Coleção pessoal de Mannu23
Sorte minha ser poeta,
porque, se eu fosse pintor,
passaria a vida diante de uma tela em branco,
misturando tintas e procurando uma cor
capaz de reproduzir a beleza
que os meus olhos encontraram em você.
E, ainda assim, fracassaria.
Restou-me a poesia,
esse lugar onde as palavras
tentam alcançar
o que os pincéis não conseguem explicar.
Porque algumas obras de arte
não nasceram para ser pintadas.
Nasceram para inspirar poemas.
As belas curvas do teu corpo
são como as ondas do mar.
Despertam em mim
a mesma vontade de caminhar sem pressa,
de sentir a brisa,
de me perder na imensidão
sem medo de não encontrar o caminho de volta.
Porque existem belezas
que não foram feitas apenas para serem vistas,
mas para serem admiradas
com o mesmo respeito
que se contempla o oceano
quando ele encontra o céu.
Dois Oceanos.
Você me disse:
"Se quiser me conhecer de verdade,
não se contente com a minha superfície."
E eu entendi
que havia um oceano
escondido atrás do horizonte
dos seus olhos.
Então você sorriu
e fez um convite ainda mais difícil:
"Se quiser conhecer o meu oceano,
permita que eu conheça o seu.
Mas já adianto:
não vai ser fácil."
Foi nesse instante
que compreendi
que algumas pessoas
não querem ser admiradas.
Querem ser descobertas.
Então abri as portas
do mar que existe em mim.
Disse que,
para conhecer o meu oceano,
seria preciso enfrentar
ondas gigantes,
aceitar o peso
de alguns mergulhos
e permanecer submersa
até encontrar o caminho
de volta.
Você não recuou.
Apenas respondeu:
"Eu não tenho medo do seu oceano.
Sei que existem ondas,
profundezas
e partes difíceis de atravessar."
E, pela primeira vez,
o medo de ser demais
encontrou alguém
que não desejava ir embora.
Foi então que percebi
que talvez
os maiores encontros
não aconteçam
em águas calmas.
Acontecem
quando duas pessoas
escolhem mergulhar
uma na outra,
sem prometer ausência de tempestades,
apenas a coragem
de continuar nadando.
Por isso,
nunca vou me cansar de repetir:
Venha desvendar os meus códigos.
Talvez você seja
a primeira pessoa
que, depois de decifrar
todos os meus mistérios,
escolha ficar.
E, se um dia
você me permitir,
prometo fazer do seu oceano
o lugar onde
até as tempestades
soam como poesia.
Porque, no fim, descobri que oceanos não procuram quem saiba nadar.
Procuram quem tenha coragem de permanecer,
mesmo quando a profundidade assusta.
Talvez esse seja
o verdadeiro significado
de conhecer alguém: não desvendar
todos os seus mistérios; mas escolher voltar, todos os dias, sabendo que sempre existirá
mais um oceano para explorar.
E tudo bem.
Porque algumas pessoas
não foram feitas
para serem decifradas.
Foram feitas
para serem escolhidas,
onda após onda.
- Sereia 💖
Entre ruas e memórias
Eu não te levaria para Barcelona.
Te levaria para conhecer a Itália,
o país pelo qual nós dois temos uma fascinação em comum.
Caminharíamos por ruas que atravessaram séculos, admirando cada detalhe como quem descobre um novo mundo.
Te levaria para ver o Coliseu,
onde o tempo parece ter parado,
e para contemplar as mais belas obras de arte,
porque algumas delas só podem ser compreendidas quando vistas com o coração.
Também te levaria
ao país onde a sua cantora favorita
empresta a voz a canções
que atravessam tantos corações,
e onde a língua soa como poesia,
tão sedutora
que até o silêncio parece ter sotaque.
Faríamos questão de nos perder
pelas pequenas ruas de pedra,
tomar um café em uma praça qualquer,
ver o pôr do sol colorindo os telhados antigos
e descobrir que as melhores lembranças
nascem dos momentos que não estavam nos planos.
