4:47 Eram 4:47 da madrugada, cada uma em... Mannu Viana Rios
4:47
Eram 4:47 da madrugada,
cada uma em sua casa, em sua estrada,
mas, mesmo distantes, sem poder se tocar,
havia um pensamento insistindo em nos aproximar.
Você colocou uma música para tocar,
e me chamou para, contigo, desejar.
Um pedido feito em plena madrugada,
uma coisa tão simples, tão inesperada.
E então você perguntou, quase a brincar:
“Você acredita nessas coisas?
Ou vai dizer que é uma ideia boba
e começar a desacreditar?”
E talvez você esperasse que eu dissesse
que aquilo era bobagem, que não acontecesse,
que desejos não mudam o destino,
que era só uma brincadeira daquele momento repentino.
Mas como eu poderia chamar de bobo
um instante que já me fazia sorrir de novo?
Como dizer que não acreditava em você,
se naquele momento eu só queria acreditar e viver?
Então fizemos nosso pedido em silêncio,
cada uma em seu quarto, no próprio endereço,
com uma música atravessando a distância,
e um desejo escondido na esperança.
E foi aí que aconteceu o mais bonito:
duas mulheres adultas, vivendo o infinito,
cada uma sozinha, mas sem solidão,
porque a outra ocupava espaço no coração.
E parecíamos duas adolescentes,
com sentimentos novos, intensos e inconsequentes,
descobrindo o frio gostoso de gostar,
rindo sozinhas sem saber explicar.
Não pela idade, isso eu sei,
mas pelo jeito que o coração voltou a ser rei.
Aquela sensação meio boba, meio sem razão,
de acreditar em destino, desejo e constelação.
E talvez você nem tenha percebido
o quanto aquele gesto me deixou enternecido.
Porque ninguém nunca havia feito assim:
escolher uma hora improvável para dividir comigo um “sim”.
Você poderia ter feito o pedido sozinha,
guardado o desejo no fim da linha,
mas escolheu me chamar para sonhar,
e, sem perceber, fez meu coração se iluminar.
Foi por isso que eu me senti especial,
por algo tão pequeno e, ao mesmo tempo, colossal.
Não pelo pedido, nem pela hora marcada,
mas porque você quis que eu estivesse naquela madrugada.
E se hoje alguém me perguntar
por que eu ainda gosto de lembrar
daquela hora, daquela música, daquele querer,
talvez eu só consiga responder:
Porque tu é tu.
Não existe fórmula, explicação ou porquê,
nem sei se o universo resolveu nos atender.
Só sei que, entre tantas horas para acontecer,
foi justamente 4:47 que escolheu você.
E desde então, quando o relógio chega lá,
eu penso naquela pergunta que você me fez no ar:
“Você acredita nessas coisas?”
Hoje eu acho que acredito, sim.
Não necessariamente em magia, destino ou previsão,
mas naquilo que acontece sem pedir permissão:
duas pessoas distantes, em suas casas,
ouvindo a mesma música e abrindo as mesmas asas.
Porque talvez acreditar não seja esperar o impossível acontecer.
Talvez seja apenas olhar para 4:47
e lembrar que, naquela madrugada,
mesmo longe uma da outra,
nós escolhemos acreditar juntas.
