Escrever uma carta a uma Criança

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Ser criança de novo, esquecer do relógio, esquecer do meu medo


por: Felipe Uzzires


papo reto?
não era pra ser tão pesado assim.
Com 20 poucos anos nas costas e um cansaço que não combina,
eu só queria voltar pra onde o mundo era pequeno.


ser criança de novo,
esquecer do relógio,
esquecer do meu medo.


Tem dia que a gente acorda e já tá devendo até coragem.
Sorriso forçado, passo arrastados,
e lá dentro, bem quietinho,
o moleque que fui quieto e cansado chama meu nome querendo.


ser criança de novo,
esquecer do relógio,
esquecer do meu medo.


Eu sinto falta de tropeçar sem medo de cair,
de errar e rir, de errar de novo e rir mais alto ainda.
Hoje qualquer erro parece um peso eterno,
como se a vida não perdoasse mais ninguém,
como se eu fosse invisível,
como se fosse impossível.


ser criança de novo,
esquecer do relógio,
esquecer do meu medo.


Talvez eu nunca volte de verdade, né?
Talvez crescer seja isso mesmo:
carregar as saudades, de desapegos, pessoas indo, e outros voltando,
Mas ainda assim eu queria.


ser criança de novo,
esquecer do relógio,
esquecer do meu medo.

Desde criança eu carregava um mapa
que ninguém via
uma casa aberta no meio do mundo,
gente chegando cansada
e saindo com um pouco mais de vida.


Enquanto os outros sonhavam viagens,
eu sonhava abrigo.
Sonhava mãos dadas,
cadeiras puxadas pra perto,
um lugar onde ninguém fosse peso.


O tempo passou
e disseram que crescer
era esquecer essas ideias grandes.
Mas meu peito nunca aprendeu a ser pequeno.


E então a vida colocou pessoas no caminho
que acenderam o desenho antigo.
Não como salvação,
mas como espelho:


“olha, isso ainda mora em você.”


Conhecer alguém
não criou o sonho
só deu nome à coragem
de tirá-lo da gaveta.


Meu instituto não é prédio,
é promessa.
É a criança que fui
estendendo a mão pra adulta que sou
e dizendo:


“a gente ainda pode.”


Quero construir um lugar
onde a dor não seja vergonha,
onde intensidade seja força,
onde gente quebrada
descubra que ainda é casa.


Se um dia isso existir
não será milagre.
Será soma:
de quedas,
de encontros,
de amor que não coube em mim
e precisou virar mundo.

Despertar

Abra os olhos vagarosamente,
veja a vida te convidando a viver.
A vida é criança perfeita,
que renasce a cada amanhecer.

O ontem levou consigo as oportunidades perdidas,
não se prenda a ele,
veja novas oportunidades,
sendo oferecida.

Se perdestes o tempo de um sonho que a circunstância lhe roubou,
a vida é mãe carinhosa ,
outro sonho lhe ofertou.

A vida é um presente,
que só se vive no presente,
não se sinta descontente,
com o que o ontem lhe roubou.

Autor. Cícero Marcos

Serei Como Criança



Enquanto eu estava andando na rua, uma criança sorriu para mim.

Nesse dia eu estava cabisbaixo e, depois que eu vi aquela criança

com o sorriso verdadeiro que no seu rosto estava estampado,

eu, naquele exato momento, percebi que minha tristeza havia evaporado.

E nesse dia eu decidi ser sempre uma criança,

ser sincero e verdadeiro em cada ato.

Minha missão agora é espalhar amor e alegria,

e como uma criança serei luz até onde as trevas dominam.

Serei feliz até nos momentos ruins, como as crianças da periferia,

que fazem com que a zona de guerra seja o lugar onde se empina pipa.

Vamos pegar um balde de tinta

e, nesse chão onde só se jorra sangue,

vamos desenhar uma amarelinha.

Serei criança, porque elas são anjos

que são blindados da maldade do mundo cruel.

E nessa brincadeira de amarelinha peço a Deus que me espere,

pois falta um pulo para que eu volte para o céu.

O último ano das coisas


Quando se é criança, não pensamos muito bem
Que daqui a algum tempo, algo vai acontecer


Quando se é criança, pensamos no momento
Brincadeiras
Risadas
Desenhos
Piadas


A escola é legal
Os amigos mais ainda
Professora gentil
Atividades divertidas..


