Escrever uma carta a uma Criança

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O significado do Pré-escolar
O Pré é a ponte.
É onde a criança deixa de ser apenas pequena
e começa a se reconhecer como aluna, amiga e protagonista.
Se o Berçário é o acolhimento
e o Jardim é a descoberta,
o Pré é o despertar.
No Pré, a criança:
aprende a esperar a sua vez
entende regras com afeto
começa a expressar ideias e sentimentos 🗣️
desenvolve autonomia (“eu consigo!”)
se prepara emocionalmente para o Ensino Fundamental
Não é sobre saber ler ou escrever perfeitamente.
É sobre estar pronta por dentro.
"Projeto Gotinhas de Amor que Acolhem "

Versinho da Autora

Cada criança é uma gotinha,
Brilhando em seu próprio mar.
Umas chegam como ondas fortes,
Outras aprendem devagar.

Há quem navegue em calmaria,
Há quem enfrente a imensidão.
Mas todas carregam consigo
Um tesouro no coração.

Se o amor for nossa bússola,
E o cuidado, nosso farol,
Toda infância encontrará caminhos
Para florescer sob o sol.

Com escuta, afeto e respeito,
Aprendemos a compreender:
Que a diversidade é a beleza
De cada criança ser quem é.

Rosana Figueira
Pedagoga, Escritora Infantil e Especialista em Estudo Infantil

O Espaço Lúdico a Diversidade
No espaço lúdico a alegria tem lugar,
Cada criança pode sonhar e brincar.
Não existe pressa, nem jeito igual de ser,
Cada um tem seu tempo para crescer.
Tempo de aprender, descobrir e criar,
Tempo de sorrir, imaginar e cantar.
Tempo de alimentar o corpo e o coração,
Cultivando afeto, amizade e união.
Entre cores, histórias e muita emoção,
A diversidade floresce em cada mão.
Pois quando o respeito caminha junto ao amor,
Todo espaço se transforma em jardim de valor.
🌻 No seu tempo, no meu tempo, no tempo de cada um,
Brincamos, aprendemos e fazemos do mundo um só jardim comum.

A MENINA QUE AINDA MORA EM MIM

Minha criança interior grita.

Grita tão alto que, às vezes, eu sinto sua voz presa na garganta.
Como se ela estivesse ali, atrás do choro que não sai, atrás do suspiro que se interrompe, atrás desse nó que aperta o peito e me faz perguntar, em silêncio:

Quem foi que eu me tornei?

Ela me olha.

E talvez, por um instante, sorria orgulhosa e diga:

— Cara… você chegou lá.

Você cresceu.
Você venceu.
Você se tornou uma mulher incrível.

Mas, logo depois, seus olhos parecem entristecer.

— Que pena…

Que pena que, no caminho, você deixou de ser um pouco de quem era.

Você era apaixonada pela vida.
Apaixonada por tudo.
Pelas pequenas coisas, pelos grandes sonhos, pelas pessoas, pelas possibilidades.

Você era verdadeira.

Exuberante.

Autêntica.

Você sentia sem pedir licença.

Amava sem fazer contas.

Confiava sem imaginar o depois.

Mergulhava inteira nas pessoas, nos sonhos, nos lugares, nas palavras, nos abraços, nos amores.

Você tinha uma sensibilidade tão bonita… tão nítida… que conseguia enxergar beleza onde quase ninguém via.

E agora?

Agora, quem é você?

A menina pergunta.

E eu não sei responder.

Talvez porque, em algum momento, eu tenha começado a me abandonar para caber.

Para agradar.

Para não decepcionar.

Para não perder pessoas.

Para ser forte.

Para ser aquilo que esperavam de mim.

E fui me adaptando tanto, tanto, que um dia percebi que algumas partes minhas já não sabiam mais onde morar.

Eu me traí.

Não de uma vez.

Foi aos poucos.

Cada vez que engoli uma palavra que queria dizer.

Cada vez que sorri quando queria chorar.

Cada vez que disse “está tudo bem” quando dentro de mim nada estava.

Cada vez que aceitei menos do que merecia para não parecer difícil.

Cada vez que me calei para preservar relações que não preservavam a mim.

E minha criança viu tudo.

Ela viu.

Ela guardou.

Ela esperou.

E agora ela grita.

