Escrever uma carta a uma Criança

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⁠VERSOS E AMARGURA
.
Se de mim retirassem os enganos
Em mim apenas acertos restariam
Seria um poeta de versos levianos
Que como bolas de sabão se esvaziam
Prefiro ser alguém cujas conjecturas
Correm o risco de trazer amarguras
Do que ser um ser vivo sem opinião
Prefiro que me calem com mordaças
Do que ao me ouvirem achem graça
Por repetir os gracejos da multidão.
.
Prefiro ser chamado de subversivo
Do que receber afagos dos opressores
Porque tais afagos só são oferecidos
Aos fracos em troca de favores
Com os quais traem a sua dignidade
E ganham uma falsa felicidade
Como troféu para a covardia
Prefiro ter a honra da clausura
Nos frios porões da ditadura
Do que a desonra na democracia.
.
Se de mim retirarem os versos
Ainda me restarão os pensamentos
Que voarão na amplitude do Universo
Montados nas costas do vento
E baterão à porta de Deus
Que atendendo ao apelo meu
Mandará uma forte tempestade
Formada por poesias agudas
Que caindo regarão as mudas
Que aflorarão como liberdade.

Inserida por EDUARDOPBARRETO

⁠Escravo e escrevo


Você corta uma rima minha
e eu escrevo outra poesia.
Faz escuro,
mas eu recito!
Trazendo uma ideia para um novo dia.
Escravo na senzala,
mas não deixo de ser poeta.
Escrevo, escrevo...
O arame quebrado
e eu continuo a jogar capoeira.
Até na gaiola o canto do pássaro não muda.

Inserida por Machadodejesus

UMA ASA LAVA A OUTRA

conto de Ádyla Maciel

Era 25 de junho, já chegando o finalzinho do semestre. Tiê usava um óculos boca de garrafa e sentava-se sempre nas árvores da frente, dedicada e silenciosa.
A professora Coruja entrou na mata e disse aos alunos:
—Boa tarde passarada! Já terminamos o nosso conteúdo de aritmética, agora aprenderemos os algarismos romanos. Alguém aqui conhece algum número romano?
E uma voz gritou do fundo da sala. Era Juriti.
—A Tiê não sabe nem quanto é 1+1, não conhece nem os números brasileiros, como saberá os números romanos?
Todos os pássaros da classe começaram a rir. Tiê não deu importância aos comentários de mau gosto.
Alguns dias se passaram e saiu o resultado da prova de matemática, Tiê tirou zero, apesar de ter estudado muito e freqüentado todas as aulas da tia Coruja. Sentiu-se triste, desmotivada e com muito medo das possíveis broncas que receberia de seus pais.
Na hora do intervalo, Tiê voou até o parquinho e sentou-se num balanço, abriu sua lancheira e começou a comer seu sanduíche de alpiste. Quando suas lágrimas estavam quase secando, três passarinhos se aproximaram e começaram a falar da nota que tinham tirado na disciplina de matemática. A águia tirou 9, o beija-flor 8,5 e Juriti 10,00.
Perguntaram a nota de Tié e ela ficou muito sem jeito. Juriti, que tinha tirado a nota máxima zombou de Tié
—Aposto que tirou zero; eu tirei 10, sou a mais inteligente da mata.
A professora Coruja, preocupada com o desempenho escolar de Tié encaminhou-a para o gavião psicopedagogo. Lá descobriram que ela tinha discalculia, um transtorno caracterizado pela inabilidade de refletir sobre tarefas e coisas que envolve números. Logo que descobriu, iniciou o tratamento e foi entendendo aos poucos qual era seu lado direito e seu lado esquerdo, além de aprender a lidar minimamente com números.
Tiê tinha sempre notas boas em português e nas demais diciplinas e descobriu que Juriti tinha muita dificuldade em português, então resolveu ajudá-la, descobriu também que que Juriti tinha dislexia, dificuldade para compreender palavras e interpretar textos.
Juriti aceitou a ajuda de Tiê e em troca ofereceu aulas de matemática.
Tié passou a dar aulas de português para Juriti e Juriti passou a dar aulas de matemática para Tiê.
Juriti percebeu que uma mão lava a outra, e se ajudarmos uns aos outros aprenderemos a voar mais longe e mais alto para lugares belíssimos. Todos nós temos alguma limitação. Isso não significa que não somos inteligentes, temos diferentes níveis de aprendizagens. Existem diversos tipos de inteligência, entre elas a linguística, a musical, a espacial, a naturalista e muitas outras. Assim como os peixes que sabem nadar e os pássaros que sabem voar.