No quinto ano, o medo bate
Vou pra escola de gente grande
Será que ainda vou ter amigos?
Será que ainda vai ser divertido?


Passamos as férias ansiosos,
Com medo de errar escrevendo de caneta pela primeira vez
Medo de não dar conta, por ter muitas lições de casa


Medo de vários professores, quando antes eram apenas um ou dois
Matérias novas e...
Quando acontece, tudo fica diferente, mas não é ruim


Depois de uns anos a gente percebe que aquele medo era bobo, e que tá tudo bem
Mas em pouco tempo da confirmação de que tá tudo certo, acaba o fundamental


Agora eu sou a tal "gente grande"
Ensino médio? Socorro
Mais matérias
Mais trabalhos
Mais professores..


Aquele medo antigo volta de novo
E os meus amigos?
Eu vou dar conta?
E agora?


Um ano depois, já está tudo bem de novo
"Que medo besta eu tinha"
E mais um pouco.. menos tempo... 3° ano


Ferrou,
Vestibulares, cursos, profissões, responsabilidades
O medo retornou, mais uma vez..


A partir daqui, eu não sei o que acontece
Estamos juntos nessa
Mas olhando o padrão, como aprendemos muito..
Podemos perceber, que não vai ser tão diferente do que já foi


(Obrigada, do fundo do meu coração.. 9C, e 3B)


Fe Vaz ~ 06 de outubro 2025

"Que neste momento tão especial de reflexão, possamos voltar nossos pensamentos para as crianças e adolescentes do mundo, para aqueles vitimados pelas guerras, pela ausência de direitos básicos, pela indiferença social, e, principalmente, pela corrupção, não só pela corrupção pessoal dos políticos, mas também pela corrupção de cada um de nós. Que todas as crianças e adolescentes sejam, verdadeiramente, livres e possuam seus direitos respeitados. Que todas as crianças, todas as pessoas e todos os países possam estar dentro da parte mais doce e amorosa de nossos corações.

Feliz sexta-feira! Feliz feriado! Feliz Páscoa para todos nós!"