Grita porque está cansada de assistir à minha própria ausência.

Ela percebe que aquilo em que eu antes confiava passou a ser motivo de desconfiança.

Que os olhos que antes mergulhavam no amor agora hesitam diante dele.

Que os olhos que não tinham medo de acreditar aprenderam a se proteger.

Aprenderam a recuar.

A observar.

A desconfiar.

A não se entregar.

E talvez seja por isso que meu corpo trema às vezes.

Talvez seja por isso que minha garganta se feche.

Talvez seja por isso que exista esse cansaço que não é apenas do corpo.

É um cansaço de alma.

Um cansaço de quem passou tempo demais tentando ser forte.

E minha criança me olha novamente.

Dessa vez, não cobra.

Só pergunta:

— Você ainda se lembra de mim?

E eu quero dizer que sim.

Que me lembro daquela menina que inventava mundos.

Que se encantava.

Que ria alto.

Que sonhava sem pedir autorização.

Que acreditava que a vida poderia ser bonita simplesmente porque estava viva.

A menina que não precisava se explicar o tempo inteiro.

A menina que era inteira.

A menina que se apaixonava pela vida antes mesmo de saber o que era paixão.

Ela ainda está aqui.

Eu sei.

Só está cansada.

Está escondida em algum lugar dentro de mim, esperando que eu tenha coragem de voltar.

Não para ser quem eu era.

Mas para recuperar aquilo que nunca deveria ter perdido.

Minha verdade.

Minha espontaneidade.

Minha capacidade de sentir.

Minha coragem de sonhar.

Minha autenticidade.

Minha capacidade de amar sem me abandonar.

Talvez eu não precise voltar no tempo.

Talvez precise apenas voltar para mim.

Porque aquela menina não morreu.

Ela apenas se calou.

E talvez o choro que hoje aperta minha garganta não seja o fim dela.

Talvez seja o começo da sua volta.

Então, se ela me perguntar novamente:

— Quem é você agora?

Talvez eu finalmente consiga responder:

Sou a mulher que sobreviveu a tudo aquilo que tentou me afastar de mim.

E estou aprendendo, devagarinho, a voltar para casa.

Para dentro de mim.

Para onde aquela menina ainda espera.

De braços abertos.

Com os olhos cheios de sonhos.

E, quem sabe, quando eu finalmente chegar até ela, ela sorria e diga:

— Agora sim… eu reconheço você.

O Verdadeiro Aborto É a Negligência!




O pior aborto é colocar uma criança nesse mundo e deixá-la jogada no lixo , permitir que ela cresça num lar desestruturado!! O pior aborto é colocar uma criança nesse mundo e não ter condições de dar apoio, amor , atenção necessária ,investir na educação, e abrir mão de hábitos que possam causar traumas na infância e desenvolvimento da criança! Construam suas vidas antes de trazer uma criança para o seu espaço ! Porque se alguém não estiver um espaço preparado , essa criança crescerá em meio ao despreparo irresponsável dos próprios pais ! O que mais vejo são crianças que acabam tendo de se tornarem adultas cedo demais e cobrir buracos que os próprios pais cavaram ! O que mais vejo são crianças cuidando de outras , porque os pais acabam colocando a responsabilidade deles nelas ! O que mais vejo são pais fazendo filhos abandonarem os estudos para ajudar com as despesas de casa, porque os próprios pais começaram cedo demais a terem responsabilidades! É um ciclo repetitivo que passa de família pra família ! E muitos pais que tiveram uma vida construída em meio ao caos na própria infância , acabam permitindo que esse caos continue atingindo e produzindo efeitos futuros nos próprios filhos ! Quebrem esse ciclo ! Não tragam uma criança a esse mundo , pra viver o que você viveu só porque ninguém cuidou de você na sua infância ! Se você não quebrar isso e mudar esse ciclo , isso afetará quem não tem culpa e corre o risco de morrer psicologicamente sob as consequências da infância dos próprios pais que foram trazidas pra infância dela ! Tenham responsabilidade e não permitam isso ! Se você não tem condições de arcar com a vida de uma criança , se você não tem condições de dar uma educação digna para uma criança e prepara-lá para ter uma vida diferente da sua, não a traga para esse mundo para destruí-la com uma vida que você não pode ter e só acabará com a vida dela !