Inserida por Ladyadyforever

"Eu venho e lhe escrevo.
Nessas linhas te vejo.
Em minhas palavras me perco.
Fito seus lábios, fantasio um beijo.
Peço-lhe uma chance, minha felicidade eu vejo.
Tua negação me veio.
A tristeza me pegou de um jeito.
A solidão é me um berço.
Me deito.
E na escuridão, perdido, só teu brilho eu vejo.
Sua alegria é meu desejo.
Por ti, grita meu peito.
E para tentar amenizar minha dor.
Eu venho e lhe escrevo..."

Inserida por wikney

⁠“Eu escreverei, mesmo depois de você.
Você é o motivo da minha existência, mas não a existência do meu ser.
Eu escreverei, mesmo depois de você.
Eu escrevo para mim, escrevo para o mundo, quanto a ti, só lhe restou o meu amor por você.
Eu escreverei, mesmo depois de você.
Escreverei uma história com um outro alguém, e em cada face, tentarei te esquecer.
Eu escreverei, mesmo depois de você.
Talvez eu escreva até depois de mim, pois antes, só existe você.
Eu escreverei, mesmo depois de você.
Narrarei a aurora da eternidade, e descobrirei que nada nesse universo, goza de tamanha beleza, quanto você.
Eu escreverei, mesmo depois de você.
Quando eu vislumbrar a face do próprio Deus, e nem mesmo ele for capaz de conceder-me a devida inspiração, eu me recordarei de você.
E então escreverei, mesmo depois de mim, de nós, de você…”

Inserida por wikney

Nunca imaginei ficar tão feliz com a doce transformação das palavras escritas, dos pensamentos vividos e das histórias contadas em um recanto de transbordar da alma.
Tive a alegre certeza que esse conjunto de letras que pode formar um poema, uma canção, um drama, uma poesia, ou um conto possa transmitir traços do nosso eu, do meu eu, na qual pessoas conhecidas, ou nem tão conhecidas assim sintam ali o mesmo que senti ao escrever tal texto.
Obrigada por motivarem ainda mais a me debruçar de vez na paixão que não entendo muito, mas que sou totalmente encatada chamada escrever.

Inserida por barbbaratenorio

⁠COMPREENSÃO
A rua onde nasci era larga e extensa de vozes.
Nela havia uma velha casa de espera e de descobertas.
Minha mãe me ensinava a brincar de ver.
Ficava ao meu lado e com suas mãos me entregava seus olhos.
Dizia-me: O que vens?
Eu menino, com zeloso brio elaborava narrativas não aparentes.
As vezes via um pássaro falando com o vento.
Ora, era um arco-íris despontando no anoitecer.
E até eu voava, buscando palavras com asas.
Lembro-me quando lhe disse:
- Estou vendo uma dança no céu.
E ela pediu-me para tomar cuidado com os instrumentos, marcar os passos, ouvir a sinfonia.
E asseverou: Veras na vida aparências e essências.
Mas não tenha receio de vislumbrar.
No fim o que fica é o que se olha para dentro.
Antes de saber ler e escrever compreendi a ver poesia.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas

Inserida por carlosdanieldojja

⁠Manifesto analógico

Caminho ao contrário da pressa digital.
Meus pés fazem questão de tropeçar.
Gosto de esbarrar nos nomes,
perder o rosto e achá-lo na lembrança.
Lembrar os números e discar.
Deixar a voz ferver no ouvido sem acelerar o áudio.

Não quero que um robô faça o que minhas
mãos ainda tremem para fazer.
Escrever torto, borrar o caderno, errar sem a
opção de apagar.
Minha mente é ilógica, se perde no meio da
frase porque está ocupada sentindo.

Fora do trabalho, me divorciei do virtual.
Não confio o que amo às nuvens —
nuvens não sabem ficar.
Mudam de forma, trocam de nome,
desaparecem sem se despedir.

Voltei a imprimir memórias,
fazer backup na gaveta,
guardar fotos para que o tempo não as engula.
Escrever cartas com minha letra,
imprimir no texto minha personalidade.

Não tenho pressa de chegar a lugar algum.
Dificilmente chegarei ao dobro dos anos de hoje.
O destino já não me interessa tanto quanto o caminho.
Quero o que importa perto.
Quero ter rabiscos nas margens dos livros,
esperando o reencontro com minha versão mais ingênua.

