Coleção pessoal de Mannu23
A PESSOA POR TRÁS DAS PALAVRAS
Talvez você nunca tenha percebido...
mas tudo o que escrevo acaba falando um pouco sobre mim.
Eu sou assim.
Reparo no que quase ninguém percebe.
Guardo palavras, olhares, silêncios, horários e pequenos gestos.
Transformo momentos em lembranças
e lembranças em versos.
Eu gosto do que tem significado escondido.
Um lírio pode ser mais do que uma flor.
4:47 pode ser mais do que uma hora.
Marte pode ser mais do que um planeta.
O escuro pode revelar mais do que a luz.
E o mar pode, quem sabe, aprender um nome.
Eu gosto de transformar coisas comuns em segredos.
Talvez essa seja uma das características mais bonitas —
e também mais perigosas — em mim: eu sinto os detalhes.
Tenho dentro de mim uma espécie de universo particular,
onde sentimentos ganham nomes,
perfumes ganham sabores,
pessoas viram constelações
e momentos pequenos demais para serem explicados
se tornam enormes dentro de uma página.
No fundo, acho que escrevo para não deixar certas coisas morrerem.
Para guardar aquilo que talvez o tempo tente apagar.
E se um dia alguém quiser realmente me conhecer,
talvez não precise me fazer tantas perguntas.
Talvez só precise ler aquilo que escrevi.
Porque entre um verso e outro,
entre o mar e Marte,
entre a maresia e o silêncio,
existe uma versão minha que quase ninguém conhece.
Uma versão que sente profundamente.
Que observa demais.
Que guarda demais.
Que ama as pequenas coisas.
Que encontra significado onde outros enxergam apenas acaso.
E talvez exista uma coisa que eu nunca tenha dito
com todas as letras.
Então vou dizer agora:
Eu te desafio a me amar.
Não pelo que eu sou.
Não pelo que você imagina que eu seja.
Não pelas palavras bonitas que escrevo.
Mas pelo que você sente quando está comigo.
Porque talvez seja aí que eu realmente esteja.
Não nos versos.
Não nas metáforas.
Não nas páginas.
Mas naquela sensação que fica quando estamos perto,
naquilo que você não consegue explicar,
mas também não consegue ignorar.
E se algum dia você conseguir descobrir quem sou
por trás de tudo aquilo que escrevo...
talvez entenda.
Eu não transformo qualquer coisa em poesia.
Quando algo — ou alguém — realmente importa...
eu não simplesmente passo por isso.
Eu transformo em poesia.
Quando O Pensamento Encontra Você
No caminho de volta pra casa,
me peguei pensando em você.
E entre o silêncio da estrada
e tudo o que eu podia esquecer,
foi você quem veio aparecer.
Pensando que a vida ficou mais bela,
mais leve, mais bonita e sincera,
desde o dia em que você chegou,
desde o instante em que algo mudou,
mesmo sem saber o que começou.
Parece clichê falar,
parece clichê dizer,
mas quando meus pensamentos procuram paz e lar,
é somente pensar em você
que tudo volta a fazer sentido outra vez.
E talvez você nem saiba
o tamanho que isso tem.
Talvez nem perceba que, às vezes,
pensar em você me faz tão bem.
É curioso esse sentimento,
que chega sem pedir licença,
se esconde atrás de um pensamento
e se revela na ausência.
Porque quando o dia pesa,
quando a noite demora a passar,
é a lembrança do seu jeito
que faz meu coração sossegar.
E eu poderia chamar de acaso,
de carinho, amizade ou distração,
mas há coisas que não cabem em palavras
quando começam dentro do coração.
Você virou pensamento recorrente,
daqueles que chegam de repente,
sem hora, sem aviso, sem razão,
e deixam um sorriso no rosto
e silêncio no coração.
Talvez seja isso que me assusta:
você não precisou fazer nada.
Foi apenas sendo você,
e, de alguma forma inesperada,
fez a minha vida ficar mais encantada.
E se alguém me perguntar
por que penso tanto em você,
talvez eu sorria e desconverse,
sem saber exatamente o que dizer.
Porque existem sentimentos
que não gostam de explicação;
preferem morar no silêncio,
entre a dúvida e a intenção.
E talvez você nunca descubra
o que acontece quando penso em nós...
Mas, se algum dia perceber,
talvez entenda por que,
no meio de tantos caminhos,
meu pensamento sempre encontra você.
Porque no fim, talvez seja simples:
quando meu coração procura um lugar, é em você que ele encontra
onde descansar.
O Infinito Tem o Seu Nome
As ondas do mar pausam para admirar
a sua beleza, o seu brilho, o seu jeito de encantar.
A maré, que nunca obedece a ninguém,
parece encontrar em você o motivo para ir e vir também.
O sol, tão convencido de ser dono do céu,
olha para você e percebe que o seu brilho é mais fiel.
Com uma certa inveja, resolve brilhar mais forte,
como se quisesse provar que também tem a sua sorte.
