Contos de Cora Coralina
A carta de um anjo chamado Aspie:
_É como se você tivesse uma necessidade orgânica de manter o coração puro, logo isso faz a gente pensar e desejar o mundo como uma criança. Mas uma criança que tem que viver uma vida de adulto. Conseguem entender o paradoxo de por que é difícil pra gente sentir? A gente tem muito sentimento, mas provavelmente nunca vamos entregar ele.
Podes me ver
entre-Olhares!
São entradas e saídas
entreabertas e insulares
de meu intrépido coração.
Podes me ouvir
entre sussurros entrecortados,
nas entrelinhas das palavras,
são enigmas entrelaçados
a entremeios de paixão.
Podes me sentir
na entrega, entresseios
no entra boca e entre-eixo
entre tantos de meus anseios
de ti.
(Entre)
Mulher de fases:
Seu jeito singular, está na sua essência.
Complicada, e nem tão perfeita.
Um coração amoroso, e um pavio curtíssimo.
Não é sempre doce , seu humor oscila.
Não tire ela dos seus dias silenciosos, só se souber lidar com seu barulho.
Um vulcão de sentimentos, juntos e misturados, mas ela deixa sobressair só os bons.
Preste atenção nos sinais, não provoque, só tire dela se for seu melhor sorriso.
E verá que apesar dos pesares, ela é um amorzinho.
Ah se é.
Nos tempos atuais, onde o desamor e a falta de empatia viraram moda, eu me sinto bem em ter um coração amoroso, e que está sempre em oração intercendo por pessoas que amo e desconhecidos.
E vocês não imaginam como fico feliz, quando Deus, apesar da minha pequenez, atende, e concede a benção.
O AMOR de Deus para conosco é incondicional, ele não esquece de nenhum de seus filhos, nós é que somos ansiosos, e não temos paciência de esperar, pois tudo vem, mas no tempo dele.
Aprendi a agradecer mais, e reclamar menos.
Pois sei que Deus está no controle de tudo,.
Ele tudo pode.
Ele tudo sabe.
E está em tudo.
Apenas a uma oração de distância.
Nunca desista.
Deus tem feito incontáveis maravilhas todos os dias.
Aguarde e confie.
Deus é bom o tempo todo, o tempo todo Deus é bom.
Muita coisa não deu certo
Creio eu que foi isso que me deu
A força que agora eu tenho
E com coragem, deixei de seguir
Tantas leis, de tamanha injustiça
Pois um dia eu descobri
Que as fizeram só pra mim
Assim
Deixei de estar por perto
Desertei, fui embora, porque
Minhas súplicas, ninguém ouvia
Os meus dias nasciam mais cedo
Eu tinha medo de ir e sempre ia
Não sabia calcular meus passos
Arrisquei mesmo assim
Muitos saltos na vida
E em alguns eu não cai
Ninguém nunca se importou
Se eu sentia saudade ou vontade
E os meus dias eram sempre
Os que terminavam mais tarde
E quando era assim
Acabava estando tudo
Distante, muito distante
Parecia que só eu errava
Tem dias em que a vida
Simplesmente não ajuda
Enquanto tudo se agigantava
Fui crescendo, também eu, com isso
E agora
Meu único compromisso
é com algo
que ainda não conheço
As coisas que não deram certo
Me ensinaram
Que um novo amanhã
e um novo começo
Podem estar
Bem mais perto
Mais perto que eu penso.
