Hoje a Felicidade Bate em minha Porta
Você foi a flor mais bonita do meu jardim,
O bairro mais bem feito da minha cidade,
O amor que tomou posse de mim de verdade
Você foi meu tudo,
E eu fui um pedaço de calçada para você
Minha mãe, no alto dos seus 87 anos, com aquele sorriso maroto, dizia: "estou vendo o tempo passar". Parecia não esperar mais nada deste plano, a não ser assistir as suas novelas, ler revistas de "fofocas", saboreando algum doce que lhe chegava às mãos. Apesar do quanto a vida lhe "sugou", lhe "maltratou", não perdeu a capacidade de amar, de ser solidária e compassiva, de nos ensinar que a simplicidade gera paz. Naquela época, o seu jeito de ser não era muito claro para mim. Hoje, estou sempre revisitando-a e saboreando cada ensinamento que ela nos deixou. Muitas vezes, e com certa frequência, sinto saudades dela e hoje, dia internacional da mulher, a minha homenagem é para você "Vovó Moza", minha doce e eterna mãe, grande mulher, a mais sábia de todas. Sei que está feliz no seu novo e eterno lar. Nunca consegui dizer "eu te amo" mas vou te amar para sempre, minha mãe.
QUE ESTRANHA NATUREZA
Estranha natureza esta a tua
Que me roubas os sonhos
Que banhas a minha alma em sangue
Tirando-me a luz, fazendo-me gritar
Afasta-me esta dor, suplico-te
Acorda-me deste sonho maldito
Donde estremeço, vislumbra-me de mim
Fazem-me voar para além do vazio
Nas tuas mãos, encontro o xaile do caminho
Onde a vontade abraça o meu lado selvagem
Estranha natureza esta, que persegue-me
Enlouquece-me e rouba-me os sonhos
Banha-se no meu sangue e arranca a minha alma
♔
Lança da morte, punhal ferido de espinhos numa flor
Sem medo, sem temor, amor que abraça-me
Que foge comigo, devassa-me os sentidos
Entranha-se na pele, como um grito colorido
Voz rouca de um eco que acompanha-me
Esquizofrênicos sentidos de lembranças
Feitos de vozes, gritos, gemidos, suspiros
Que iluminam de esperança as lágrimas caídas
De uma quimera fora do tempo esquecido,
Vivido de dor, fogo interno neste inverno antigo
♔
Neste mundo existem mulheres amadas
Violadas na mente, violentadas na alma,
Castradas no corpo, sem voz, sem liberdade
Acorrentadas em dor, cansadas, tristes
Desesperadas, mal amadas, laços atados, em nós de ferro
Mãos geladas e frias, feitas num mundo cruel.!
GRATIDÃO
tranquiliza minha alma
me deixa em harmonia
tudo se encaixa
quero todo dia
isso é real, no amanhecer
ao acordar, respirar
não vivo sem você
e no luar ao me lembrar
como é belo esse lugar
sobe pelo corpo
com emoção, quero te ter
é uma dadiva ou um momento
vamos agradecer,
quanto mais fazemos
mais atraímos
se é certo ou errado
acredite, não será julgado
fogo, água, terra e ar
que vida linda
deixa e eu te amar
reconheça a sensação
na dificuldade, na vivencia
no poder da criação
na saúde, existência
seja feliz, aja com potência
obrigado por chorar ou por sorrir
com você jamais vou desistir
acredite na gratidão
bate no peito, bem-estar
fale com o coração
Tarde demais, chegou minha hora
Sinto arrepios descendo em minha espinha
O corpo dói o tempo todo
Adeus a todos
Eu tenho que ir
Tenho que deixar todos vocês para trás
E encarar a verdade.
Eu não quero morrer
Às vezes eu gostaria de nem ter nascido
Então você acha que pode me apedrejar e cuspir no meu olho?
Então você acha que pode me amar e me deixar pra morrer?
Ah, meu bem!
Você não pode fazer isso comigo, meu bem!
Só tenho que sair
Só tenho que sair logo daqui
Nada realmente importa
Qualquer um pode ver
Nada realmente importa
Nada realmente importa para mim.
Minha vizinha Eulália é tão bonita,
tão de todas as coisas deliciosa,
que o marido perdeu toda a esperança
de ser o artilheiro do seu time.
LA
A Noite Inteira, Nega...
