Embriagado
O Sol Embriagado
Hoje o sol embriagado
Não mostrou seu olhar na terra
Preferiu se esconder
Entre os montes daquela serra
Pra não ter que explicar
O seu olhar envergonhado
Quando abrirmos a porta
E também a janela
Hoje o sol fez barulho
Como nunca se ouviu
Quando caiu na bebedeira
E o seu olhar não se abriu
Parecia que alguém
Teria feito tudo isso
Por prazer ou capricho
E por um enorme feitiço
O sol dormiu o dia inteiro
E de ressaca escureceu
E todo o mundo permaneceu
No breu confuso do terreiro
Sem entender ali quase nada
Porque ele se escondeu
Alguns correram pra rua
Pra saber o que aconteceu
Se foi o dia que virou noite
Ou foi o sol que morreu.
Toda embriaguez traz dano ao embriagado e em porre de desatino... só o tempo tem o poder de medicar à ressaca.
Inventei que precisava comprar filtros e saí pela rua como um embriagado a buscar os filhos num abrigo, mas a barriga tremulava café e a boca necessitava mais um trago. Passei pelo beco, esperando encontrar uma caçamba de entulhos, mas a rua estava limpa, vazia. A casa velha da rua de trás, intacta. Me ofendendo por estar tão viva, também acolhera em seu quintal de mato alto uma ninhada de gatos de olhos verdes acusadores e ferinos, olhos que me encararam. O silêncio deles, eu de chinelos e meia, a rua toda parada e a velha lá em cima, vigiada por um homem de chifres e cara de boi. Tudo funcionava como a suspensão do respirar de um mundo. Estava no ar e crescia em mim, percebi, quando os gatos fecharam os olhos e se ajuntaram para descansar – e uma mariposa passou voando sobre eles e sumiu no mato – percebi: de nós todos, eu era – eu era –, eu era; eu era a mais irrefletida das criaturas.
Órbita
Para cada erro consciente
Um perdão embriagado
Para cada perdão consciente
Um erro embriagado
Para cada erro embriagado
Um perdão consciente
Para cada erro consciente
Um perdão embriagado
Amor, link da vida
O amor é o dom maior, sempre decantado por todos os lados, embora, embriagado na mente dos entediados. Fluído nas poesias, cantado pelos cantos da casa, marejado nos mares de calmaria e nas restingas amoitado, nas marmorarias de requintadas esculturas esquadrejado, nas masmorras torturado, elevado no elevador do prédio ao lado, pelo tédio já amarfanhado a elevar a dor desse amor regenerado, amor da desventura na traição da libidinosa tradição, amor esculturado no coração endêmico de muitos acadêmicos, amor epidemia do jovem estudante, amor lancinante aplacado nos velhos amantes. Quem tem a compreensão deste amor tão infante ao rever seus dias passados em torno da sabedoria de seres alados e triunfantes. Invisível, dominante, decantado nas bocas de delirantes cantores, gritado pelos alto-falantes, ditado pelas bocas eruditas. Que amor tão estranho, arrazoado desde antanho, lá pros lados palestinos, facheando a Faixa de Gaza dos desgraçados. Palestinos morrem meninos pelo amor clandestino a lhe roubar todo o destino. Foi justamente da Faixa aonde andarilhou Jesus Maomé Menino a espargir a alegria do amor encantado. Amor difícil de ser decifrado, cifrado pelo malefício do desejo desregrado. A religião ensina a amar, amargando o dissabor de ser atribulado. E por ela também a morte assassina, assassina muita gente inocente, coitada. Homem bomba a bombardear em nome de Deus, será mesmo esse o ensinamento que Deus lho deu?
Por que o amor incondicional está metido numa mentira tão banal?
Há milênios o homem perdeu a consciência de amar.
Porém, há muitos que procuram entendê-lo pela maneira mais simples que é a do bom-senso.
Simplesmente não fazer ao próximo aquilo que não se quer para si.
Ame singelamente, sem esperar absolutamente nada em troca.
Ame, se for capaz.
jbcampos
Cheguei embriagado, com o olhar esquecido. Me esqueci ao seu lado. Devia ter fugido. Fui sequestrado pelo pecado e assassinado pelo libido
Eu não bebo, obrigado. Ando bastante embriagado ultimamente de tédio, solidão, saudade, medo, esperanças, de você.
