Coleção pessoal de Mannu23

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TALVEZ O VENTO JÁ SOUBESSE


Dizem que o dente-de-leão
guarda desejos que ninguém consegue dizer,
e quando o vento espalha suas sementes pelo chão,
leva consigo aquilo que se deseja viver.


Eu nunca fui de acreditar em sinais,
nem em destinos desenhados no céu;
sempre achei que encontros eram apenas acasos,
até você atravessar o caminho meu.


Você chegou sem aviso ou previsão,
sem promessa, sem hora, sem direção,
e, ainda assim, alguma estranha sensação
fez morada silenciosa no meu coração.


Foi só um olhar — talvez coincidência.
Foi só um sorriso — talvez distração.
Mas certas coisas desafiam a ciência
quando encontram a exata frequência do coração.


Porque existe alguma coisa em você
que eu não consigo simplesmente ignorar;
quanto mais tento não perceber,
mais meu pensamento encontra um jeito de voltar.


E talvez seja isso que me assusta:
não parece apenas vontade de querer.
Existe uma certeza quieta e justa
de que há algo entre nós para acontecer.


Talvez você não tenha percebido,
talvez ainda duvide do que pode ser;
mas há encontros que chegam despercebidos
e mudam tudo antes mesmo de a gente entender.


Eu poderia chamar de acaso,
culpar a lua, o tempo ou o luar;
mas seria covardia esconder o que sinto
atrás de palavras que tentam disfarçar.


Porque, se existe uma pergunta
que insiste em voltar para mim,
não é mais “será que pode dar certo?”,
é “por que não tentar até o fim?”


Não quero prometer um conto perfeito,
nem dizer que não haverá medo ou contramão;
quero apenas mostrar que, se houver um jeito,
eu escolho tentar com o coração.


Se você me der uma chance,
uma brecha pequena, um instante sequer,
eu não prometo saber o que o futuro alcança,
mas prometo descobrir com você o que ele quer.


Porque eu não preciso de certezas absolutas
para acreditar no que sinto por você;
algumas verdades nascem justamente das dúvidas,
e a minha já começou a florescer.


É estranho...


Eu não sei quando começou,
nem em que momento deixou de ser acaso;
só sei que, quando o teu olhar me encontrou,
alguma coisa mudou de lugar dentro do meu espaço.


E se isso for loucura,
que o vento carregue minha razão;
mas se for verdade, que nenhuma dúvida
seja maior que aquilo que diz o coração.


Então, quando encontrar um dente-de-leão
e suas sementes dançarem sem direção,
não pense que é somente o vento em vão —
talvez seja o universo testando uma intenção.


Porque eu já sei qual seria meu pedido
se pudesse escolher uma única coisa para acontecer:


que você me dê uma chance,
não a promessa de ficar,
apenas a coragem de tentar.


Tentar sem saber onde vamos chegar,
mas sabendo que existe algo para descobrir;
tentar sem medo de se entregar ao acaso,
mas com vontade suficiente para insistir.


E talvez, depois de algumas tentativas,
de alguns medos vencidos e noites sem fim,
a gente descubra que certas histórias bonitas
não começam com certeza —
começam com um simples “sim”.


Eu não sei se o destino escreveu teu nome,
nem se o vento já sabia onde te levar;
mas sei que, entre tantos caminhos possíveis,
você foi justamente quem veio me encontrar.


E hoje já não parece apenas desejo,
nem sonho que a manhã pode desfazer.
Há uma certeza escondida em cada ensejo:


eu sinto que é você.


Talvez você seja a pessoa certa,
não porque tudo será fácil ou perfeito,
mas porque, mesmo diante da incerteza,
meu coração ainda escolhe o teu jeito.


E se você também sentir, nem que seja um pouco,
se houver em você a mesma vontade de tentar,
talvez não seja preciso entender tudo agora —
talvez só seja preciso começar.


Deixar o medo para depois.
Deixar o destino respirar.
Dar uma chance para nós duas
e descobrir o que pode se revelar.


Porque talvez o amor não seja uma certeza
que chega pronta para a gente compreender;
talvez seja uma semente delicada
que só floresce quando alguém decide não correr.


Então eu deixo meu desejo voar,
como as sementes que o vento conduz.
Não para pedir que você venha me amar,
mas para pedir que descubra se existe luz.


E, se alguma delas pousar no teu caminho,
talvez você finalmente possa entender:


não era só o vento me trazendo até você.
Talvez fosse você
a pessoa certa
que o meu coração já sabia reconhecer.