Mas a lua, que conhece os segredos da noite,
não entra nessa disputa — apenas observa e se esconde.
Porque sabe que existem brilhos que nenhuma estrela alcança,
e que certas belezas fazem até o universo perder a esperança.
As estrelas mudam suas constelações
só para desenhar você entre galáxias e imensidões.
E o vento, que atravessa continentes sem pedir licença,
quando passa por você, desacelera — como se também sentisse a presença.
Até Marte, com seu vermelho incendiado,
parece menos intenso quando você está ao seu lado.
E Saturno, com seus anéis a girar,
talvez os usasse apenas para ter uma desculpa para te admirar.
O céu guarda seu nome em algum lugar distante,
o universo parece menor diante de um instante
em que você sorri, e tudo ao redor
parece entender que nasceu ali um novo tipo de amor.
Mar, Sol, Lua, Praia, Maré, Vento e Estrelas,
Galáxias, Planetas, Céu e Constelações tão belas...
Tudo parece existir em perfeita harmonia,
como se a própria natureza soubesse que você merecia poesia.
O mar te contempla, a lua te ilumina,
o sol perde o brilho quando você se aproxima.
As estrelas te seguem na imensidão,
e o universo te guarda como constelação.
Se o céu tem seu encanto e o mar sua beleza,
você reúne os dois com tamanha delicadeza.
E entre o infinito, o tempo e o luar,
há uma certeza que não posso negar:
se o universo é infinito e o amor também,
talvez você seja o infinito que o meu coração contém.
Talvez o vinho não aqueça nada.
Talvez ele apenas revele
o que já estava quente por dentro.
E você fica especialmente bonita nessa cor —
como se tivesse sido escolhida
para carregar todos os tons que eu não sei dizer.
Minha camisa da SZA em você,
o preto quebrando o vinho,
e minha imaginação completando aquilo
que meus olhos nem sequer tiveram permissão para conhecer.
Mas existe algo ainda mais curioso…
São os teus olhos.
Castanhos, eu sei.
E, ainda assim, quando me veem, parecem mudar de cor.
Aquele brilho que antes parecia apenas razoável
se transforma em alguma coisa quase impossível de explicar.
Como uma esmeralda cintilante
quando encontra a luz certa.
E talvez eu esteja enganada…
talvez seja só a minha maneira de enxergar você.
Mas gosto da possibilidade
de que, quando seus olhos encontram os meus,
alguma coisa também mude aí dentro.
E existe a tua boca…
Não preciso dizer muito sobre ela.
Talvez seja justamente o silêncio que diga mais.
Só consigo imaginar aquele instante tranquilo,
quando o espaço entre nós diminuiria devagar,
como se até o tempo soubesse
que certas coisas não precisam de pressa.
Um beijo calmo,
daqueles que não pedem explicação,
apenas deixam uma pergunta no ar:
“E se a gente tivesse deixado acontecer?”
Curioso…
Será que você sente alguma coisa parecida
quando percebe que existe alguém
pensando demais em uma simples imagem sua?
Ou será que certas ideias
só ficam perigosas
quando existe a possibilidade
de serem compartilhadas?
Porque talvez o verdadeiro mistério
não seja aquilo que eu imagino sobre você.
Talvez seja descobrir
o que você imagina quando pensa em mim.
E é justamente nessa diferença
que mora a minha curiosidade:
entre aquilo que eu digo,
aquilo que você entende
e aquilo que nenhuma de nós
tem coragem de dizer.
Fome de Teu Mistério!
Não sei que nome dar
ao que acontece quando você chega,
se é vontade de ficar
ou uma fome que o peito carrega.
Porque eu não quero somente te olhar,
quero entender o que existe em você;
cada silêncio, cada jeito de falar,
cada pedaço que ninguém consegue ver.
Quero saber teus medos escondidos,
as histórias que ninguém ouviu,
os sonhos que moram adormecidos
no lugar onde teu coração se abriu.
Quero o teu riso sem pressa,
teu silêncio quando a palavra faltar,
essa parte de você que ninguém confessa,
mas que eu tenho vontade de desvendar.
Talvez seja por isso que eu te queira:
não pela beleza que os olhos podem ver,
mas pela parte mais verdadeira
que ainda existe atrás de você.
Há em mim uma fome delicada,
que não pede para possuir;
quer apenas chegar mais perto,
até aprender teu jeito de existir.
Quero te descobrir devagar,
como quem lê o mar sem conhecer a maré,
sem arrancar segredo algum do lugar,
apenas entendendo quem você é.
E talvez seja esse o meu perigo:
quanto mais descubro, mais quero saber.
Quanto mais perto eu chego de você,
mais distante parece estar o fim.
Porque você não é algo que se explica,
é algo que se sente antes de entender;
uma vontade que não se justifica,
uma fome bonita de conhecer.
