Fria
QUIMERA TARDIA:
Numa tarde chuvosa e fria
Liderava imaginário veiculo
Lotação de fêmea maioria
Não era catamarã ou chalana
Nem anfíbio, nem marítimo
A maquinha bem discreta
Não tinha teto!
Não tinha assento!
Tampouco se tinha nexo...
Sem encharque, sem sangria
Sob a chuva que caia
A nau que submergia.
Do outra lado da margem
Minha quimera tardia
Muitos a mim recebia ...
De volta ao mundo real
Findava minha fantasia.
CONTOS QUE A NOITE CONTA:
A noite é fria e tímida
Em seus becos, seus piteis.
Suas contas que são poucas
Conta-se noutros viés
Os contos que não se conta
Dos que jaz em seus bordéis.
Lindas palavras daquele poeta que fazia o ar se tornar calmo como uma manhã fria vendo o sol nascer. Onde os olhos se faziam brilhar e se emocionar ao conhecer a poesia pela primeira vez, como uma melodia doce aos ouvidos que os encantara. Até mesmo seus lábios palpitavam querendo repetir as marcantes frases a querer guardar em sua mente para sempre a paz que ali se encontrava.
Juventude.
É a juventude nascida fria,
o tentamento ao novo,
o que vos jura que faria,
morre, mas nega-se pedir socorro.
Ouvira chamar ao longe,
o chamado de guerra que quer.
O que mais quer se esconde,
quer a guerra, vinho e mulher.
Joga tudo por luta,
não tem respeito ao perigo,
mesmo que a derrota seja dura,
a tua alma anseia o risco.
Ávido, impetuoso e brilhante,
com aspecto bastante nítido,
de forma incessante,
quer o que nunca foi tido.
Forte ficaste tua alma,
em caminhos percorridos,
em busca da chegada,
daquilo que não lhe foi prometido.
E te via assim, tão fria, vazia, tão superficial, tão longe, até o dia em que tropecei, cai e mergulhei fundo nesse poço que nos separava.
FADO DA SAUDADE
Fado vadio, fado da saudade
Nesta noite fria bebemos um vinho
Um tinto maduro, amargo como a vida
Com o travo a alecrim, a rosmaninho
Ou talvez um bom vinho do porto
Na sala toca-se, canta-se o martírio maior
O fado de dor, da saudade meu amor
Choram as nossas dores ao som dos passos
Da vida feita em pedaços, melodia orvalhada
Refeita de felicidade, do passado, presente
Na sala o silêncio é total, nesta noite fria, já quente
O coração fala mais alto, segredos sem voz
Com o silêncio a tristeza cala-se, inibe-se de amor
Na rua escura ausente de pranto, não passa ninguém
Voz magoada, flor do deserto, de uma canção tão bela
Que nem às paredes caiadas, nem a Deus me confesso
Dos teus fixos olhos castanhos, já presos nos meus
Fado de lágrimas cansadas de quem já muito ama e amou.
Sou fria, distante, falo pouco. Mas nem sempre foi assim. Eu já fui muito amável um dia. Mas sabe, me destruíram. E eu sou como um vaso, entende? Que se quebra e depois você vai e cola, mas ele jamais ficará igual antes, as cicatrizes sempre serão visíveis, e qualquer instabilidade, puf. Quebra de novo, e cada vez que se quebra, fica pior. E eu, eu.. Já fui quebrada tantas vezes.
A vontade de chorar aflora o peito novamente. Mais uma vez nos encontramos em uma madrugada fria para lamentar o que poderia ter dado certo e não deu. De um lado o coração aflito e espedaçado. Do outro, a mente e sua razão dizendo que não foi por falta de avisar. Essa guerra eterna que não cessa insiste em vitimizar essa alma aflita. Se isso faz parte da vida, quando virá a calmaria? Quando cessarão as lágrimas, a angústia, a tristeza e a saudade?
Razão e emoção concordam que não valem mais as lágrimas e lamentações, mas a concordância mútua não significa que elas se cessarão tão facilmente. Resta mais uma vez silenciar-se na esperança que de novo tenta conformar esses extremos dizendo que em breve tudo isso vai fazer parte do passado e que dias melhores virão. Enquanto faz-se necessário engolir seco essa desilusão que deixam cada vez mais longe dois seres que se unem pelo desconhecido e desunem pela distância
Responda-me, a ti suplico
O silêncio teu espanta e preocupa-me,
A fala tua, mesmo fria, me acalma;
Teu semblante quando entristecido
Conjura-me fadiga
Teu sorriso, puro artifício,
Retorna-me à paciência do esperar;
Esperar este, que deixou-me de ser sóbrio
Para, simplesmente, ser desejo
Desejo, vontade, ideal...
