Fale de sua Aldeia
Essa sociedade não mudou nem um pouco. As pessoas que não se enquadram na aldeia são expulsas: homens que não caçam, mulheres que não têm filhos. Apesar de tudo o que falamos sobre a sociedade moderna e o individualismo, qualquer um que não tentar se encaixar pode esperar ser invadido, coagido e, por fim, banido da aldeia.
E se foi o índio mais forte de nossa aldeia, se encontra agora dissipado entre as estrelas do céu. Meu tio amado, amigo e escritor favorito.
Se foi cedo demais por não ser compreendido, mas que será lembrado com carinho em meu coração.
A dor lateja no peito, tudo isso nem parece que é real.
Desde cedo aprendi que nada dessa terra vale a pena, tudo é passageiro e insignificante, tudo é vazio, nada aqui faz algum sentido e você nunca terá respostas.
Pessoas boas morrem cedo e sofrem com mais intensidade as dores da vida.
Não importa o que faça e nem pra onde vá, tudo aqui será trivial.
É na morte que vemos o quão insignificante é a vida de um ser humano, não importa como tenha vivido, não importa se amou ou se chorou, não importa seus estudos, diplomas e suas escolhas, não importa muito menos o caminho que seguiu, no final das contas tudo é escuro e solitário para todos.
Eu te amava muito, mesmo em meio as tuas loucuras, não esquecerei de cada conselho, conversas, escritos e livros, não me esquecerei das risadas, das artes e nem muito menos das pinturas, estais eternizado em minha mente e alma, porque coração nem sei se tenho agora. Para tio Etinho com amor de sua sobrinha favorita.
Poty Porã (microconto)
Numa aldeia guarani vivia triste um casal que não podia ter filhos. O pajé fez um ritual e lhes deu um remédio da mata. Tempo depois, nasceu a indiazinha Bela Flor, que a todos alegrou.
O PODER DO AMOR
Em um mundo julgador, havia uma mulher, líder de uma aldeia. Ela não julgava roupas, aparências, estilos musicais e tantas outras coisas superficiais que o mundo afora apontava cruelmente. Como era bom estar ao lado daquela mulher; todos queriam visitá-la. Com ela, eles se sentiam bem para serem que são, pois sabiam que não haveria julgamento. Ali não existia idolatria! Eles simplesmente amavam aquela companhia, que por sua vez, amava os amar.
Um dia ela se foi, mas seu amor ficou no coração de cada um que a visitava frequentemente; esses, honraram a sua morte abraçando o mundo, assim como ela o abraçava.
Um homem criou um ícone de barro e obrigou todos da sua aldeia a adorá-lo.
Quem não o reverenciava, era desprezado, humilhado e agredido.
Quem quis quebrar o ícone, foi considerado inimigo mortal a ser exterminado.
Quando, finalmente, conseguiram quebrá-lo, ele criou outro.
Luminária à Senhora da Orada -
Na aldeia é noite escura,
não se vê quase ninguém.
Mas no adro da Igreja,
vai de negro vestida, Marianita do Outeiro,
que junto à porta da capela
se ajoelha p'ra rezar
profundamente por alguém!
À porta da Igreja
põe um pote com azeite
com um trapo embebido,
qu'ilumina as tristes preces,
orações, rezas, pedidos,
da pobre viuvinha
com tantos anos já vividos.
E o adro da capela fica todo iluminado
parecendo um Sol de Primavera
qu'ilumina o tumulo
de Nosso Senhor Ressuscitado.
"-Oh Senhora da Orada, vinde abençoar,
proteger, encaminhar, este vosso povoadao!"
E de pé frente à capela
um'Alma simples, boa,
pedindo à virgem esta graça!
Que a Senhora da Orada se lembre dela
como o brilho d'uma estrela
que brilha no seu manto e nunca passa.
"-Oh Senhora das novenas,
oh Senhora dos pregões,
vinde ceifar todas as penas,
vinde salvar os Corações!
Acudi ao meu pedido,
ouvide minha oração,
escutai o meu gemido,
escutai o meu pregão!"
Marianita do Outeiro
cai por terra fervorosa,
rezando, frente à porta da capela
com tal força, devoção,
que ao longe, se escuta um trovão!
Assustada, nem se mexe!
De mãos postas, olhos fixos na Igreja, pede,
"-Nossa Senhora nos proteja!"
Abrem-se as portas de par em par!
A Senhora da Orada, sobre o altar,
de roxo vestida, de Luz adornada,
surge risonha, de manto a esvoaçar ...