O Universo
Este lugar inexplorado
Um admirável desconhecido
Tão inóspito e hostil
Quanto os corações humanos
Talvez seja por isso
Que não conste nos Planos Divinos
Que conheçamos seus segredos
Enquanto não aprendermos
A desartar os nós
Que nos amarram as almas
e impedem que tenhamos novamente
Aqueles corações sinceros
Corações simplesmente de meninos
Que havíamos recebido
Assim que chegamos a este mundo
E crescendo a ver pássaros,
Enxergar o colorido das flores
e o brilho das estrelas
Sem perceber como e nem quando
Aqueles corações vão endurecendo
Vorazes por respostas
Capazes de transformar o tempo
em algo um tanto veloz
Sem sequer haver um motivo
E sem perguntar a si mesmo
Qual foi a causa dessa pressa
Em possuir obsessivamente
Alguma coisa
Que definitivamente
Não nos interessa
Enquanto isso
O Universo permanece
Ao alcance da mão num momento
e no instante seguinte
Tão distante
Quanto a paz dista
dos nossos corações de Homens
Esta tão difícil conquista
Quando o perdão liberta antes do amor.
Há momentos em que o coração, ferido pela incompreensão, pelo abandono ou pela injustiça, precisa antes se despir do peso da mágoa para então reaprender o verbo amar.
O amor, em sua pureza, é um ato de entrega; mas o perdão é um ato de libertação, e às vezes é ele quem chega primeiro, abrindo as grades invisíveis que nos aprisionam ao passado.
Perdoar não é aceitar o erro, é compreender que a dor não deve governar o destino. O perdão não absolve o outro apenas; ele resgata a si mesmo. Porque enquanto o ressentimento persiste, o amor não respira, ele sufoca entre as lembranças, tentando florescer em solo infértil.
É no instante em que o perdão se faz ponte, e não muro, que a alma se reencontra consigo. E somente então o amor, que sempre esperou em silêncio, pode voltar a ser caminho, não mais ferida, mas aprendizado.
Alguns amores só sobrevivem quando são libertos pelo perdão. Outros só nascem depois dele. Mas, em todos os casos, o perdão é o primeiro gesto de amor, ainda que disfarçado de despedida.
Quando a injustiça emana justamente da instituição que carrega o peso de garantir a justiça, o coração do advogado se parte. É um paradoxo doloroso: lutar em nome do Direito e, ao mesmo tempo, testemunhar sua negação. Em momentos assim, parece que a balança da justiça se inclina ao avesso, oferecendo amparo àqueles que ferem e desamparando os que juraram proteger.
Para o policial militar, que carrega nos ombros o fardo da ordem pública, a sensação de abandono pelo próprio sistema é uma ferida que o Direito deveria sanar, mas frequentemente ignora. Quando a lei, que deveria ser imparcial e firme, parece pender para o lado de quem desrespeita suas regras, o sentimento de impotência é inevitável.
E o advogado, que deveria ser a ponte entre o indivíduo e a justiça, encontra-se questionando seu propósito. Como acreditar no Direito quando ele falha justamente para aqueles que o defendem com a própria vida? No entanto, é nessas horas que a verdadeira essência do advogado é testada. Ele deve se lembrar de que, por mais que o sistema seja falho, sua luta não é vã.
O Direito não deve servir apenas ao papel. Deve existir, sobretudo, na prática, para todos — sem distinção. Ainda que a estrada seja árdua, é a persistência em buscar a justiça que mantém a esperança viva. Afinal, a injustiça que hoje sangra o policial militar deve ser combatida com a força de quem ainda acredita no ideal de um mundo mais justo.
Humano Evolucionário
Imagine um herói adormecido em uma profunda hibernação. Ele é poderoso, corajoso e inteligente, mas está preso em um sono profundo. De repente, uma energia misteriosa começa a agitar seu corpo e sua mente. É como se um chamado estivesse sendo feito, uma convocação para despertar.
Nos primeiros momentos, o herói reluta em sair da letargia, sentindo-se confortável em sua inércia. Mas a energia persiste, fazendo sua temperatura interna subir e suas forças se reativarem. Gradualmente, ele começa a despertar, seus olhos se abrem e sua mente começa a funcionar novamente.
Com cada respiração, o herói se torna mais consciente, mais presente e mais forte. Ele se levanta, percebendo que há uma missão a cumprir e um mundo a salvar.
A energia que o despertou agora o impulsiona adiante, enchendo-o de coragem, determinação e sabedoria.
