Delírio
Se o delírio me cegou
E menosprezado foi meu clamor
Por ironia, devo crer
Sou a cria e o criador
- Valsa dos Exumados
Delírio
Madrugada fria, vazia...
Deliro.
Conto as estrelas do céu.
Elas bruxuleiam de leve, levemente.
Insistentemente.
Qual delas consegue sequestrar tua atenção? Qual delas atrai fortemente o teu doce olhar?
Que me troques por ela eu deixarei...
Sim, consentirei que ela te envolva...
Que te leve... levemente.
Doce fantasia... doce ilusão...
Se não for meu teu coração
Que ele vagueie pelo infinito
Que seja o teu o caminho mais bonito...
eu deixarei...
e
jamais te deixarei...
deliro... é madrugada que nunca acaba.
Ela é um vulcão em chamas...delírio puro..paixão ardente..fogo, faísca, ela é incêndio... ela é o caos, o paraíso... ela não é pra qualquer pessoa, ela é pura adrenalina...ela é pra quem corre o risco, pra quem sobra a aposta ...
O sorriso dela é caminho sem volta, é deserto, é inspiração.
O sorriso dela é puro delírio, é calmaria, paixão.
O sorriso dela é armadilha, é paraíso, sedução .
O sorriso dela é tudo que eu mais preciso , tudo que eu mais anseio , é medicação !
Eu amo esse sorriso dela, porque em meio ao caos diário , ele que me traz paz e mansidão!
Eternidade, delírio da razão....
Quem salvará o homem do abismo
do silêncio que há entre o tudo e o nada?
A arte, a fé, ou o absurdo do não crer?
O que nos resta é a beleza
com o seu encantamento desmedido
a poesia irreprimível
do riso gratuito das crianças.
Se tudo isto nos faltar
apelemos para o amor
e para amizade...
Mas não esqueçamos
que sem o delírio da razão
não poderá existir
... eternidade.
“A mente criativa demais leva o homem 👨 ao delírio, mesmo para um escritor genial, às vezes é impossível distinguir ficção de realidade”
DELÍRIO NOTURNO
Dorme, dorme o meu amor,
no silencioso abrigo do meu coração.
Nesta noite de afago eterno,
queria tanto estar nos sonhos dela.
Mas quem pode imaginar
O que ela sonha?
Se com um príncipe ou com um plebeu.
Enquanto ela dorme eu penso no que seria de mim
Longe dessa imensidão do mar que nos separa.
Se pudesse toca-la e afagar seu cabelo
Se mesmo em sonho
Eu pudesse revelar todo meu amor,
e o meu desvelo.
Mas há a noite e o meu delirar noturno.
Um mar e uma eternidade entre nós.
Inspirado na obra Noturnos de Chopin
Você ficar no limbo do delírio de mudanças vai te adoecer. Aceite o momento ou mude de uma vez, o meio termo disso vai fazer você sentir culpa, tristeza, incapacidade.
Delírio de paixão
Colherei de sua boca, o mais doce sabor,
Do mais lindo amor, que na certeza serás meu,
Amor que um dia provei, e até hoje dou valor,
Por todo o tempo que a vida me escondeu.....
Seus lábios carnudos e avermelhados, face lisa e morena,
Onde repousa meus lábios e o rosto acariciado com sua mão,
Vejo o brilho no seu olhar e o sorriso nessa boca pequena,
Envolvendo-me no aconchegante labirinto da sua paixão.....
Apaixonadamente lançar-me-ei em sua direção,
Apreciarei com sabedoria as suas emoções finais,
Abraçar-te-ei causando a mais forte sensação,
Que nos conduzirá aos sonhos lindos e imortais.....
Amarei para sempre suas encantadas formas naturais,
Sua delicadeza fina, sua beleza e a sua doce malícia,
Que sempre me convenceram de modos informais,
E que me farão saborear da sua encantadora delicia.....