E erguendo os olhos, levantando o braço,
sobre o Outeiro, traça no espaço,
o doce Sinal da Cruz!
E p'la madrugada fora
lá fica a luminária,
de Marianita do Outeiro
à Senhora da Orada,
junto à porta da Capela ...
(Recordando com Saudade a "Ti" Mariana Paias que, tantas e tantas vezes, durante a minha infância, pelo cair da noite, vi iluminar o adro da Igreja da Senhora da Orada no Outeiro (monsaraz) com as suas luminárias ...)
Alembradura -
Horas convulsas
da minha
aldeia!
Noites sem
Lua,
dias sem
Sol,
campos de
flores,
trigo e aveia,
tantas sementes
que o espaço
alteia ...
E um monte
de estevas,
ergue ao longe,
na umbra,
uma Terra audaz!
"- Ó menino,
tu não te
atrevas ir
sozinho a
Monsaraz!"
Dizia meu Avô!
Dizia minha Avó!
Montes e vales,
rochas traiçoeiras,
hortas e vinhedos,
cercas perturbantes,
bichos e cobras,
por aí, nas eiras,
onde eu andava
dantes ...
No Outeiro!
Na minha Aldeia!
Criança sem rumo,
pelo orvalho,
diziam meus Avós,
atormentados:
"- o menino
não levou
agasalho! ..."
E quando regressava
dessas voltas,
sempre, de meus Avós,
preocupados, escutava
um ralho!
E hoje, mais só,
que dura saudade!
Desse Tempo ...
Desse Espaço ...
De meu Avô ...
De minha Avó ...
Saudade que perdura,
nessa Casa da Infância,
nesta fria-alembradura ...
CONTO DE NATAL
Era uma noite fria e escura
Numa aldeia perdida ou talvez esquecida
Em Trás os Montes
Onde uma menina passava o seu primeiro Natal
Depois de chegar de África (Luanda)
Era tudo novo, diferente, frio, escuro
Ela que tinha vivido com sol, calor, praia
Sentia-se perdida num mundo, para ela diferente
A casa dos avós até era muito acolhedora
Mas ela sentia falta da sua casa
Do seu quarto, da sua escola, de tudo
Em casa dos avós, o colchão era de palha
Tinha um cheiro muito esquisito
Lá vivia uma menina sonhadora
Morava com os pais e com os seus irmãos
Era uma noite fria
Às portas da guerra da independência
Que viria muito brevemente a acontecer
Mudando-lhe a vida e marcando-lhe para sempre
Era a noite de Natal não havia presentes
E muito menos a árvore de Natal
Ou o Presépio, mas havia alegria e amor
Os pais davam muito carinho aos seus filhos
Mesmo sem a árvore de Natal e sem presentes
Contavam-se histórias à lareira, o riso era constante
Foi uma noite que nunca mais esqueceu
Aquela menina de dez anos
Numa noite fria e escura, mas quente no seu coração
Era a noite de Natal fria
E gelada numa aldeia em Trás-os-Montes
Passada em casa dos meus avós numa noite de Natal.
Era uma vez uma pequena aldeia
Era uma vez uma pequena aldeia cercada por uma vasta e exuberante natureza. Nessa aldeia vivia um jovem chamado Lucas, que sempre se sentia deslocado e incompreendido. Enquanto todos ao seu redor seguiam as tradições e crenças religiosas da comunidade, Lucas tinha uma perspectiva diferente. Ele não conseguia se identificar com a visão convencional do Cristo centrado na igreja e nos rituais formais.
Em suas caminhadas solitárias pela floresta, Lucas encontrava consolo e inspiração na grandiosidade da natureza ao seu redor. Sentia que a presença de Deus era mais evidente ali, nas árvores majestosas, nos rios cristalinos e no canto dos pássaros, do que em qualquer construção humana.
Um dia, ao mergulhar na leitura da Bíblia sob a sombra de uma árvore centenária, Lucas deparou-se com um versículo que o tocou profundamente:
"Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos." (Salmos 19:1)
A partir desse momento, Lucas encontrou a conexão que tanto buscava entre sua espiritualidade e a natureza que tanto amava. Ele compreendeu que a presença de Deus não estava confinada a um templo ou a um sistema religioso específico, mas sim em toda a criação que se desdobrava à sua volta.
Determinado a compartilhar sua visão com os outros, Lucas começou a reunir os habitantes da aldeia para expor suas descobertas. Alguns ficaram intrigados e curiosos, mas outros rejeitaram suas ideias, apegando-se firmemente às tradições estabelecidas.
