Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
'TREMAS'
Pinto tremas,
Diluo poemas,
PulmÔes em papéis,
Aquarelo clichĂȘs,
Descrevo raios,
PainĂ©is de porquĂȘs.
Suspiro ilusÔes,
Anagramas...
Cromatizo torrentes,
Cicatrizes,
InfortĂșnios,
Mares escaldantes,
Chegadas.
Pintalgo argilas,
Cheiros/ecos
Labaredas molhadas...
Rabisco ventos,
Acordes,
Matizo desejos,
Trapiches,
Simetrias,
Beijos,
Tardes/Fotografias,
Sonoro despertar...
Riscos/traços,
Largas melodias,
Emblemas,
Embaraços.
Escrevo nos lagos,
Nas chamas,
VulcÔes,
Perplexas melancolias...
Plagio o meu 'eu',
O amor em abstraçÔes,
Abraços,
Relevos
ReproduçÔes,
Quarto vazio.
Objetos/estrelas.
Na face do tempo,
Crio paixÔes,
Novos tremas.
ProposiçÔes,
Teoremas...
'TAPAJĂS'
Agitando pĂĄssaros.
Roça perplexão,
Calmaria.
Por do sol ardente.
Correntezas cultivando sementes,
ilhas...
Cético aos horizontes.
Rebelando Jacarés, Iemanjås,
Moradas.
Profundeza altruĂsta.
Talento anarquista,
Desenhada...
Inverno e verĂŁo contĂguos,
Contemplativos,
Fazem de ti devoto.
Pupila de margens.
Belas paisagens.
Sobejo de botos...
Alimenta ribeirinhos.
Poemas.
Adjetivos.
Seio esplĂȘndido.
Boquiaberto, cinzento.
Fugitivo!
Ăs TapajĂłs.
Morada dos povos.
Sombrio.
Exageradamente modesto.
Infinitamente digesto,
Desafios...
Rio de almas.
Ăndios.
Banzeiros.
Sonetos de ĂĄrvores
QuilĂŽmetros em artes
Chuvas, animais, mosteiros...
'Coisas boas e ruins... nada permanece! Restam apenas as boas lembranças e o forte aprendizado. Tudo passageiro no rio que corre. Reconheça que foi eterno enquanto durou! Esteja aberto Ă s novas possibilidades. Afronte novos desafios. Ă a partir deles que a vida torna-se saborosa... 'Intrigante' na medida em que vocĂȘ aprende a se doar...
'SEMITONS'
Os dias vazios aproximam pequenos tons que se perdem no espaço. O regresso das melodias atenuam-se em semitons que viajam Ă s novas terras desconhecidas. O ardor da ausĂȘncia, abastarda, dança pequenos passos, imprecisos, jĂĄ sem tantas sinfonias...
EntonaçÔes descrevem a fosca expressĂŁo imbuĂda no rosto. O convite aos vĂĄrios 'concertos' deleita-se aos diĂĄrios aplausos viscerais. Encontramo-nos e perdemo-nos a tantas novas orquestras, tormentos. E a chegada de novas composiçÔes que nos apaixonam de imediato, servem de fĂŽlego nos dias infĂ©rteis...
As belas cançÔes que aprendemos em busca dos enigmas que criamos, miniminizam as tantas perguntas que afligem os pequenos våcuos. E das tantas trovas óbvias lançadas, que sejamos gigantes nas pequenas palavras e estritamente enorme nos grandes abraços...
'MĂE'
Inala-me com teus impulsos e verdades.
Vejo-te 'SUPER',
Influentes Olhos Quebradiços.
Cabelos brancos inspirando proteção.
Ăs pedra preciosa,
Diamante lapidado pelo tempo.
E no tempo,
Ăs transmissĂŁo de vida...
Quero agradecer-te pelos auxĂlios nas noites acordadas.
Pelos seus superabraços e carinhos quando mais precisei.
O meu amor por ti,
longe de ser passageiro,
Ă duradouro,
InfindĂĄvel,
Aromatizante em todas as estaçÔes...
'NATUREZA'
Presenciamos-te virgem na tua breve morada,
Passageira como nuvens,
Maravilhando-nos nos dias inventivos,
Jorrando admiração por entre vales e matas.
Transcendental,
Tal qual o bater de asas e o cantar dos pĂĄssaros,
Que ausente de amarras/dores,
Respira liberdade,
Multiplica felicidades,
Transforma vidas...
Era-nos lugar de predileção.
