Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Creio que os que dizem terem encontrado a felicidade, perderam certos sentidos. Ser feliz Ă© ter uma busca incessante nos momentos trĂĄgicos que temos diariamente. Somos felizes e nem nos damos conta disso.
AdmirĂĄvel a maneira como vocĂȘs me abraçam e a forma como me mostram que a felicidade Ă© tĂŁo simples.
Enquanto hĂĄ fĂŽlego, sempre irĂĄ existir algumas luzes brilhando no fim do tĂșnel. Isso porque ainda existe tempo para se chegar atĂ© elas. Todos nĂłs temos uma magnitude, uma estrela a brilhar. Esse brilho pode ou nĂŁo aparecer de acordo com nossos atos... As pessoas sĂĄbias estĂŁo sempre a aprender mesmo perto da morte.
Ăs vezes bate uma inveja enorme daquelas pessoas que nĂŁo cresceram, das que nĂŁo tem contas a pagar, das que nĂŁo aprenderam com a vida...
A graciosidade dos acidentes da vida me fazem crer que o mundo é um poço esbaldante de conhecimento e aventura. E que sem esses, nossa vida não teria o recheio do aprendizado brutal, tão necessårio para nosso crescimento diårio.
'UM SER ESTRANHO'
Em algum momento da vida, o tempo nos converte naquilo que mais deverĂamos temer: um ser estranho. A partir daĂ, passamos a ver o mundo com outros olhos e o mundo nos ver diferente. A sensação de ver tudo e todos com essa nova perspectiva causa espanto. Medo. Admiração.
Encontrar-se perdido em meio a multidĂŁo Ă© consequĂȘncia do novo. Metamorfose. Mutação. Mutilação. No Ăntimo, querĂamos um outro caminho. Um no qual fosse mais plausĂvel. Mais suportĂĄvel. Ficar exposto ao sol tem seus agravos e isso, de alguma forma, deixa uma ferida aberta. Custa sarar. Olhar-se diariamente no espelho e nĂŁo reconhecer-se, sentir a sensação de falta mesmo nas conquistas causa aflição. Terror. PĂąnico.
A vida Ă© uma moeda. Sempre haverĂĄ o lado bom. Admirar o que a maioria nĂŁo consegue deixa-nos afortunados mesmo estando na misĂ©ria profunda. E os sentimentos de conflitos nos fazem um ser melhor. Mais humanos. Generosos. Essa mistura incompreensĂvel de um ser indecifrĂĄvel trĂĄs uma sensação intrigante e avassaladora: como somos parecidos e como somos incomuns!
A emoção domina. Os pensamentos viajam. O coração arritmia. A presença faz sentido. As palavras se manifestam. E finalmente... o amor nos arrebata! Nos parågrafos que tanto resumem, somos mais que meros mortais. Somos super-heróis. Abandonar a razão faz tão bem para alma.
Estaria menos infeliz percorrendo paraĂsos ou meu inferno estaria mais escaldante? NĂŁo sei! Deixe-me aqui com meus desafetos. Com minhas reflexĂ”es. Dono do meu destino.
'O ONTEM'
Estamos cansados. Aflitos.
O amanhĂŁ serĂĄ o hoje
e isso nos aterrorizarĂĄ novamente.
Asfixiar-nos deveras.
Olharemos para a mesma janela.
O mesmo clarĂŁo se aproximando.
Lentamente. Pontiagudo.
O calor do sol serĂĄ mais intenso.
Mais um dia se repetirĂĄ.
Nossas células não serão as mesmas.
Estamos perecendo a cada dia.
A cada por do sol.
As perguntas continuam desde sempre,
com a diferença que elas estão mais invasivas.
Mais sutis. A ostentação adquirida desvaneceu.
A veemĂȘncia que tĂnhamos cessou.
O castelo diluiu-se.
A vida levou o que tanto construimos.
CaĂmos na negligĂȘncia que criamos e
carregamos o peso das incertezas.
A pråtica dos abraços que não aconteceram.
O Sorriso nos momentos de tristezas nĂŁo acontecidos.
A humildade nos momentos de altivez que nĂŁo foram cedidos.
As palavras que tanto machucaram.
O perdĂŁo que ficou no esquecimento.
Foram tantas as faltas...
Porém, no 'agora', não hå indulto.
Somente a dor da pena que sĂł aumenta e
os pensamentos vivos que estraçalham o espĂrito.
Mas temos uma certeza que dilacera:
a de que ficaremos desprezados no esquecimento.
A isso, chamamos vida.
LĂłgico, numa outra perspectiva.
A do autĂȘntico.
'ELA PRETĂRITO'
Perdeu. Ganhou. Poderia ser discreta, mas os amores passados deixaram-lhe cicatrizes. Olhando do fastĂgio, as perdas sĂŁo claras. Mais ainda quando poderia tocar outras formas. Sentir outros sabores. Deveria seguir em frente. Construir outros sonhos. Levantar muralhas. Percorrer outras trilhas. PorĂ©m, reclusa estĂĄ. Dominada pela paixĂ”es fĂșnebres. Presa na mais plena liberdade.