Que saudade de ser criança, jogar vídeo game a madrugada toda, dos rios, andar de bicicleta com um sentimento único, molhar na chuva sem medo de ser feliz, jogar bolinha de gude, andar de patins.
Tenho saudades até das brigas, mesmo do medo de chegar em casa e apanhar.
Vida que segue, só se vive uma vez, quem sabe se um dia não sentirei saudades do agora.

Na primeira página, a criança escreve com a tinta da certeza absoluta. O mundo é simples, concreto e real como seu próprio corpo. Ela não duvida do que vê e toca.


Na segunda página, o adolescente vira-se para dentro. É o sonhador. Precisa entender o furacão de seus sentimentos antes de entender o que está lá fora. É um mundo de ideias e descobertas.


A terceira página pertence ao adulto, o prático. Ele aprendeu a perguntar. Duvida dos caminhos, para não se perder neles. Sabe que os planos podem mudar, e por isso mantém a mente leve, pronto para corrigir a rota.


A última página é do Idoso, que desenha com a pena da serenidade. Ele olha para trás e vê que a vida é feita de sorte e acaso. A lógica falha, o inesperado acontece, e a paz está justamente em aceitar esse mistério. Ele contempla o que foi e o que ainda virá, e ali encontra seu descanso.

Uma vez uma criança chegou pro seu papai e perguntou…
- Papai ? Deus me ama ?
seu pai respondeu …
- Claro filha.
- Mas como ele me ama se eu não posso vê-lo ? ele nem me abraça , nem beija minha testa como você faz papai… Disse a menina.
- Sabe filha, agente não pode vê-lo mas ele existe dentro de nós. Quando você era apenas um bebê, ainda na barriga da sua mamãe, você não podia nos ver, nem nos sentir, mas mesmo assim a gente te abraçava , beijava e já amávamos você, mesmo assim é Deus.

Paralelo à liberdade
(Mauro 1Evaristo)

É muito mais fácil odiar que amar,
Amor é criança pedir a camisa do Neymar
Ódio é multidão irascível insana
Sujando a história democrática corintiana.

Ódio não existe ou permite razão
Daí todo o que odeia ser sem noção,
O amor é paralelo à liberdade
Só ama quem tem responsabilidade.

Ódio é doentio, divide qualquer nação,
Quem odeia perde o rumo e razão
Ignora causa, fato e efeito,

Quem odeia despreza ter coração,
Mas o Amor engrandece qualquer sujeito,
Quem odeia só vê o reflexo no espelho.

feradapoesia.blogspot.com

Qual é a sua caixa?

Imagine que você está dentro de uma caixa.

Talvez, quando criança, você já tenha entrado em uma caixa de papelão para brincar de se esconder. Naquela época, era apenas uma brincadeira. Você entrava, se escondia e esperava que alguém viesse te encontrar. O mundo parecia simples o suficiente para que você acreditasse que, em algum momento, alguém abriria aquela caixa e te tiraria de lá.

Agora, imagine que você cresceu, mas ninguém voltou para te encontrar.

O tempo passou. Você deixou de ser criança, amadureceu, aprendeu algumas coisas sobre a vida e se tornou alguém diferente de quem era quando entrou naquela caixa. Você cresceu por dentro, seus pensamentos se expandiram, seus sonhos mudaram e suas necessidades já não são as mesmas. Mas, apesar de todas essas transformações, você continua ali, no mesmo lugar em que se escondeu quando ainda não sabia muito sobre o mundo.

E é aí que o problema começa.

Quanto mais você cresce, menor a caixa parece. O espaço que antes era suficiente começa a apertar. Aquilo que um dia parecia confortável passa a sufocar. As paredes, que antes não representavam ameaça alguma, agora parecem se aproximar cada vez mais, limitando seus movimentos, dificultando sua respiração e tornando cada dia um pouco mais difícil de suportar.

Mas por que você simplesmente não sai?

Talvez porque, quando entrou, só tenha aprendido a se esconder. Talvez porque nunca tenham te ensinado que você poderia sair por conta própria. Você entrou esperando que alguém viesse te encontrar, que alguém percebesse sua ausência, abrisse a caixa e te conduzisse para fora. E, enquanto esse alguém não chega, você continua esperando.

Os dias passam. Depois, os meses. Talvez os anos.