Não desanimado, Lucas decidiu criar encontros ao ar livre, onde todos pudessem vivenciar a espiritualidade em meio à natureza. Reuniu grupos para apreciar o nascer e o pôr do sol, meditar ao som do vento nas folhas das árvores e orar junto às cachoeiras.
Conforme as pessoas experimentavam esses momentos singulares de conexão com a natureza, muitas começaram a enxergar a espiritualidade de forma mais ampla e libertadora. O coração de Lucas se enchia de alegria ao ver seus conterrâneos abrindo suas mentes para a beleza e o poder divino presentes em cada elemento da criação.
A fama das reuniões do "Cristo Acêntrico" espalhou-se além da aldeia, atraindo visitantes de outras localidades. Lucas continuou a liderar suas celebrações, e sua mensagem de amor pela natureza e pela conexão espiritual tocou cada vez mais pessoas
Com o tempo, a aldeia que antes o considerava um estranho passou a respeitar e valorizar a perspectiva única de Lucas. O "Cristo Acêntrico" tornou-se um símbolo de esperança, lembrando a todos que a presença divina pode ser encontrada nas paisagens mais simples e que a natureza é um templo sagrado, um verdadeiro presente de Deus
Assim, Lucas e sua comunidade aprenderam que a espiritualidade não tinha fronteiras e que cada coração podia abrigar o amor e a fé em Deus, independentemente da forma como O enxergassem. Juntos, caminharam na jornada de redescoberta, compreendendo que a natureza é uma manifestação da divindade, convidando-os a celebrar, proteger e amar tudo o que Deus criou
Em uma pequena aldeia situada entre colinas, vivia uma velha sábia chamada Clara. Ela era conhecida por sua profunda conexão com o passado, possuindo a habilidade única de viajar no tempo usando o poder de suas memórias.
Seu dom permitiu-lhe reviver momentos de sua própria vida e também da vida de outras pessoas, um talento que ela usou para ajudar os necessitados;
Numa tarde ensolarada, um jovem chamado Miguel chegou à aldeia em busca da ajuda de Clara.
Ele estava sobrecarregado pela culpa e pelo arrependimento, assombrado por uma decisão que tomou anos atrás e que mudou o curso de sua vida para sempre. Miguel havia perdido contato com sua família, seu verdadeiro propósito e sua paz interior.
Desesperado por redenção, ele ouviu rumores sobre as notáveis habilidades de Clara e esperava que ela pudesse guiá-lo através do labirinto de suas memórias. Clara, sentindo a agitação de Miguel, acolheu-o na sua aconchegante casinha. Ela o sentou perto da lareira, um brilho bruxuleante lançando sombras dançantes nas paredes.
Com um sorriso gentil, ela começou a contar sua história de sabedoria e cura.
“Ouça com atenção, Miguel”, começou.
"As memórias são como fios que nos conectam ao nosso passado, presente e futuro. Elas têm o poder de moldar a nossa percepção do tempo, tanto real quanto imaginário."
Enquanto Clara contava as suas histórias, a mente de Miguel vagueava pelo labirinto das suas próprias.
Ele se via como um menino, cheio de sonhos e aspirações, mas também diante de escolhas difíceis. Relembrou o dia em que abandonou a paixão pela música, optando por um caminho mais seguro. Essa decisão o deixou se sentindo perdido e desconectado, imaginando o que poderia ter acontecido.
Clara gentilmente guiou-o através de suas memórias, o encorajando a confrontar seu passado. Juntos, eles exploraram o momento crucial em que ele se afastou de sua verdadeira vocação. Miguel sentiu uma onda de emoções, arrependimento misturado com um renovado senso de propósito.
À medida que Clara e Miguel continuavam a sua viagem no tempo, encontravam outras almas sobrecarregadas pelos seus fantasmas.. A capacidade de Clara de guiá-los nos momentos mais sombrios trouxe cura e encerramento, permitindo-lhes recuperar suas identidades perdidas e encontrar a paz dentro de si mesmos.
Através do poder da memória, Clara ensinou a Miguel que o passado não nos define, mas molda o nosso potencial. Mostrou-lhe que nunca é tarde para se redescobrir e se reconectar com os seus entes queridos e para abraçar o seu verdadeiro eu.
Com nova clareza, Miguel despediu-se de Clara, grato pelo presente que ela lhe concedera.
Ele voltou para sua família, munido das lições do passado e da determinação de construir um futuro melhor. E assim, Miguel embarcou numa viagem de autodescoberta, usando o poder das memórias como bússola. Ele reacendeu seu amor pela música, compartilhando seus talentos com aqueles ao seu redor e inspirando outros a abraçarem seus sonhos esquecidos.