Inserida por Epifaniasurbanas

Nenhuma forma de comunicação é tão honesta quanto a escrita, salvo a comunicação do olhar, das almas que se leem, só as letras comunicam das profundezas do ser.
Desde a intensa escuridão passando para a luz ou na penumbra, as palavras impressas dizem com clareza ainda que o leitor não veja o que está sendo dito com a alma para ouvidos surdos ou corações amargos...
Quando olhos iluminados encontram o tesouro que outrora foi datilografado, escrito á mão ou no teclado, contempla o texto, aprecia as letras e depois engole o sabor do outro..

Inserida por RitaCeli

⁠Salve, salve!!
Letras, dedos, mente e coração.
Palavras, um alfabeto dançando e se ajuntam, se agrupam. Letrinhas dando a mão uma para outra. Os olhos riem, brilham, e de repente o q era perdido no breu do pensamento encontra luz e ganha forma. Brincar de pensar. Brincar de sentir. Brincar de traduzir tudo em palavras. Brincar de amar e escrever. Brincar de criar....salve, salve mente brincante!!
Um salve para cada amigo que lê, sente e vibra a mesma nota. Cada um tem um dom. O dom q Deus te deu pode estar além de brincar de letrinhas.....

Inserida por g_n_rose_magalhaes

⁠"Dez anos atrás
eu viajando
na imaginação."

💚

Meu coração ❤️
andarilho,
sempre procurando atalho,
pra viajar na imaginação,
e apreciar novos horizontes.

💚

E sempre nas entrelinhas
colhendo o que não foi escrito
e nem dito...
Mas, sempre de OLHO
em um requisito
não PERDER
o hábito de escrever
e ENTENDER aqueles que pouco falam.

💚

<<< Francisca Lucas >>>

💚🙏💚

Inserida por ostra

⁠E assim vivemos.. e em algum dia morreremos, é um "ciclo"
Não se deixem levar pelo medo,
É uma lei da natureza, façam algo que realmente importa à vocês e se puderem façam o bem aos outros.
Não temos muito tempo aqui, enquanto uma estrela vive se passam milhares de gerações..
Vivam o melhor da vida sem precisar fazer mal à alguém e sem precisar tirar nada de outrem, simplesmente vivam
E escrevam uma grande história nas linhas de seus caminhos.

Inserida por Letrasefrases

Escrevo porque sou livre.

Isso não significa que sou dona de mim ou dos meus sentimentos.
Mas sou livre o suficiente para transformar cada sensação, sentimento ou gestos em palavras.
Escrever o que sinto, sem precisar mascarar nada...
É isto que me torna livre...
E não há quem possa me dizer o contrário!

Inserida por AlessandraBenete

Dona dos meus textos

O realismo está presente em meus textos, muitas vezes vem expressado em forma de sorriso ou se apresenta chorando.
Vale a pena contar as minhas histórias, na maioria delas a minha principal e favorita personagem é você.
Em meus versos, a culpa, a dor, a alegria, o respeito e o amor, ganham vida e estão marcados no nosso passado, no meu presente e nos meus sonhos futuros, o final da nossa história ninguém sabe, acho que nem o destino tem certeza de como será, então, irei continuar imaginando, acreditando e vivendo na esperança de escrever um final feliz.

Inserida por Ricardossouza

⁠Todos querem falar
poucos querem ouvir
menos ainda
querem pensar..

A escrita não grita
mas incomoda
em silêncio..

Falar
virou esporte
de egos...

Escrever é resistência
é recusa à pressa
à histeria
ao espetáculo...

Quem lê
pausa
Quem escreve
sobrevive...
✍©️@MiriamDaCosta

Inserida por MiriamDaCosta

⁠As estações se sucedem em seus ciclos,
enquanto vou tomando calmantes e antidepressivos
para continuar vivendo.
Enfermo! É assim que estou enquanto escrevo!
E lembro de “amigos”
que já não fazem parte da minha vida,
e muito menos do meu afeto!
Revivo os antigos sonhos,
em um mundo ideal,
eternamente perfeito e imutável,
mergulhado em um saudosismo
que ultrapassa a realidade e meu lado obscuro
que agora começo a revelar, levando você a meditar.

Inserida por freitasjuniorpoeta

⁠Não creio se esses versos terão lugar em um livro,
ou se alguém irá lê-los um dia!
Mas, se alguém ler,
não imagine que eu sou poeta,
Porque, seguramente, eu não sou!
Sou somente alguém que pensa
e começou a escrever
por ter perdido a fé em tudo que acreditava.
Cumprimento todos aqueles que leem estas palavras
e se esforçam para entender a minha maneira de enxergar
tanto a vida quanto os sentimentos,
livres dos encantadores conceitos oriundos da poesia!