Mas, para falar a verdade...
O meu lugar favorito nunca seria um país.
Seria qualquer canto do mundo
onde eu pudesse segurar a sua mão,
ver o brilho dos seus olhos diante de algo novo
e guardar, em silêncio,
a felicidade de estar vivendo aquilo ao seu lado.
Porque existem lugares inesquecíveis,
obras que desafiam o tempo
e paisagens que roubam o fôlego.
Mas nenhuma delas
seria mais bonita
do que a expressão do seu rosto
ao viver tudo isso pela primeira vez.
No fim,
eu não te levaria apenas para conhecer a Itália.
Eu te levaria
para colecionarmos memórias
que nem o tempo
seria capaz de apagar.
Se Eu Chegar até Você.
Se eu visitar os teus sonhos esta noite,
não desperte assustada.
É só a saudade encontrando um caminho
que a distância não conseguiu impedir.
Se eu estender a mão
e te convidar para dançar,
não procure pela música.
Alguns corações conhecem o ritmo
antes mesmo da primeira nota tocar.
Se eu brincar com os teus cabelos,
desfazendo cada fio no vento,
perdoa a minha bagunça.
Há afetos que só sabem existir
através dos pequenos gestos.
E se, por acaso,
o meu nome atravessar os teus pensamentos,
que ele venha acompanhado de um sorriso.
Lembra de mim rindo alto,
contando as piadas mais sem graça do mundo
como se fossem as melhores já inventadas.
E quando o cansaço da vida
pedir apenas silêncio
e uma companhia que não faça perguntas,
me chama.
Eu atravesso qualquer distância
para dividir o mesmo horizonte,
o mesmo banco,
o mesmo instante.
Não prometo consertar os teus dias,
nem apagar as tempestades do caminho.
Prometo apenas ficar.
Porque o meu carinho
nunca precisou de grandes feitos.
Ele mora nas coisas simples:
em uma conversa,
em um abraço demorado,
em um olhar tranquilo,
na certeza de que,
ao meu lado,
você pode descansar.
E, se um dia perguntarem
qual era a minha maior vontade,
a resposta será sempre a mesma:
ser o lugar
onde o teu coração
se sente seguro para existir.
Carta para a Vida (ou para Você)
Às vezes penso que viver exige uma coragem que nem sempre sabemos que possuímos. Coragem para enfrentar tudo aquilo que nos faz parar no meio do caminho e duvidar da força que carregamos dentro de nós. Mas, mesmo quando a dúvida fala mais alto, existe algo em mim que se recusa a desistir.
A minha intensidade me leva a viver coisas inimagináveis. Sinto tudo de uma forma que nem sempre consigo explicar, mas nunca quis ser diferente. É essa intensidade que faz meu coração permanecer vivo, acreditando, sonhando e amando.
Com todo o afeto que mora em meu peito, tento demonstrar o amor da forma mais sincera que conheço. Não gosto de sentimentos pela metade; prefiro que eles sejam verdadeiros, mesmo quando doem.
Carrego dentro de mim a certeza, a verdade, de que um dia tudo será diferente. Um dia a vida mudará, os ventos encontrarão outra direção e tudo aquilo que hoje parece distante finalmente fará sentido.
Quando olho para o mar, sinto como se ele conhecesse a minha alma. Vejo as ondas indo e voltando, trazendo e levando sonhos, medos e sentimentos, como se cada movimento fosse um pedaço de mim… ou até mesmo um pedaço de você.
Foi diante do horizonte que encontrei a paz que tanto procurava. Ali entendi que, por maior que seja a caminhada, sempre existe um lugar onde a esperança encontra descanso.
Aprendi que todo recomeço é uma oportunidade de escrever uma nova história. Não importa quantas vezes a vida nos faça voltar ao início; sempre haverá uma nova chance para viver de um jeito diferente.