E você permanece ali, esperando ser encontrado, sem perceber que a vida continua acontecendo do lado de fora. Enquanto isso, a caixa se torna cada vez mais apertada, não necessariamente porque suas paredes mudaram, mas porque você já não é a mesma pessoa que era quando entrou.

Talvez o mais doloroso não seja estar dentro da caixa, mas perceber quanto tempo você passou esperando por alguém que nunca veio. E, pior ainda, perceber que talvez você nem saiba por onde começar a sair, porque passou tanto tempo esperando ser salvo que nunca aprendeu a procurar uma saída.

Agora, pare por um instante e pense: qual é a sua caixa?

Talvez seja um relacionamento no qual você já não se reconhece. Um ambiente familiar que limita quem você é. Uma versão antiga de si mesmo à qual continua tentando corresponder. Um medo que te impede de experimentar o novo. Uma situação que já não te faz bem, mas da qual você não consegue se desvencilhar. Ou, quem sabe, uma vida que um dia fez sentido, mas que já não comporta a pessoa que você se tornou.

Quantas vezes permanecemos em lugares que já não nos cabem simplesmente porque foram os primeiros lugares que conhecemos? Quantas vezes confundimos familiaridade com segurança e acabamos permanecendo em situações que nos machucam apenas porque não sabemos o que existe do outro lado?

E há uma pergunta ainda mais difícil: há quanto tempo você está dentro da sua caixa, esperando que alguém perceba o seu sufocamento e venha te salvar?

É importante reconhecer que sair nem sempre é simples. Não basta ouvir que precisamos mudar para que, de repente, encontremos forças, coragem ou condições para fazer isso. Existem medos, dependências, limitações e feridas que tornam o caminho para fora muito mais complicado do que parece para quem observa de longe.

Às vezes, a caixa é tudo o que conhecemos. Mesmo quando nos machuca, o desconhecido pode parecer assustador demais. E, diante da incerteza, permanecer onde estamos pode parecer menos doloroso do que arriscar uma mudança cuja consequência não conseguimos prever.

Por isso, não se trata de culpar quem ainda está dentro da caixa. Tampouco de fingir que todas as pessoas possuem as mesmas condições para sair dela. Existem situações em que precisamos de apoio, acolhimento, recursos e ajuda para encontrar uma passagem que, sozinhos, talvez não conseguíssemos enxergar.

Mas existe uma diferença entre reconhecer que precisamos de ajuda e acreditar que somente outra pessoa pode nos tirar de onde estamos.

Talvez essa seja uma das lições mais difíceis da vida: compreender que nem sempre alguém virá nos encontrar. Nem sempre alguém perceberá o que estamos vivendo, compreenderá a dimensão da nossa dor ou saberá exatamente do que precisamos. Às vezes, as pessoas simplesmente não percebem. Outras vezes, não sabem como ajudar. E, em determinadas situações, por mais que desejem nos ajudar, elas não podem fazer por nós aquilo que precisamos construir dentro de nós mesmos.

Isso não significa que devemos enfrentar tudo sozinhos, nem que pedir ajuda seja sinal de fraqueza. Significa apenas que não podemos depender exclusivamente de sermos encontrados para começar a procurar uma saída.

Talvez você não consiga sair da caixa hoje. Talvez ainda não saiba como abrir suas paredes, romper seus limites ou dar o primeiro passo em direção ao desconhecido. Mas reconhecer que está ali já pode ser o começo de alguma coisa. Porque é difícil procurar uma saída quando sequer percebemos que estamos presos.

E, depois de perceber, talvez seja necessário aprender o que ninguém nos ensinou: que podemos tentar, que podemos pedir ajuda, que podemos errar no caminho e que não precisamos ter todas as respostas antes de começar a mudar.

Afinal, não é sobre caixas.

É sobre os lugares, os momentos, os padrões e as situações em que permanecemos mesmo depois de deixarem de nos caber. É sobre as versões de nós mesmos que continuamos tentando sustentar, os medos que nos mantêm paralisados e as esperanças que depositamos em pessoas que talvez nunca venham.

É sobre entender que crescer também significa reconhecer quando precisamos deixar para trás aquilo que já não acompanha quem nos tornamos. E que, às vezes, a saída não aparece porque continuamos olhando para a mesma parede, esperando que alguém a derrube por nós.