E se um dia eu disser que te devoro,
não pense que quero te prender:
é que existe tanto de você que eu adoro
que meu coração quer aprender a te ler.
Inteira.
Sem pressa.
Sem tradução.
Até que o teu mistério
encontre morada
dentro da minha imaginação.
O Que o Mar não Conta!
Talvez seja o mar que me faça lembrar,
talvez seja você que me ensine a sonhar.
Talvez seja a onda, talvez seja o luar,
ou talvez seja o meu peito querendo te encontrar.
Eu digo que é maresia,
que é o vento brincando em meu rosto,
mas quando penso em você,
há um incêndio escondido no meu gosto.
Finjo que é só poesia,
uma metáfora qualquer,
mas há oceanos inteiros
quando penso em você.
E o mar vai e volta,
como quem quer confessar
que certas vontades não sabem
nem nascer, nem terminar.
Há qualquer coisa nas ondas
que se parece com nós duas:
uma distância que provoca,
uma vontade que não recua.
E eu sigo fingindo
que é apenas admiração,
quando, na verdade, teu nome
já encontrou morada no meu coração.
Se alguém perguntar
por que eu olho tanto para o mar,
eu digo que gosto das ondas,
do silêncio, do azul, do luar.
Mas talvez o oceano saiba
aquilo que eu não digo a ninguém:
que quanto mais tento esconder,
mais fundo você vem.
Você é a maré que me alcança
sem sequer precisar chegar,
é o sal que fica nos lábios
depois que a onda vai embora do mar.
E talvez seja isso que assusta:
eu não precisei escolher.
Foi como o mar encontra a areia —
quando percebi, já era você.
Então deixo o oceano falar
o que minha boca não ousou:
se existe um segredo nessas águas,
é que meu coração se apaixonou.
Mas não conte a ninguém...
deixe o mar guardar também.
Porque se alguém perguntar,
eu vou dizer que é só poesia.
E se você entender...
bem, talvez seja só coincidência.
Ou talvez você descubra
que cada onda escrevia
o que eu não tive coragem de dizer.
Oceano - Djavan 🎶
AQUILO QUE A ALMA RECONHECE
A beleza agrada aos olhos,
faz o instante despertar,
mas a essência, quando toca,
faz a alma querer ficar.
Há quem chegue como vento,
sem promessa, sem intenção,
e há quem deixe, ao ir embora,
mais que marcas: uma sensação.
Tem gente que chega e deixa pegada,
mesmo sem querer permanecer;
deixa o pensamento inquieto,
deixa a vontade de entender.
Talvez seja só a beleza,
um encanto passageiro,
ou talvez seja essa essência
que transforma o “por quê?” em “quero”.
E há músicas que dizem muito
sem precisar nada explicar;
uma batida, um olhar, um silêncio,
e já existe algo no ar.
Não é somente sobre desejo,
nem somente sobre admirar;
é aquela estranha curiosidade
de saber onde isso pode chegar.
Porque os olhos podem escolher
aquilo que querem contemplar,
mas é a alma, quase em segredo,
que decide o que vai guardar.
E talvez seja esse o mistério,
a parte difícil de compreender:
quando alguém mexe com os sentidos
sem sequer tentar mexer.
Não precisa haver certeza,
nem promessa para cumprir;
às vezes basta uma presença
para fazer o coração sorrir.
A beleza chama atenção,
a essência consegue encantar;
mas quando as duas se encontram,
fica difícil não notar.
E entre uma música e outra,
entre o querer e o disfarçar,
fica aquela pergunta suspensa
que ninguém se atreve a perguntar:
foi apenas uma pegada
de alguém que chegou e passou,
ou foi a alma reconhecendo
alguém que, de algum modo, ficou?
Porque talvez seja esse o segredo
que ninguém consegue explicar:
algumas pessoas os olhos admiram…
mas existem aquelas
que a alma parece reconhecer
antes mesmo de o coração confessar.
ENTRE O FOGO E A TEMPESTADE
Se fosse simples, bastaria dizer:
“é paixão, é querer, é não saber esquecer.”
Mas há sentimentos que a língua não alcança,
e o silêncio, às vezes, revela mais que a esperança.
Você é a tempestade que chega sem avisar,
o céu que escurece só para depois clarear.
É o fogo que chama, mesmo sabendo que arde,
aquela vontade que cresce quando a razão já é tarde.
Você mora no intervalo de um pensamento,
entre o que se cala e o que vira sentimento.
É onde a razão lentamente perde o seu lugar,
e o desejo, em segredo, começa a despertar.
É o coração esquecendo o próprio compasso,
a respiração procurando um pouco mais de espaço.
É aquela presença que, mesmo distante,
faz qualquer silêncio parecer inquietante.
Talvez seja loucura. Talvez seja acaso.
Talvez seja apenas o destino ensaiando o primeiro passo.
Mas existem loucuras que não pedem cura,
porque certas vontades têm sua própria ternura.
