Delírio
Entre a desordem do mundo e a lucidez do delírio, habita-me uma inquietude serena — feita de silêncios abissais e epifanias tardias. Sou vestígio de estrela em queda, mas insisto em reacender o cosmo dentro do peito.
A loucura de Dom Quixote não era delírio, era coragem de sonhar num mundo que zombava dos sonhadores.
Se o delírio me cegou
E menosprezado foi meu clamor
Por ironia, devo crer
Sou a cria e o criador
- Valsa dos Exumados
Do Mistério e da Saudade -
Minha saudade é feita de ternura,
delírio intenso, galopante,
igual ao desse cavaleiro - andante
que ainda hoje me murmura ...
Saudade que meus versos transfigura,
quadras d'ilusão, delírio semelhante,
ao da Vida do Poeta, caminhante,
que habita versos de loucura ...
Saudade que as trevas alumia,
que os famintos alimenta, de forma permanente,
quebrando a solidão, matando a agonia!
Minha saudade tolda o Desidério,
torna o Mistério em mim presente
e faz da minha Vida um Mistério!
...Delírio...
Momento de corrupção...
Astro de ilusão...
Fonema de uma canção.
Palavras que compõem a voz do vento,
Sendo translúcida a voz que encanta.
Diante as mares da vaidade...
Sois o doce que acalenta o corpo frio...
Diante do desejo implacável de sentir o mel da sua boca.
Aproveitei os lamentável do amor.
Será bom querer de outras vidas...
Os laços de cada labareda da alma.
Minha alucinação é suportar o dia a dia e o meu delírio é a experiência com coisas reais...delirantemente lúcido, nesse mundo de loucos.
Salve os loucos, única opção de quem não têm razão pra ser normal.
Infelizmente muitos estão vivendo um delírio antidemocrático coletivo, onde a violência se tornou forma de impor o que pensam.
Carnaval em Veneza.
Infinito desse mundo,
As máscaras nunca caem,
Os foliões vão ao delírio,
Pierrôs, colombinas e arlequins,
Numa dança sem fim,
Onde os corações enrijecidos,
São bandidos,
Dedicados ao prazer obscuro,
Se escondem,
Ficam em cima do muro,
Endurecem,
A si,
Aos outros,
Enaltecem,
Romantizando os jogos de perdição,
Torturadores da razão,
De rostos cobertos,
São valores invertidos,
Não consigo,
Nesse mundo invertido,
Submetido a enganação,
Sou eu a dizer que não,
Prefiro a dor da verdade,
O viver sem maldade,
Cheio de intensidade,
Ainda que outros digam,
Que essa é minha fraqueza,
Minha força está ainda que seja na tristeza,
No derrubar de lágrimas,
No surto,
No grito,
No verso.
Prefiro a dor da paixão,
Do amor não correspondido,
Do que a frieza daquilo que é contido.
Embriagado de pensamentos imersos num mar cheio de desgosto, angústia, tristeza, alegria, delírio, amor, confusão e dor. Sigo tranquilo, de fato aprendi a lidar, às vezes eu me recaído sobre mim, me julgo, condeno e culpo, mas aprendi que isso é normal. Por que preciso ser perfeito? a resposta é simples, não preciso.
Inveja! Algumas vezes ouço esta palavra e fico pensando o que é... Sentimento? Delírio?
Como sou uma pessoa que só acredito naquilo que vejo ou sinto, não sei o que significa e tão pouco creio que exista.
Ela é um vulcão em chamas...delírio puro..paixão ardente..fogo, faísca, ela é incêndio... ela é o caos, o paraíso... ela não é pra qualquer pessoa, ela é pura adrenalina...ela é pra quem corre o risco, pra quem sobra a aposta ...
Delírio
O píer fica imóvel,
enquanto o navio se afasta.
Vou ficando cada vez mais sozinho,
- Eu e o livro -
que agora, há pouco,
lia, ouvindo o barulho das ondas.
À noitinha, a neblina virá,
como sempre vem,
e mudará meus pensamentos.
Lembrar-me-ei das nuvens brancas
que abrirão o dia, amanhã,
e terei vontade de escrever
um verso nelas.
Mas o giz não alcança
e, se alcançasse, seria da mesma cor:
- ninguém leria.
Ideias são, por vezes, delirantes.
Eu morro, como morre a sombra ao anoitecer.
- É o destino –
Depois,
desapareço na imensidão das águas,
cavalgando ondas da imaginação.