Inserida por freitasjuniorpoeta

Sou o sorriso do palhaço a alegria da criança a euforia da primeira dança.
Sou o acidente que sobrevivi, o amor que vivi o amigo que perdi.
Sou feito do desespero do momento, da caricia na hora certa e da alegria de um aumento.
Sou um pedaço de todos que por mim passaram, dos que me entristeceram e dos que me alegraram.
Sou o primeiro beijo que eu roubei, sou o machucado que curei, sou a frase engasgada que não falei.
Sou feito de amigos, metade mocinho, metade bandido.
Sou o gol que fez meu time campeão, sou as páginas do livro que mudaram minha vida, sou a notícia que quase me matou do coração.
Sou a saudade que tenho da infância, sou a falta que sinto de casa, sou metade paciência, metade intolerância.
Sou aquele amor perdido, sou o amor encontrado, sou tudo aquilo que deu certo e um pouco mais do que deu de errado.
Sou cada lagrima que derrubei, cada sorriso que eu dei e cada abraço apertado que eu ganhei.
Sou um pedaço da razão e 80% da emoção, sou toda a saudade, bondade e sonhos que ainda vive em meu coração.

Meu amor
Quando eu era criança acreditava em toda aquela historia de cupidos. E ficava imaginando, como seria a flecha que me pegaria desprevenida por você. Sim, naquela época eu já sabia que estava completamente apaixonada, mas faltava a essência de toda aquela paixão. Faltava você meu amor! Com o passar dos anos fui esquecendo tudo aquilo. Você não chegava nunca e pensava comigo, não deve ter um amor pra mim. Hoje eu entendo do porque de toda aquela demora do cupido; ele estava te preparando com todo carinho pra mim. Acredito que Deus nos faz em esboços, somos caricaturas vivas e ambulantes da perfeição divina. Nossas vidas sempre em preto e branco. Só conheci as cores quando conheci você. É como se um arco Iris fizesse parte de todo o meu ser, pintando cada detalhe, antes em preto e branco em cores únicas e vibrantes. Todo esse colorido faz pulsar cada gota do meu sangue, tornando assim meu coração, uma máquina do amor. Às vezes me pego pensando, tentando e calculando, todo esse amor. Imagino se cada folha de todas as árvores do planeta pudesse ser multiplicado pelas pétalas de rosas, pelos grãos de areia, pelas gotas do oceano e pelo ar que respiramos, e mesmo sendo impossível tal conta, é sempre certo o resultado que nada disso não chega nem perto do quanto eu te amo. Talvez o infinito pudesse me limitar se não fosse pela minha imaginação sempre pronta a desafiar. Porque meu amor não se limita, meu amor é sempre mais do que a razão humana é capaz de alcançar. Talvez um dia eu consiga explicar todo esse amor, e de como você me faz tão bem. A maioria das pessoas sonham para serem felizes, hoje já não necessito disso. Quando a sua realidade supera qualquer sonho que você possa vim a ter, você acaba se dando conta, que se o mundo acabar hoje, ainda sim, precisaria de mil vidas pra te esquecer. Hoje eu sei que a flecha que me pegou, tem nome e sobre nome, e que em toda a nossa jornada, quero brincar de contar estrelas com você debaixo de um pé de manga, feito duas crianças, com a lua em plena dança. E se por sorte virmos uma estrela cadente, já sei qual vai ser o meu desejo.
Meu amor, quero mais mil vidas assim pra te amar desse jeito!

Criança crescida
"Deixei de ser ingênuo, aprendi a desacreditar de papais noéis e lobos maus, descobri quão nojenta era a história da cegonha que mamãe contava que me trouxera... Ora, tão logo cresci... E como cresci... Parei de roubar o açúcar, hoje, ajudo a comprá-lo. Vejo que sou grande, que não tenho mais de meus pais tanto afago, mas noto nas calejadas mãos deles o quanto deixei marcas e o quanto custei (e custo)sendo filho... É, o tempo realmente não espera por nada nem ninguém, ele passa!
Me sinto bem por estar crescido e por crescer cada dia... Me sinto bem por saber o valor que a vida e as pessoas têm, me sinto bem por me conhecer e saber que inda não sou tão homem que não tenha em mim desejos bobos de uma criança travessa e atrapalhada, mas também não tão menino que não enxergue que já carrego dores de gente grande."