Eu me afoguei na minha própria ilusão. Embriagado com a promessa de te ter pra mim outra vez, me esqueci que com você tudo é incerto. Ontem eu te conhecia, hoje eu sei seu nome e, nem mesmo você, sabe o que será o amanhã...
Paixão maldita
"Sou um louco alucinado, embriagado por uma paixão maldita.
Sou poeta, pensador, escrevo uma grande dor.
Se pelo menos pudesse expor.
Escrevo o que penso, vivo o que jamais alguém imaginou.
Se alguém pudesse me amar, e pelo menos por mim chorar.
Se alguém pudesse enchergar.
Trago em mim uma paixão tão grande, que ninguém pode suportar, nem mesmo eu!!!"
Minha voz treme enquanto repete a sussurrar seu nome.
Embriagado pela saudade, com a tua ausência, a noite nos sonhos, nada veste minha solidão, se tu não estás. Traço o ar com os sussurros de meus batimentos e o eco me devolve, disfarçado teu nome, às vezes penso ouvir você me chamar no silêncio, às vezes penso que me escutas quando em você penso.
Angustiado coração
Ainda sinto o cheiro
O toque, o beijo
Embriagado de paixão
Latente desejo
Melodia de arpejo
Dependente compulsão
Lascivo e imoderado
Anseia o ser amado
Sestrosa condição
Noite fria
Cama vazia
Enfim sós, melancolia.
Embriagado.
Um pedacinho do céu...
Um cenário para repousar...
Vestido de inspiração...
Relembro o que não comecei em outrora...
E me ponho á chorar...
Na prateleira...
Um livro fechado...
Amargas horas...
Um perfume no ar...
Quando a gente sente..
Quando a gente erra...
Em um futuro desconhecido...
Talvez venhamos nunca mais errar...
Qualquer coisa que afaga...
Já é motivo para não dormir...
Na parede...
Um retrato...
No teto de meu quarto...
Estrelas reluzentes me ajudam a pensar...
Aquela garrafa vazia...
Foi do vinho que bebi...
Agora...
Estou embriagado..
Por alguns momentos...
Tive a impressão...
Que nunca mais...
Me permitiria....
Nesse céu imenso...
Voltar á Voar...
Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa.
Nós momentos de lucidez, você age como se estivesse embriagado da estupidez. E na embreaguez, surge a lucidez e sensatez, nem nos melhores dias lúcido a sociedade seria capaz de despertar uma nítida razão.
O inferno é real
Foi quando nasci, não percebi, desde o primeiro gole de pinga, embriagado na estupidez, ali, dali já funcionava uma premissa, como se enganar na missa, parece que a palavra que diz, a natureza do homem é mau, encarnou em mim, um destino letal, titubeando pelas cadeias da adolescência, com o caráter prisioneiro, sem imaginar o que viria, o inferno traiçoeiro, por volta dos trinta, mas já havia rabisco da tinta, que eu não minta, um fogo ardente, um labirinto, a mente quente, emaranhada, alma estranha, uma cobrança, uma vergonha, uma dor, dor, dor, morri todos os dias por mais de 15 anos, por momentos vi trégua, algumas promessas de engano, quem foi, quem são, porque assim, nem pude redimir, era eu, apossado de toda culpa, a ganância, a ambição, a inveja, o ladrão, o orgulhoso, mentiroso, enganoso coração, se merecia perdão, acho que não, porque satanás apossou, se houve vida, ceifou, não é pessimismo, ingratidão, insensatez e frieza, mas o fruto de minha fraqueza, morri, padeci, nunca vi coisa igual, o inferno é real.
Giovane Silva Santos
O pior embriagado é desrespeitoso com todos, mas o sensato busca a lucidez, enquanto o álcool te ilude que o belo é um cílio postiço ou uma lente colorida. Mostre teu exterior falsificado, eis-me um corpo sem valor. Deixo de amar até mesmo os inocentes que a ninguém desrespeitou.
Estado do poeta
Ó poética, estás onde? Imaginação
Eu cá já embriagado no sentimento
Trazido pelo tempo em suspensão
A saudade, o amor, o tal momento
Do poetar, ó pura, serena sensação
O quanto me faz feliz o sacramento
Que vem d’alma de singular emoção
Que me sacia e desta magia sedento
Arrio as palavras em oração, e crio
Vai-se o vazio, e me vem o estado
Fantasia e a ventura, na ilusão fio
Desfio a cada verso embaralhado
E o poema – do infinito, um arrepio
Pondo o feitio inteiramente afiado!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
2023, 18 de agosto – Araguari, MG