⁠A vida de uma mulher não é disputa
“Ele desferiu os tiros na frente da criança. Ela presenciou a mãe sendo quase morta, tornando esse crime ainda mais cruel.”
— Evelyn Lucy Alves da Luz, sobrevivente de tentativa de feminicídio
O feminicídio não é apenas um crime — é o reflexo de uma cultura que ainda normaliza possessividade, controle e violência. Cada mulher assassinada carrega sonhos interrompidos, histórias não contadas, afetos que jamais se realizarão. Cada ato de agressão é um lembrete silencioso de que a sociedade falha quando desrespeita a humanidade feminina.
Olho para trás e vejo histórias que ecoam até hoje: mulheres perseguidas nas caças às bruxas na Europa, escravizadas e abusadas nas Américas, violentadas nos horrores do Holocausto, e lutadoras como as sufragistas britânicas, presas e maltratadas por simplesmente querer existir em igualdade. E, ainda hoje, jovens vítimas de feminicídio em cidades que fingem não ver.
Nós, mulheres, precisamos nos enxergar e nos reconhecer nesse mundo que insiste em medir valor pelo poder que outros exercem sobre nós. Homens precisam olhar para si mesmos. Violência não surge do nada. Ela cresce em olhares que julgam, palavras que diminuem, comportamentos que confundem amor com posse. Ignorar isso é compactuar. Cada silêncio, cada justificativa, cada minimização alimenta padrões que podem levar à tragédia.
Como dizia a pedagoga e educadora Maria Montessori, “A primeira tarefa da educação é ajudar a vida a se desenvolver em todo o seu potencial”. Educar é, portanto, também confrontar nossas próprias sombras e reconhecer o que toleramos dentro de nós e na sociedade.
A psicologia nos ensina que comportamentos violentos muitas vezes nascem de traumas, inseguranças e padrões aprendidos desde cedo. A psicanálise aprofunda essa compreensão. Como afirmou Anna Freud, “O ego precisa aprender a distinguir entre desejo e realidade”, lembrando que reconhecer nossos impulsos, frustrações e desejos é essencial para não projetá-los no outro.
E como destacou Karen Horney, pioneira da psicanálise feminista:
“A cultura que reprime e desvaloriza o feminino cria conflitos internos que refletem violência no mundo exterior.”
Negar essas forças internas não as elimina; apenas transfere o conflito para fora, e quem sofre é sempre o mais vulnerável.
A biologia reforça essa perspectiva: somos seres sociais, moldados para empatia e cooperação. Como disse Jane Goodall, etóloga e bióloga:
“O cuidado, a observação e o respeito pelas relações sociais nos mostram o quanto a compaixão é essencial para a sobrevivência.”
A neurocientista May-Britt Moser, ganhadora do Nobel, lembra que nossos circuitos cerebrais estão profundamente conectados com o mundo ao nosso redor — um alicerce biológico da empatia que nos liga às outras pessoas e nos alerta sobre o impacto de nossos atos.
E a filósofa feminista Carol Gilligan nos desafia:
“A ética do cuidado amplia a compreensão humana, conectando responsabilidade e relação ao invés de dominação e divisão.”
O feminicídio não começa no ato final; ele nasce no cotidiano — na cultura que ensina homens a dominar, na indiferença que permite que pequenas agressões passem despercebidas, na normalização de atitudes que desrespeitam e diminuem mulheres. Cada escolha de respeito é um passo em direção à humanidade; cada escolha de silêncio é um passo para o crime.
A grandeza não está em dominar, mas em proteger.
Não está em justificar, mas em questionar.
Não está em controlar, mas em compreender.
O limite da humanidade não está na violência cometida, mas na complacência que permitimos.
O feminicídio não é um problema apenas das mulheres. É um problema de todos. Cada gesto de cuidado, cada ação consciente, cada palavra que ensina respeito é resistência. Cada indiferença é cumplicidade.
O ser humano se expande quando escolhe observar, escutar e respeitar.
Se retrai quando ignora o impacto de suas ações.
Avança quando enfrenta suas próprias sombras.
Transcende quando integra consciência, instinto e emoção.
Cada escolha que fazemos — silenciosa ou visível — constrói o mundo que teremos amanhã. Cada um de nós carrega a responsabilidade de agir antes que seja tarde. Respeito, cuidado e empatia não são apenas escolhas éticas; são expressão da nossa própria humanidade.
A vida de uma mulher é valiosa, e a responsabilidade de preservá-la é de todos nós. Não há justificativa, não há indiferença possível. O limite da humanidade é a empatia que deixamos de praticar.
E então percebemos — quando a rotina parece normal, quando o mundo finge não ouvir — que a verdadeira pergunta não é se agimos para proteger, mas quanto da nossa indiferença diária estamos dispostas a carregar sem perceber, e que talvez, um dia, o preço dessa inação seja inevitável.
O silêncio, que parecia tão confortável, se torna incômodo.
O olhar que desviamos, se torna pesado.
E a consciência, que evitamos confrontar, permanece ali, insistente e viva, lembrando que cada gesto ignorado tem consequências que não podemos mais apagar.
Verso final:
“Cada olhar que desviamos, cada silêncio que aceitamos, constrói um mundo que já carrega a dor que poderíamos ter impedido. A grandeza humana não está em dominar ou calar, mas em reconhecer, cuidar e agir — pois é nas escolhas diárias, pequenas e silenciosas, que se mede se seremos verdadeiramente humanos ou cúmplices da indiferença.”

A criança não guarda rancor...
Devemos fazer o mesmo, pois quem guarda coisas que não presta é lixeira...
E o nosso coração não é lugar de lixo...
É lugar para sentimentos bons...
Guardar mágoa é manter a sua alma em cárcere...
È trazer infelicidade e doenças para o corpo...
Para resgatar o coração de criança que um dia habitou em nós precisamos nos livrar da raiva, da mágoa, dos sentimento de vingança, e do pior deles o ódio! Precisamos principalmente exercitar o perdão acima de tudo...

