Jonathan dos Santos Rodrigues

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Ode à cachoeira
"Oh corrente água guerreira!
Contorna e cria barreiras,
Inspira-me a destreza
De ser como tu, perfeita"

A CACHOEIRA
Oh corrente água guerreira!
Contorna e cria barreiras,
Inspira-me a destreza
De ser como tu, perfeita
Fonte de saudosa sabedoria,
Alivia-me no simples ato de te olhar,
Acalma-me este teu balançar.
Teu ruído às vezes, me assusta,
Mas adoro o teu cantar
Teus mistérios, nascentes, grutas
E lutas a alcançar,
Destino travado, incerto,
Condutas do homem a te cuidar.
Venero-te, és bela, tamanha astúcia
Que em meio a pedras duras
As ensinam a te respeitar.
Quem sabe eu sigo teus caminhos!
Gosto de te explorar.
Conhecendo-te um pouco
Tuas lições hei de guardar.

A CRIANÇA QUE HABITA EM NÓS - SENSAÇÕES
(Peça para alguém ler para você)
Hoje aqui eu convido você
A viajar comigo nesta história.
Esvazie a sua mente
Feche os olhos e apenas ouça
Minha voz suavemente.
Pronto, voltaste a ser criança.
Aproveite, não há mais ninguém em volta
Só você e sua velha infância
Ali no cantinho, veja!
Quanto brinquedo empilhado.
Há um que você gosta mais.
Dá pra ver.
Vá pegá-lo!
Uau! que bela recordação!
Há quanto tempo você não brincava?
Não recordavam-lhe as boas lembranças?
Sensações de criança
Que se foram e não voltam mais.
Aproveite, ainda estamos aqui.
Quanta inocência e rebeldia!
Você foi travesso um dia.
Quanta calmaria
E ansiedade para brincar
Como se o tempo fosse só seu
E o mundo girasse ao seu redor
Como se não houvesse problemas
E a dor fosse uma só,
A de ralar o joelho,
De arrancar o tampão do dedão,
De bater a cabeça ou levar um escorregão,
Mas não importa.
Tudo passava, você chorava,
Se encantava de novo e ia...
Quanta alegria!
Eu acho que toda infância nos remete a um pé de manga,
A um grupinho de amigos doidos,
A um clubinho, algumas construções vazias
Que serviam de labirinto para brincar de polícia e ladrão,
A uma cozinha pequena, porém limpinha,
A vó gritando e fazendo o almoço,
“Come tudo menino: - ‘tô’ de olho.”
O banho de chuva gelada, na lama ou na calçada,
As brigas com os irmãos,
A bola na casa da vizinha chata,
À noite, a mãe esperando você, com a varinha na mão...
Tudo era maravilhoso e tão simples.
Hoje como a gente aguenta?
Quantas virtudes eu tinha, quão sortudo era eu.
Desculpem-me quem não viveu assim,
Mas, pra mim, foi assim que se valeu.
Que saudade imensa de ver girassóis.
Hoje eu não vejo mais, é como se tivessem sumido,
É como se tivéssemos escondidos
Como a criança que habita em nós.

A DOR QUE EU CRIAVA


Por onde olho, vejo o mundo
No espelho refletindo minh’alma
E descrevo sem cortejos:
O que o íntimo do meu ser esbravejava
Era um buraco escuro.
Um palmo de distância separava
Meu corpo do paredão aceso
Que em fogo chamejava.
O que me deixava confuso
Era a incoerência de como ocorria,
Pois, se escuro estava,
Meus olhos não viam,
Mas meu corpo na dor sentia
E sofria a dor que era só minha,
A dor que eu mesmo criava.
Pena que a gente não escolhe
Com quem iremos conviver.
Ainda bem que o mundo é livre,
Junta pessoas para aprender
A dividir o tempo todo
E relacionar-se mesmo sem vontade
Pois, além da nossa compreensão,
Existe um ser divindade.

