Dolce Peccato! Sabe aquela pessoa que a... Mannu Viana Rios
Dolce Peccato!
Sabe aquela pessoa
que a gente só encontra nos livros,
que aparece nos filmes
e que, por alguns segundos,
faz a gente acreditar
que certas pessoas simplesmente não existem?
Pois bem...
você existe.
E talvez seja justamente isso
que mais me desconcerta.
Porque não é sobre perfeição.
Eu não acredito em perfeição.
Também não acho que você tenha vindo
de outro planeta,
embora, às vezes,
seja difícil acreditar
que alguém como você
possa caminhar pelo mesmo mundo que eu.
É sobre ser incomum.
Sobre ter alguma coisa
que eu ainda não sei explicar,
mas que meus olhos reconhecem
antes mesmo que meu coração consiga entender.
Você é sem igual.
E, sabe...
eu acredito que você é o meu número,
meu tipo,
aquela combinação improvável
que a vida parece esconder
até o dia em que, de repente,
coloca diante dos nossos olhos.
E então a gente olha
e pensa:
“Era você?”
Ah, Dolce Peccato...
Você é aquele tipo de mulher
que muitos desejam.
Mas talvez desejem errado.
Porque alguns vão olhar para o teu corpo
e parar exatamente ali.
Eu não.
Eu quero saber da tua alma.
Quero conhecer teus silêncios,
entender teus medos,
descobrir aquilo que você esconde
quando sorri para o mundo
e finge que está tudo bem.
Quero saber o que te faz rir
até esquecer da hora,
o que te faz perder o sono,
quais sonhos você guarda
e nunca contou para ninguém.
Porque o teu corpo pode chamar atenção,
mas é a tua essência
que me prende.
E talvez seja isso
que me assuste.
Porque desejar alguém
é fácil.
Difícil é sentir vontade
de conhecer cada parte invisível
que existe dentro dela.
E eu sinto.
Sinto vontade de ficar
quando o mundo inteiro
talvez queira apenas passar.
Sinto vontade de te proteger
não porque você seja frágil,
mas porque até as pessoas fortes
merecem, às vezes,
ter alguém ao lado
quando o mundo pesa demais.
Se eu pudesse te proteger do mundo inteiro,
eu me colocaria em sua frente.
Seria o teu escudo humano.
Não para impedir o mundo de chegar até você,
mas para lembrar que,
se algum dia ele tentar te derrubar,
você não precisará enfrentar tudo sozinha.
Porque eu estaria ali.
E talvez você nem saiba
o quanto isso significa para mim.
Talvez você nunca perceba
que, em meio a tantas pessoas
que poderiam simplesmente passar pela minha vida,
você fez morada
sem sequer pedir licença.
E é estranho...
Porque eu não sei exatamente
quando aconteceu.
Só sei que, em algum momento,
você deixou de ser
apenas alguém que eu admirava
e se tornou
aquela pessoa que eu procuro
mesmo quando não estou procurando ninguém.
Dolce Peccato...
talvez você seja mesmo um pecado.
Mas não daqueles que a gente se arrepende.
Você é o tipo de pecado
que a gente guarda em segredo,
protege entre os pensamentos,
sorri quando lembra
e, no fundo,
agradece por ter cometido.
Porque existem pessoas
que a gente conhece.
Existem pessoas
que a gente deseja.
E existem aquelas raríssimas
que a gente sente.
Você...
eu sinto.