E se alguém perguntasse o nome disso tudo,
talvez a resposta se escondesse no absurdo:
não é apenas querer, nem simples paixão…
é quando alguém encontra morada dentro de uma inquietação.
TALVEZ O VENTO JÁ SOUBESSE
Dizem que o dente-de-leão
guarda desejos que ninguém consegue dizer,
e quando o vento espalha suas sementes pelo chão,
leva consigo aquilo que se deseja viver.
Eu nunca fui de acreditar em sinais,
nem em destinos desenhados no céu;
sempre achei que encontros eram apenas acasos,
até você atravessar o caminho meu.
Você chegou sem aviso ou previsão,
sem promessa, sem hora, sem direção,
e, ainda assim, alguma estranha sensação
fez morada silenciosa no meu coração.
Foi só um olhar — talvez coincidência.
Foi só um sorriso — talvez distração.
Mas certas coisas desafiam a ciência
quando encontram a exata frequência do coração.
Porque existe alguma coisa em você
que eu não consigo simplesmente ignorar;
quanto mais tento não perceber,
mais meu pensamento encontra um jeito de voltar.
E talvez seja isso que me assusta:
não parece apenas vontade de querer.
Existe uma certeza quieta e justa
de que há algo entre nós para acontecer.
Talvez você não tenha percebido,
talvez ainda duvide do que pode ser;
mas há encontros que chegam despercebidos
e mudam tudo antes mesmo de a gente entender.
Eu poderia chamar de acaso,
culpar a lua, o tempo ou o luar;
mas seria covardia esconder o que sinto
atrás de palavras que tentam disfarçar.
Porque, se existe uma pergunta
que insiste em voltar para mim,
não é mais “será que pode dar certo?”,
é “por que não tentar até o fim?”
Não quero prometer um conto perfeito,
nem dizer que não haverá medo ou contramão;
quero apenas mostrar que, se houver um jeito,
eu escolho tentar com o coração.
Se você me der uma chance,
uma brecha pequena, um instante sequer,
eu não prometo saber o que o futuro alcança,
mas prometo descobrir com você o que ele quer.
Porque eu não preciso de certezas absolutas
para acreditar no que sinto por você;
algumas verdades nascem justamente das dúvidas,
e a minha já começou a florescer.
É estranho...
Eu não sei quando começou,
nem em que momento deixou de ser acaso;
só sei que, quando o teu olhar me encontrou,
alguma coisa mudou de lugar dentro do meu espaço.
E se isso for loucura,
que o vento carregue minha razão;
mas se for verdade, que nenhuma dúvida
seja maior que aquilo que diz o coração.
Então, quando encontrar um dente-de-leão
e suas sementes dançarem sem direção,
não pense que é somente o vento em vão —
talvez seja o universo testando uma intenção.
Porque eu já sei qual seria meu pedido
se pudesse escolher uma única coisa para acontecer:
que você me dê uma chance,
não a promessa de ficar,
apenas a coragem de tentar.
Tentar sem saber onde vamos chegar,
mas sabendo que existe algo para descobrir;
tentar sem medo de se entregar ao acaso,
mas com vontade suficiente para insistir.
E talvez, depois de algumas tentativas,
de alguns medos vencidos e noites sem fim,
a gente descubra que certas histórias bonitas
não começam com certeza —
começam com um simples “sim”.
Eu não sei se o destino escreveu teu nome,
nem se o vento já sabia onde te levar;
mas sei que, entre tantos caminhos possíveis,
você foi justamente quem veio me encontrar.
E hoje já não parece apenas desejo,
nem sonho que a manhã pode desfazer.
Há uma certeza escondida em cada ensejo:
eu sinto que é você.
Talvez você seja a pessoa certa,
não porque tudo será fácil ou perfeito,
mas porque, mesmo diante da incerteza,
meu coração ainda escolhe o teu jeito.
E se você também sentir, nem que seja um pouco,
se houver em você a mesma vontade de tentar,
talvez não seja preciso entender tudo agora —
talvez só seja preciso começar.
Deixar o medo para depois.
Deixar o destino respirar.
Dar uma chance para nós duas
e descobrir o que pode se revelar.
Porque talvez o amor não seja uma certeza
que chega pronta para a gente compreender;
talvez seja uma semente delicada
que só floresce quando alguém decide não correr.
Então eu deixo meu desejo voar,
como as sementes que o vento conduz.
Não para pedir que você venha me amar,
mas para pedir que descubra se existe luz.
E, se alguma delas pousar no teu caminho,
talvez você finalmente possa entender:
não era só o vento me trazendo até você.
Talvez fosse você
a pessoa certa
que o meu coração já sabia reconhecer.
E se você me der uma chance,
se permitir que a história comece a acontecer,
eu não prometo que o caminho será perfeito —
mas prometo que vale a pena tentar.
Porque, entre todos os desejos que o vento poderia levar,
existe apenas um que eu escolheria guardar:
você.
