȘncias,
tampouco adiposidade.
Sem castilhos,
sem brio.
Amordaçando consciĂȘncia,
vislumbrando fatuidade...
HĂĄ barbatanas,
melancolias.
LĂąminas cortando o abdome,
exĂguo.
Ah Juliana!
VĂȘ essa travessia.
NĂŁo dĂȘ tanta atenção para os homens,
para quĂȘ tantos castigos?
Afrouxas o corriqueiro,
delgado.
Jå és esbelta,
graciosa.
Coração em jasmineiro,
delicado.
Seguras a fisberta,
e nĂŁo deixes cair a rosa...
'ANIVERSĂRIO'
NĂŁo gosto de aniversĂĄrio! De comemorar um ano a menos. Muito chato! Aqueles bolos recheados, devorados por dentro sob Ă mesa...
NĂŁo me dĂȘ presentes! Consideremos. Nada de parabĂ©ns por uma data destarte. AniversĂĄrio nĂŁo tem sentido. Ă muito ambĂguo. Certo! JĂĄ tenho setenta...
Talvez esteja desgastado pelos ventos, Tanta hipocrisia nos olhos. E dias miraculosos. Soltos Ă espera de destroços. Ăbito nos cantos. NĂŁo quero velas, nĂŁo quero palmas...
Ah saudoso aniversårio! Quando ao lado cultivava esperanças. Bonanças nas tempestades. Fervilhando-me a alma e a ponta dos pés...
NĂŁo quero ser lembrado. Sou indignado por abraços e mĂseros aniversĂĄrios que me faz ser humano a cada passo. Ultrajado. Desgastante...