Naquele pôr do sol imaginei você ao meu lado. Imaginei nossas conversas sobre a vida, nossos planos, nossos medos e os dias melhores que nasceriam depois de cada tempestade. Porque acredito que nenhuma tempestade dura para sempre.
Você é a calmaria para a minha vida conturbada. É o lugar onde meu coração desacelera e encontra abrigo.
Já senti saudade de você em um dia chuvoso e percebi que, naquele instante, tudo o que eu queria era o conforto do teu abraço.
Continuo buscando a minha liberdade, aquela que sempre imaginei viver. A liberdade de ser quem sou, sem medo, sem máscaras e sem precisar diminuir a minha essência para caber na vida de alguém.
Tenho esperança de dias melhores. E é a minha fé que me faz continuar caminhando, acreditando que ainda vou conquistar tudo aquilo que hoje existe apenas nos meus sonhos.
Ainda existe em mim a essência de uma criança: aquela que acredita no impossível, que enxerga beleza nas pequenas coisas e que nunca deixou de sonhar.
Tenho uma relação curiosa com o silêncio. Às vezes o odeio, porque ele me obriga a ouvir tudo o que escondo dentro de mim. Outras vezes, é justamente nele que encontro as respostas que o mundo não consegue me dar.
Peço apenas força para viver o meu melhor, para permanecer fiel a quem sou e para nunca desistir de mim, mesmo quando o caminho parecer difícil.
E, por fim, existe o amor.
Ao teu lado eu me sinto especial. Sinto que posso ser exatamente quem sou, sem fingimentos, sem receios e sem medo de mostrar cada parte de mim. Talvez seja esse o verdadeiro significado de amar: encontrar alguém diante de quem a alma também se sente em casa.
Se um dia eu me perder pelo caminho, espero encontrar novamente tudo aquilo que hoje carrego no peito: coragem, intensidade, afeto, verdade, esperança, fé… e amor. Porque são essas coisas que fazem de mim quem eu sou e que me lembram, todos os dias, que sempre vale a pena recomeçar.
Talvez esta carta nunca tenha sido apenas para você. Talvez ela sempre tenha sido para mim também. Porque, ao falar do que sinto por você, descobri quem eu sou. E, se um dia a vida nos levar por caminhos diferentes, ainda assim levarei comigo tudo o que você despertou em mim. Afinal, algumas pessoas não chegam para ficar; chegam para nos ensinar o caminho de volta para a nossa própria essência.
A Coragem de Sentir
Em que momento sentir virou exagero?
Em que esquina da vida decidiram
que um coração aberto
vale menos
do que um coração fechado?
Quando foi
que um olhar vazio
se tornou mais admirado
do que um sentimento sincero?
Vivemos tempos estranhos.
Chamaram de "emocionado"
quem nunca teve medo de demonstrar afeto.
Como se esconder fosse sinônimo de força,
e sentir fosse um defeito.
Vestiram a frieza com roupas de maturidade,
transformaram a indiferença em mistério,
e fizeram do orgulho
uma qualidade digna de aplausos.
Mas ninguém conta
que muralhas também aprisionam
quem as construiu.
A frieza impressiona por um instante,
mas nunca aquece.
O orgulho vence discussões,
mas quase sempre perde pessoas.
E a indiferença pode proteger um coração,
mas também o impede de viver.
Eu não quero aprender
a fingir que não sinto.
Não quero medir palavras,
calcular demonstrações
ou transformar carinho em estratégia.
Quero continuar acreditando
na beleza de um abraço sem pressa,
de um "cuida de você",
de um "senti sua falta"
dito sem vergonha,
sem orgulho,
sem medo.
Porque bonito mesmo
é quem não economiza verdade.
Quem ama sem precisar fingir.
Quem abraça sem medir.
Quem sorri sem calcular.
Quem permanece,
mesmo sabendo
que sentir também é correr o risco de se machucar.
Se isso faz de mim
uma pessoa emocionada,
que seja.
Prefiro carregar no peito
a coragem de sentir,
do que vestir uma armadura
para parecer forte.