A noite inteira, nega, revirei
que revirei você em minha mente
tentando despejá-la inutilmente,
mandá-la para o quinto e mais nem sei,
nem sei pra que país nem tribo ou grei,
contanto me deixasse bem urgente
em paz e a sós comigo eternamente,
eternamente sem ninguém nem lei
E fizeram-se eternos os segundos:
me reentrava de lado e pelos fundos
de toda a mente, sem nenhum chiquê
Aí (que alívio!) o telefone toca,
fui atender (que alívio: me desfoca...),
fui correndo atender: era você.
LA
Entre tantas lembranças que guardo da infância a que mais me enternece é a da minha mãe deitada ao meu lado, do calor do seu abraço me envolvendo como um cobertor quentinho e do som da sua doce voz que como uma canção de ninar embalava lentamente os meus medo, antes que o sono chegasse.
FORRÓ DO CUMPADI ZÉ
Pedi pra minha mué,
Pra i no forró do cumpadi zé.
Fica do oto lado da serra, umas cinco léguas de distança.
Tem que pulá treis corgo. O pirigo são as onça.
Puis o arreio no burro filó,
Carcei a bota e visti o palitó.
Puis a ispora que comprei no Vardomiro,
Peguei a garrucha qui só dá treis tiro.
A minha muié ficô bem zangada, mais intendeu.
Opa! Tava isqueceno o rebenque qui tio jaquim mi deu.
Coloquei o chapéu e parti istrada a fora.
Nu outro dia ia vortá, mais choveu muito e incheu os corgo.
Fiquei sem jeito de i. Já pensei nu qui a muié ia fala.
Cheguei de tardinha. Uai, num é qui minha muié tava mi isperando sô!
Élcio José Martins
eu dou preferencia minha vida a minha ,maneira de viver embora um pouco louco varrido.
do que um tolo metido a inteligente , o silencio te educa ,a inguinorancia é uma das piores é mais letal das armas que é distribuível pela humanidade é seus mal feitores .
Enquanto você foi me dando a sua ausência, a minha vida reviu as prioridades e você virou um tanto faz!
meu mundo mim transforma em LENDA viva ,minha falsa liberdade são devoradas pela minha sensibilidade de luz , minhas crenças se multiplicam, minha alma respira outras atmosferas infinita de gradezas crucias para uma nova geração de espíritos purificados .[seja você a lenda hoje é sempre ].
Eu de tudo faço diferente. Amo-te com toda a minha loucura, mas fazes de mim uma mera escultura. E ai de mim se não te deixo me esculpir, já não sou mais Eu, apenas uma parte de mim.
Condor
Quero eclipsar a minha existência
E quero-o já... não é um pedido,
É uma ordem que me anda a deixar insolente.
Quero ir para o lado de lá do teu sentido
Dar sentido à minha vida.
Quero ser uma pena na bigorna do forjador.
E que ele não perdoe das suas mãos a minha demência.
Esta sentença de estar onde não estou,
Esta injunção que me obriga a ser quem não sou,
Pois não é mais da ausência a minha dor.
O Anjo do Abismo com sua gadanha
É presença que ao meu lado se senta.
Ouço o sobrevoar silencioso do Condor
Só ele me acalma a alma.
Enquanto ele inalar o meu padecer,
Enquanto ela pairar sobre minha cabeça,
Eu sei que não estarei só.
Porque é para o lado de la
Que eu quero ir... e quero ir já!
Quero ser o litígio entre ambas as partes,
Ser acuso de não ter cumprido o compromisso,
Quero que as cabeças que me andam a atormentar
Sejam mutiladas por Excalibur.
Ordeno sair de dentro de mim.
Irei fazer escorrer meu sangue ladeira a baixo,
Trocar a minha alma pela epifania
E vou querela a toda a hora
Sem demora nem mania,
A toda a hora!...
Ordeno eu ao mais alto dos altos
Que seja agora.
Que seja neste minuto.
Troco o meu lamento
Pelo teu estatuto!
Transforma-te ó Tempo,
No mais bruto forjador,
No cavaleiro de maior talento
E ordeno a Excalibur
Acabar com este momento
Decepar esta minha dor
Onde eu só sinto sofrimento!...
Ouço o alento do bater das assas,
Vai pousar ao meu lado o Condor...
Já não lamento!...
Um tentativa em exonerar da minha imaginação, da minha alma se assim me atrevo a dizer, a dissertar aquilo que de mais profundo imagino pairar sobre muitas consciências humanas, ao se aproximar o momento de uma morte anunciada. Por mais difícil que seja de me pronunciar desta forma tenho que ser fiel àquilo que sinto e deitar cá para fora tal como sinto ao imaginar esse momento.
