Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Engana-se com o vinho e o amigo truculento. Mero algozes que nos ludibriam com suas farsas mesquinhas. No fundo, sĂŁo lobos avarentos e sem personalidades. NĂŁo Ă© Ă toa que mesclam solidĂŁo e abandono..
'DECODIFICAR'
Nas margens do rio TapajĂłs,
na ribanceira,
a casa de taipa,
coberta de palha e uma paisagem deslumbrante Ă frente.
O rio enorme provocara admiração.
As casas eram prĂłximas uma das outras.
O acesso dava-se por uma trilha,
onde,
na escuridĂŁo,
dificilmente se saĂa dele...
Nas noites de lua cheia,
sempre nos reunĂamos,
sentados Ă frente da paisagem para ovacionar aqueles reflexos que batia na face.
O retrato ainda Ă© real e intrigante.
Sentados em 'rodas',
ficĂĄvamos a cantar em coro com a ajuda de um velho violĂŁo abatido.
Nas tardes frias e cinzentas,
gostĂĄvamos do frescor dos ventos.
Eles falavam uma linguagem que sĂł agora,
depois de muito tempo,
começamos a decodificar....
'ESPERA'
MĂŁos cruzadas e o olhar breve nĂŁo vira a noite passageira,
desnorteada.
Ainda respiro a escrivaninha que nĂŁo perdura.
Olhos intrigam as paixÔes que rodeiam.
Sou grito,
aflição.
Melodia sem compasso,
noites sem luar...
Mergulho expectativas sombrias,
avulsas.
Permuto passos que conspiram a ação do tempo.
Abraço palavras duradouras,
persistentes.
Tenho excelĂȘncia pelo azul da aurora.
RelĂłgios que nĂŁo andam,
aguardos...
Tudo passa tĂŁo velozmente.
O coração imóvel ainda pulsa tua espera,
solidĂŁo.
Sou criança nas circunstùncias do tempo.
Respiro sequelas.
Murmuro abraços.
Dilacero interrupçÔes,
proteção...
por Risomar Silva.
'BARCO'
Mundo sem continentes,
Fumaças de verbos.
O barco veleja sem linha de chegada.
Ventos sopram abrigos inexistentes,
Embriagando direçÔes,
Satirizando lĂĄgrimas,
Velas chamuscadas...
NavegaçÔes sob escombros,
Tempo cerrado.
RazĂŁo devastada no entardecer.
Ă procura de tantos mares,
Terras submersas.
Sem tempo presente,
Sentidos microscĂłpicos...
E o barco navega perpetuamente,
Sempre desvairado.
Levando os poucos homens solventes,
Sem almas,
JĂĄ cansados.
à procura de abraços,
Uma ilha qualquer...
'SER PROFESSOR'
Ser professor,
Ă© ser gigante.
Daqueles mirantes que veem o por do sol no infinito.
Força descomunal nos mares escaldantes.
Ensaios vĂĄrios nos quadrĂąngulos.
Investigador da essĂȘncia dos homens.
Transformador de mundos...
Ser professor,
Ă© ser explorador de mananciais a serem moldados.
Indagador das naturezas.
Na dor,
Ă© um excepcional 'super humano'.
Com suas dormĂȘncias,
melancolias...
Ser professor Ă© ter passos largos,
talvez limitados.
Mas sempre em movimentos.
Poço de boas açÔes rigorosas e flamejantes.
Sorriso no rosto,
trabalho ĂĄrduo,
Plantando vidas futuras...
'PAIXĂO'
Quando noites viram alvoradas,
e os dias crepĂșsculos.
Trilhas encontram-se sem planos,
coraçÔes colidem acelerados.
A harmonia da felicidade escorre pela face.
Reciprocidade no primeiro encontro,
nada forçado...
Quando os olhos discursam uma lĂngua a dois.
E a vontade do abraço denota alimento.
Suspiros transformam-se delirantemente.
São paixÔes criando novos casulos,
sementes.
Ă a tortura dos enamorados Ă flor da pele,
sedentos na ausĂȘncia do outro,
inseguros nos passos...
A paixĂŁo cria hifens,
ansiedades.
Terras inexploradas.
MĂŁos amparadas,
incessantes por juras de amor.
à a imaginação flutuando nos coraçÔes até então desconhecidos,
criando trama de futuros jå traçados.
Quem sabe vidas,
novos escritos...
'CASAMENTO'
Era magro como os arbustos secos.
Olhos turvos.
Sorriso deformado no caule.