E se você me der uma chance,
se permitir que a história comece a acontecer,
eu não prometo que o caminho será perfeito —
mas prometo que vale a pena tentar.


Porque, entre todos os desejos que o vento poderia levar,
existe apenas um que eu escolheria guardar:


você.


E talvez essa seja a única certeza
que eu não precise mais questionar.

TALVEZ SEJA VOCÊ


Deveria ser proibido um beijo que sabe se encaixar,
um olhar que demora demais antes de se desviar.
Um sorriso de canto, quase sem intenção,
e uma vontade perigosa de seguir aquela direção.


Perigoso é o beijo perdido no canto do lábio,
tão pequeno no gesto, tão imenso no cenário.
Um carinho tão íntimo, tão fácil de reconhecer,
que parece antigo mesmo antes de acontecer.


E então seu nariz encontrou o meu,
num segundo tão breve que o mundo desapareceu.
Foi um gesto tão simples, quase sem perceber,
mas fez meu coração desacelerar e o tempo esquecer.


Lá fora, a vida continuava a acontecer,
mas, perto de você, eu só queria permanecer.
Como se o mundo pudesse esperar lá fora,
enquanto alguma coisa em nós pedia demora.


Não sei se você sentiu o mesmo arrepio,
se também percebeu o silêncio ficando macio.
Não sei se o seu coração quis perguntar
por que certos encontros parecem feitos para ficar.


Talvez seja coincidência… talvez seja imaginação,
talvez sejam apenas duas pessoas confundindo o coração.
Mas, se foi só acaso, me diga então:
por que até o silêncio entre nós parece ter intenção?


E talvez o mais perigoso nem tenha sido o beijo,
mas aquilo que ficou depois, escondido no desejo.
Porque há coisas que a boca não consegue confessar,
mas que um simples olhar insiste em revelar.


Talvez você também tenha guardado aquele instante,
aquele pequeno segundo, tão breve e tão marcante.
Talvez tenha sentido o que eu senti,
ou talvez eu esteja inventando aquilo que não vi.


Mas se não significou nada, por que ainda está presente?
Por que aquela lembrança retorna tão silenciosamente?
Por que um momento tão pequeno, quase sem razão,
continua fazendo morada dentro do meu coração?


E talvez seja isso que me assuste em você:
não o que já aconteceu, mas o que pode acontecer.
Porque existem pessoas que chegam sem avisar
e, quando percebemos, já mudaram o nosso jeito de olhar.


Não sei se você é destino, acaso ou travessia,
se veio para ficar ou ser apenas poesia.
Só sei que, entre tantos caminhos que eu poderia escolher,
há alguma coisa em você que me faz querer permanecer.


Talvez você não seja perfeita — e talvez nem precise ser.
Talvez seja justamente o seu jeito que me faça querer te conhecer.
Talvez não exista resposta, promessa ou explicação,
apenas essa estranha certeza escondida na contramão.


E se existir, em algum lugar, uma pessoa certa para mim,
talvez ela não chegue com certezas, nem anuncie o fim.
Talvez venha assim: num olhar demorado, num sorriso qualquer,
num carinho inesperado que faz o coração dizer o que a boca não quer.


Então não me responda agora.
Deixe o mistério permanecer onde está.
Porque algumas perguntas ficam mais bonitas
quando ninguém tem coragem de respondê-las.


Só me diga uma coisa, antes de partir:


quando nossos olhos se encontraram daquele jeito,
você também sentiu o mundo diminuir por um instante?
Ou foi apenas o meu coração, em segredo,
que encontrou em você um lugar onde talvez pudesse descansar?


Porque, no fim, talvez o perigo nunca tenha sido gostar…


talvez o verdadeiro perigo
seja descobrir que, entre todas as pessoas que eu poderia encontrar,
talvez tenha sido você
a pessoa que eu estava procurando sem saber.

JÁ SOU TUA FÃ


Talvez a natureza, por um instante,
parasse só para contemplar
a beleza que você carrega
sem sequer perceber que sabe encantar.


Talvez qualquer olhar mais atento
encontrasse em você algo diferente,
mas eu tive a sorte de enxergar além:
a pessoa, a essência, a alma…
e foi aí que você me ganhou também.


Não vou negar:
teu corpo chama a minha atenção.
Seria impossível esconder
o que os olhos insistem em dizer
quando o coração começa a querer.


Mas a tua alma…
ah, essa é a minha parte favorita.