E talvez essa seja a única certeza
que eu não precise mais questionar.
TALVEZ SEJA VOCÊ
Deveria ser proibido um beijo que sabe se encaixar,
um olhar que demora demais antes de se desviar.
Um sorriso de canto, quase sem intenção,
e uma vontade perigosa de seguir aquela direção.
Perigoso é o beijo perdido no canto do lábio,
tão pequeno no gesto, tão imenso no cenário.
Um carinho tão íntimo, tão fácil de reconhecer,
que parece antigo mesmo antes de acontecer.
E então seu nariz encontrou o meu,
num segundo tão breve que o mundo desapareceu.
Foi um gesto tão simples, quase sem perceber,
mas fez meu coração desacelerar e o tempo esquecer.
Lá fora, a vida continuava a acontecer,
mas, perto de você, eu só queria permanecer.
Como se o mundo pudesse esperar lá fora,
enquanto alguma coisa em nós pedia demora.
Não sei se você sentiu o mesmo arrepio,
se também percebeu o silêncio ficando macio.
Não sei se o seu coração quis perguntar
por que certos encontros parecem feitos para ficar.
Talvez seja coincidência… talvez seja imaginação,
talvez sejam apenas duas pessoas confundindo o coração.
Mas, se foi só acaso, me diga então:
por que até o silêncio entre nós parece ter intenção?
E talvez o mais perigoso nem tenha sido o beijo,
mas aquilo que ficou depois, escondido no desejo.
Porque há coisas que a boca não consegue confessar,
mas que um simples olhar insiste em revelar.
Talvez você também tenha guardado aquele instante,
aquele pequeno segundo, tão breve e tão marcante.
Talvez tenha sentido o que eu senti,
ou talvez eu esteja inventando aquilo que não vi.
Mas se não significou nada, por que ainda está presente?
Por que aquela lembrança retorna tão silenciosamente?
Por que um momento tão pequeno, quase sem razão,
continua fazendo morada dentro do meu coração?
E talvez seja isso que me assuste em você:
não o que já aconteceu, mas o que pode acontecer.
Porque existem pessoas que chegam sem avisar
e, quando percebemos, já mudaram o nosso jeito de olhar.
Não sei se você é destino, acaso ou travessia,
se veio para ficar ou ser apenas poesia.
Só sei que, entre tantos caminhos que eu poderia escolher,
há alguma coisa em você que me faz querer permanecer.
Talvez você não seja perfeita — e talvez nem precise ser.
Talvez seja justamente o seu jeito que me faça querer te conhecer.
Talvez não exista resposta, promessa ou explicação,
apenas essa estranha certeza escondida na contramão.
E se existir, em algum lugar, uma pessoa certa para mim,
talvez ela não chegue com certezas, nem anuncie o fim.
Talvez venha assim: num olhar demorado, num sorriso qualquer,
num carinho inesperado que faz o coração dizer o que a boca não quer.
Então não me responda agora.
Deixe o mistério permanecer onde está.
Porque algumas perguntas ficam mais bonitas
quando ninguém tem coragem de respondê-las.
Só me diga uma coisa, antes de partir:
quando nossos olhos se encontraram daquele jeito,
você também sentiu o mundo diminuir por um instante?
Ou foi apenas o meu coração, em segredo,
que encontrou em você um lugar onde talvez pudesse descansar?
Porque, no fim, talvez o perigo nunca tenha sido gostar…
talvez o verdadeiro perigo
seja descobrir que, entre todas as pessoas que eu poderia encontrar,
talvez tenha sido você
a pessoa que eu estava procurando sem saber.
JÁ SOU TUA FÃ
Talvez a natureza, por um instante,
parasse só para contemplar
a beleza que você carrega
sem sequer perceber que sabe encantar.
Talvez qualquer olhar mais atento
encontrasse em você algo diferente,
mas eu tive a sorte de enxergar além:
a pessoa, a essência, a alma…
e foi aí que você me ganhou também.
Não vou negar:
teu corpo chama a minha atenção.
Seria impossível esconder
o que os olhos insistem em dizer
quando o coração começa a querer.
Mas a tua alma…
ah, essa é a minha parte favorita.
É nela que existe o mistério,
o encanto que não sei explicar,
aquilo que me faz querer conhecer
cada pedacinho seu
sem nenhuma pressa de chegar.
Então, se um dia você quiser,
deixa-me conhecer você por inteira.
Sem medo, sem roteiro,
sem precisar transformar sentimento em promessa.
Só deixa acontecer.
Deixa-me ficar por perto,
ser tua segunda a sexta-feira,
a conversa que chega sem motivo,
a companhia leve e verdadeira.
E, se aos finais de semana
você quiser dividir um pouco mais de você,
eu estarei por aqui também.
Não quero antecipar o destino,
nem escrever por nós duas o final.
Quero apenas descobrir, devagar,
se aquilo que parece tão bonito
pode ser ainda mais especial.
Eu quero ficar.