Saudade do tempo de criança


Saudade do tempo de criança
quando corria na chuva
ou brincava no barro
sem medo de se sujar


saudade do tempo de criança
dos pés descalços no quintal
do vento no rosto
e do cheiro de terra molhada


saudade do tempo de criança
da bola correndo solta
na rua de terra
do interior
onde morava a felicidade


e da bicicleta velha
que parecia voar


saudade do tempo de criança
das noites calmas
com grilo cantando no escuro
e o céu vermelho
se despedindo da tarde


saudade do tempo de criança
quando criança queria ser grande


engraçado


quando cresceu
deu saudade de ser criança


saudade daquele tempo
em que tudo que se imaginava
parecia possível


porque tem coisas
que o tempo não apaga


a criança ainda mora aqui


nos sonhos guardados
na esperança teimosa


em tudo aquilo
que um dia a criança sonhou


e que ainda pode acontecer


porque no fundo


a criança nunca foi embora


ela só ficou ali


quietinha


esperando a gente lembrar dela.

A árvore morta

Num inverno, quando eu ainda era criança, meu pai estava precisando de lenha. Procurou uma árvore morta e a cortou.

Mas, quando chegou a primavera, viu que no tronco daquela árvore que tinha cortado, nasciam novos brotos. Meu pai ficou desolado.

Então ele disse:

- Tinha certeza de que aquela árvore estava morta. Perdera todas as folhas no inverno e fazia tanto frio que os galhos quebraram e caíram no chão, como se o velho tronco tivesse ficado sem vida. Mas agora percebo que ainda existia vida naquele tronco.

Depois voltou-se para mim e aconselhou-me:

- Não esqueça esta lição. Nunca corte uma árvore no inverno. Não tome uma decisão negativa no tempo adverso. Nunca tome decisões importantes quando se sentir desanimado, deprimido e com o espírito abatido. Espere. Seja paciente. A tormenta passará. Lembre-se: a primavera voltará!

⁠✍️...

"Quem vê cara não
vê coração!"
*
"Escuto isto desde que era criança,
e podemos fazer a diferença
quando deixamos o nosso coração,
de molho em uma reflexão,
daí ele vai desabafar na escrita, palavras pra ser lidas
e entendidas,
sem aquele sorriso forçado
ou ensaiado...
*
Melhor um texto verdadeiro, pra ser lido, do que uma meia dúzia de fotos mostrando uma alegria ensaiada daquilo que não se sente."
***
(Francisca Lucas)

⁠Educadoras

Não há grito de liberdade maior que de uma criança.
Dentro de sua inocência, confronta o mundo com a verdade.
Se irrita com o banal, e valoriza o que de mais puro existe no mundo.
A verdade do coração, transmitida no olhar, no sorriso que gargalha.
Na peça pregada pela simples alegria.
Não há nada de mais espontâneo e cativante no ser humano.
Não há expressão mais literal da verdade.
Dom sem igual, o qual a sociedade tanto luta para domar.
Com suas concepções fúteis de educação.
Afinal crianças não vem para aprender
Vem para ensinar.

ALIENAÇÃO PARENTAL

Alienar uma criança é matar, desestruturar. Covardia não esquecida. Ignorância pura e sabida,que geram traumas, que podem durar por toda uma vida. Até a criança crescer, tornar-se adulta e entender que o errado do "seu ser" era mero reflexo do ser que não foi o que deveria ser.

Nós somos um pé-de-feijão! Ao menos assim me pareceu quando as mãos daquela criança seguravam o broto como se cuidassem de um bebê. Seus olhos eram estrelas brilhando. Ele me revelou que deveria regá-lo, como atividade escolar. Dessa forma, eu lhe disse:
"Esse broto que você está criando, você precisa ter fé de que ele vai crescer um dia. Também, por essa fé, cuidar dele, nutri-lo e regá-lo sempre. E saiba que, se por alguma razão este pé-de-feijão murchar, você estará sempre livre para poder plantar outro. Tenha certeza de que, no momento oportuno, vai crescer algum."
E ele, com o cenho confuso, assentiu com a cabeça. Assentiu, de fato, como todos nós, que, mesmo sem certezas, continuamos regando a vida - nós, que esperançamos.

Poesia: Medo de Crescer 01


Olhar de Criança


Quando pequeno pensava
Nas coisas que vó dizia.
Nos bichos que existia
E que no terreiro rodava


No vicente finim ela falava
Neu até medo botava
Com aquelas prosas boas.
Eu como o minino que era
Com tanto medo que o coro pela
Num duvidava de coisa atoa


Daí o tempo foi passando
E eu o acompanhava de perto,
Ligeiro, garoto esperto
Crescendo e já fui notando.


