Empréstimo
PROMISSÓRIA
Demétrio Sena - Magé
Devo à vida um empréstimo tão alto;
meu passado não quis me perdoar;
um assalto a meus anos mais singelos
me tornou seu eterno devedor...
Tenho tantos ferrões em minha mente;
a poeira nos olhos pro futuro
faz levar o presente como carga
sem seguro e nenhuma garantia...
Há um mundo blindado ao meu redor;
minha dor de saber que não me cabe
sabe quanto vazio está por vir...
Hoje sei como a vida é agiota;
como hei de morrer pagando juros,
mas a nota jamais será quitada...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
Tudo que temos, que conseguimos amealhar de material nessa vida, está conosco por empréstimo. Mas o que somos está gravado em nossa alma de forma indelével, e ninguém poderá tirar.
Nada nos pertence; tudo é um generoso empréstimo do Criador, inclusive o sopro que nos dá vida. Ele nos fez peregrinos neste mundo e, em Sua infinita bondade, nos permite, levar conosco pequenos souvenirs materiais, que permanecerão aqui na terra quando nosso corpo voltar ao pó.
Toda experiência que a gente adquire é um mero empréstimo, cuja serventia devia ser mais coletiva que individual. Talvez isso explique o porquê de estarmos tão desengonçados.
Quando soubermos que o 'nós material' é o mesmo material que os outros, pois este material nos tem sido dado apenas como empréstimo, valorizaremo-nos por igual, e a gratidão será uma atitude tão básica, rotineira e cotidiana quanto o ato de dizer 'bom dia'.
Começamos emprestando um livro, um cd, um guarda-chuva, um..., até que um dia somos mais emprestados do que devolvidos. Eu empresto meu amor a você e pego emprestado o seu. Que tal nunca devolvermos, já que ninguém faz isso mesmo?
Alguns dos que me conhecem terão razões para decepcionar-se e saber que nem sempre, não em tudo, contam comigo. Eles só precisam entender e dizer o porque e no que não podem contar comigo.
Sabe aquela hora quando o amigo te pede dinheiro emprestado? Pois é!! Eu não empresto porque eu não quero perder a amizade. Sabe como é né?!
“JOÃO E SEUS PÉS DE FEIJÃO. Na pequena propriedade, e com certa dificuldade, vendia na cidade o fruto da produção. Ouviu de um alcoviteiro, que isso não ia vingar, porque não dava dinheiro e que num tempo venturo, no banco devia emprestar. Com a escritura na mão, pro banco seguiu o João e de lá saiu animado, deixando consignado o seu pedaço de chão. Porém, na safra seguinte, a chuva não foi parceira e deixou o pobre coitado, perdido e abandonado - sem dinheiro na gibeira. Com o fim da parceria, mudou pra periferia, de favor na casa da tia. Foi pro bico de boia fria, e de tanto pensar na desgraça, João se entregou à cachaça e migrou-se pro banco da praça. Hoje vive no submundo, maltrapilho e sujismundo e ainda lhe deram a pecha de preguiçoso e vagabundo. Seu sítio foi a leilão e quem comprou foi um “João” , que é dono de uma empreiteira e de uma família bacana e que da mesma desfruta em algum final de semana. De uma mesma terra brotou dois “João”: o que faliu trabalhando e o que lucrou descansando.”
Este é o momento mais difícil para ganhar dinheiro, mas tenho uma ressalva, e digo que este é momento mais fácil de ganhar dinheiro!
Emprestar dinheiro a alguém, às vezes, é estratégico, pois, livra o credor de futuras solicitações do devedor.
Não diga à ninguém quando receber o seu salário, pois, no dia em que o fizer, dois tipos de pessoas virão ter consigo: um para cobrar a dívida que o deve e o outro para pedir empréstimo.
Pedir emprestado de dinheiro para comprar comida não se difere de quem bebe para esquecer as suas mágoas, no dia seguinte a fome volta acompanhada por cobrador de dívida.
Quando uma empresa empresta o seu nome para outra pessoa usar saiba que ela nunca honrará tanto a sua história como você mesmo.
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