Assim como um herói que desperta para salvar o mundo, também podemos despertar para fazer a nossa parte no mundo.
Precisamos nos conectar com a energia que nos impulsiona e seguir em frente, enfrentando os desafios que surgirem pelo caminho.
O despertar da consciência é um chamado para a ação, para nos tornarmos os heróis de nossas próprias histórias e fazer a diferença neste mundo. Aqui e Agora.
Qdo eu aprendi a ler com o coração, a vida se tornou mais linda
.Qdo eu aprendi entender com o coraçao, a vida se tornou simples, sem complicação. Qdo eu aprendi a olhar com o coração, tudo mudou, tudo floriu, e tudo se renovou,tranformou !!!
Neste dia, descobri meu coraçao transbordando de amor, carinho, afeto, paz, tranquilidade, perdão, uniao.!!! Paz e luz..simone vercosa
Que tu saibas minha estimada que aprecio um café quente e saboroso como o calor ardente do teu coração que aquece prontamente o meu corpo, fazendo eu sentir um sabor evidente de exultação.
Motivado por um momento simples e caloroso, bebendo um pouco de entusiamo, penso em ti e Expresso estes versos que demonstram o meu Forte sentir e a minha vontade de ter-te por perto.
Aqueço a tua existência nos meus pensamentos com uma temperatura que se assemelha a da vivacidade de beijos que se correspondem, uma maneira de não deixar que a espera de estar contigo venha a ser tão amargante.
Khirbat Zalafa
Os ventos dobrando
as plantações de cereais,
na cesta tenho laranjas,
no coração tenho você
que chegou devagarinho
e com emoções criou
o nosso ninho que nem mesmo
o despojamento foi capaz
de ir contra a lembrança,
porque tudo aquilo na vida
que vai sempre volta,
A verdade está batendo na porta.
Magnífica floração surgida,
Do teu doce encanto ungida,
Maravilhosa imensidade,
Do teu coração oceano
E da tua amorosa bondade.
Esta divina e serena presença,
Sempiterna claridade,
Repleta de amor e majestade,
Dedico a minha ternura
E a minha fidelidade.
A flor do hibisco que saúda,
O vento do litoral que brinda,
A paixão eterna e purpúrea,
A Natureza sempre é elixir,
É a vida que salta e sinaliza
À despertar, amar e sentir.
A flor do hibisco brilha,
E aos olhos encanta
Com corporificada ousadia,
E coragem acalentadora
No outono que não se encerra,
É a própria primavera!
A flor do hibisco é sinal
De que também pode como a rosa
Ser tão bela e tão poética;
E assim sendo sinestésica
- magnética
No jardim do amor, perpétua.
Ressurgida deusa misteriosa,
Atraída pelo entardecer,
E colocando-me a postos,
Sempre a tua espera,
Querendo nos teus braços
Estremecer e te pertencer...
Rodeio Iluminada
No Médio Vale Itajaí
o coração me escolheu,
Eu moro em Rodeio
onde este coração é teu.
No Pico do Montanhão
que o Sol derrama
o mais lindo beijo,
Eu moro em Rodeio
e te levo grudado no peito.
No Médio Vale do Itajaí
este coração é teu,
Eu moro em Rodeio
onde o teu coração é meu.
Na nossa Santa Catarina
agraciada por tantas belezas,
Sou o teu amor encontrado
vivo e forte no teu coração
aqui entregue e apaixonado.
Na Rodeio iluminada
pelo teu sentimento tenho
o enleio, a ternura e o candor;
Eu moro em Rodeio e vivo
no peito esta história de amor.
Um Chimarrão da Flor
mais doce e campeira
que é capaz de te cobrir
com todo o amor,
O teu coração não pensa
em outra coisa a não ser
em me seguir para onde eu for,
Porque só o meu calor
é capaz de te trazer serenidade,
você precisa de mim como
um pássaro que nasceu feito
para viver em total liberdade.
