Descalço
Ando de mãos dadas com a liberdade e não abro mão da coragem para ser o que sou. Com os pés descalços enraizo a sabedoria da natureza em meu corpo, mente e espírito. Sou raiz que brota jardim na alma. No encanto do sentir, sou magia e mistério do luar com escritos nas estrelas.
Tenho fases de fazer minguar meu canto, tenho fases de me deixar luz crescente e vibrante, tenho fases de me renovar, tenho fases de me encher e ser cheia do que eu transbordo. Porque só posso ser o que sou. Apogeu e perigeu, breu e luz, mistério e ciência, razão e emoção.
Caminho com o vento seguindo a voz do coração, contemplando os horizontes da vida. A água me cura, protege e abençoa. O fogo me ilumina, consagra e acende a chama da vida. O ar liberta e transforma. A terra firma, energiza, e fortalece. Porque sou a morada do sagrado. Sou o universo dentro de mim.
Por orgulho, anda descalço(a) sobre espinhos, podendo sem ele, escolher o deleite de caminhar sobre a grama.
O glamour traz o ganho
O impostor trai o rebanho
O salvador andava descalço, dava os exemplos,
Cuidava, ensinava e foi crucificado.
Foram outros tempos.
Às vezes, insistir em alguém é querer acompanhar a morte, descalço, sem camisa e ignorando a sorte;
Meus sapatos não mostram o quanto caminhei descalço.
Minhas bolsas não mostram minhas lembranças.
Minhas roupas não mostram o quanto já fui invisível.
Dia de chuva...
Estrada molhada...
Vento frio...
Sigo as curvas do rio.
Descalço meus pés
Sigo com fé
As pedras do caminho...
Não me ferirão os espinhos.
O vento me desequilibra
Meu corpo nem liga
A chuva um açoite
Termina o dia... começa a noite.
Não há estrelas no céu
O que me cobre é só um negro véu
Não posso parar
Continuo... lágrimas pelo meu rosto a rolar.
Chuva sagrada
A lavar mais uma alma desgraçada
Tremo de medo... ou é de frio?
Não importa...
A vida é torta...
Continuo até do fim encontrar a porta.
E fim... deste frio em mim...
Ou será o começo de um frio escuro eterno que jamais terá fim?
Aquele garoto descalço, nem nu nem vestido, que te abordou na rua, pode ter sido o menino Jesus.
Benê
Bipolar
Somos vários como ondas contínuas infinitas em seu vai e vem, pé descalço na areia pensamento solto, surfando ao sabor do vento.
Somos únicos como água de lagoa quieta em seu leito, pé seguro sobre a caçada, pensamento contido no peito.
É a vida que segue...
Ser criança é maravilhoso
É como brincar na chuva
Em pleno verão
É andar descalço
Na areia ou na grama
Sentindo o chão
Volte a sentir esse prazer na vida
Deixe a alegria jorrar do teu ser
Brinque pelo menos mais uma vez
Seu coração, vai te agradecer
E se amanhã for muito tarde? Se for tarde para pisar descalço na grama, contemplar o pôr do sol, tomar um banho de mar, comer brigadeiro de colher, usar o melhor perfume, beber café com um amigo, pedir perdão, dizer vários "eu te amo"...
Amanhã pode ser tarde. Deus permita que possamos fazer o que temos vontade no dia de hoje, amanhã e depois... Mas se o amanhã não vier, Eu tenho o hoje, todinho meu! Então, com licença, vou vivê-lo.
Pela manhã, quando levantar da cama, lembre-se de que você está descalço e se abaixa pra pegar as sandálias. Essa é uma boa oportunidade de se ajoelhar e orar a DEUS, agradecendo por mais um dia de vida!
Liberdade
Andar descalço ao entardecer
Caminhar no mesmo passo
Içar a vela
Perfume de outrora
Hoje é pranto de estrelas
Saudades são vagalumes
E sorrir sem vontade
Estrelas que brilham porque a luz mandou
Te parecem ser bem mais felizes
Navega perdida a verdade de agora
Só o tempo é livre
Arguto, ele passa sem te olhar
Calçar os sapatos, pisar diferente
Fui olhar a flor que foi bonita
Na leveza do vento
Como quem caminha lento agora
Gruda na roupa da gente uma luz de garoa
Uma gota a mais, transborda
Acorda tua eterna vontade
Não sabe de quê
Qual canoa se afasta a vagar
Essa estrada que se vive, ela tem fim
Não se pode segurar o tempo, ele não fica
Só que isso não significa
Ao tempo que ele seja livre.
Edson Ricardo Paiva.
Vem
Como florescem os Guarapuvus
eu faço festa para você,
e você dança descalço comigo
no meio do salão,
eu sei que sou eu a dona
do seu coração e obra do destino.
O Martim-pescador-verde
quando sai até parece contigo
sempre que me procura
como amoroso abrigo,
saiba que de nós eu não desisto.
Vem, larga tudo e fique
para contar estrelas comigo,
deixemos o mundo lá fora
e dele permaneçamos longe,
para que não sejamos tábua
de salvação e livres fiquemos
de todo e qualquer compromisso.
O nosso índio brasileiro anda descalço mas sabe muito bem sem sapato onde é o calo que mais lhe aperta nos passos dos brancos.