É nela que existe o mistério,
o encanto que não sei explicar,
aquilo que me faz querer conhecer
cada pedacinho seu
sem nenhuma pressa de chegar.


Então, se um dia você quiser,
deixa-me conhecer você por inteira.
Sem medo, sem roteiro,
sem precisar transformar sentimento em promessa.


Só deixa acontecer.


Deixa-me ficar por perto,
ser tua segunda a sexta-feira,
a conversa que chega sem motivo,
a companhia leve e verdadeira.


E, se aos finais de semana
você quiser dividir um pouco mais de você,
eu estarei por aqui também.


Não quero antecipar o destino,
nem escrever por nós duas o final.
Quero apenas descobrir, devagar,
se aquilo que parece tão bonito
pode ser ainda mais especial.


Eu quero ficar.
Quero permanecer,
mas sem pressa, sem cobrança,
sem pedir que você seja nada além
daquilo que já é.


Porque eu já sou tua fã.


E talvez o mais bonito de tudo
seja justamente isso:


eu não preciso saber onde vai dar
para gostar da vontade
de continuar.

4:47


Eram 4:47 da madrugada,
cada uma em sua casa, em sua estrada,
mas, mesmo distantes, sem poder se tocar,
havia um pensamento insistindo em nos aproximar.


Você colocou uma música para tocar,
e me chamou para, contigo, desejar.
Um pedido feito em plena madrugada,
uma coisa tão simples, tão inesperada.


E então você perguntou, quase a brincar:
“Você acredita nessas coisas?
Ou vai dizer que é uma ideia boba
e começar a desacreditar?”


E talvez você esperasse que eu dissesse
que aquilo era bobagem, que não acontecesse,
que desejos não mudam o destino,
que era só uma brincadeira daquele momento repentino.


Mas como eu poderia chamar de bobo
um instante que já me fazia sorrir de novo?
Como dizer que não acreditava em você,
se naquele momento eu só queria acreditar e viver?


Então fizemos nosso pedido em silêncio,
cada uma em seu quarto, no próprio endereço,
com uma música atravessando a distância,
e um desejo escondido na esperança.


E foi aí que aconteceu o mais bonito:
duas mulheres adultas, vivendo o infinito,
cada uma sozinha, mas sem solidão,
porque a outra ocupava espaço no coração.


E parecíamos duas adolescentes,
com sentimentos novos, intensos e inconsequentes,
descobrindo o frio gostoso de gostar,
rindo sozinhas sem saber explicar.


Não pela idade, isso eu sei,
mas pelo jeito que o coração voltou a ser rei.
Aquela sensação meio boba, meio sem razão,
de acreditar em destino, desejo e constelação.


E talvez você nem tenha percebido
o quanto aquele gesto me deixou enternecido.
Porque ninguém nunca havia feito assim:
escolher uma hora improvável para dividir comigo um “sim”.


Você poderia ter feito o pedido sozinha,
guardado o desejo no fim da linha,
mas escolheu me chamar para sonhar,
e, sem perceber, fez meu coração se iluminar.


Foi por isso que eu me senti especial,
por algo tão pequeno e, ao mesmo tempo, colossal.
Não pelo pedido, nem pela hora marcada,
mas porque você quis que eu estivesse naquela madrugada.


E se hoje alguém me perguntar
por que eu ainda gosto de lembrar
daquela hora, daquela música, daquele querer,
talvez eu só consiga responder:


Porque tu é tu.


Não existe fórmula, explicação ou porquê,
nem sei se o universo resolveu nos atender.
Só sei que, entre tantas horas para acontecer,
foi justamente 4:47 que escolheu você.


E desde então, quando o relógio chega lá,
eu penso naquela pergunta que você me fez no ar:
“Você acredita nessas coisas?”


Hoje eu acho que acredito, sim.


Não necessariamente em magia, destino ou previsão,
mas naquilo que acontece sem pedir permissão:
duas pessoas distantes, em suas casas,
ouvindo a mesma música e abrindo as mesmas asas.


Porque talvez acreditar não seja esperar o impossível acontecer.


Talvez seja apenas olhar para 4:47
e lembrar que, naquela madrugada,
mesmo longe uma da outra,
nós escolhemos acreditar juntas.

Ela é Sol! Eu sou Lua!


Ela é o Sol,
eu sou a Lua,
duas almas diferentes
sob a mesma imensidão.


Ela chega trazendo luz,
eu chego trazendo mistério;
ela ilumina o que toca,
eu guardo o que sinto em silêncio.