Não é preciso dizer uma
só palavra porque eu sei
que ocupo há muito tempo
a sua mente e o coração.
E eu te amo sem te ver
profundamente e quando
falo sobre você soa
sempre doce como canção.
Acreditamos firmes na força
da grande Pátria Austral
sob o Hemisfério Celestial Sul
com os olhos fechados.
Sem estar nos meus braços
sei que nos combinamos
desde de sempre e estamos
interiormente conectados.
Todos os seus mais pequenos
sinais mesmo aqueles que
os mantenho silenciados
ao coração ainda falam cadenciados.
Ela em seu vestido preto sai mais uma vez.
Seu instinto a guia...
A liberdade mística a impulsiona...
Sem ninguém a ver...
Ela toca, brinca, e sopra os ouvidos.
Se divertindo...
Seduz e hipnotiza... Tolos mortais .
Que é conduzida a dança conforme ela assim desejar.
Se solta.
Te dou um beijo,
na boca...
sem dó,
na marra,
pra ver se algo acontece,
nesse corpo guardado e sem pecado pra mim.
Vai...
agora,
na hora do banho,
pelo menos tenta,
se atenta?
Pensa!
Deseja!
Quem sabe você goste...
quem sabe você goze.
Se riu,
se solta...
vá logo,
se toca.
Pense na minha vontade juvenil,
de seduzir você.
Tomara que consiga,
e que vire vicio...
pois meu vicio,
é atentar você!
CONFIDÊNCIAS DE BOLSO
Coisa triste é ser coadjuvante da própria história, destarte, cansado dessa posição pouco realizante lanço mão deste, para ousar ir além, para assumir ainda que brevemente o protagonismo que me é devido. Sim claro, elementarmente que se apresenta um tanto arrogante minha tal posição, assim tão aguerridamente assumida, mas creia-me, nada tem a ver com arrogância, trata-se meramente de assumir o meu papel de fato, e assim na condição de protagonista apresentar a minha percepção das coisas... Poderá por ventura alguém censurar-me, por querer também dizer daquilo que sinto, penso, vejo..? Ainda que alguém ouse, ainda que me censurem, quero correr este risco, quero submeter às críticas. Mas aos mais desavisados digo logo de entrada, o que falo, falo de mim mesmo, do meu coração, se é que tenho um... de minha sensibilidade...
Mas chega desse prolixo preambulo, vamos avançar... quero apresentar –me, permitam-me! Sou o bolso. Sim o bolso... muito certamente que lhe soará estranho caro leitor. E naturalmente expressará algum espanto. Mas não se precipite... sim, o bolso! É este aquele que vos remete... desde a muito que ando, a acompanhar tanta gente nas mais diversas situações e ocasiões, mas hoje quero evocar o direito de falar, narrar algo que julgo relevante.
Sou um bolso traseiro de uma velha calça jeans. Nesses meus sete anos de vida, tenho visto e acompanhado muitas coisas, mas por viver na retaguarda, acabo observando pelos fundos, na traseira da história, perifericamente. O que em nada invalida minhas percepções elementarmente.
Nesses meus anos de vida, muitas coisas me marcaram, outras passaram irrelevantes. Mas caro leitor, permita dizer... ultimamente, ando meio em crise, não sei se é a melhor idade, o causticante martírio de viver minha existência toda nesta mesma contraditória posição, sim contraditória, mas o fato é que sinto me impelido a fazer algo novo, a falar de mim. Veja bem, deixe que eu explique essa contradição que pertine a minha posição.
Pois bem, enquanto bolso traseiro de uma calça jeans, estou localizado numa região nobre, nos altiplanos glúteos com toda sua nobreza e majestosa sedução. Isso é maravilhoso, esse status realmente é fascinante... a maciez dos glúteos, sua textura, seu movimento... os glúteos trazem emoções apavorantes, intensas, é indubitavelmente uma região badalada... a freguesia é constante e diversa, desde o olhar o mais frequente dos visitantes, até os lábios, mãos dedos, rosto, nariz, etc... enfim uma loucura o dia-a-dia glúteo.