Pele escura queimada ao sol.
DesprezĂvel na altura.
Camisa de botÔes aberta acima até embaixo,
surrada.
Na parte de baixo,
vestira algo como um bermudĂŁo maior do que lhe coubera,
amarrado com uns cipĂłs enfraquecidos.
FacĂŁo enferrujado,
andar distorcido...
Morava nas matas,
sentia-se dono.
Receoso de diĂĄlogos.
MĂŁos calejadas e aspecto casando.
José plantava moisaicos,
cozia na lenha molhada.
Asfixiava peixes com as mĂŁos.
Engolia banho de rios.
Pouco insinuava na terra seca que morava.
Colhia o que lhe davam,
tinha poucos afetos...
Intacto na linha do tempo,
José não tera casamentos,
conjugou-se com as quimeras,
chapéus de palhas.
Vivera a vida acaçapado,
perdidos entre matas.
Cantando entre pĂĄssaros,
criando melodias de uma 'vista perdida'.
LĂĄ no fundo,
não afirma ser feliz ou se a vida é um tédio.
Sabe-se que tem nome forte,
e uma ostentação no respiro,
nada cotidiano visto por fora...
'ESTRANGULA-TE'
Molha teus pés nas praias desertas.
Elas te esperam medonhas,
curvando calor,
chuva,
vazĂŁo.
Pede morada nas pequenas cabanas,
enche-as de relĂquias,
adormece.
Estrangula-te enquanto hĂĄ tempo....
Cobri-te de vaga-lumes,
corre de encontro aos rebentos,
paredes de afagos.
Submerge a cabeça nas åguas passageiras.
Suspira-as.
Engole o que te inflama olhando teu reflexo extraordinĂĄrio,
repentino...
Donde vai tĂŁo mesquinho?
Sufoca-te e vĂȘ as neblinas atĂ© onde te sustentam.
Devora as flores que te contornam sentindo os contratempos nas hemĂĄcias!.
Celebra a vida com jeito de criança e a credulidade de quem dorme,
rescendendo montanhas,
terras molhadas...
'MADRUGADA FRIA'
A vontade era ser livre,
prosseguir com paladares,
coisas estranhas.
Livretos.
HistĂłrias...
Advento,
a madrugada trouxe brusca trajetĂłria,
destruĂra pontes.
NĂŁo vira mais o rio que respira,
tudo outrora...
Esvaiu-se o tempo para compilar resumos,
resenhas.
Ficara tudo a fazer,
construir,
planejar...
DilĂșvio!
PorquĂȘ permanece frio adentrando embaraços?
Sem avisar!
Meu sorriso esparramar!
As poucas horas findar!
Crivou-me Ă s entranhas.
Plantou espaços,
saudades.
Abraçou-me e recusei.
Contou-me a Ășltima histĂłria e nĂŁo tive interesse...
Aprisionou-me cativo.
No final a escurecer,
sem trilhos/avisos.
Tantas folhas perecer,
não haverå outra estação?
SaĂ de mim causadora leveza!
Leva teus farĂłis degradantes que planejou-me Ă s escuras,
sem brilhos,
saĂdas.
Despir-me aquém essa misura?
Olhares no cĂŽmodo quadrĂąngulo me despem,
mui reflexivos que eu.
Aguçados no coma que persegue.
Tristonhos,
silentes...
AfliçÔes ou outros dilemas,
a ferida sempre finda.
Mera calada!
Pobre nos temas.
Geralmente na arquitetura nĂŁo desejada...
Chegara o ĂĄpice dos velhos minutos,
jĂĄ respiro ĂĄguas brandas ,
metais desconhecidos.
Serei divindade em outras chegadas?
Mendigo?
Liberto estou das amarras,
o espĂrito nĂŁo abandonei!
Eis o maior sarcasmo da vida:
trilhar novos caminhos/novos rumos,
nĂŁo sei!!!
+++
Homenagem a mais um 'grande amigo'...
Que se foi (Jack)...
âĂLCOOLâ
Ăs cegas, a cozinha definha.
Sozinho, a madrugada consome.
O gosto de vodca tem fome.
Paredes anunciam rotinas.
No estĂŽmago, a ĂĄgua declina.
DesequilĂbrio a cabeça tortura.
Na vida, tudo amargura.
VulnerĂĄveis pernas toxinas.
MetafĂsica a cadeira suporta.
Reflexos viajam no fardo.
NĂŁo atendera vozes de portas,
Ou sentimentos desesperados.