Ela é calor,
eu sou maré;
ela desperta sentimentos
que eu nem sabia que havia em mim.


Talvez seja por isso
que eu escreva tanto sobre ela:
porque há pessoas que simplesmente passam,
e há aquelas que deixam o céu diferente
depois que chegam.


Ela não precisa saber
quantas constelações acendeu em mim.
Talvez nem perceba
que, quando penso nela,
até minhas noites encontram claridade.


E eu, Lua,
continuo orbitando meus próprios pensamentos,
tentando transformar em versos
aquilo que não consigo dizer.


Porque o Sol não sabe
o quanto a Lua o observa.


E a Lua talvez nunca conte
o quanto é bonito receber sua luz.


Mas existe algo que o céu sabe
e nós talvez ainda não:


há encontros que não precisam acontecer no mesmo instante
para pertencerem ao mesmo universo.


Ela é o Sol.
Eu sou a Lua.


E, entre a luz dela
e as minhas fases,
existe um céu inteiro
guardando aquilo que somente nós
poderíamos entender.

"Ela nasceu para iluminar o céu; eu, para guardar no escuro tudo aquilo que a luz dela despertou em mim.”




- Mannu Viana Rios ☀️🌑

Mil Vidas, Mil Vezes Você!


Eu sempre te olhei com cuidado e carinho,
como quem recebeu do céu um raro caminho.
Algo tão delicado, tão lindo de guardar,
um presente que Deus me ensinou a amar.


Te acompanhei ainda dentro do ventre da nossa mãe,
e antes mesmo de nascer, já te amava também.
Te vi praticamente chegar ao mundo, sem nem perceber,
enquanto pulávamos uma janela — só nós para fazer.


E quando te peguei nos braços pela primeira vez,
meu coração descobriu um amor que jamais conhecera antes, talvez.
Ali nasceu mais um amor da minha vida,
minha bebê gigante, minha alegria preferida.


Dona de um sorriso capaz de contagiar,
cheia de vida, de sonhos e de um jeito lindo de iluminar.
Você nasceu para brilhar, para mostrar seu valor,
para deixar sua passagem pelo mundo repleta de amor.


Eu nunca estarei pronta para te ver crescer,
porque, para mim, você sempre será meu bebê, pode crer.
Mas quero estar aqui para cada transformação,
para cada conquista, cada sonho e cada realização.


Quero ver a mulher forte que você vai se tornar,
sensacional, espetacular, impossível de não admirar.
Mas, para falar a verdade, não preciso esperar,
porque a mulher incrível que você é já começou a se revelar.


E quem diria que, além de irmã, você seria minha melhor amiga?
Aquela que me chama para os rolês e ainda por cima me instiga!
Me diz: que irmã mais nova faz uma coisa dessas?
Chama a irmã mais velha pra tudo — e eu ainda aceito, sem pressa! Kkkkk.


Talvez a vida tenha decidido, sem nos consultar,
que ser apenas irmãs não iria bastar.
Então nos deu cumplicidade, carinho e conexão,
risadas, histórias e um amor que não cabe no coração.


Você é minha gêmea, mesmo sem termos nascido no mesmo dia,
é minha luz nos momentos escuros, minha dose de alegria.
É meu sol quando o mundo parece perder a cor,
meu ar quando preciso respirar amor.


É minha risada mais sincera, meu lugar para voltar,
meu outro mundo, meu jeito favorito de amar.
E se um dia você esquecer o quanto é especial,
eu estarei aqui para te lembrar — porque isso nunca será normal.


Eu te amo hoje, amanhã e enquanto a vida permitir,
e em cada fase da sua vida eu quero te assistir.
Cresça, voe, conquiste, descubra o que quiser,
mas nunca esqueça: estarei ao seu lado, minha pequena mulher.


Minha gêmea, minha luz, meu sol, meu ar,
minha irmã, minha amiga, meu eterno lugar.
Se Deus me perguntasse o que eu escolheria outra vez,
eu escolheria você — mil vidas, mil vezes, talvez.




Para: Casula ❤️

Dolce Peccato!


Sabe aquela pessoa
que a gente só encontra nos livros,
que aparece nos filmes
e que, por alguns segundos,
faz a gente acreditar
que certas pessoas simplesmente não existem?


Pois bem...


você existe.


E talvez seja justamente isso
que mais me desconcerta.


Porque não é sobre perfeição.
Eu não acredito em perfeição.
Também não acho que você tenha vindo
de outro planeta,
embora, às vezes,
seja difícil acreditar
que alguém como você
possa caminhar pelo mesmo mundo que eu.