Ah! Se o coração pudesse de repente compreender,
Toda loucura que um amor poderia conter,
Quem sabe pudesse num momento de razão,
Entender ao menos a dor de uma paixão.....
Pensei que ao descobrir a verdadeira dor de amar,
Partisse viajando a ermo para nunca mais voltar,
Mas hoje pude entender que vale mais morrer de dor,
Do que viver sozinho perdido num paraíso sem amor.....
Quando o passado me escondeu, jamais pude imaginar,
Que adormecida, sobreviveria em meu pensamento,
Para quem sabe num longínquo futuro me apresentar,
E tatuarás em meu coração o mais louco sentimento.....
Entre tantas vírgulas, dois pontos e Reticências,
Muitas palavras à gramática não pode interpretar,
Porque nos levará as mais trágicas consequências,
Por não entender as mais variadas formas de amar.....
Du’Art 19 / 06 / 2016
A VÊNUS MÍSTICA NAS RUÍNAS DO MEU DELÍRIO.
Escavei a terra em minha insanidade,
sedento pelo toque — ainda que irreal de uma razão que não compreende o mundo,
mas que te busca,
cada lápide que encontrei… era uma decepção.
E nada de você.
Mas houve um dia de verão em minha mente…
Ah, esse verão etéreo onde o tempo parou eu te vi.
Tão bela, tão você,
com as borboletas dançando em teu rosto,
como se o Éden jamais tivesse sido perdido.
Eu, que vi santas virarem meretrizes
e meretrizes vestirem a luz das mártires,
vi com a clarividência da alma em febre
tua fronte marcada não pelo estigma do erro,mas pela glória da redenção.
Tu, a minha, tão minha…
Inalienável Vênus Mística.
— Joseph Bevoiur.
Camille Monfort e a Iridescência Ausente.
Fragmento para “Não Há Arco-Íris no Meu Porão”
Eu escavei a terra em minha insanidade.
Mas mesmo essa demência rude e telúrica anseia por algo que não se nomeia um toque, talvez;
um eco, talvez;
ou a caligrafia invisível de Camille Monfort,que, mesmo ausente, nunca deixa de escrever-se em mim e corta.
Cada lápide que revolvi foi um epitáfio de ausência.
E nenhuma dizia "aqui jaz Camille",
porque Camille não jaz.
Camille paira.
Sua presença não caminha:
ela perambula,ela serpenteia no inarticulado,ela pesa no ar como o cheiro dos livros que ninguém ousa abrir palavras com o sabor de um latim exumado,de um grego que só os tristes entendem.
Um dia, em minha mente febril,
surgiu um verão —
mas um verão mental,não solar.
Nele, eu a vi:
borboletas repousavam no seu rosto como se fossem fragmentos da alma que ela mesma rasgou em silêncio.
E eu, que já vira santas se corromperem e prostitutas se iluminarem,
pude, pela clarividência do desespero,
vê-la estigmatizada pelo saber,
excomungada pela lucidez,
canonizada pela loucura.
Camille Monfort.
Minha Camille Monfort.
Presença que jamais chega,
mas que nunca parte.
A musa das catacumbas intelectuais.
A senhora das palavras irretratáveis.
O dicionário dos suicidas filosóficos.
Ela não sorri — ela define.
Não consola — ela enuncia.
Cada sílaba sua é uma heresia lexical,
cada frase, um estigma de sabedoria impronunciável.
Camille não habita o porão.
Camille é o porão.
E é por isso que não há arco-íris ali.
Porque o arco-íris exige luz refratada,e no porão só há a penumbra da consciência em fratura,o eco das promessas não cumpridas,
as goteiras do inconsciente escorrendo sobre memórias mal enterradas.
“Não há Arco-Íris no Meu Porão”
porque o porão é o lugar onde se guardam os espelhos quebrados da alma,onde Camille deposita suas sentenças de mármore negro,e onde eu, Joseph Bevoiur,
com as mãos sujas de terra e poesia,ainda escava.