O vazio fingiu-se, desbota.
O ĂĄlcool ficara calado!
'INIMAGINĂVEL'
Escrevo o inimaginåvel como quem compÔe esboços na areia,
solto nos grĂŁos,
livre de quedas,
Amparo-me Ă s tantas luzes que se sacrificam,
homogĂȘneas e dispersas,
luas lĂȘvedas.
Imagino o mar acuando montanhas,
abatendo e aliviando correntezas.
Aconchego de calmas,
libertando prisÔes,
ventanias!
Assim crio,
sem tantas alegorias ou parĂąmetros,
figurado,
mortal...
Sucinto o inimaginåvel que peçonha o peito,
e rĂłi uma habitude sempre infinda.
Posso ser Ăntimo,
campestre.
Rei,
miserĂĄvel.
Os cĂĄrceres perguntam algo totalmente desfigurado,
invital.
Sou inimaginĂĄvel,
mas cultivo existĂȘncia.
Apascentando os supetÔes dos grande e pequenos alpendres,
avanço calmaria,
sem ode,
ou tesouro algum...
'SEI LĂ![2]'
Quero-te sei lĂĄ!
Convencional.
InverĂdico.
Amar-te-ei como o mar?
Quero-te silenciosamente,
embaralhar...
PartĂculas no ar.
Sei lĂĄ!
Deletar meu coração.
Abrir corpos,
tencionar.
Insinuar outro mar...
Quero ausĂȘncia cingir!
Titubear,
nĂŁo sĂł teu olhar.
Maquino detalhes,
litorais...
Sei lĂĄ!
'Sou
//Mudo//
//Mundo//
//Confuso//
//Patético//
//Hermético//
//Concomitante//
//EscuridĂŁo//
//Horizonte//
//ImensidĂŁo//
...'
'LUA'
O veneno corre,
vivificador febril nas entranhas,
covil dos tentĂĄculos envoltos na alma.
O amarelo,
fogo brando.
Simetria de mudos mistérios...
O pequeno rio barulha,
a pobre visão carapuça.
Hora de acordar!
Esquecer!
Adormecer inquietudes,
redemoinhos...
O andar Ă s escuras,
extinguindo flores.
Flores absolutas!
MĂșmias juntos Ă acinzentada lua.
Refletora de luz,
horto na escuridĂŁo...
Porque tantas flores perecidas no escuro?
Se bem que o clarĂŁo jĂĄ nĂŁo importa.
Aqui distante,
loucos matam todas as formas,
lua mĂngua/futuro.
Homem inexpressivo no muro...
Tudo confuso!
A lua desencanta-te.
Fita-te ao horizonte,
é a muda esperança.
O pairar de mais um painel:
'o pincelar na lua minguante'...
'Traçado de homens flamejantes',
pronunciando-se ao glacial,
acidental.
Embaralhando neblinas,
as tantas luas que se foram,
pontos na velha retina...
O mundo paisagĂstico revela algo sinistro:
Lua Negra tĂŁo pequenina,
vagĂŁo!
Um curvar-se ao pequeno ponto!
E o traçado atÎnito,
imensidĂŁo na palma da mĂŁo?
'NATAL HODIERNO'
NĂŁo sou de ficar empolgado com o Natal, considerado pela maioria das pessoas, importantĂssimo. Mas sempre fui de participar e contribuir de alguma forma para as reuniĂ”es da famĂlia todos os anos. Olhando de alguns Ăąngulos, cheguei a conclusĂŁo de que esse ano eu nĂŁo quero ConfraternizaçÔes Natalinas! As pessoas nĂŁo estĂŁo preparadas para tal, sequer sabem seu real significado.
O Natal teria de ser um ponto de partida para a mudança individual e coletiva. ReflexÔes à cerca dos nossos atos como seres humanos. Apertos de mãos e abraços sinceros. Se bem que esses pequenos [grandes] detalhes deveria acontecer constantemente e não apenas na data prevista. Mas o Natal proporciona essa reunião familiar tão querida, que às vezes pode demorar anos para acontecer, mas que de um modo geral, é apenas mais uma 'reuniãozinha qualquer de alguns parentes distantes ou próximos.'