Porque pior do que sofrer por sentir demais
é passar a vida inteira
sentindo de menos.
No fim,
o mundo pode até aplaudir
os corações de gelo.
Mas são os corações que ainda têm coragem de amar,
de chorar,
de recomeçar,
de permanecer
e de dizer exatamente o que sentem,
que lembram ao mundo
que viver nunca foi sobre parecer invencível.
Sempre foi
sobre ter coragem
de continuar sentindo,
mesmo depois de todas as decepções.
Porque, no fim,
não é a frieza que nos torna inesquecíveis.
É a coragem
de sermos inteiros.
Onde o Mundo Não Nos Alcança
Se você quiser,
podemos fugir para um chalé,
ver o sol se despedir no mar
e esperar a lua vestir o céu de estrelas,
como se o universo nos lembrasse
que toda despedida também anuncia um recomeço.
Se você quiser,
podemos fugir para qualquer lugar.
Não importa o caminho,
nem a distância.
Às vezes, o melhor destino
é aquele onde a mente silencia
e o coração finalmente encontra paz.
Eu sei...
é fácil falar.
É fácil sonhar com um lugar
onde a dor não nos encontre.
Mas, se você aceitar,
nem que seja por um único dia,
quero caminhar ao teu lado
até que o peso nos teus ombros
pareça um pouco menor.
Nem que seja por apenas uma noite,
vamos esquecer os relógios,
desligar o mundo,
deixar os celulares de lado
e permitir que o som das ondas
fale tudo aquilo
que nunca conseguimos colocar em palavras.
Vamos rir sem motivo,
dividir o silêncio sem desconforto,
sentir o cheiro da chuva chegando,
o calor de uma xícara de café entre as mãos,
a brisa bagunçando os cabelos
e a certeza de que ainda existem momentos
capazes de curar o que o tempo não conseguiu.
E quando o amanhecer pintar o horizonte,
talvez os problemas ainda estejam esperando por nós.
A vida dificilmente muda em uma noite.
Mas nós mudamos.
Porque existem viagens
que não servem para fugir da realidade,
e sim para nos lembrar
de quem éramos
antes que o mundo pesasse tanto sobre nós.
Então...
se você quiser,
podemos fugir.
Nem para esquecer a vida,
nem para escapar dela.
Mas para lembrar
que ainda existe beleza,
que ainda existe calma,
e que, às vezes,
o melhor lugar do mundo
é aquele onde alguém segura a nossa mão
e faz qualquer lugar parecer casa.
Se você quiser...
Se você quiser, podemos fugir para um chalé, ver o sol se despedir no mar e assistir à lua começar a brilhar.
Se você quiser, podemos fugir para qualquer lugar. Basta você aceitar.
Eu sei que é fácil falar. Eu sei que é fácil prometer. Mas, se você aceitar, nem que seja por um único dia, eu faço você esquecer os problemas que insistem em morar perto de você.
Nem que seja por apenas uma noite, vamos fugir para bem longe de tudo o que pesa. Deixar o tempo correr sem pressa, ouvir o silêncio, sentir a brisa e lembrar que a vida também sabe ser leve.
Porque, às vezes, tudo o que a gente precisa não é de um lugar diferente, mas de um instante onde o coração consiga descansar.
Nas entrelinhas do meu coração
Eu poderia fazer de tudo...
Ser melhor do que alguém
que um dia ocupou o teu coração.
Poderia aprender teus medos,
decorar teus silêncios,
amar até as partes de ti
que ninguém teve coragem de conhecer.
Talvez pudéssemos ser mais
do que um simples talvez.
Mais do que encontros escondidos,
mais do que conversas que atravessam madrugadas,
mais do que dois destinos
insistindo em caminhar lado a lado,
mesmo sabendo
que nasceram para seguir caminhos diferentes.
Só não sei quando tudo começou.
Talvez esse sentimento
sempre tenha vivido adormecido em mim,
esperando apenas
que tua presença lhe desse um nome.