Sim, um falso ideal;
Ideal que me causa mal
Náusea e dores como que de parto
De preocupação, estupefação
Nem sei se isto se adequa;
Mas sinto, e sinto muito por
Não fazer, não poder me opor
Quero ser seu elo com a alegria
Mas apenas se for
Para estar em pura sincronia;
Simplicidade, virtude, coragem
Muitas vezes se tornam banais
Mas não é nada de mais;
Será que é possível viver
Sem poder ter
Alguém com quem ser
Você mesmo e ver
A alegria do aceitar
Sem marginalizar
Com tanto que não vá
Para um lugar que há
A tua ausência.
Nessa cama grande e fria, na madrugada vazia, meu sono não vêm.
Desta vez, quando fechei os olhos, você me surgiu de uma maneira diferente, como nunca fez antes.
O cheiro do seu corpo eu podia sentir de longe, exalava ervas frescas, paz.
Vi a tristeza em seu olhar meigo e quase infantil, certo de que havia feito algo terrível do qual se arrependeu.
Eu o abracei forte contra meu peito e lhe acariciei os cabelos ainda molhados, lhe disse baixo ao pé do ouvido que estava tudo bem, eu iria ajudá-lo a resolver a questão
mesmo que isso levasse uma vida para acontecer.
Até que me dei conta, o que você fez, ninguém poderia desfazer. Eu teria que deixar para trás nossa obra prima que esta crescendo cada dia mais parecida com você.
Acordo triste mais uma vez, sabendo que nada pode ser feito para lhe trazer de volta.
Meu para sempre Anjo, Gabriel.
Eu sou tão fria, tão centrada em mim mesma, focada em meus objetivos, séria, e aí chega essa pessoa que magicamente me faz meiga, me faz doce, quebra minhas barreiras,e isso tudo vindo me dar um simples "oi", vindo dar "oi" com o sorriso mais escandalosamente lindo do mundo.
Noite Fria
Sozinho em meu quarto
Triste, pra baixo
Deito e desejo
Esquecer o passado
Um passado recente
Que insiste em situar-se
Em minha mente.
Em uma noite fria
Me perco nessa agonia.
Ligo a tv
Buscando relaxar
Mas a tristeza
Tenta me tomar
Procuro respostas
E não entendo
O por que
De tanto sofrimento.
Pensamentos vem e vão
E atormentam, meu coração.
O tédio me consome
E em minha cabeça
Só me vem, o seu nome
Olho no espelho
E deprimido me vejo
E naquele estado
Não me reconheço
Paro por um momento
E me bate
Um grande arrependimento
Do por que a deixei ir
E o desejo em saber
O por que escolheu partir
A saudade vem
As lembranças também
E eu, vou seguindo
Nesse desespero
Quando, o que eu apenas queria
Era está dormindo
Para poder acordar
Desse pesadelo.
Mais um dia,
Mais uma lembrança.
Já é um novo dia e uma manhã fria.
O sol eleva-se acima do mar.
O cinza azulado risca o céu com tons róseos.
Faz muito frio, e a quietude cede espaço para as gaivotas entoarem suas canções.
As ondas flutuam sobre as profundezas do oceano vasto... e, só eu e meus pensamentos aqui viajando em sonhos, a entender o que existe dentro de mim.
Vivendo em uma guerra que não é fria e nem é quente, não é a primeira e nem a segunda. É uma guerra transparente, de tolos contra tolos, de gente contra gente.
Você
De que adianta dizer o que sente, se o que sente não entra na mente.
Fria, seca e gelada; qualquer denominação que se dê há um objeto.
As vezes gostaria que fosse um objeto, para que nas minhas mãos pudesse as vezes ficar.
Ou como uma Harpa que com poder encanta as mentes mais alucinadas que já houve falar.
E assim que vejo você: difícil e distante, como um sonho errante que jamais quero esquecer.
(TJ)
Tempo de alma
Ai! O nosso tempo esfuma-se nesta distância fria
E eu vou morrendo triste, em desalento,
restos mortais de uma flor que em melancolia
se desfaz no ar ao sabor do tempo.
Que romântico delirío, que desengano
quereres segurar o tempo, que sonho vão
quando se podem contar os dias num ano
em que eu sinto a tua mão na minha mão.
Um dia estarei velha desfiando o novelo
Do tempo que passou e não atendeu ao meu apelo.
Velhinha, sentada na porta olhando o horizonte distante,
Tentando ver-te a ti, também já velhinho, pois...
Ou será que o tempo dará tempo a nós dois
De vivermos, ainda jovens, este amor por um instante?
A NOITE
A noite está fria
La fora uma imagem
Uma sombra
O sereno esta caindo
No céu as estrelas brilhando
O que pode acontecer
Com duas vidas assim
Sei que não deverias
Mas sinto que vou te amar
Não sei se evito,
Não posso então vou me deixar te amar.
