Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
'SOLO'
Levanto o olhar e nĂŁo avisto as frondosas ĂĄrvores de outrora.
Apenas mĂĄquinas e homens subalternos.
Traçando suas trilhas sob o solo que os sustentam.
Dementes por destruição.
Com suas minas e pås causando tragédia,
catåstrofes do homem ambição...
Sopeado por milhares de pessoas,
o cheiro da terra é infértil.
Estampando ser capazes de escolhas,
mas na verdade são apenas traços,
criados por uma cultura inventada e uma Terra transformada,
latente...
Um homem distorcido tenta se formar na tentativa que o equilĂbrio retorne,
generoso como antes,
pré-histórico.
Porém,
no asfalto,
esboços brotam calor,
igual a um pedaço do inferno,
que fecunda a cada geração.
O solo jĂĄ nĂŁo Ă© o mesmo,
respiramos evolução,
e o bordĂŁo sĂŁo ciclos modificados,
mal arados,
sem deuses para proteção...
'MATIZANDO A REALIDADE'
Show de luzes e uma mistura de ritmos alucinantes. Entusiasmo a cada balançar de braços, luzes no palco supercolorido, tingindo almas...
Desvairados malabarismos de cores e uma louca multidĂŁo fazendo reverĂȘncia com seus IPhones, efeitos de microfones, ruĂdo, vibração...
Personagens diversicoloridos. Efeitos dando-lhes outros sentidos. O show nĂŁo tem hora, engoli madrugas, sustentada nas fachadas. SĂŁo quatro da manhĂŁ...
O alvorecer pode ser foda! Egos congelados, sorrisos apagados. As sombras das maquilagens exteriorizam-se, sem amabilidades, sem formatos...
Ressacas da vida real e as amarrotadas 'cenas cÎmicas'. Comédias na arena e seus leÔes, devorando preùmbulos, gesticulaçÔes, madrugadas incolores...
'FIM[2]'
Tenta agasalhar-se sob um leito, mas um sono desesperado tenta alcançå-la. Sabemos que nĂŁo haverĂĄ alvorecer. Apenas mares, sem ilhas para aportar. O coração segue latejando o fim de uma difĂcil jornada. A ausĂȘncia do ar jĂĄ lhe Ă© suportĂĄvel! Tinha sorriso de criança, olhar jovial e esbanjava energia nos braços. Mas carregava um pavor desde sempre: a de insetos! PorĂ©m, pouco tempo atrĂĄs, percebeu que eles sĂŁo inofensivos. HĂĄ algo mais desesperador que eles!
Que acontecerĂĄ com seu nicho de insetos a partir de entĂŁo? Outros terĂŁo pavor como ela? Ou aprenderĂŁo cultivĂĄ-los? Fora difĂcil disseminar que havia curado seu medo, que outras pessoas tambĂ©m poderiam ser curadas, seja lĂĄ qualquer doença fosse. Que bastaria aceitar o fim como um jogo que nunca se ganha, ou aprender a perder de uma forma diferente, de um modo aceitĂĄvel.
Suas ilhas foram difĂceis desbravĂĄ-las, mas tentou percorre-las uma a uma. Hoje Ă© a Ășltima! Uma ilha dĂspar. Nada comparada Ă quelas paradisĂacas que pensara alcançar um dia, com alguns pĂ©s de coqueiros e sombras. Perdera o medo dos relĂłgios marcando as horas. NĂŁo tem mais tempo guardado nos bolsos para serem gastos no futuro. Sua matĂ©ria Ă© agora tudo aquilo que conseguira plantar, com sua simplicidade e bondade. Ela se foi como o tempo, inesperado, levara seus medos e desesperos. Conseguira ter um estilingue, algumas pedras nas mangas e todo as ilhas possĂveis que pĂŽde...
- No fundo, ainda sinto que ela tinha medo de insetos...
'UMA VĂRGULA'
Uma vĂrgula,
e o mundo muda tudo.
Abraços se perdem.
Por-do-sol nĂŁo aquece.
Sorrisos revelam,
aquarelas sem manhĂŁs...
Uma vĂrgula,
e pareço rude.
AusĂȘncia de lareiras,
frio no café da manhã.
Sem amplitude,
dias gélidos...
Uma vĂrgula,
e os olhos na janela.
ImensidĂŁo nos dias clichĂȘs.
Futuro olhos sem vocĂȘ.
Procurando os porquĂȘs,
sentimentos de espera...
'PROCURA-SE'
Depois de algum tempo,
subiu num dos farĂłis mais altos.
As brisas aladas faziam belo cenĂĄrio.
HĂĄ algo por trĂĄs da vida moderna.
Por trĂĄs das telas de plasmas que nĂŁo sejam enredos anĂĄlogos,
tédios...
AtrĂĄs de prelĂșdios,
ventania no rosto.
Sensação de ĂȘxtase por alguns minutos.
Escalou a ermo e exĂguo.
Cansou.
Levantou.
Procurou pretextos para desistir das nuvens que tanto procurara.
Mas nĂŁo desistiu...