EspetĂĄculo ao olhos na chama do alvorecer.
Ar puro inclinando pulmÔes,
Adocicando crianças,
Trazendo esperança.
Sem declives,
Os cĂłrregos clamavam-te com suas ĂĄguas lĂmpidas,
Criando cançÔes/moradas,
Animais livres.
Natural Habitat das VegetaçÔes...
Ăs agora lacĂŽnico na tua cĂ©lere morte.
Transformaram teus dons/paisagens.
Tuas jazidas exauridas,
Todavia,
Berços de atrocidades.
Calhordas visionĂĄrios te despem,
NĂŁo gestam tuas belas e provocantes tonalidades.
Desvairam tua pobre sobrevivĂȘncia.
Homens/Naturezas nĂŁo mais existem
Apenas eloquĂȘncias ausentes/saudades...
'TROPEĂOS'
Tropeçamos nas indecisĂ”es/decisĂ”es. Cores sem tintas. AbstraçÔes. PainĂ©is lĂșgubres. Quadro sinuoso, sem repouso. MetĂĄforas em pincĂ©is. Colinas...
Tropeçamos nas sombras do Ășltimo vagĂŁo. Nas dores que tornaram-se horrores. Fumaça embaçando a visĂŁo. Peito fatigado sem proteção, morada. Fatalidades abertas, enferrujadas...
Tropeçamos nos rios estrangulando farĂłis. Maresias sem beira-mar, paraĂsos. Na prĂĄxis do tempo. Textos vazios. Chuvas ĂĄcidas, atormentando sangrias veladas....
Tropeçamos para nos tornarmos gigantes. Conquistadores do mundo glacial, abrasador e determinista. Para contemplarmos as estrelas soltas no infinito, com suas luzes intactas que nos enchem de sentimentos, acendendo os faróis desprovidos. Subjeção de estarmos vivos, abraçando o tempo remanescente, vindouro, incisivo...
Sendo inevitåvel para o amadurecimento que precisamos, a solidão é o amigo para as horas incertas e horas profundas de transformação.
'LEMBRANĂAS...'
Todas as vezes que Ăamos ao aeroporto pegar os malote de jornais, seu Artur Martins me perguntara: - Quem descobriu o Brasil?. Eu sempre respondia com afinco: - Pedro Ălvares Cabral!. Ele arrebatava: - Mentira! Foram os Ăndios! Eu sempre sorrira da sua resposta. Pergunta e resposta tornaram-se um 'rito'. Rito que ainda sobrevive e perdura atĂ© hoje na memĂłria.
Muitas imagens boas marcam nossa infĂąncia, mas tem imagens que permanecem inesquecĂveis. Ăramos dezenas de Vendedores de Jornais. Moleques. Ăvidos na luta diĂĄria no final dos anos 90. Era comum crianças trabalharem naquela Ă©poca para ajudar com as despesas da casa. Comecei a vender jornais com nove anos.
Quando me perguntam se eu tive infĂąncia, digo que tive mais que isso. Tive uma aventura memorĂĄvel. Sempre tĂnhamos uma sopa quentinha com pĂŁo francĂȘs quando Ăamos entregar os jornais ao fim do expediente. Dona CĂ©lia Martins sempre atendera a todos com sorriso e brilho no olhar. Seus filhos Pedrinho, AndrĂ© e Artuzinho eram amigos de todos.
SĂĄbado e domingo era dia de almoço caprichado. Na sua residĂȘncia, particularmente no quintal, havia um campinho de areia onde 'jogĂĄvamos aquela bolinha'. A recreação era o ponto forte. Ă onde meus flash se concentram. Lembro-me de irmos por vezes em alguns clubes para as socializaçÔes. Banhos em cachoeiras. Jogos em campos de verdade.
Depois de alguns anos sem vĂȘ-lo, soube que seu filho Pedrinho havia falecido e que ele entrara numa depressĂŁo profunda. Faleceu dia 16 de Novembro de 1995, vĂtima de um derrame cerebral. Seu Artur Martins foi um brilhante ser humano. AlĂ©m de jornalista, era ĂĄrbitro de futebol.
Todos as vezes quando vejo 'bondade', lembro-me da pessoa excelente que fora. Da forma como conquistava tudo e a todos. Lembranças boas não são esquecidas assim do dia para a noite. Elas permanecem vivas porque são imortais.