Mas vida de bolso traseiro não é só essa majestosa badalada rotina. Há constantemente transtornos que complicam a vida, alteram os humores desafiando qualquer bolso traseiro que se prese. Entre os cânions glúteos fica localizado o orifício vulcânico... um oráculo de humores instáveis que expelem larvas e gazes das mais distintas naturezas... vez ou outra recebe estranhos visitantes que ora apenas o cumprimentam, se esfregam, reverentemente, limpam no, ora adentram e realizam uma estranha ritualística entrando e saindo freneticamente, até que desaguam neste num ápice estranho, tudo isso é contraditório, tudo isso faz essa citada contradição... mas o mais contraditório mesmo, é que mesmo sendo um habitante dos glúteos e saber de todas essas coisas, as sei pelo observar, ora de meu lugar de residência, ora de longe... sim de longe, pois que quando tudo fica intenso nos glúteos, a capa de revestimento que pavimenta o corpo é arrancada e lançada fora, assim é que de longe, abandonado, relegado ao descaso sou juntamente com a calça deixado pelo caminho, sendo obrigado a apreciar estas coisas quase sempre a distância. Como coadjuvante, expectador na maioria das vezes. Razão que tanto me indigna e faz evocar o meu direito de fala.
Ora, ultimamente tenho feito artes... um pouco de traquinada faz bem, pode trazer complicações... mas não há idade que resista ao prazer, à emoção de uma boa aventura...
Na condição de bolso, além de ver e observar tudo quanto tenho dito, também cumpro meu papel de receber e acomodar as mais diversas coisas... carteiras, dinheiro, papel, bilhetes, contas, em fim uma infinitude de coisas... mas ultimamente tenho recepcionado um dispositivo engraçado que as pessoas andam usando. Elas o chamam de Celular. È um aparelhinho usado para se comunicar com outras pessoas que estão distantes. É um geringonça tão eficiente e encantante que até eu tenho me rendido aos seus benefícios e encanto... já usei algumas vezes... olha é mágico o efeito que ele produz...
A principio era tudo irrelevante, eu o recebia, o recebia, o recebia, sem lhe prestar atenção... mas sabe como é, há sempre um tempo mais oportuno para cada coisa... assim , chegou o dia que acabei sendo seduzido por tal dispositivo e passei a reparar mais nesse tal de celular.
Sou bolso traseiro de calça jeans como disse, mas calça jeans de um poeta... bem não sei como são os outros, mas o poeta, ah, o poeta é um ser encantante, encantante mas muito estranho... difícil de definir. O caso é que esse meu poeta tem lá suas musas e usa muito seu celular para receber as inspirações das musas... estranho, né, eu sei! Homero ficaria louco, se soubesse a que ponto chegamos... musas que inspiram por mídias... bugigangas tecnológicas que a modernidade trouxe. Mas seria muita perfídia refutar todas essas coisas por puro capricho e descabido zelo pela tradição homérica. Até mesmo por que se por um lado tudo isso rechaça a tradição, não o faz para extingui-la, mas para a remontar sob novo arranjo, dando convivência entre o tradicional e o moderno... que papinho mais chato não...
Pois bem, esse meu poeta, é um ser extremamente contraditório, todos somos, mas ele parece ser mais... talvez daí tenha eu sido vitima de alguma influencia... ele relaciona –se com várias musas, deuses e semideuses, habitantes da luz e das trevas... é uma intersecção de mundos e submundos, talvez seja isso que lhe faz tão contraditório, ele alimenta e é alimentado por fontes múltiplas... e se se é o que se come!
Ele encontrou por acaso, penso eu, pois não faz muitas luas que ele encontrou, uma nova musa... ela é uma musa muito interessante. Ela já o encontrou algumas poucas vezes, mas a conexão entre eles é algo surpreendente, impressionante. O contato entre eles gera uma aura que é inominável, indescritível, pura inspiração, “luxuria que o fogo lambe”, diria outro poeta.