Quero permanecer,
mas sem pressa, sem cobrança,
sem pedir que você seja nada além
daquilo que já é.
Porque eu já sou tua fã.
E talvez o mais bonito de tudo
seja justamente isso:
eu não preciso saber onde vai dar
para gostar da vontade
de continuar.
4:47
Eram 4:47 da madrugada,
cada uma em sua casa, em sua estrada,
mas, mesmo distantes, sem poder se tocar,
havia um pensamento insistindo em nos aproximar.
Você colocou uma música para tocar,
e me chamou para, contigo, desejar.
Um pedido feito em plena madrugada,
uma coisa tão simples, tão inesperada.
E então você perguntou, quase a brincar:
“Você acredita nessas coisas?
Ou vai dizer que é uma ideia boba
e começar a desacreditar?”
E talvez você esperasse que eu dissesse
que aquilo era bobagem, que não acontecesse,
que desejos não mudam o destino,
que era só uma brincadeira daquele momento repentino.
Mas como eu poderia chamar de bobo
um instante que já me fazia sorrir de novo?
Como dizer que não acreditava em você,
se naquele momento eu só queria acreditar e viver?
Então fizemos nosso pedido em silêncio,
cada uma em seu quarto, no próprio endereço,
com uma música atravessando a distância,
e um desejo escondido na esperança.
E foi aí que aconteceu o mais bonito:
duas mulheres adultas, vivendo o infinito,
cada uma sozinha, mas sem solidão,
porque a outra ocupava espaço no coração.
E parecíamos duas adolescentes,
com sentimentos novos, intensos e inconsequentes,
descobrindo o frio gostoso de gostar,
rindo sozinhas sem saber explicar.
Não pela idade, isso eu sei,
mas pelo jeito que o coração voltou a ser rei.
Aquela sensação meio boba, meio sem razão,
de acreditar em destino, desejo e constelação.
E talvez você nem tenha percebido
o quanto aquele gesto me deixou enternecido.
Porque ninguém nunca havia feito assim:
escolher uma hora improvável para dividir comigo um “sim”.
Você poderia ter feito o pedido sozinha,
guardado o desejo no fim da linha,
mas escolheu me chamar para sonhar,
e, sem perceber, fez meu coração se iluminar.
Foi por isso que eu me senti especial,
por algo tão pequeno e, ao mesmo tempo, colossal.
Não pelo pedido, nem pela hora marcada,
mas porque você quis que eu estivesse naquela madrugada.
E se hoje alguém me perguntar
por que eu ainda gosto de lembrar
daquela hora, daquela música, daquele querer,
talvez eu só consiga responder:
Porque tu é tu.
Não existe fórmula, explicação ou porquê,
nem sei se o universo resolveu nos atender.
Só sei que, entre tantas horas para acontecer,
foi justamente 4:47 que escolheu você.
E desde então, quando o relógio chega lá,
eu penso naquela pergunta que você me fez no ar:
“Você acredita nessas coisas?”
Hoje eu acho que acredito, sim.
Não necessariamente em magia, destino ou previsão,
mas naquilo que acontece sem pedir permissão:
duas pessoas distantes, em suas casas,
ouvindo a mesma música e abrindo as mesmas asas.
Porque talvez acreditar não seja esperar o impossível acontecer.
Talvez seja apenas olhar para 4:47
e lembrar que, naquela madrugada,
mesmo longe uma da outra,
nós escolhemos acreditar juntas.
Ela é Sol! Eu sou Lua!
Ela é o Sol,
eu sou a Lua,
duas almas diferentes
sob a mesma imensidão.
Ela chega trazendo luz,
eu chego trazendo mistério;
ela ilumina o que toca,
eu guardo o que sinto em silêncio.
Ela é calor,
eu sou maré;
ela desperta sentimentos
que eu nem sabia que havia em mim.
Talvez seja por isso
que eu escreva tanto sobre ela:
porque há pessoas que simplesmente passam,
e há aquelas que deixam o céu diferente
depois que chegam.
Ela não precisa saber
quantas constelações acendeu em mim.
Talvez nem perceba
que, quando penso nela,
até minhas noites encontram claridade.
E eu, Lua,
continuo orbitando meus próprios pensamentos,
tentando transformar em versos
aquilo que não consigo dizer.
Porque o Sol não sabe
o quanto a Lua o observa.
E a Lua talvez nunca conte
o quanto é bonito receber sua luz.
Mas existe algo que o céu sabe
e nós talvez ainda não:
há encontros que não precisam acontecer no mesmo instante
para pertencerem ao mesmo universo.
Ela é o Sol.
Eu sou a Lua.
E, entre a luz dela
e as minhas fases,
existe um céu inteiro
guardando aquilo que somente nós
poderíamos entender.
"Ela nasceu para iluminar o céu; eu, para guardar no escuro tudo aquilo que a luz dela despertou em mim.”