Ou talvez tenha sido aos poucos,
entre os jogos que inventávamos,
entre risos despretensiosos,
olhares demorados
e palavras que nunca tiveram coragem
de confessar o que realmente diziam.
Sem perceber,
você despertou em mim
uma parte que eu desconhecia.
E agora,
às vezes fecho os olhos
e imagino como seria
se fugíssemos de tudo.
Deixaríamos para trás
os nomes,
as lembranças,
as promessas,
os pesos.
Talvez eu carregasse o teu nome,
talvez você encontrasse abrigo no meu,
como se duas vidas
pudessem recomeçar
sem que o passado nos alcançasse.
Mas a realidade sempre nos encontra.
E ela me lembra,
todos os dias,
que existe uma distância
que não foi feita de quilômetros,
mas de escolhas.
É estranho...
Encontrar paz
justamente na pessoa
de quem eu deveria me afastar.
É cruel descobrir
que o lugar onde meu coração repousa
é o mesmo lugar
onde ele jamais poderá permanecer.
Porque é errado
te trazer para o meu mundo.
É errado desejar
que teus passos caminhem ao lado dos meus.
É errado sonhar contigo,
sabendo que teus sonhos
já dividem espaço
com outra pessoa.
Então eu sorrio,
finjo que nada mudou,
escondo o caos atrás da calma
e continuo vivendo
como quem sabe
que alguns amores
não foram feitos para acontecer.
Foram feitos para transformar.
Para ensinar
que nem tudo o que floresce
foi criado para ser colhido.
Algumas flores
existem apenas para lembrar
que até o impossível
é capaz de perfumar uma vida inteira.
E, se um dia você perceber
que existia amor
escondido entre as minhas entrelinhas,
talvez seja tarde.
Porque haverá restado apenas o silêncio...
e um poema,
escrito por alguém
que encontrou em você
o lugar onde sempre quis ficar,
mesmo sabendo
que nunca poderia chamar de lar.
Onde o Agora Nos Encontra
Somos a prova de que dois corpos podem ocupar o mesmo espaço,
mesmo antes de se tocarem.
Porque existem encontros
que acontecem primeiro na alma,
antes de qualquer abraço,
antes de qualquer palavra.
Deixa eu te contar uma história.
Mas não a que todos conhecem.
Quero contar aquela que escondi entre sorrisos,
a que aprendeu a sobreviver em silêncio,
a que colecionou partidas
e, ainda assim, nunca deixou de acreditar nos reencontros.
Passei tanto tempo tentando traduzir o que sinto
que me perdi entre rascunhos.
Escrevi versos na esperança
de que eles encontrassem você
antes da minha coragem.
Queria que cada palavra dissesse
o que meus olhos sempre esconderam.
Mas a vida tem esse estranho costume
de vestir as verdades com a roupa da dúvida.
Às vezes,
o que é,
não parece ser.
E o que parece tão distante
é exatamente o que mora mais perto do peito.
Quero entender você.
Não apenas o que você diz,
mas aquilo que o silêncio insiste em guardar.
Quero conhecer os seus medos,
as tempestades que ninguém viu,
os sonhos que você enterrou
por medo de acreditar neles outra vez.
Diz...
o que você esconde nessas entrelinhas?
Quantas palavras morreram
antes de alcançar seus lábios?
Quantos sentimentos aprenderam
a respirar em segredo?
E nós...
por que temos tanto medo de viver o agora?
Quem foi que nos convenceu
de que sentir era perigoso?
Quem nos ensinou
a esperar o momento perfeito,
se a vida nunca prometeu perfeição,
apenas oportunidades?
Talvez o tempo
não queira que sejamos eternos.
Talvez ele só queira
que sejamos verdadeiros.
Então deixa-me entender você.
Sem armaduras.
Sem desculpas.
Sem a necessidade de parecer forte o tempo todo.
Porque até as estrelas
precisam da escuridão para mostrar que existem.