Talvez seja necessário olhar para cima. Procurar uma fresta. Experimentar uma abertura. Pedir uma mão. Ou simplesmente admitir, pela primeira vez, que não queremos mais permanecer ali.

Porque, quando você cresce, nem sempre é o mundo que se torna pequeno. Às vezes, é o lugar onde você insiste em permanecer que já não comporta a pessoa que você se tornou.

E talvez a pergunta mais importante não seja por que ninguém veio te tirar da caixa, mas o que você pode fazer agora que finalmente percebeu que está dentro dela.

Se você já reconheceu a sua caixa, mas ainda não sabe como sair, o que te resta fazer?

Talvez a resposta não esteja em esperar que alguém venha te salvar, nem em exigir de si mesmo uma força que ainda não possui. Talvez esteja em começar a aprender aquilo que nunca te ensinaram: como encontrar uma saída, mesmo sem saber exatamente o que existe do outro lado.

**E se a saída não for esperar que alguém nos salve, mas aprender aquilo que nunca nos ensinaram: como sair?**

Desde criança, as trevas já eram parte de mim, e o rock corria em minhas veias, sendo tão vital quanto o sangue. O obscuro sempre me atraiu, e a noite sempre foi a minha parte preferida do dia, especialmente a madrugada. Desde sempre sou atraída pela escuridão, porque sou parte dela.
Sou noturna, apaixonada pela melancolia e pelos vampiros das séries de TV, principalmente por seu emocional complexo e tristeza existencial, onde sempre me vi, quase como olhar em um espelho. Nunca fui sol, mas sim lua. Nunca me encaixei nas expectativas que traiam quem sou. Para ser eu mesma, paguei um alto preço, mas muito mais caro seria me anular para pertencer ao vazio das superficialidades e falsidade social.
- Marcela Lobato

"Em cada adulto se esconde uma criança, uma criança eterna, algo que está sempre em devir, nunca está completo e pede cuidado incessante."
- C. G. Jung


* 7 COISAS QUE APRENDEMOS COM AS CRIANÇAS E QUE PRECISAMOS RESGATAR PARA NOSSA CRIANÇA INTERIOR...


O que pode ser aprendido e resgatado?


1. A capacidade de chorar quando dói. E pronto.


2. Brigar com o outro, mas depois voltar a brincar.


3. Ser feliz com o que é simples.


4. Mais importante que coisas, uma criança valoriza presença e carinho. Um afago, um colo e uma conversa leve valem mais que um presente caro.


5. A criança consegue ser mais inclusiva que os adultos. Ainda que ela perceba as diferenças, não carrega o peso que a gente aprende a colocar nelas. Uma criança negra, uma branca e uma indígena se reconhecem sem problema algum. O preconceito é aprendido com os adultos, infelizmente.


6. A criança é um ser aberto ao aprendizado. Tropeça, chora, tenta de novo. E segue aberta.


7. Ser criança é sonhar. Na infância, sonhar é fantasiar, depois vai ganhando o sentido de esperança. Pense como se torna pobre a vida de um adulto que não acredita nos seus sonhos, que não sabe esperançar.


Já ouvi gente demais e já me ouvi o suficiente para conseguir enxergar, aqui ou ali, um tanto de crianças presas em corpos adultos cansados, feridos e solitários.


Crianças que precisam ser acolhidas, amadas, ouvidas, reconhecidas, reeducadas... a fim de que a gente possa viver, na vida adulta, o melhor do significado de ser criança. Tudo o que vivemos na infância precisa ser interpretado para a consciência e traduzido em movimentos de vida para a vida.


Para muitos não foi fácil... Ainda assim, precisamos ser o próprio pai e a própria mãe dessa menina ou desse menino sofrido, que talvez tenha até perdido parte da infância.


Resgatá-la é necessário. Para viver com mais leveza. Para lutar sem se afogar nas lutas. Para amar e ser amado.


Aliás, talvez amar seja isso:


O abraço de dois adultos que reconhecem a criança ferida, solitária e cansada, um do outro,
mutuamente.


S.A.


.............................
* por Samuel Andrade


Psicanalista, esp. em psicologia social e antropologia. Doutorando em psicanálise. Teólogo e educador.