- Mannu Viana Rios ☀️🌑
Mil Vidas, Mil Vezes Você!
Eu sempre te olhei com cuidado e carinho,
como quem recebeu do céu um raro caminho.
Algo tão delicado, tão lindo de guardar,
um presente que Deus me ensinou a amar.
Te acompanhei ainda dentro do ventre da nossa mãe,
e antes mesmo de nascer, já te amava também.
Te vi praticamente chegar ao mundo, sem nem perceber,
enquanto pulávamos uma janela — só nós para fazer.
E quando te peguei nos braços pela primeira vez,
meu coração descobriu um amor que jamais conhecera antes, talvez.
Ali nasceu mais um amor da minha vida,
minha bebê gigante, minha alegria preferida.
Dona de um sorriso capaz de contagiar,
cheia de vida, de sonhos e de um jeito lindo de iluminar.
Você nasceu para brilhar, para mostrar seu valor,
para deixar sua passagem pelo mundo repleta de amor.
Eu nunca estarei pronta para te ver crescer,
porque, para mim, você sempre será meu bebê, pode crer.
Mas quero estar aqui para cada transformação,
para cada conquista, cada sonho e cada realização.
Quero ver a mulher forte que você vai se tornar,
sensacional, espetacular, impossível de não admirar.
Mas, para falar a verdade, não preciso esperar,
porque a mulher incrível que você é já começou a se revelar.
E quem diria que, além de irmã, você seria minha melhor amiga?
Aquela que me chama para os rolês e ainda por cima me instiga!
Me diz: que irmã mais nova faz uma coisa dessas?
Chama a irmã mais velha pra tudo — e eu ainda aceito, sem pressa! Kkkkk.
Talvez a vida tenha decidido, sem nos consultar,
que ser apenas irmãs não iria bastar.
Então nos deu cumplicidade, carinho e conexão,
risadas, histórias e um amor que não cabe no coração.
Você é minha gêmea, mesmo sem termos nascido no mesmo dia,
é minha luz nos momentos escuros, minha dose de alegria.
É meu sol quando o mundo parece perder a cor,
meu ar quando preciso respirar amor.
É minha risada mais sincera, meu lugar para voltar,
meu outro mundo, meu jeito favorito de amar.
E se um dia você esquecer o quanto é especial,
eu estarei aqui para te lembrar — porque isso nunca será normal.
Eu te amo hoje, amanhã e enquanto a vida permitir,
e em cada fase da sua vida eu quero te assistir.
Cresça, voe, conquiste, descubra o que quiser,
mas nunca esqueça: estarei ao seu lado, minha pequena mulher.
Minha gêmea, minha luz, meu sol, meu ar,
minha irmã, minha amiga, meu eterno lugar.
Se Deus me perguntasse o que eu escolheria outra vez,
eu escolheria você — mil vidas, mil vezes, talvez.
Para: Casula ❤️
Dolce Peccato!
Sabe aquela pessoa
que a gente só encontra nos livros,
que aparece nos filmes
e que, por alguns segundos,
faz a gente acreditar
que certas pessoas simplesmente não existem?
Pois bem...
você existe.
E talvez seja justamente isso
que mais me desconcerta.
Porque não é sobre perfeição.
Eu não acredito em perfeição.
Também não acho que você tenha vindo
de outro planeta,
embora, às vezes,
seja difícil acreditar
que alguém como você
possa caminhar pelo mesmo mundo que eu.
É sobre ser incomum.
Sobre ter alguma coisa
que eu ainda não sei explicar,
mas que meus olhos reconhecem
antes mesmo que meu coração consiga entender.
Você é sem igual.
E, sabe...
eu acredito que você é o meu número,
meu tipo,
aquela combinação improvável
que a vida parece esconder
até o dia em que, de repente,
coloca diante dos nossos olhos.
E então a gente olha
e pensa:
“Era você?”
Ah, Dolce Peccato...
Você é aquele tipo de mulher
que muitos desejam.
Mas talvez desejem errado.
Porque alguns vão olhar para o teu corpo
e parar exatamente ali.
Eu não.
Eu quero saber da tua alma.
Quero conhecer teus silêncios,
entender teus medos,
descobrir aquilo que você esconde
quando sorri para o mundo
e finge que está tudo bem.
Quero saber o que te faz rir
até esquecer da hora,
o que te faz perder o sono,
quais sonhos você guarda
e nunca contou para ninguém.
Porque o teu corpo pode chamar atenção,
mas é a tua essência
que me prende.
E talvez seja isso
que me assuste.
Porque desejar alguém
é fácil.
Difícil é sentir vontade
de conhecer cada parte invisível
que existe dentro dela.
E eu sinto.
Sinto vontade de ficar
quando o mundo inteiro
talvez queira apenas passar.
Sinto vontade de te proteger
não porque você seja frágil,
mas porque até as pessoas fortes
merecem, às vezes,
ter alguém ao lado
quando o mundo pesa demais.