E me diga...
O que você faria
se me visse na sua frente agora?
Talvez não dissesse nada.
Talvez o silêncio fosse a resposta mais bonita.
Talvez nossos olhos escrevessem
o poema que minhas mãos nunca conseguiram terminar.
Ou talvez descobríssemos,
na simplicidade de um único instante,
que o destino nunca quis que fôssemos perfeitos.
Quis apenas que tivéssemos coragem
de viver aquilo que sempre escrevemos
nas entrelinhas do coração.
Filha de Vênus
Ela é de Libra.
Carrega no olhar a delicadeza de quem aprendeu que a verdadeira força mora na serenidade.
É linda, charmosa e naturalmente atraente, mas não é apenas a beleza que encanta.
É o seu intelecto, a forma como enxerga o mundo e a sensibilidade com que acolhe as pessoas que fazem qualquer coração permanecer.
Odeia a injustiça.
Não consegue fechar os olhos diante da dor alheia e, sempre que pode, estende a mão sem esperar nada em troca.
Tem o coração mais bonito que já conheci,
daqueles que fazem do carinho um abrigo e da bondade uma forma de existir.
Ela é calmaria em pessoa.
Foge das confusões porque sabe que a paz vale mais do que qualquer discussão.
Prefere viver no seu próprio mundo,
onde os dias têm o ritmo da tranquilidade
e a alma pode florescer sem pressa.
E, silenciosamente, agradece a quem respeita esse lugar sagrado que chama de paz.
Libriana,
regida por Vênus,
traz consigo a beleza que não se explica,
apenas se contempla.
Dona de um encanto raro,
de um sorriso que ilumina,
de uma presença que acalma
e de uma essência impossível de esquecer.
Porque existem pessoas que impressionam pela aparência.
Mas ela...
ela permanece na memória pela alma que carrega.
E talvez seja por isso que sua presença transforme qualquer lugar em refúgio.
Ela não precisa elevar a voz para ser notada,
nem disputar espaço para mostrar quem é.
Sua essência fala por si.
Carrega no peito o dom de equilibrar o que parece impossível,
faz da gentileza a sua maior fortaleza
e da empatia o seu jeito mais bonito de existir.
Como filha de Vênus,
espalha beleza não apenas por onde passa,
mas principalmente por onde permanece.
Porque sua verdadeira luz
não está no que os olhos conseguem enxergar,
e sim na paz que sua alma desperta em quem tem o privilégio de conhecê-la.
Algumas pessoas são bonitas.
Ela é inesquecível.
Não apenas pelo encanto que possui,
mas pela bondade que transborda de seu coração.
A Coragem de Dizer Adeus
Eu deixei você partir.
Deixei.
E não houve um único instante
em que essa escolha
não atravessasse meu peito
como uma despedida sem fim.
Doeu ver suas lágrimas,
doeu perceber seu coração se partir,
mas doeu ainda mais compreender
que permanecer
seria continuar ferindo
quem eu mais queria proteger.
Então fui embora.
Não porque deixei de amar,
mas porque precisava aprender
a caminhar sem o abrigo da sua presença,
a enfrentar meus próprios medos,
a sobreviver às minhas tempestades
e a compreender as minhas próprias loucuras.
Você foi o sonho
do qual eu nunca quis despertar.
Um daqueles encontros
que fazem a vida parecer mais leve,
mais bonita,
mais cheia de esperança.
Mas até os sonhos mais belos
acabam encontrando o amanhecer.
Eu lutei contra mim mesma.
Tentei não manchar
o amor tão puro que você me ofereceu.
Tentei preservar o brilho
que existia nos seus olhos quando me olhava.
Mas foi inevitável.
Foi inevitável decepcionar você.
Foi inevitável descobrir
que o amor, às vezes,
também precisa ir embora
para não se transformar em sofrimento.
Não sei quanto tempo
você levará para se curar de mim.
Talvez hoje exista raiva.
