Descalço
Saudade do tempo em que corria descalço, tomava sorvete me lambuzando toda e ainda, tinha quem achasse bonito. Saudade do tempo em que pulava corda, corria para cair e levantava para correr de novo.
Saudade dos meus cadernos tão bem coloridos e minhas letras tão bem desenhadas. Saudade dos meus cabelos longos, por vezes, entrançados. Saudade do mimo da minha avó. Das marcas de cada brincadeira, do azul daquele céu e da chuva que me banhei.
Saudade eu tenho de um tempo único, onde minha maior preocupação era ter que ir bem na escola.
Saudade dos amigos tantos, que hoje pouco vejo, pouco conheço, pouco sei. Saudade daquela casa, daquela cidadezinha, daquele tempo em que me personalizei até me formar no que sou.
Uma saudade feliz e uma felicidade saudosiana, de um tempo sem erros, onde era religiosamente feliz sem conhecimento de causa.
Saudade eterna de um tempo que não volta mais e que me chamavam de criança.
Tome um sorvete, deite na grama. Beije apaixonadamente. Ande descalço. Tome um banho de chuva. Fique na piscina até a noite. Durma de cabelo molhado. Descanse com a televisão ligada. Abrace os filhos. Faça um telefonema para os pais e ouça tudo o que sua mãe tem a dizer.
Qualquer que seja a sua decisão, te apoio.
...o amor vem pra cada um, despojado, descalço, desatinado, aos berros, atirado à multidão, o amor vem pra cada um, sem resignação, aquecendo desejos de quem ainda espera ser consumido pelo fogo da paixão, o amor vem pra cada um, sem formas, sem pré-conceitos, sem medos, sem culpas, sem preceitos, sem certezas, nem dúvidas, o amor vem pra cada um sem avisar, sem dizer por aonde vem ou por aonde vai passar, na volta da ida da contramão, o amor vem pra cada um certeiro, viajado no devaneio do coração...
Vá ao compo anda descalço briga com os insetos canta para o vento olha as pinturas no céu, a simplicidade é ser feliz.
'EU'
Ando descalço no mundo genuíno.
Não porque o abracei,
As terras temporárias são forasteiras.
No meu amplexo já cansado,
Diluo a espera.
No branco sem destino,
Na latência de sentimentos,
A fluorescência ofusca-me,
Assombra-me.
Sou migalhas de um pobre na dor que não cura...
Invento psicanálises nos dias perturbadores.
Adentro o espírito infértil vaga fortuito,
Probabilidades casuais,
Sedento de anseios como as infinitas variáveis no espaço,
Sem cabanas.
Sou inesperado,
Duvidoso,
Eventual tal qual os olhares distantes que se abraçam demorado...
As sátiras deixaram-me,
Corro feito louco,
Sem domicilio.
Abraço o improvável como se abraça os mares.
Os tantos mares que moram em mim,
Chegando tempestuosos,
De súbitos,
Embaçando a ficção aflorada.
Na incerteza,
Crio outros mundos,
Terras ditantes,
Aconchegantes para aliviar as dores.
As dores que outrora,
Tornaram-me identidade,
Sem essência,
Ou analogias...
Que saudades daquela infância, cabelos ao vento, correndo descalço pelas ruas de barro, sob os olhares dos pacatos moradores nas janelas de suas casas.
Hoje fico triste ao perceber que na mesma rua de minhas lembranças, o que se ver é medo e insegurança.
Para um homem bonito:
Você, que gosta de andar descalço
E vê a beleza nas pedras, nas flores e nos bichos
O teu sorriso é largo, seus olhos são brilhantes, você é o mais bonito!
Você que cantarola baixinho, me tira para dançar, faz graça, brinca e ri comigo
Obrigada por ser meu amigo!
Você é simples como todas as coisas verdadeiras e boas, como as coisas que tem importância na vida,
Você é fácil de entender, é gostoso de ver e esplêndido de amar!
Você é um homem bonito, todos os olhos entendem, mas além do que alcança a vista, minha alma te sente.
Te amarei para todo sempre...
Ao belo e sempre nobre, Thiago.
Com toda paixão, amor e carinho que um corpo é capaz de suportar.
Ser emocionado nesse mundo frio... É como dançar descalço em um chão de vidro. Você sente tudo. O que ninguém vê. O que ninguém diz. Carrega silêncios que gritam, amores que ainda doem, e uma vontade absurda de ser inteiro em meio a metades. E quando a alma cansa, é na solitude que você se salva. Não para fugir, mas para lemorar quem é. Para silenciar o barulho de fora e ouvir o que ainda pulsa dentro. Ser você... com tudo o que sente. É intensidade demais para quem vive pela metade. É coragem demais para quem só arranha a superfície. Mas não muda. Não se diminua para caber em afetos rasos. Você é profundidade e isso assusta mesmo. No fim, só quem sente com verdade... sobrevive de verdade.
Ser emocionado nesse mundo frio… é como dançar descalço em um chão de vidro. Uma hora, você se corta, mas mesmo assim, não para de dançar.
Ser Tão Nordestino
Andano
De pé
Descalço
Andano
De pé
No chão
Pisano
Terrinha
Fria
Ou quente
Se é
Verão
Saudades
Sentiu
E muito
Do tempo
Em que isso
Era bão
Bem bão
Era bão
Como era
Bão mesmo
Danado
De bão
“Desfaço, pouco a pouco, os grilhões da vaidade e caminho descalço entre as sendas das ideias e os templos dos ideais.”
Tão forte o poema, mesmo descalço…
Que te escreve, e te lê;
E tu achas que foi tu que o escrevera.
— talvez o poeta fingidor é que seja às alparcas dos poemas seus.