Sono profundo e tranquilo de uma criança amada sobre um colo que passa muita confiança,

cujo coração serve como um abrigo que é cheio de amor e uma abundância imprescindível de carinho, respeito, consolo e bons sentimentos,

uma prova do zelo do Senhor desde um simples momento que com certeza ficará guardado na mente,

parte de um mútuo contentamento, um laço singular que ficará cada vez mais forte com passar do tempo.

O Timbre Afinado da Emoção

No seu lindo canto, ouço a pureza de uma doce criança; na sua aparência delicada, vejo a delicadeza de uma rosa. Entretanto, isso não quer dizer que ela seja fraca, pois, mesmo entre as rochas, floresce — tipo uma mulher quando canta rock.

Assim, a sua intensidade se revela a cada nota — aquelas presentes na sonoridade forte de uma música intensa — que consomem a sua mente e se vestem das suas emoções, então, as expressa na sua voz de uma maneira profunda e sincera.

Interpretação simples, de fato, inspiradora: a bela mostra de um timbre afinado e emotivo. Muito mais do que uma beleza sonora, uma entrega satisfatória entre cordas vocais e espírito, numa ocasião transformadora regrada à emoção e ao ritmo.

⁠Ser criança é não ter a ânsia de querer ser...
É viver sem se comprometer
com a realidade daqueles que nada são
Não vivem
Não sonham
Não têm imaginação

Ser criança é não se
Contentar com a monotonia
Do mundo...
Com a falta de graça,
de cores, de rumo...
É aproveitar a vida
Cada segundo

(...)

Ser criança é sorrir
Com as coisas
simples da vida
É ter o coração livre
E amar sem medida

FLORES, Leandro, 2017

*ENSINA O CAMINHO QUE A CRIANÇA DEVE ANDAR*


Provérbios 22:6 - "Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele."


*O MAIOR ENSINO É O EXEMPLO, NÃO COBRE DO SEU FILHO O QUE VOCÊ NÃO ENSINOU COMO PAI.*


Seu filho não vai seguir o que você fala, ele vai seguir o que você vive.


*PALAVRAS ENSINAM, MAS O EXEMPLO ARRASTA.*

O que eu diria à criança que fui, se pudesse me encontrar…


Ahhh, Ana Gelma…


Minha pequena, com esses olhinhos pretinhos e pequenos, você nem imagina quantas histórias a vida ainda vai escrever nas páginas da sua existência.


Quantas experiências vão te transformar, quantas lágrimas você vai derramar em silêncio, debaixo das cobertas, tentando entender sentimentos grandes demais para um coração tão pequenino.
Quantas vezes você vai sentir medo, insegurança e a falta de um abraço, de um carinho, de um afeto justamente de quem você mais desejava receber.


Quantas vezes você só vai querer ser ouvida… ter alguém que se sente ao seu lado, olhe nos seus olhos e diga: “Eu estou aqui, minha pequena. Você não precisa enfrentar tudo sozinha.”


Ah, Ana… se eu pudesse voltar no tempo, te daria os abraços que faltaram, te levaria mais vezes para brincar, ouviria com atenção cada palavra sua e acolheria até os sentimentos que você ainda não sabia explicar. Te daria mais colo, mais presença, mais afeto. Porque criança também precisa ser ouvida, compreendida e amada nos pequenos detalhes.


Mas sabe, minha pequena? Apesar de tudo o que doeu, você nunca esteve sozinha.


Deus sempre esteve ali. Nos dias em que você chorou escondida, nas noites em que o coração ficou apertadinho e nos momentos em que nem você compreendia a própria dor. Ele conhecia cada lágrima, cada silêncio e cada fragilidade sua. Enquanto você crescia sem entender tantas coisas, Ele cuidava de você, preparando seus passos e fortalecendo sua alma.


Você é a menina dos olhos DELE, protegida e guardada por um amor que tantas vezes te sustentou quando os braços humanos não conseguiram te alcançar.


E olha só para nós agora, minha pequena… Nós crescemos!


Aquela menina sensível se tornou uma mulher que observa, analisa, pensa antes de agir e aprendeu a ter cautela com os passos e com as pessoas. Não porque deixou de acreditar na bondade, mas porque a vida lhe ensinou que nem todo abraço acolhe e nem toda palavra traduz a verdade.


