Fome de Teu Mistério! Não sei que nome... Mannu Viana Rios
Fome de Teu Mistério!
Não sei que nome dar
ao que acontece quando você chega,
se é vontade de ficar
ou uma fome que o peito carrega.
Porque eu não quero somente te olhar,
quero entender o que existe em você;
cada silêncio, cada jeito de falar,
cada pedaço que ninguém consegue ver.
Quero saber teus medos escondidos,
as histórias que ninguém ouviu,
os sonhos que moram adormecidos
no lugar onde teu coração se abriu.
Quero o teu riso sem pressa,
teu silêncio quando a palavra faltar,
essa parte de você que ninguém confessa,
mas que eu tenho vontade de desvendar.
Talvez seja por isso que eu te queira:
não pela beleza que os olhos podem ver,
mas pela parte mais verdadeira
que ainda existe atrás de você.
Há em mim uma fome delicada,
que não pede para possuir;
quer apenas chegar mais perto,
até aprender teu jeito de existir.
Quero te descobrir devagar,
como quem lê o mar sem conhecer a maré,
sem arrancar segredo algum do lugar,
apenas entendendo quem você é.
E talvez seja esse o meu perigo:
quanto mais descubro, mais quero saber.
Quanto mais perto eu chego de você,
mais distante parece estar o fim.
Porque você não é algo que se explica,
é algo que se sente antes de entender;
uma vontade que não se justifica,
uma fome bonita de conhecer.
E se um dia eu disser que te devoro,
não pense que quero te prender:
é que existe tanto de você que eu adoro
que meu coração quer aprender a te ler.
Inteira.
Sem pressa.
Sem tradução.
Até que o teu mistério
encontre morada
dentro da minha imaginação.
