Escrevo
E é por isso que recorro para os papeis ao me sentir aprisionada, escrevo e exploro o mundo mais sensacional que pode existir a minha própria mente.
A FALSA MORAL
Escrevo esses versos tristes
Sobre essas linhas tortas
E vejo reinar a tristeza
Num mundo de alegrias mortas
Pessoas vivendo entre vermes
Rastejando de porta em porta
Possuem um mal de nome esperança
Que diz que a felicidade se foi
Mas que ela algum dia volta
Mas você não conhece esse mundo
Por isso é que não se importa
Seu falso otimismo me assusta
Mas não se compara a sua caridade hipócrita
Pois se tu doas a um mendigo
Um sapato sujo e costurado
É só porque não mais te serve
De tão velho e apertado
Porém te sentes um ser bondoso
E se diz até "aliviado"
Pensa ter feito uma boa ação
Mas só tirou o lixo do próprio quarto
Ainda fala que sempre ajuda pois não sabe o dia de amanhã
Sempre esperando um retorno
Essa é a falsa moral
A conciência individual
Que transforma toda bondade em afã
Pintei meus dias com a poesia
E senti um novo sabor
Escrevo versos com sentimento
Por falta de um grande amor
Escrevo para pessoas, de pessoas, de mim, histórias que já ouvi, que já vivi.
Escrevo para mim, para cicatrizar, para curar, para alegrar.
Escrevo o que minha alma não aguenta mais guardar.
Escrevo dramas, ficção, realidade e às vezes tudo isso se mistura com dose de humor.
Eu escrevo aquilo que não consigo mais falar. Escrevo aquilo que gostaria de viver, escrevo sonhos.
Eu também sonho.
Mas escrevo. Transcrevo.
E ainda assim, não parece ser o suficiente.
Mas escrevo sem cansar. Escrevo para eternizar.
Eu não escrevo para os outros, eu escrevo para mim, não quero ter uma obrigação com pessoas, se nem obrigação comigo mesmo tenho, quero escrever o que me dá vontade, de certa forma sou livre e pretendo ter minha liberdade sem ter obrigação com ninguém.
Enquanto escrevo,
enquanto lê...
muitos morrem,
poucos socorrem,
muitos são alvos,
poucos são salvos.
Já os Dogmas,
ficam sempre
sãos e salvos.
Escrever foi o que me salvou e salva todos os dias. Eu oro a Deus quando escrevo e é nesses momentos que me entrego de corpo e alma, meus escritos é sempre um pedido de socorro uma prece uma fuga!
Eu abro a conversa, fecho. Escrevo, apago. Leio,
releio. Olho a foto, sorrio. Lembro, dói. Sinto falta,
raiva. Acho que saudade não tem tradução porque
mais difícil que sentir, é dizer.
Eu posso brincar com tudo
Com as palavras que escrevo
Ou com moedas que derrubo
Posso brincar de esconder os sentimentos
Das pessoas que me olham
Ou de olhares bem atentos
Posso brincar de ser criança
Sem pureza, muito menos, inocência
Amando lentamente
Ou apaixonada na indecência
Posso ser brincalhão
Ser taxado de idiota
Ou um covarde sem ação
Um rosto sério
Perturbado pelo tempo
Trazendo em si, mistério
Acorrentado com o vento.
Já Tudo Fui…Hoje Sou Poeta!
Já fui fada!
Já fui bruxa.
já fiz magia…
Escrevo sonhos,
invento poesias!
Já te mandei sonhos…
Já te salvei da solidão.
Já fiz poemas…
que te tocou o coração.
Já te dei emoções!
Já fui princesa.
Bailarina.
Criança.
Fadinha.
Já fui inspiração…
Já fui desejo
e sedução.
Já fui segredos.
Versos…
Canção!
Quem escreve sonhos,
experimenta
todas essas emoções!
E só volta para a vida real…
se os versos permitirem.
Caso não… Fico poeta!
Com "A" escrevo "AMOR"
com "E" escrevo "EU"
com "T" escrevo "TO"
com "C" escrevo "COM"
com "S" escrevo "SAUDADE"
com "D" escrevo "DE"
com "V" escrevo "VOCÊ"
Ezequiel de Carvalho Rodrigues.
Eu escrevo como quem beija.
Um beijo longo, demorado, carinhoso.
Um beijo desses de língua.
A língua se movimenta lentamente
e me permite um gosto
ao mesmo tempo do outro
e de mim mesma.
Do outro que me encontra
neste texto
e do que há em mim que permite o encontro.
Eu escrevo como quem vive.
Assim, simples,
fazendo um texto de vida,
na vida.
Às vezes, penso,
afinal, que texto é esse que eu produzo?
Que vida é essa agenciada
pelo sabor das palavras compartilhadas,
sussurradas, como um afago?
Quem é esse outro que me encontra
e quem sou esse eu mesma que se expressa,
que se entrega...
Nesse delicioso beijo de língua?
Nesse movimento que, afinal,
eu mesma provoco?
O gosto vem do meu movimento mesmo
associado ao movimento do outro.
Quando escrevo, eu me inscrevo.
Fica também o meu gosto
no gosto da língua do outro.
E isso me remete a não querer parar de escrever. Nunca.
(Maria Luiza Cardinale Baptista)
Escrevo tanto sobre mim, mas ainda estou tentado me encontrar em alguns dos tantos trechos que inventei.
A culpa não é minha se tudo o que eu escrevo é sobre você, a culpa não é minha se penso em você todo o tempo, a culpa não é minha se te quero o tempo todo, a culpa não é minha…
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