Avistou caravelas.
Demasiadas exclamaçÔes!
Tantos: ainda nĂŁo sei!
Homens desnudos,
mudos nos seus 'coliseus'.
Vil nas suas resoluçÔes.
Resignados,
com seus fados e insolaçÔes,
jogando as poucas moedas abaixo,
sem direção...
Na descida,
esqueceu dos epĂlogos.
Cabelos brancos sem circunstĂąncias para um novo cenĂĄrio.
E as moedas ainda vagavam,
sem face e direção inalcançadas.
Real como o sopro vital,
deixando as manhĂŁs mais desesperadas,
cotidianas...
'FAMĂLIA [2.]'
A famĂlia nasce de um romance e torna-se romance. Lido nas plataforma romanesca das poesias delirantes. Discursando seus mais profundos aspectos de amor. Na pressa por dias devoradores, sois brilhantes...
Dona das raĂzes mais profundas. Percorrendo solidificaçÔes e ousadias nas chuvas torrenciais. Ă uma itinerante. Andarilha com seus ĂłrgĂŁos vitais encantadores. Sempre a declamar o que a alma chama de abraço, dores...
Na sua beleza mais radiante. Ramarias de flores a serem vivificadas. Com suas romarias presa aos divãs de aromas. Ouvindo atores de um conglomerados de intempéries a serem resolutos: vidas vazias, sinopses, hematomas...
'24 HORAS'
Eu tinha 24 horas e apenas isso! Não dava para mudar o mundo, lógico! Mas tinha tempo de sobra nos bolsos. E com um pouco de atitude, espalhei grãos de gentilezas. Plantei algumas årvores para que futuramente, meus filhos sossegassem à sombra. Até corri atrås de borboletas que vinham ao meu encontro...
Visitei uma tia que morava próximo, mas que não visitava hå anos. Fiz bolhas de sabão e deixei que o vento os levassem. Cantei cançÔes de ninar, tinha deixado de fazer isso jå hå algum tempo. Voltei a regar as plantas que estavam secas pelo sol de verão. Fiz lembrancinhas para minha querida mãe e irmãos. Inventei uma chuva e esbocei um enorme sol para que ela parasse...
24 horas podem durar uma vida toda, ou apenas alguns segundos! Pode ser apenas uma questĂŁo de escolha. Mas temos tempo de sobra para fazermos o inacreditĂĄvel. Quem sabe nĂŁo vivamos durante uma vida e consigamos fazer isso em apenas poucas horas. Se soubĂ©ssemos que poderĂamos transformar o nosso mundo interior, talvez seria fĂĄcil cena...
Eu nĂŁo mudei o mundo, mas o resumi como gostaria de tĂȘ-lo feito durante as milhares de horas que tive. Os reflexos nas bolhas de sabĂŁo, perdurarĂŁo por muito tempo. Minha tia atĂ© chorou quando viu-me inesperado num abraço. As pequenas lembranças, serĂŁo guardadas e lembradas, talvez por dĂ©cadas. Nas poucas horas que tive, esbocei tantas outras realidades/abstraçÔes. E corri muito de encontro ao vento, igual a uma singela criança, momentĂąnea e feliz por seu pedaço de doce...
'MAR... '
Nos extensos mares somos barcos naufrĂĄgios. As muitas correnteza [des]favorĂĄveis sempre deixam ranhuras. As salinizadas ĂĄguas com o tempo deixam cicatrizes. A dilaceração Ă© perceptĂvel com o tempo e o tempo Ă© um desastre.
Vedar as fendas que surgem apenas prolonga o que de fato jĂĄ se escreveu. Deixar o barco correr ou manter-se agitado? HĂĄ os que preferem a resistĂȘncia, a mĂĄgoa de tentar subir as correntezas rumo Ă s suas expectativas. Outros apenas flutuam. SĂŁo levados pelo mar com aparente satisfação e Ăłcio.
Mas sabe-se: todos querem um porto a qualquer valia. Chegar Ă quela luz que tanto brilha. Manter seguro a estrela que tanto se admira. Uma. VĂĄrias. O que vale Ă© a energia. Flutuar sob as ĂĄguas imensas. Belas. Delirantes. Mas com seus desafetos e sujeiras.
Com o tempo aprende-se a aceitar o extenso mar à nossa frente. Não importa como ele seja. Um dia nos levarå para onde não queiramos. A tração que se tem é apenas temporada. Ajuda, mas não é duradouro.
A visĂŁo desse mar Ă© fantĂĄstico. InacreditĂĄvel. Surpreendente. Nele todos movem-se sempre rumo ao desconhecido. E o tempo hĂĄ de naufragar aquilo que tanto procuramos. Tempo? NĂŁo! O mar... essa coisa sombria e nefasta.
'SEIXO'
Quantos se foram e tu ficaste aĂ intacto. Salvo algumas manchas que ficara com o tempo. Dilacerar-lo-ia se as correntezas tivessem te tomado. Mas encontra-te aĂ: obsceno. As tantas chuvas que te aclamaram e os milhares de sois que te transgrediram... Que fizeste com eles? No teu dilema Ă©s tĂŁo sublime e passar despercebido Ă© raridade tua. Ă imenso nas tuas junçÔes que se colocam.