Seguir outros rumos deixa-lhe calafrios. Sonhar outras vidas, infeliz lhe deixarå. Medonha nas escolhas deixadas de lado, prefere a palidez. Sabotadora de si. Atrofiada na desesperança.
Pensando em tudo isso hĂĄ quem diga que Ă© sofredora. Amargurada ou coisa assim. Os prĂ©-conceitos arrepiam-lhe a espinha e o que tanto aterroriza, deixa-lhe forte a cada movimento. Estaria menos infeliz percorrendo paraĂsos ou seu inferno estaria mais escaldante? NĂŁo sabemos! Deixe-la com seus desafetos. Suas reflexĂ”es. Dona do seu destino.
'SOLIDĂO'
Nos momentos de solidĂŁo, sentimo-nos desertos, deveras um atleta que nĂŁo consegue chegar ao objetivo essencial. Lembramo-nos do pouco que vivemos. Os pensamentos sempre voltam-se para os aprendizados passados. A experiĂȘncia Ă© o cerne. O medo de errarmos novamente, tira-nos o sono. Perguntas intrigantes fazem parte do cotidiano como uma criança interrogando ao progenitor o 'porque' de tudo.
A anĂĄlise do que nos transformamos vem Ă tona feito um tiro de canhĂŁo que acerta o alvo por centenas de vezes. Chegamos a conclusĂŁo que somos a metamorfose do improvĂĄvel. Somos o irreal que transformou-se no genuĂno. Porque nĂŁo excĂȘntricos? Sentimo-nos mais prudentes. Estamos no ĂĄpice dos estĂĄgios de mutação. Uma borboleta com seus traços jĂĄ definidos.
Percebemos e compreendemos que fazer parte desse 'aglomerado insólito' deixa-nos insanos. Vira-nos ao avesso todas às vezes quando a flecha da solidão acerta seu alvo. A cada piscar de olhos, os pensamentos ficam mais intensos. Sentimos o poder da mudança. Só não sabemos por onde começar. Traçamos o caminho a percorrer, só não conseguimos dar os primeiros passos.
Um dos piores fracassos Ă© quando temos um caminho Ă frente, mas, por razĂ”es sucintas, nĂŁo conseguimos trilhĂĄ-lo. Um dos atalhos Ă© olharmos para o cĂ©u azul. Se nĂŁo gostarmos do azul, podemos imaginĂĄ-lo amarelo, verde, marrom. Nossas escolhas dependem da intensidade com que vemos o mundo, como sentimo-lo e como saĂmos dele para o nosso exclusivamente particular e Ăntimo.
A solidĂŁo nos propicia essa 'saĂda', esse reencontro do 'eu' com a 'reflexĂŁo'. SolidĂŁo tambĂ©m Ă© sinĂŽnimo de mudanças. Mistura de isolamento com aprendizado. SolidĂŁo Ă© tĂŁo Ăłbvio para os seres humanos que a maioria tentam burlĂĄ-lo. Tentam escondĂȘ-lo sem eficiĂȘncia. Sendo inevitĂĄvel para o amadurecimento que precisamos, a solidĂŁo Ă© o amigo para as horas incertas e horas profundas de transformação.
Sou antes escutar alguém dizer que é ateu e praticar a bondade do que ouvir àqueles que dizem amar a Deus e os fazem da boca pra fora
A minha felicidade tem vĂĄrios nomes: JoĂŁo, Maria, JosĂ©, Antonio. Parece Ăłbvio? Ă que ela Ă© intuitiva, singular, evidente, simplĂłria. Para quĂȘ chamĂĄ-la John, Mary, Joseph, Anthony?
'HODIERNO'
- Perdeu o ofĂcio?
- Sim. Mas tenho novos voos,
Nos ventos: pulmÔes!
Visito rochedos.
Pra quĂȘ receios,
Da vida,
Do freio?
Subo em ĂĄrvores.
Névoas de crÎnicas.
Tombo montanhas.
Fobias transformadas.
Perito em bater asas
Quebro horizontes
Céu Transmutei em pousadas.
Agora quadrilĂĄtero
SaĂșdo trovĂ”es
Amorteci os medos
Transmito, agora sim,
Meu louco grito
Alma imensurĂĄvel
Sons ambĂguos...
'POEMA INACABADO'
Declamar-te minha
Cultivo poemas
Nas noites pratinas
Disperso no tom cristal
Mar glacial
Poemas sem teoremas
Gélidos sob as cores sintéticas
E a alma cética
Barco esquelético
Metamorfose insurgente
Cheiro neblina
Pedra atracada
Aduela alvejada
Noites lufadas
Garoa rapina
Recitarei-o inacabado
VocĂĄbulos
Nos verdes disfarçados
Mais importante que ser o primeiro,
Ă© saber que vocĂȘ cruzou a linha de chegada
mesmo sendo o Ășltimo, e arrancou calorosos
aplausos por nĂŁo ter desistido no caminho.
As divindades tiram o que de mais nobre tem no homem: o Ămpeto de poder cogitar sua existĂȘncia. Mas em compensação, abranda-lhes a dor da reflexĂŁo e lhes dĂĄ uma identidade, aparentemente prazerosa.