Dá conversa desconfiando,
O medo já me deixando,
E eu já difícil de crer.
Histórias que outras horas,
Como do saci ou da caipora,
Agora não tinha mais paricê.


Cresci e também percebi
Que o tempo foi o meu pecado.
O que me deixava assombrado
Não é nada do que vivi.


O mundo me calou aqui
E mesmo tentando insistir
Nada me assusta tanto
Que me faça esmurecer
Mais do que pude perder
Com o tempo que me tirou em prantos.


Hoje a bassora caída
No assusta mais ninguém
E até o grito de alguém
Passando nalguma avenida


Num soa mais forte que a vida
Quando bate despercebida
Vindo deixar algum recado.
Os bichos foram tudo embora,
Acabou-se os medos das histórias.
Ficaram os contos no passado.


Tsharllez Foucallt.


terreiro: quintal.
Vicente finim: busca no google.
Caipora: Mãe da mata.
Paricê: parecer.
Esmurecer: enfraquecer.
Bassora: vassoura.
Nalguma: Em alguma.

Criança, onde está o futuro?

Muitas vezes falamos e ouvimos falar do futuro como algo pronto e acabado que nos espera no amanhã de braços abertos, incondicionalmente bem abertos. Assim, com esse conceito, não agimos como um trapezista que se entrega totalmente pela beleza do espetáculo, pois pensamos no futuro como um lugar para chegar ao fim de uma jornada da qual não se corre nenhum risco de tentar fazer o novo. No entanto, o futuro se apresenta no presente, pronto, mas pronto para ser debulhado pelo nosso sonho-ação.

Falar de futuro para uma criança como um objetivo para ser alcançado por ela é muito complicado, não é tarefa fácil ser entendido ao expressar-se sobre esse assunto tão complexo, porque a criança entende o hoje, ela agarra as novidades do hoje, não teme o amanhã, porque mesmo não sendo de forma sistematicamente racional, sabe que o amanhã nada pode fazer contra ela, pois ele ainda não existe. Na verdade, são as crianças que têm muito para nos ensinar sobre o futuro, porque não ficam presas ao passado, não temem viver o presente e nem ficam escondendo-se do inesperado que surge a cada instante, pois elas pulsam pelo broto de cada segundo!

Contudo, acredito que não há nada de errado em falar do futuro para as crianças, mas penso que é bom falar sobre esse assunto com um jeito especial, é claro! Não podemos fazer severas cobranças sobre o futuro para que não seja enclausurada a simples beleza de viver o hoje. Entretanto, mais relevante do que falar sobre o futuro com as crianças, acho que é se fazer um tapete vermelho do amor encantador ao desenrolar-se no chão do presente de cada uma delas, isso, em um eterno Dia das Crianças.

Hoje é futuro

Os milésimos de segundos
Tic-tac, tempo a sempre passar
Tempo que não volta no tempo
Rios seguem, virarão mar
Larvas viram moscas
Depois das letras? Frase-ar!
Palavras seguem no tempo...
Seguem... Sem jamais voltar
Se insensatas? Choro, perdoar!
Se belas? Alimentam, saborear...

Os passos que no hoje dou
São lápis de muitas cores, rabiscos
Traços, fraquezas ou o riso amanhã
Há sementes na maçã
A vida brota, rebrota e lota
Notícias que ilumino ou derrota.
O ar aprende andar, vira vento...
O vento não pára... Longe vai!
Olhar pra trás? Não pra sofrer!
Parar o tempo? Não, refazer!...