A FÉ


A fé que semeio em meu peito,
Mesmo que sem jeito,
Singela, incrédula, reluta.
A fé que por tanto tempo é absurda,
Que tento em contento
Sem dúvida, sobre acreditar
Naquilo que não se vê,
Se crê, cria expectativas,
Ora choradas, ora atendidas;
Ora passadas, horas perdidas,
Mas vivo a acreditar
Na luz que ilumina e no fim
Que não termina,
No sobe e desce da vida,
No aprendizado em sina,
Na escolha, na alma e na lida.
Quando eu perco, eu ganho,
Pois sem, aprendo a dar valor.
Quando sofro, evoluo
Pois repenso sobre o amor.
Quando tudo quero e nada posso,
Treino minha paciência
E, em consequência, anseio com pudor.
A culpa é da mente
Que mente e engana,
Confunde e afana o que é bom,
E, em tom de ironia,
Perturba com magia
A salvação religiosa prometida.
Como pode existir um Deus que é bom
E ao mesmo tempo castiga?
Fácil culpar alguém
Quando, na verdade, é a mente que está perdida.
Sem orientação não há caminho.
Sem caminho não há chegada.
Sem chegada não há propósitos.
E sem propósitos não há empenho.
Cego em não preocupar-se com a beleza
Contida na trajetória da vida,
Não admira, não anseia, não aspira,
Joga-se na imensidão do nada.
Sozinho morre e agoniza.
Erros e acertos são fases
De mentes sãs e ou sofridas.
Ter fé é acreditar em você,
Nas coisas boas da vida,
É enxergar a luz na escuridão,
É se encontrar mesmo em ruínas.

À VISTA DO AMOR


Teu sorriso é como a luz que irradia;
Os teus olhos penetram no meu ser;
Tua voz doce e pele macia
Agraciam o meu viver.
Você é o sentido que me faltava.
Teu corpo me dá prazer.
Inteligência inigualável.
Um conjunto de puro poder.
Faço de você a inspiração
O meu sentido de existir
Mistérios sinto em suas mãos
Quando me toca e sorri.
Enigmático é o seu pensar.
Confundo-me no seu querer
O jeito estranho de me amar
Que não deixa transparecer.
Coração mole e de amor,
Esconde-se entre as muralhas.
Não mostra a sua dor,
Pois se preocupa com as falhas.
32
Desejo você com fervor,
Luto por nosso futuro,
E as dificuldades de hoje
Serão frutos de um amor seguro.

ADRENALINA


Eu necessito sentir o vento no rosto,
Enxergar nos lados o oposto,
Alterar o cotidiano.
Eu preciso olhar ângulos diferentes
Da mesma rotina da gente
Que a gente passa e não observa nada,
Só o caminho singelo e turvo.
Eu gosto de criar expectativas,
De fugir da monotonia.
De lidar com a correria
E esperar nada mais nada menos
Que qualquer imprevisto reacional.
Eu prefiro agir, mas reagir é bom também.
A mente se assusta,
O coração pulsa e acelera.
Até palpita, a pálpebra se agita,
Os pelos se arrepiam
E o corpo amolece. É fenomenal.
Eu gosto do risco
No papel e na vida;
Gosto das sensações repentinas
Que dão medo e não fazem mal.
Disseram-me uma vez:
Aquele que tudo sabe,
Na verdade, não sabe nada.
Deleito-me em sua fala
E o pouco que sei
Me encantam as coisas do mundo.
Não terei tempo para toda experimentação.
Tenho que ser ligeiro.
Eu gosto do incerto, de certo pensar
Em que não uso a razão.
Eu prefiro a emoção instável
Da minha mente inabalável
Que pode até sofrer,
Mas sabe que se segue de qualquer jeito,
Que não importa o efeito,
Tudo causa reação.
Eu gosto da adrenalina.
Talvez esteja na minha sina
Esse desejo louco de querer sentir
Sempre qualquer emoção.

AGITAÇÃO


Calmaria insana que me enche a mente
De coisas eloquentes que eu não quero pensar.
Agitação é o que eu desejo.
Se parado, fico preso
Com o tempo ocioso que não para de passar
E de nada me adianta ter tempo e não esperança,
Ser adulto e não ser criança,
Ter dinheiro e não brincar.
De nada me adianta ter sonhos e não vontade,
Trabalhar só por necessidade.
De qualquer jeito eu vou cansar.
Que eu me canse sendo eu;
Que eu leve a vida me arriscando;
Que mesmo perdendo e chorando
Eu consiga me recuperar.
Não largo a vida por promessas.
Quem vive de verdade tem pressa
E luta para ser feliz
Porque, no fundo, essa é a meta.
O resto a gente inventa;
Se der certo, se contenta
E se reinventa, caso errar.
Mas eu gosto mesmo é da agitação
Que completa meu coração
E me dá um sentido de existir.
Seguir, seguir e seguir