'SONHOS'
Sempre tive sonhos. Repetitivos. De sonhar com os mesmos lugares. Os mesmos tons. As mesmas pessoas. Os mesmos fantasmas. Paisagens duplicadas. Sonhos bons. De afliçÔes. Jå sonhei-os por repetidas vezes. Cinco, dez ou vinte vezes. Talvez mais.
Desde muito tempo, ainda criança, sempre sonhara voando. Com asas. Batendo os braços. Viajei para vårios lugares em segundos. Vislumbrando os lugares que ficara sempre abaixo. Com suas luzes amarelas. Centenas ou milhares de årvores verdes. Olhos cerrados pela velocidade do vento. A sensação é extraordinåria: Liberdade. Emancipação. Emoção.
Quando acordo e lembro-me que fora o sonho de anos atrĂĄs, fico alegre. Pasmado. Sinto-me criança que nĂŁo degusta doces hĂĄ dĂ©cadas. Eles nunca envelhecem. SĂŁo tĂŁo reais. Parece que estive naqueles lugares em uma outra vida. Que fora minha morada. Ou que serĂĄ. NĂŁo sei! Somos tĂŁo Ăntimos...
'DEMĂNIOS'
Antigamente, os demÎnios ditavam o destino dos homens. Eram maus ou bons. Tinham poderes sobrenaturais. Hoje, seriam os super-heróis do século XXI. Ou talvez seres pérfidos. Ditavam as regras do jogo. Conheci um amigo que dissera que jå tinha indo, segundo ele, próximo ao inferno. Quando era ainda um feto, sua mãe havia apresentado-lhe a uma legião de demÎnios. Imaginei nesse momento, sua mãe lhe segurando nas mãos como oferenda e logo abaixo, milhares deles. Veio-me à mente uma foto do Nazismo, onde centenas de soldados prestavam honrarias a Adolf Hitler.
Ele me dissera que sempre conversara com os sobrenaturais. Pedia coisas que desejava e sempre conseguira tudo com certa serenidade. Um dia tranquilo como tantos outros, quando ele adormecera no seu local de trabalho em hora de almoço, um Anjo aparecera dizendo que iria levar-lhe para uma viagem ao Inferno. Não propriamente, mas aos Jardins do Inferno. Sem cerimÎnia, o Anjo tomou-o pelo braço, e os dois seguiram velozmente rumo ao seu destino. O vento era tanto que, afirmando ele, os olhos dificilmente abrira pelo intenso vento na face. Lembrei-me de um filme onde um super-herói, dava seguidas voltas em torno da terra com tamanha velocidade.
Chegando ao local propriamente dito, ele pĂŽde ver tamanha violĂȘncia. Pessoas lamentavam-se. Pediam a morte e ela estava ausente. Os espĂritos eram encarregados de prestar os mais horrendos castigos Ă s almas que ali estavam. Açoites seguido de gritos. DilaceraçÔes e sofrimentos faziam um retrato repugnante. Uma mulher pedia com suplĂcio para passar-lhe para o outro lado, pois nĂŁo aguentava mais tamanho pesar. Ele vira alguns conhecidos, mas, durante todo esse percurso que fizera, nĂŁo dera uma palavra. Permanecera atĂŽnito. As palavras nĂŁo saĂam. Petrificado estivera durante esses minutos que se passaram. Nos instantes finais ao contemplar, no que nĂłs chamamos, loucura, o Anjo lhe avisara que era hora de voltar. Em poucos segundos, ele acordara sufocado. A experiĂȘncia que tivera iria guardar para o resto da vida.
Passado alguns minutos, lembrei-me de uma prima que tivera uma vida normal atĂ© aos dezessete anos. ApĂłs, foi diagnosticada com Esquizofrenia. Ela fala com, o que ela diz ser, pessoas. Alguns dizem que ela tem sexto sentido. Irrita-se com facilidade e nĂŁo gosta da aproximação de pessoas. Lembrei-me tambĂ©m da complexidade do nosso Centro Nervoso. Das pessoas que sofrem de depressĂŁo. Da capacidade de criarmos tanto o desejĂĄvel quanto o indesejĂĄvel. Lembrei-me tambĂ©m de uma pergunta que me intriga durante muito tempo: somos criaçÔes divina ou a religiĂŁo com seu cĂ©u, inferno, paraĂso, diabos, demĂŽnios e Deuses sĂŁo criaçÔes do homem?
'A RUA'
Rua,
pintada em grafos.
Afasto-me,
irascĂvel.