Quando criança não entendi os jeitos das mulheres da melhor idade trovejar ao ouvir e cantar como elas mesmo diziam: foi na cruz ,( ali era o momento de falar vibrar numa língua que só cada uma com o pai se ligara , essa firmeza estrondosa que as deixavam leve , um toque na alma e td na essência se fazia presente.) Aqui estou na casa dos vintes e poucos rsrs... E já percebi que por mais vividas que elas pareciam fisicamente ao estar na presença , eram como um trovão que não tinha fórmula pra seguir apenas sentia, e oq a vida dura muito lhes faltou , naquela hora era nada , para o amor de cristo que permanecia nelas tão abundante (sergipana santamarenses)... Cristo o recurso e elas se doavam... (Era o que tinham Deus e eu.)
É tudo que tenho fé, Deus que se faz presente e abençoa.
Minhas memórias: infância
letici17

A CRIANÇA QUE HABITA EM NÓS - SENSAÇÕES
(Peça para alguém ler para você)
Hoje aqui eu convido você
A viajar comigo nesta história.
Esvazie a sua mente
Feche os olhos e apenas ouça
Minha voz suavemente.
Pronto, voltaste a ser criança.
Aproveite, não há mais ninguém em volta
Só você e sua velha infância
Ali no cantinho, veja!
Quanto brinquedo empilhado.
Há um que você gosta mais.
Dá pra ver.
Vá pegá-lo!
Uau! que bela recordação!
Há quanto tempo você não brincava?
Não recordavam-lhe as boas lembranças?
Sensações de criança
Que se foram e não voltam mais.
Aproveite, ainda estamos aqui.
Quanta inocência e rebeldia!
Você foi travesso um dia.
Quanta calmaria
E ansiedade para brincar
Como se o tempo fosse só seu
E o mundo girasse ao seu redor
Como se não houvesse problemas
E a dor fosse uma só,
A de ralar o joelho,
De arrancar o tampão do dedão,
De bater a cabeça ou levar um escorregão,
Mas não importa.
Tudo passava, você chorava,
Se encantava de novo e ia...
Quanta alegria!
Eu acho que toda infância nos remete a um pé de manga,
A um grupinho de amigos doidos,
A um clubinho, algumas construções vazias
Que serviam de labirinto para brincar de polícia e ladrão,
A uma cozinha pequena, porém limpinha,
A vó gritando e fazendo o almoço,
“Come tudo menino: - ‘tô’ de olho.”
O banho de chuva gelada, na lama ou na calçada,
As brigas com os irmãos,
A bola na casa da vizinha chata,
À noite, a mãe esperando você, com a varinha na mão...
Tudo era maravilhoso e tão simples.
Hoje como a gente aguenta?
Quantas virtudes eu tinha, quão sortudo era eu.
Desculpem-me quem não viveu assim,
Mas, pra mim, foi assim que se valeu.
Que saudade imensa de ver girassóis.
Hoje eu não vejo mais, é como se tivessem sumido,
É como se tivéssemos escondidos
Como a criança que habita em nós.

ESPELHO

A criança corre movida pela energia que seu corpo emana
Sem perceber há uma nuvem escura em seu encalço ganhando força
Finalmente ela olha pra trás
Tardiamente ela olha pra trás
Amedrontada pelo tamanho da nuvem ela corre mais rápido
Em sua inocência atravessa o espelho
Não existe mais som
Não existe mais movimento
Somente o barulho ensurdecedor do silêncio
Seus olhos enxergam o movimento das pessoas
Mas as pessoas não a enxergam
Gritos e socos são inúteis diante da imensidão de vácuo
Cansada de lutar a criança chora
Chora lágrimas que não existem
Lágrimas que se transformam em chuva do outro lado
Chuva que se transforma em tempestade fora do espelho
Tempestade que invade a criança que agora abre os braços
Com olhos fechados ela implora para que um raio flamejante recaia sobre o espelho
Libertando-a em bola de fogo.

Quando criança, eu sempre gostei de subir nas árvores, mesmo com medo de altura.
Eu gostava de escalar a mais alta para ter a vista mais longínqua e bonita. Hoje, percebo o perigo, o abismo: de como a queda é mais forte e o choque é imenso, a ponto de me desligar da realidade e ser obrigado a mudar de identidade. Me curar e reerguer está sendo difícil.
O mundo pleno que um dia tanto admirava se desfez. Um pedaço importante de mim se partiu junto com ela. Fui embora de mim. É uma tristeza misturada com um vazio tão profundo, difícil de suportar. Agora, até conseguir tomar um simples banho, me alimentar, dar um sorriso ou caminhar até a esquina é árduo.
Deus me perdoe! Por que fui ter coragem de amar? Esse luto que me assalta a alma é um preço muito alto.