Talvez amanhã você deseje
que eu nunca tenha cruzado o seu caminho.
E eu entenderei.
Porque algumas feridas
precisam sangrar
antes de aprenderem a cicatrizar.
Tive que deixar você ir,
para aprender, enfim,
a viver por mim.
E espero que, quando o tempo
silenciar toda essa dor,
você consiga enxergar
que minha partida
nunca foi ausência de amor.
Foi, talvez,
a forma mais difícil de amar alguém:
abrir mão da própria felicidade
para que a outra pessoa
voltasse a encontrar a sua.
Se um dia lembrar de mim,
não guarde apenas a dor do adeus.
Lembre-se também
de que houve alguém
que amou você com toda a intensidade que podia,
mas que precisou partir
porque, às vezes,
o amor também se revela
na coragem de dizer adeus.
Você sabia onde doía.
Eu amei tanto você,
que, entre sorrisos e promessas,
esqueci de perguntar
quem realmente era.
Entreguei minhas verdades
como quem entrega o próprio coração,
sem imaginar
que um dia seriam usadas
contra mim.
Você me jogou aos lobos,
fez da minha dor um espetáculo,
e eu, sem perceber,
virei a palhaça
de uma história que nunca escolhi viver.
Não compreendi
o que existia em suas palavras.
Se sabia onde doía,
por que insistiu em tocar a ferida?
Às vezes, o silêncio
também é uma forma de cuidado.
O que mais machucou
não foi ouvir os meus segredos ecoando,
mas descobrir
que era assim
que você me enxergava o tempo todo.
Então escolhi partir.
Não por falta de amor,
mas porque pensei
que a minha ausência
lhe faria menos mal
do que a minha permanência.
E, ironicamente,
foi no instante em que fui embora
que compreendi:
algumas despedidas
não acontecem porque deixamos de amar,
mas porque continuar
é ferir a nós mesmos
todos os dias.
Minha Cachinhos Dourados.
Minha cachinhos dourados...
Você é tão doce quanto um pedaço de algodão-doce, daquelas doçuras que encantam sem fazer esforço.
Sua alegria contagia, sua imaginação não conhece limites e seu jeito de enxergar o mundo colore até os dias mais comuns.
Ver você brilhando nos palcos do balé ou nas apresentações da escola faz meu coração acreditar que os anjos realmente caminham entre nós.
Você é tão pequena, mas carrega uma presença imensa, capaz de iluminar qualquer lugar por onde passa.
Amo sua sinceridade, sua leveza, seu sorriso e a pureza que existe em cada gesto seu. Amo tudo aquilo que faz de você a menina tão especial que é, minha princesa.
O destino uniu vocês a nós, e nós a vocês. Desde então, construímos um laço que o tempo apenas fortaleceu: uma ligação de almas, de carinho, de anos compartilhados e de um amor que escolheu permanecer.
E se um dia o tempo tentar levar as lembranças, que ele saiba que algumas delas foram feitas para permanecer.
Porque existem pessoas que passam pela nossa vida, e existem aquelas que se tornam parte da nossa própria história.
Você é uma delas, minha cachinhos dourados.
Que seus passos continuem leves, que seus sonhos nunca deixem de dançar e que a luz que existe em você jamais se apague.
Enquanto houver amor, sempre haverá um lugar onde o seu sorriso será lembrado com a mesma doçura com que um dia iluminou o meu coração.
A nossa ligação é de outro mundo. Não foi o acaso que nos uniu; foi a vida nos lembrando de que algumas almas estão destinadas a se encontrar, a caminhar juntas e a permanecer uma na história da outra.
Há encontros que o tempo explica, mas o nosso pertence à eternidade do coração.
Há desejos que não encontram voz.
Não por vergonha,
mas porque algumas vontades
são grandes demais
para caberem em qualquer palavra.
É estranho como a ausência
é capaz de aproximar.
Quanto mais distante você está,
mais perto mora dos meus pensamentos.