Ainda assim, você não permitiu que as ausências roubassem sua capacidade de amar. Não deixou que as dores apagassem sua gentileza, nem que as decepções levassem embora sua essência.


Você cresceu com um coração que sente profundamente, com uma verdade que não se curva às aparências, com uma bravura que se levanta diante das injustiças e com valores que não estão à venda.


Aprendeu a ser forte, mas ainda está aprendendo que também merece descansar. Aprendeu a cuidar, mas está descobrindo que também merece cuidado. Aprendeu a acolher tantas pessoas, mas hoje começa a compreender que aquela menininha também merece ser acolhida por você.


Se eu pudesse te encontrar agora, não te pediria para ser forte o tempo todo. Apenas te abraçaria e diria:


“Obrigada por ter resistido, minha pequena. Obrigada por não ter desistido dos nossos sonhos, por ter preservado nossa essência e por ter chegado até aqui. Você não precisava ter sido tão forte tão cedo. Você merecia colo, proteção e amor. E, se em algum momento a vida te fez acreditar que era pouco, quero que saiba: você sempre foi muito mais do que imaginava.”


Hoje, sou eu quem segura a sua mão. Sou eu quem pode olhar para trás, reconhecer suas dores e te oferecer o acolhimento que tantas vezes faltou. Não posso mudar o passado, mas posso cuidar de você no presente, honrando cada lágrima, cada conquista e cada parte da nossa história.


Feliz Dia das Crianças para a menina que eu fui, para a mulher que me tornei e para a criança que ainda vive em mim.


Que Deus continue nos guiando, nos protegendo e nos lembrando de que, mesmo quando a vida deixa marcas, o amor pode nos ensinar a florescer novamente.


Com todo o amor que aquela menina merecia receber,


Da mulher que ela se tornou,
Ana Gelma.

Vamos nos perder no tempo?

Amanhecer o dia com a alegria de uma criança recebendo um brinquedo.

Acordar de súbito, sabendo que o sonho não passou de um pesadelo.

Levantar-se e ver a vida com a sutileza do voo de uma libélula em plena primavera.

Cair da cama e sair correndo para não deixar as coisas boas do mundo acontecerem sem a sua participação.

Sair de casa com a esperança de dias melhores, mesmo com o futuro recente incerto.

Apreciar, da janela, a firmeza e a dedicação de pessoas desconhecidas, porém essenciais no dia a dia.

Vestir-se de amor em todos os momentos e enfrentar, com cautela, tudo e todos.

Ir ao trabalho todos os dias, sem calendário, como se fosse uma eterna sexta-feira.

Ver o mundo, ver a vida, ver as coisas partindo do pressuposto da conformidade entre o que somos, o que temos e o espírito permanente de justiça.

Contemplar entardeceres, viver menos na compulsoriedade e aproveitar o hedonismo.

Rir, cantar e assobiar aquela musiquinha chata que não sai da cabeça.

Perder-se no tempo e voltar ao itinerário sem usar nenhum atalho.

Vamos nos perder no tempo!

Dozy di X

Ser criança é viver no paraíso sem escalas.
Ser criança é comer tudo de tudo.
Ser criança é errar o alvo.
Ser criança é cantar semitonando em gritos falsetes.
Ser criança é fazer um golaço com uma bola de meia.
Ser criança é sentir dor e continuar correndo.
Ser criança é tomar banho sem vontade.
Ser criança é brincar de vida real.
Ser criança é sonhar sem se preocupar com o amanhã.
Ser criança é ler sem a mínima fantasia.
Ser criança é crer no nunca.
Ser criança é um caldeirão de verbos, como a sutileza de uma pluma colorida e a veracidade de um dragão preto e branco.

SER CRIANÇA


Ser criança é algo encantador,
é ter a alma pura e cheia de amor.
É sorrir sem medo, correr e brincar,
e em cada cantinho um sonho encontrar.


Ser criança é viver com emoção,
é transformar o mundo em imaginação.
É fazer de um abraço um lugar de esperança,
e encontrar felicidade na simplicidade da infância.


Ser criança é acreditar que tudo pode acontecer,
é cair, levantar e de novo correr.
É ter no coração a mais bonita lembrança:
a doce magia de simplesmente ser criança.


Texto: Fhayom
12 de outubro de 2026