É sobre ser incomum.


Sobre ter alguma coisa
que eu ainda não sei explicar,
mas que meus olhos reconhecem
antes mesmo que meu coração consiga entender.


Você é sem igual.


E, sabe...
eu acredito que você é o meu número,
meu tipo,
aquela combinação improvável
que a vida parece esconder
até o dia em que, de repente,
coloca diante dos nossos olhos.


E então a gente olha
e pensa:


“Era você?”


Ah, Dolce Peccato...


Você é aquele tipo de mulher
que muitos desejam.


Mas talvez desejem errado.


Porque alguns vão olhar para o teu corpo
e parar exatamente ali.


Eu não.


Eu quero saber da tua alma.


Quero conhecer teus silêncios,
entender teus medos,
descobrir aquilo que você esconde
quando sorri para o mundo
e finge que está tudo bem.


Quero saber o que te faz rir
até esquecer da hora,
o que te faz perder o sono,
quais sonhos você guarda
e nunca contou para ninguém.


Porque o teu corpo pode chamar atenção,
mas é a tua essência
que me prende.


E talvez seja isso
que me assuste.


Porque desejar alguém
é fácil.


Difícil é sentir vontade
de conhecer cada parte invisível
que existe dentro dela.


E eu sinto.


Sinto vontade de ficar
quando o mundo inteiro
talvez queira apenas passar.


Sinto vontade de te proteger
não porque você seja frágil,
mas porque até as pessoas fortes
merecem, às vezes,
ter alguém ao lado
quando o mundo pesa demais.


Se eu pudesse te proteger do mundo inteiro,
eu me colocaria em sua frente.


Seria o teu escudo humano.


Não para impedir o mundo de chegar até você,
mas para lembrar que,
se algum dia ele tentar te derrubar,
você não precisará enfrentar tudo sozinha.


Porque eu estaria ali.


E talvez você nem saiba
o quanto isso significa para mim.


Talvez você nunca perceba
que, em meio a tantas pessoas
que poderiam simplesmente passar pela minha vida,
você fez morada
sem sequer pedir licença.


E é estranho...


Porque eu não sei exatamente
quando aconteceu.


Só sei que, em algum momento,
você deixou de ser
apenas alguém que eu admirava


e se tornou
aquela pessoa que eu procuro
mesmo quando não estou procurando ninguém.


Dolce Peccato...


talvez você seja mesmo um pecado.


Mas não daqueles que a gente se arrepende.


Você é o tipo de pecado
que a gente guarda em segredo,
protege entre os pensamentos,
sorri quando lembra
e, no fundo,
agradece por ter cometido.


Porque existem pessoas
que a gente conhece.


Existem pessoas
que a gente deseja.


E existem aquelas raríssimas
que a gente sente.


Você...


eu sinto.

Cor de Marte


Há uma cor que não existe
nas paletas que conheço,
um vermelho antigo, quase secreto,
que parece guardar o avesso
de tudo aquilo que não confesso.


É a cor de Marte,
distante, silenciosa,
que atravessa milhões de quilômetros
sem jamais pedir passagem,
como uma lembrança teimosa
perdida na imensidão da paisagem.


Não é vermelho de rosas,
nem de fogo, nem de paixão.
É vermelho de poeira,
de tempo, de solidão,
de um planeta que aprendeu
a carregar cicatrizes
sem perder a própria direção.


Talvez por isso eu goste tanto dela.


Porque há beleza
naquilo que o tempo transforma,
naquilo que um dia foi diferente
e hoje carrega outra forma.


Marte não precisa ser azul
para ser bonito.
Não precisa de oceanos
para esconder seus abismos.
Basta existir,
vermelho e distante,
guardando em seu silêncio
mil histórias que ninguém ouviu.


E talvez seja essa
a verdadeira cor de Marte:


a cor de tudo aquilo
que sobreviveu ao tempo
e, mesmo depois de perder tanto,
ainda consegue iluminar o céu.


Uma cor que não pede para ser entendida.


Só para ser contemplada.

Cartografia do Teu Universo


Há qualquer coisa no teu olhar
que eu ainda não sei nomear,
como se o céu, distraído,
tivesse escolhido em ti morar.


Teus olhos guardam constelações
que não aparecem em nenhum mapa,
e eu, sem perceber,
me perco onde a tua luz escapa.


Há um silêncio na tua voz
que diz mais do que qualquer palavra,
um jeito de sorrir de canto
que desarma aquilo que eu guardava.