Rua imperceptĂvel,
serĂĄs sempre imortal?
Tu,
que tanto acolhe.
Coração de mãe,
elo sem fim.
E os botequins,
funeral?
Verdade,
flameja condolĂȘncia.
Asilo, refĂșgio,
hĂĄ vida, valor.
Cheiras rancor,
Porque nĂŁo bestial?
Quebradiça,
a rua espera lĂĄ fora.
E aqui dentro,
ausĂȘncia.
Dor violenta,
explosĂŁo de cristais.
Sempre tive sonhos. Repetitivos. De sonhar com os mesmos lugares. Os mesmos tons. As mesmas pessoas. Os mesmos fantasmas.
PARTIDA
A partida sem o adeus,
sem o abraço, insólito.
Uma parte se foi e a tarde nublada,
marcou um rastro desalento.
Olhares que disseram tudo
quando a admiração ausentou-se.
As bocas que nĂŁo se abriram,
e o silĂȘncio que tanto falou.
As escassas palavras em turbilhÔes,
flutuando com a brisa rara.
A esperança arrumou as malas,
pediu refĂșgio. Asilo.
A nostalgia permaneceu,
as lĂĄgrimas pediram ausĂȘncia.
JĂĄ sem discurso, o tempo fugaz,
transcorreu dolorosamente.
A pulsação da mĂșsica,
extinguiu-se, retĂłrica.
A dor, que tanto sufocou,
esquivou-se da alma.
Os redemoinhos, sem forças para reerguer-se,
nĂŁo mais existirĂĄ, se auto aniquilarĂĄ.
RestarĂĄ apenas, uma breve saudade,
da lembrança, de uma breve partida.
'TEMPO...'
No alto, casa de taipa, coberta de palha e uma paisagem deslumbrante Ă frente. O rio era enorme e provocava admiração. As casas eram prĂłximas uma das outras. O acesso dava-se por uma trilha, onde, na escuridĂŁo, dificilmente se saĂa dele. Nas noites de lua cheia, sempre nos reunĂamos, sentados Ă frente da casa para ovacionar Ă quele retrato real. Sentados em 'banquinhos', ficĂĄvamos a cantar em coro com a ajuda de um velho violĂŁo empoeirado. Nas tardes frias e cinzentas, gostĂĄvamos do frescor dos ventos. Eles falavam uma lĂngua que sĂł agora, depois de muitos anos, entendemos.
A vida simples do interior, marcaram nossas vidas. Muitos tiveram sua primeira paixĂŁo. O primeiro beijo no escuro. A primeira namoradinha. Eu sempre ficara vislumbrado quando via a mulher dos meus sonhos passando. Divina como sempre, esbanjava sensualidade no andar e sorriso. O amor sempre chega prematuro. Eu a amava. Era a dona das minhas direçÔes e dos meus sonhos. Sempre escrevera poemas lĂricos em pedaços de papĂ©is e imaginava filhos, muitos filhos.
Por essas e outras muitas razĂ”es, sempre digo que sou inimigo do tempo. Ele enterra tantas lembranças. Ora por vezes atormenta. Cura uma ferida e deixa tantas abertas. A vida se vai com ele e quando percebemos, ele nos diz que jĂĄ estamos caĂdo, trancafiados. Ele escreve ferozmente sua prĂłpria linha. E nos leva, nĂŁo importa para onde, seja para as mais altas nuvens ou para a lama que atormenta. Quem somos? Para onde vamos? O tempo, rodeado de desamparo, nos falarĂĄ ao ouvido.
O pouco que tenho Ă© maior que o mundo. Ă maior que os campos em redemoinhos. Ă maior que a calmaria. Ă maior que a brisa suave.
'TARDE CALMA!'
Tarde calma, exceto pelos ventos abrasivos,
abrasivo meu coração, uniforme!
O bafo instiga o fogo,
deixa um rastro vivo: incandescĂȘncia!
Fito-o por alguns segundos,
brasas recantos viajam, indefinidos!
PartĂculas se vĂŁo, casual,
sob o vento céu: desastroso!
Partes vĂŁo se apagando,
galhos verdes, supérfluos!
Gravetos perdem vida,
algum tempo: chama perfeita!
Um dia perceberĂĄ a felicidade. PorĂ©m, a vida falou tanto o contrĂĄrio que vocĂȘ acabou buscando-a incessantemente. E Ă s vezes cansado, nĂŁo compreendeu que ela estava ao lado por tanto tempo. Te chamando.