Talvez o mais perigoso
não seja imaginar um encontro,
mas perceber que, antes mesmo dele acontecer,
você já mudou a forma
como o meu coração aprende a sentir.
E sigo assim:
entre a coragem de confessar
e o silêncio de guardar.
Porque existem desejos
que não precisam ser vividos
para deixarem marcas.
Entre o Desejo e o Silêncio
Quero descobrir teus mistérios
como quem aprecia, sem pressa,
o vinho mais raro da vida.
Quando a lembrança dos teus lábios
atravessa meus pensamentos,
me perco imaginando
como seria estar ainda mais perto de ti.
Será que desejar um instante,
um breve toque,
um segundo a mais da tua presença,
é pedir tanto assim?
A maior loucura
não é o desejo que nasce,
mas todas as histórias
que a imaginação insiste em escrever.
Penso na tua pele
encontrando a minha,
na distância deixando de existir,
nos teus cabelos caindo
como cascatas ao vento,
enquanto teu olhar
encontra o meu
e o tempo esquece de passar.
Então o coração acelera,
o mundo parece menor,
e até o ar se aquece.
Talvez seja apenas saudade.
Talvez seja encanto.
Ou talvez seja esse desejo silencioso
de um dia descobrir
como é morar,
nem que seja por um instante,
no abraço que a minha alma
há tanto tempo imagina.
E, enquanto esse dia não chega,
guardo teu nome entre os meus pensamentos,
como quem protege um segredo bonito.
Há encontros que primeiro acontecem na alma,
antes mesmo que a vida permita
o encontro das mãos.
Talvez seja por isso
que você habita tantos dos meus versos:
porque algumas pessoas
se tornam eternas
muito antes de se tornarem presença.
"Eu amo você, da mesma forma que o sol ama a lua; da mesma forma que o céu amar o mar e da mesma forma que os meus pulmões precisam de ar para respirar."
Ass: Mannu Viana Rios
A Culpa de Sentir Demais
Quando escuto que minhas escolhas machucaram alguém,
o mundo parece perder a cor.
É como se eu me tornasse um monstro,
como se tudo o que existisse dentro de mim
fosse apenas um vazio disfarçado de coração.
Dizem que uso pessoas como abrigo,
como quem tenta fugir de si mesma.
Dizem que minhas atitudes machucam,
que nem sempre sei permanecer sem ferir.
Então começo a me esconder.
Guardo as palavras, os afetos, os sorrisos.
Porque talvez o silêncio doa menos
do que a culpa de existir.
Mas me explica...
Como desacelerar uma vida
quando tudo em mim grita intensidade?
Como aprender a ser calma
se meu peito nasceu tempestade?
Como perceber que todos estão indo embora,
se sou eu quem fecha as portas
antes mesmo de ouvir a despedida?
E como aceitar que, no fim,
talvez eu fique sozinha,
vendo cada pessoa partir,
acreditando que me odeiam simplesmente por eu ser quem sou?
Talvez a terapia consiga traduzir
os sentimentos que nem eu compreendo,
esses nós invisíveis
que apertam meu peito todos os dias.
Porque eu já não consigo chorar.
Parece que minhas lágrimas
secaram antes de cair,
e que cada emoção precisa morrer em silêncio
para não terminar me destruindo.
Mas, no fundo,
eu não queria sentir menos.
Queria apenas que alguém entendesse
que toda essa intensidade
nunca foi uma tentativa de machucar.
Era só a minha forma, imperfeita e humana,
de amar, de permanecer, de existir.
E talvez exista um dia
em que eu deixe de pedir desculpas
por ser quem sou.
Um dia em que eu descubra
que intensidade não é pecado,
que errar não me transforma em um monstro,
e que até os corações mais cansados
merecem um lugar para descansar.
Até lá, sigo recolhendo os pedaços de mim.
Porque, se um dia todos forem embora,
eu espero que ainda reste alguém...
eu mesma.
E que, pela primeira vez,
isso seja suficiente.