A partir desse dia, a aldeia tornou-se um local onde o tempo e a memória se entrelaçam, onde as histórias do passado guiam os passos do presente. E no centro de tudo isso, Clara permaneceu, sempre tecendo suas histórias e ajudando outros a encontrar o seu caminho.
Vivo numa aldeia com mais de um milhão de habitantes. A pacatez é tanta, que, todos os dias os vizinhos mal conseguem praticar a Entre-ajuda tão comum nestes meios.
O pensamento tem que acompanhar a evolução, vivemos numa aldeia global, somos um composto de raças, ideias, juízos e hábitos, no entanto, nem todos somos compostos pela virtude do respeito e da tolerância, isto com certeza será o principal causador do nosso fim, seremos destruídos pela ganância e pela ideia de superioridade que vive na mente de muitos, o nosso mundo nunca irá subsistir em paz.
Marshall McLuhan disse que o mundo seria uma grande aldeia global. Nada disso: somos tribos planetárias.
Vikings
Era uma manhã fria e nebulosa na aldeia viking das Neves. O sol ainda estava escondido por trás das montanhas, mas Viking Branco, um guerreiro corajoso e destemido, estava pronto para mais um dia de aventuras. Ele era conhecido por sua força e coragem, bem como por sua armadura reluzente e espada afiada.
Por outro lado, Viking Soneca era o oposto de Viking Branco. Ele era um viking tranquilo, que preferia a calma da aldeia à melhoria das batalhas. Soneca era baixo, com cabelos escuros e olhos negros, mas o que mais o distinguia era sua habilidade de adormecer em qualquer lugar e a qualquer momento. Os outros vikings costumavam brincar que ele podia cochilar até mesmo em pleno campo de batalha.
Naquele dia, uma aldeia estava sob ameaça de invasão por um bando de guerreiros inimigos. Viking Branco estava ansioso por uma batalha e, com sua espada em punho, liderou a defesa da aldeia com coragem. Ele ergueu sua espada, defendendo sua terra natal com ferocidade e determinação. No entanto, os inimigos eram numerosos e a batalha estava ficando cada vez mais intensa.
Viking Soneca, por outro lado, estava tendo dificuldade em manter os olhos abertos. Ele se sentou em uma rocha, bocejando, enquanto a batalha rugia ao seu redor. Mas de repente, ele teve uma ideia. Com uma expressão sonora, ele pegou um tambor e começou a tocar um ritmo hipnotizante.
O som do tambor ecoou pela aldeia e, surpreendentemente, teve um efeito mágico. Os inimigos, confusos e atordoados pelo som, começaram a desacelerar e, eventualmente, caíram no sono profundo. A magia do tambor de Viking Soneca havia salvado o dia.
Viking Branco, visto com a astúcia do seu amigo, olhou para ele com admiração. Juntos, eles defenderam a aldeia de uma maneira que ninguém poderia ter imaginado. A aldeia inteira comemorou a vitória, e Viking Branco finalmente reconheceu o valor de Viking Soneca, não apenas como um guerreiro corajoso, mas como um viking inteligente e criativo.
A partir desse dia, Viking Branco e Viking Soneca se tornaram uma equipe imbatível. Viking Branco protegia a aldeia com sua coragem e força, enquanto Viking Soneca, com seu tambor mágico, estava sempre pronto para salvar o dia de uma forma inesperada. Juntos, eles provaram que a força e a inteligência podem trabalhar em perfeita harmonia, e que a amizade é o maior tesouro de todos.
E assim, os vikings das neves viveram em paz e prosperidade, graças à coragem de Viking Branco e à astúcia de Viking Soneca, provando que heróis vêm em todas as formas e tamanhos.
No Céu da minha Aldeia -
Ha no céu da minha aldeia,
pesado na noite calma,
tanta estrela cintilante
que ilumina a minha alma.
E quando passo, ao passar,
em tristeza repetida,
tantas vezes que me lembro
do passar da minha vida.
Na verdade sinto-me perto
em cada passo errante
da alegria e dos sonhos
desse tempo tão distante.
E não há ninguem na rua
só eu e o céu aberto,
trago o corpo cansado,
sinto a morte mais perto.
Ao Outeiro em Monsaraz
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia
Juízo equivocado, destruiu tudo: a aldeia ferrada, casa nem escapou; armazéns, bibliotecas e museus tornaram-se pó.
