AQUILO QUE A ALMA RECONHECE A beleza... Mannu Viana Rios

AQUILO QUE A ALMA RECONHECE


A beleza agrada aos olhos,
faz o instante despertar,
mas a essência, quando toca,
faz a alma querer ficar.


Há quem chegue como vento,
sem promessa, sem intenção,
e há quem deixe, ao ir embora,
mais que marcas: uma sensação.


Tem gente que chega e deixa pegada,
mesmo sem querer permanecer;
deixa o pensamento inquieto,
deixa a vontade de entender.


Talvez seja só a beleza,
um encanto passageiro,
ou talvez seja essa essência
que transforma o “por quê?” em “quero”.


E há músicas que dizem muito
sem precisar nada explicar;
uma batida, um olhar, um silêncio,
e já existe algo no ar.


Não é somente sobre desejo,
nem somente sobre admirar;
é aquela estranha curiosidade
de saber onde isso pode chegar.


Porque os olhos podem escolher
aquilo que querem contemplar,
mas é a alma, quase em segredo,
que decide o que vai guardar.


E talvez seja esse o mistério,
a parte difícil de compreender:
quando alguém mexe com os sentidos
sem sequer tentar mexer.


Não precisa haver certeza,
nem promessa para cumprir;
às vezes basta uma presença
para fazer o coração sorrir.


A beleza chama atenção,
a essência consegue encantar;
mas quando as duas se encontram,
fica difícil não notar.


E entre uma música e outra,
entre o querer e o disfarçar,
fica aquela pergunta suspensa
que ninguém se atreve a perguntar:


foi apenas uma pegada
de alguém que chegou e passou,
ou foi a alma reconhecendo
alguém que, de algum modo, ficou?


Porque talvez seja esse o segredo
que ninguém consegue explicar:


algumas pessoas os olhos admiram…
mas existem aquelas
que a alma parece reconhecer
antes mesmo de o coração confessar.