Por falar em proximidade, hĂĄ aqueles que moram tĂŁo prĂłximos (dos parentes) que sĂŁo verdadeiros ausentes; irmĂŁos que nĂŁo se respeitam; outros, literalmente abandonam os pais e sĂł servem para criticar; outros sĂŁo ardilosos em enganar sua prole sem quaisquer escrĂșpulos. A irrelevĂąncia Ă© uma barbĂĄrie diĂĄria nas famĂlias. NĂŁo quero o Natal! NĂŁo pelo fato de ser uma Festa Capitalista ou uma estratĂ©gia antiga da Igreja CatĂłlica que deu certo, mas pela simbiose que nĂŁo existe entre as pessoas; pela demasiada falta de respeito que Ă antecedem; e pelos tantos panos negativos estampados Ă nossa frente na maioria das famĂlias falidas.
HĂĄ um trecho da bĂblia que relata: 'chegou o tempo de nascer o bebĂȘ, e ela deu Ă luz o seu primogĂȘnito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque nĂŁo havia lugar para eles na hospedaria.' Natal Ă© sinĂŽnimo de humildade, simplicidade e celebraçÔes verdadeiras. Nada de pompas ou desavenças familiares. O espĂrito natalino tĂŁo falado, caiu em desuso. NĂŁo mais existe! As pessoas extinguiram a transformação que teria de começar de dentro para fora, mas que sempre Ă© o contrĂĄrio, nĂŁo fazendo nenhum sentido fazĂȘ-lo.
'Recebi um abraço pela manhã e a vontade era disseminå-lo. Um simples abraço deixa o dia mais ensolarado e radiante. Não deve ficar na gaveta, empoeirado. Deve ser repassado, para que outras pessoas se contagiem e compartilhem...'
'VOCĂ II'
Arrumas o cabelo,
ondulados percorrendo em mim,
assim como os mares,
nas correntezas da primavera.
Inunda-me de abraços,
beijos,
costelas!
Gesticulosa e salinizada,
quero-te inesperada!
Prendendo-me com teu cabelo negro e esbanjador.
Suaviza-me a dor,
enche-me de cores,
teus mares,
borboletas...
'CALAFRIOS'
Permaneces aĂ prostrado,
herĂłi.
Imortal tal qual meus poemas dormentes.
AnacrĂŽnico,
fiz setenta semana passada.
Fantasiando abraços,
crenças.
Destinos grisalhos,
sombra molhada...
Estrelas aportam teus fascĂnios.
Porém,
caem sem que percebamos,
devorando terras prometidas,
paralisadas!
Enérgico,
seguras meros destinos com as mĂŁos.
Impelindo sonhos,
fincando o divĂŁ do alvorecer...
Ăs letal,
ainda nĂŁo sei!
Mas tenho calafrios na espinha dorsal.
E falo de amor usual aos tantos ĂłrgĂŁos fatigados.
Recitando cançÔes diurnas,
sou breve poema.
Ăpico paradisĂaco.
Infernal...
'MURO'
Tenho uma casa com algumas janelas. Mas tenho em especial uma janela. Ă atravĂ©s dessa que observo profundo e genuĂno as pequenas e grandes coisas da vida. Sentado ou reclinado, a vista parece imensa. Vejo mares, rios, lagos, grutas. PorĂ©m, na maioria das vezes, avisto uma parede de concreto. A parede Ă© mesmo concreta! JĂĄ as tantas ĂĄguas, eu as aprecio, coloco sobreposiçÔes para deixar os dias mais insinuantes e deleitĂĄveis. Mas a 'parede', essa Ă© diĂĄria. Tenho vontade de derrubĂĄ-la, pĂŽ-la ao chĂŁo. Comer alguns pedaços de tijolos. Esmiuçar o cimento inerente Ă minha visĂŁo limitada. Mas nĂŁo tenho impulso, tampouco robustez para colocar uma parede tĂŁo bem acertada ao chĂŁo...
Mas hoje, meu olhar quotidiano divisou uma aprazente neblina e por trĂĄs dela, uma nuvem carregando pingos d'ĂĄguas. As paredes do muro ficaram encharcadas. Pensei: - jĂĄ que nĂŁo tenho marretas, talvez um martelo resolva! E assim o fiz. O muro fragilizado, em poucos minutos transformara-se numa grande ruptura e destroços. A partir de entĂŁo, pude ver atravĂ©s do mesmo que, havia um outro muro a ser quebrado. E levantando mais a visĂŁo, compreendi que havia dezenas de muros para serem derrubados. Foi entĂŁo que cuspi alguns pedaços de tijolos e voltei novamente para minha visĂŁo, jĂĄ embaçada por tantos muros, mas que agora, precisaria de um tsunami para que ĂȘxito eu tivesse nas minhas tantas derrubadas...