De tanto ouvir e apreciar tudo, como sempre na minha condição de distante observador, acabei me envolvendo, me sentido parte daquilo tudo... em fim bem ou mal, não sei, julgue me quem puder... resolvi entrar na brincadeira, entrei na dança...
Um belo dia após oras de conexão entre musa e poeta, a inspiração se deu tão intensa e profusamente que o celular foi dispensado... o poeta confiou a mim... foi aí que fiz minha traquinada. Comecei a mexer em todos aqueles botõezinhos, no afã de ver no que dava. Descobrir que tipo de feito aquilo propiciaria... mexi, mexi, mexi... quanto em fim estava exausto e confuso, já não tinha mais paciência para aquele geringonça estranha. Então começou a soar um barulho estranho, entrecortado por pausas de total silêncio... assustei me quando o primeiro som ecoou, triiiiimmmmmmm... quase caí de susto, quase despenquei dos glúteos deixando a calça sem mim. Mas felizmente minhas costuras são de boa qualidade e assim eu resisti aquele apavorante som, logo na sequência imediata um silêncio se vez... e novamente o som voltou a impor-se triiiiimmmmmmm...( silêncio), triiiiimmmmmmm...repetidas vezes isso se deu. Minha curiosidade aguçou-se e ao fim de repetidas alternações de som e silêncio... veio o contanto com a musa.
Indescritível, não há palavras, nem cores, gestos imagens, nada, absolutamente nada, que se possa prestar eficientemente para expressar aquele momento, aquele contato, aquela musa mágica, cativante, apaixonante que de outro mundo dizia com voz doce e pueril, jovem e deliciosa ao meu ouvido coisas que não pude entender, seus gemidos, suas frases eram inefáveis, sua respiração, o compasso de toda a peça... uma magia envolvente cativante... entendi brevemente na minha insignificância bolsal o que o poeta vive e sente contactando essa musa. São percepções que não se pode exprimir...
Do outro lado a musa dizia algo assim “Alô, Alô, alô, Kiko di Faria, fala comigo, podes me ouvir...? Puhn, puhn, puhn...” sinceramente não entendi nada. Eu não falo essa língua. Como exprimir o inexprimível, como explicar o inefável? Não sou eu, pobre bolso que o poderá fazer... mas o fato é que foi tão diferente, me transformou de tão prazeroso e inusitado, tornei me outro ser... repeti algumas vezes a travessura e assim desabrochou em mim a capacidade e o desejo de falar tudo isso. A vontade incontida de dizer estas coisas, vencer o anonimato, sair da coadjuvância e render tributos ao protagonismo, ainda que breve, em poucas linhas... seduzido e inspirado pela musa deixo aqui minhas confidências de bolso.
Acho que cá não há lei que as proíbam, se tem eu as desconheço, assim como desconheço, ignoro quem poderia se ofender com tal feito meu, senão o poeta, que ao tomar conhecimento, acho que revelado pela musa, nada fez. Não arranco-me, não costurou-me, nada, absolutamente nada, nenhuma sanção... então não deve ser crime.
Lei cá não há! Ley lá, Ley lá... não sei se há. A musa não creio que fará, se Faria Ley lá, só o tempo se me nos revelará, mas seja quem for tal musa, como for... ela sendo seja lá o que for, é esse ser que seduz encanta e envolve até o bolso do poeta... bolso que ainda que vazio... é eternamente cheio de histórias pra contar.
O AMOR E SUAS ESPÉCIES
Não sei se você percebe
Para alguns o amor é uma droga
Para outros é uma loucura que se comete
Para uns é algo que deve se ocultar
Para muitos é motivo para chorar
E a espécie mais rara:
O amor é motivo para sorrir
Esse último só deve existir
Em contos de fadas
