Talvez o vinho não aqueça nada. Talvez... Mannu Viana Rios

Talvez o vinho não aqueça nada.


Talvez ele apenas revele
o que já estava quente por dentro.


E você fica especialmente bonita nessa cor —
como se tivesse sido escolhida
para carregar todos os tons que eu não sei dizer.


Minha camisa da SZA em você,
o preto quebrando o vinho,
e minha imaginação completando aquilo
que meus olhos nem sequer tiveram permissão para conhecer.


Mas existe algo ainda mais curioso…


São os teus olhos.


Castanhos, eu sei.
E, ainda assim, quando me veem, parecem mudar de cor.
Aquele brilho que antes parecia apenas razoável
se transforma em alguma coisa quase impossível de explicar.


Como uma esmeralda cintilante
quando encontra a luz certa.


E talvez eu esteja enganada…
talvez seja só a minha maneira de enxergar você.


Mas gosto da possibilidade
de que, quando seus olhos encontram os meus,
alguma coisa também mude aí dentro.


E existe a tua boca…


Não preciso dizer muito sobre ela.
Talvez seja justamente o silêncio que diga mais.


Só consigo imaginar aquele instante tranquilo,
quando o espaço entre nós diminuiria devagar,
como se até o tempo soubesse
que certas coisas não precisam de pressa.


Um beijo calmo,
daqueles que não pedem explicação,
apenas deixam uma pergunta no ar:


“E se a gente tivesse deixado acontecer?”


Curioso…


Será que você sente alguma coisa parecida
quando percebe que existe alguém
pensando demais em uma simples imagem sua?


Ou será que certas ideias
só ficam perigosas
quando existe a possibilidade
de serem compartilhadas?


Porque talvez o verdadeiro mistério
não seja aquilo que eu imagino sobre você.


Talvez seja descobrir
o que você imagina quando pensa em mim.


E é justamente nessa diferença
que mora a minha curiosidade:


entre aquilo que eu digo,
aquilo que você entende
e aquilo que nenhuma de nós
tem coragem de dizer.