Ăs vigoroso e reflexo da vitalidade que tanto se deseja. Mas sabe-se [ou fingi-se], temos vida curta. Engana-se que a nossa ruĂna vem com a morte. Ela estĂĄ estampada com a vida. Logo ao primeiro choro. A tua falta de cobiça ou arrependimentos te coloca num patamar que jamais se chegarĂĄ. O ser humano Ă© tĂŁo vil nesse 'limitado tempo' que figurar olhar no pequeno Ă© desperdĂcio. HĂĄ certo esquecimento em te agraciar. Quando o fazemos, apenas mesmo em devaneio. Limitado nesse curtĂssimo espaço [ora Ă s vezes enorme]... sem significados.
'JOSĂ'
José era apenas josé
com escritos negligentes
Mais um incĂłgnito na multidĂŁo
josé tinha sonhos, porém, para isso,
teriam que chamar-lhes José
Daqueles com letra destacada
Queria pintar o mundo
DeixĂĄ-lo mais estĂșpido,
mais colorido, mais avesso
Aquela carga impetuosa
deixava-lhes mais josé
Mais no fundo, José era apenas josé
Era assim que todos os enxergavam
O seu colorido era preto e branco
e seus dias insalubres
Ăptica pouca diferença fazia
A mistura josé, fazia-lhe um José distinto
Mais José. Com coração. Brilho no olhar
Vencer o mundo para josé seria
apenas chamar-lhe José
Desses escritos com letra destacadas
'FELICIDADE'
Felicidade estĂĄ no presente.
HĂĄ os que dizem:
Serei feliz...
Somos felizes e nĂŁo sabemos.
A dita Felicidade estĂĄ aqui.
Com certo olhar insensato.
Ao lado. Nos chamando.
Abraço aconchegante.
Sorriso sincero.
Olhar que nada pede.
'PENSAMENTO SOBRE A VIDA'
A vida Ă© mesmo assim
Com seus melancĂłlicos horrores
Da 'capa' diĂĄria das horas
Da soberba enraizada
Das coisas que se demoram
E dos 'eus' que nĂŁo se apagam
'VENTO'
O vento que tanto nos faz bem deixa rastro
AnĂĄlogo, coisas boas e ruins passam
Assim como a capacidade se esquiva
O dito amor que nĂŁo sabemos deixa
Trancada sempre prĂłximo
O que nunca se achou
A verdade e o vento sĂŁo ventanias
Daquelas que nĂŁo soubemos explicar
E o vento sempre vem
JĂĄ nĂŁo Ă© o mesmo
Tem outro sentido
Deixa tudo novo
Mais perdido
Sei lĂĄ
'INVEJA'
Da infantilização
Da abstinĂȘncia de dĂvidas
Dos sem coração
Daqueles que implicitamente
Mandam na vida demente
Dos que choram sem razĂŁo
Do Ăąmbito antissocial
Da imunidade absurdo
Do alcoĂłlatra imoral
Dos que sĂŁo salamurdo
Dos amortecidos
Do fanatismo aparente
Daqueles onipresentes
Dos que sĂŁo sempre esquecidos
TĂŁo indefeso mas com surpreendente valor, vieste para dĂĄ vida. Pairou sobre mim a bĂȘnção dos Deuses. Imortalizou o que estava extinto e trouxestes tamanha admiração. Que tua caminhada seja por entre os vales do bem e que o mal nĂŁo te aflijas. Obrigado por termos o mesmo ano de nascimento.
'ITALLO'
Teu abraço incondicional me faz esquecer a hipocrisia que lança-me Ă frente todos os dias. Para mim, teu olhar tem uma dimensĂŁo imensurĂĄvel. VocĂȘ Ă© a porção maior dos meus momentos felizes. JĂĄ nĂŁo olho para o que chamamos "futuro". JĂĄ o construĂ. Sou completo mesmo sem saber. Todos objetivos e sonhos me foram realizados, pois a cada janela aberta, olhar sincero e carinho recebido me fazem crer que a existĂȘncia tem realmente muito de significado e que vocĂȘ Ă© minha imortalidade. Te amarei sempre.
Desenhar acepçÔes pouco importara. Ninguém as percebe. Delinear aspiraçÔes fizeram dele apenas o que é. Mistura Invulgar. Contorcido nas suas viagens rumo ao desconhecido. Desconhecido. AnÎnimo. Porém, com seu espetåculos em cartaz. Sempre.
As mazelas da vida nos fazem mais romĂąnticos. Mais poĂ©ticos. Vem tambĂ©m com a sĂșbita ideia de que levamos uma vida prosaica.
Pena, o mundo nĂŁo parou e Deus era apenas mito. Retratos degeneraram-se e o tempo destruiu significados. IncĂłgnitas apareceram mas nĂŁo tinham a luminosidade do A.