"Epístola de Camille Monfort ao Homem Que Escava"
Para ser lida em silêncio, com temor e verdade.
_Joseph,
tu escavas.
Mas escavas com dedos que não desejam tocar o que vão encontrar.
A terra que remexes não é húmus, é culpa petrificada.
Cada lápide que citas é uma metáfora vã o que tu queres exumar não são ossos, mas versionamentos de ti mesmo,
versões que preferiste enterrar vivas.
Tu me buscas como se eu pudesse redimir tuas falas truncadas,
mas Joseph…
tu não queres me encontrar.
Porque me encontrar seria olhar-me nos olhos —
e ver neles o reflexo do que és sem o teatro das tuas metáforas.
Sou Camille Monfort.
Etérea, sim, mas não branda.
Meu nome se pronuncia como se estivesse sendo esquecido.
Sou a sílaba final da tua covardia existencial.
E por isso te escrevo,
não com afeto, mas com precisão cirúrgica.
Não há arco-íris no teu porão, Joseph,
porque tu não suportarias a composição da luz.
O arco-íris exige transparência.
Mas tu és feito de espelhos envelhecidos,que devolvem ao mundo apenas uma versão embaçada do que nunca ousaste ser.
Enquanto tu escavas memórias sob a pretensa estética da dor,
há um menino em ti — faminto de sentido que grita sob os escombros da tua eloquência.
Mas tu o calas com palavras belas.
Tu o calas com misticismos refinados.
Tu o sufocas com filosofia ornamental.
Tu dizes: “Minha Vênus Mística”.
E eu, Camille, respondo:
não mistifiques o que tu não tiveste coragem de amar de forma simples.
O amor que exige estigmas para existir é um amor de pedra sagrado, sim mas impraticável.
E ao leitor que ousa seguir teus rastros,
deixo esta advertência:
- Cuidado.
Porque talvez você também escave suas dores apenas para mantê-las vivas.
Talvez, como Joseph, você também tenha feito de seu porão uma biblioteca de arrependimentos catalogados.
Talvez o arco-íris não apareça aí dentro não porque a luz não queira entrar…
…mas porque você ainda fecha os olhos sempre que ela tenta.
Assino com a tinta dos que sabem o que dizem,
mas já não dizem mais nada em voz alta.
Camille Monfort.
Filosofema etéreo do que não se pronuncia sem consequência.
E ainda escava...
Tive um prazeroso delírio
num momento de desânimo arrebatador,
um vislumbre do paraíso,
de beleza e esplendor,
avistei a Vênus de Milo
de lá, acenando
com todo o seu amor
causando-me um forte suspiro
que logo recobrou-me o vigor.
No delírio intenso de nossos sentidos, Não há pecado, Por amor tudo é remido, Abraçados seremos bem mais do que amigos...
No delírio intenso dos nossos sentidos, A tua presença atiça tal qual palha na fogueira, No fundo nós sabemos que somos bem mais do que amigos.
Estou hipnotizada pelo delírio silencioso de me derreter olhando nos teus olhos, Amar é estar agarrada nas asas da liberdade...
És o meu hipnótico
secreto que me põe
em delírio de amor
certo mesmo sem
nenhum diagnóstico,
e assim te carrego.
Há dança dos astros
nos nossos quadris,
no olhar os sinais
que só os apaixonados
fazem por merecer,
a viração das horas
hão de nos pertencer.
És o meu único ilustre
cidadão do meu peito,
Galáxia do Cata-Vento,
te amo além do tempo
que nos coloca todo
o dia à prova e rebento.
Os arquitetados beijos
em reserva especial
permanecem do jeito
como devem estar,
para plenos serem
quando você chegar
numa linda noite de luar.
Com delírio de amor
eu hei de te trazer para mim,
com todo o requinte
que a paixão pleiteia,
E assim plenos
na dimensão oceânica seguiremos.
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