Se eu pudesse te proteger do mundo inteiro,
eu me colocaria em sua frente.
Seria o teu escudo humano.
Não para impedir o mundo de chegar até você,
mas para lembrar que,
se algum dia ele tentar te derrubar,
você não precisará enfrentar tudo sozinha.
Porque eu estaria ali.
E talvez você nem saiba
o quanto isso significa para mim.
Talvez você nunca perceba
que, em meio a tantas pessoas
que poderiam simplesmente passar pela minha vida,
você fez morada
sem sequer pedir licença.
E é estranho...
Porque eu não sei exatamente
quando aconteceu.
Só sei que, em algum momento,
você deixou de ser
apenas alguém que eu admirava
e se tornou
aquela pessoa que eu procuro
mesmo quando não estou procurando ninguém.
Dolce Peccato...
talvez você seja mesmo um pecado.
Mas não daqueles que a gente se arrepende.
Você é o tipo de pecado
que a gente guarda em segredo,
protege entre os pensamentos,
sorri quando lembra
e, no fundo,
agradece por ter cometido.
Porque existem pessoas
que a gente conhece.
Existem pessoas
que a gente deseja.
E existem aquelas raríssimas
que a gente sente.
Você...
eu sinto.
Cor de Marte
Há uma cor que não existe
nas paletas que conheço,
um vermelho antigo, quase secreto,
que parece guardar o avesso
de tudo aquilo que não confesso.
É a cor de Marte,
distante, silenciosa,
que atravessa milhões de quilômetros
sem jamais pedir passagem,
como uma lembrança teimosa
perdida na imensidão da paisagem.
Não é vermelho de rosas,
nem de fogo, nem de paixão.
É vermelho de poeira,
de tempo, de solidão,
de um planeta que aprendeu
a carregar cicatrizes
sem perder a própria direção.
Talvez por isso eu goste tanto dela.
Porque há beleza
naquilo que o tempo transforma,
naquilo que um dia foi diferente
e hoje carrega outra forma.
Marte não precisa ser azul
para ser bonito.
Não precisa de oceanos
para esconder seus abismos.
Basta existir,
vermelho e distante,
guardando em seu silêncio
mil histórias que ninguém ouviu.
E talvez seja essa
a verdadeira cor de Marte:
a cor de tudo aquilo
que sobreviveu ao tempo
e, mesmo depois de perder tanto,
ainda consegue iluminar o céu.
Uma cor que não pede para ser entendida.
Só para ser contemplada.
Cartografia do Teu Universo
Há qualquer coisa no teu olhar
que eu ainda não sei nomear,
como se o céu, distraído,
tivesse escolhido em ti morar.
Teus olhos guardam constelações
que não aparecem em nenhum mapa,
e eu, sem perceber,
me perco onde a tua luz escapa.
Há um silêncio na tua voz
que diz mais do que qualquer palavra,
um jeito de sorrir de canto
que desarma aquilo que eu guardava.
E o teu cheiro...
não sei se é perfume ou lembrança,
mas fica no ar depois que partes,
como uma promessa que não cansa.
Talvez seja isso que me encanta:
não saber exatamente o que acontece,
só sentir que, quando você chega,
alguma coisa em mim floresce.
Teu toque não precisa permanecer
para deixar seu caminho em mim;
há gestos que duram segundos
e, ainda assim, parecem não ter fim.
Se o universo tem seus mistérios,
talvez você seja um deles.
Porque quanto mais tento te entender,
mais bonito fica não saber.
E se algum dia me perguntarem
onde encontrei o meu lugar,
não direi teu nome.
Apenas apontarei para o céu
e deixarei o silêncio explicar.
"Eu descobri um universo em você e, enquanto te descubro, percebo que você também está se tornando parte de mim."
- Mannu Viana Rios 🌹
Na Mesma Sintonia
Gostoso é quando você quer alguém
e descobre que essa pessoa também quer você —
e, para sua surpresa,
quer ainda mais do que você imaginava.
É quando aquele olhar que você achava ser apenas seu
carrega, do outro lado, a mesma vontade.
Quando o silêncio deixa de ser dúvida
e passa a ser uma conversa que os dois entendem.
Porque existe algo irresistível
em perceber que o desejo não nasceu sozinho.
Que enquanto você pensava nela,
ela também pensava em você.
Enquanto você imaginava,
ela também desejava.
E enquanto você tentava esconder o querer,
ela talvez estivesse fazendo exatamente o mesmo.
Quando o querer é recíproco,
a conexão ganha outra intensidade.
O que era possibilidade vira certeza,
o que era desejo vira encontro,
e aquilo que parecia perigoso demais para sentir
se torna irresistível justamente porque é sentido pelos dois.
Talvez seja isso que torne tudo tão gostoso:
não é apenas querer alguém.
É descobrir que, em algum lugar entre dois olhares,
dois desejos se encontraram
e nenhum dos dois quer mais fingir que não percebeu.