E o teu cheiro...
não sei se é perfume ou lembrança,
mas fica no ar depois que partes,
como uma promessa que não cansa.


Talvez seja isso que me encanta:
não saber exatamente o que acontece,
só sentir que, quando você chega,
alguma coisa em mim floresce.


Teu toque não precisa permanecer
para deixar seu caminho em mim;
há gestos que duram segundos
e, ainda assim, parecem não ter fim.


Se o universo tem seus mistérios,
talvez você seja um deles.
Porque quanto mais tento te entender,
mais bonito fica não saber.


E se algum dia me perguntarem
onde encontrei o meu lugar,
não direi teu nome.


Apenas apontarei para o céu
e deixarei o silêncio explicar.

"Eu descobri um universo em você e, enquanto te descubro, percebo que você também está se tornando parte de mim."






- Mannu Viana Rios 🌹

Na Mesma Sintonia


Gostoso é quando você quer alguém
e descobre que essa pessoa também quer você —
e, para sua surpresa,
quer ainda mais do que você imaginava.


É quando aquele olhar que você achava ser apenas seu
carrega, do outro lado, a mesma vontade.
Quando o silêncio deixa de ser dúvida
e passa a ser uma conversa que os dois entendem.


Porque existe algo irresistível
em perceber que o desejo não nasceu sozinho.
Que enquanto você pensava nela,
ela também pensava em você.
Enquanto você imaginava,
ela também desejava.
E enquanto você tentava esconder o querer,
ela talvez estivesse fazendo exatamente o mesmo.


Quando o querer é recíproco,
a conexão ganha outra intensidade.
O que era possibilidade vira certeza,
o que era desejo vira encontro,
e aquilo que parecia perigoso demais para sentir
se torna irresistível justamente porque é sentido pelos dois.


Talvez seja isso que torne tudo tão gostoso:
não é apenas querer alguém.
É descobrir que, em algum lugar entre dois olhares,
dois desejos se encontraram
e nenhum dos dois quer mais fingir que não percebeu.

Conexão Sem Explicação


Existem conexões que a gente não escolhe sentir,
elas chegam de repente, sem pedir para existir.
Derrubam nossas defesas, fazem o medo se calar,
e sem sequer percebermos, encontram um jeito de ficar.


É alguém que quebra os muros que levamos tanto tempo a erguer,
que atravessa nossas barreiras sem sequer precisar entender.
Chega leve, chega calma, sem promessa ou condição,
e quando vemos, já tomou espaço dentro do coração.


Com ela, não há motivo para fingir ou esconder,
não precisamos ser perfeitos, nem mudar para caber.
Podemos ser nossas manias, nossas formas de pensar,
nossos versos incompreendidos, nossas músicas sem parar.


Nossas chatices, nossos ciúmes, nosso jeito de complicar,
as coisas mais estranhas que ninguém consegue decifrar.
E aquilo que antes parecia motivo para se afastar,
quando existe conexão, vira motivo para admirar.


Porque quando é verdadeiro, até o estranho fica bonito,
um olhar vira abrigo, um silêncio vira infinito.
E a gente se sente leve, sem medo de se entregar,
como se, pela primeira vez, pudesse simplesmente respirar.


Mas existe um detalhe que insiste em me assustar:
e se tudo isso for sonho que o destino quis brincar?
E se, além do destino, houver pedras pelo caminho,
impedindo dois corações de seguirem no mesmo destino?


Talvez ela não possa ser minha,
não por falta de vontade ou por falta de conexão,
mas porque a vida às vezes coloca obstáculos
onde o coração só queria encontrar uma direção.


E talvez essas pequenas pedras, espalhadas pelo chão,
sejam grandes demais para os passos de dois corações.
Talvez o destino nos aproxime só para depois ensinar
que nem todo encontro bonito nasceu para ficar.


Mas se amanhã tudo acabar e o sonho se desfizer,
ainda assim terá valido a pena sentir e viver.
Porque existem pessoas que chegam sem explicação
e, mesmo sem poder ser nossas,
deixam morada no coração.

Onde Mora o Perigo


Beijo lento, quase segredo,
mordida leve, guardando o desejo,
um sorriso que entrega o que tentou esconder,
e um selinho no fim, só pra me fazer querer.


É nesse instante que mora o perigo,
quando o silêncio brinca comigo,
quando um simples toque parece dizer
tudo aquilo que a boca tenta esconder.


Porque o beijo termina,
mas a vontade não.
Fica presa no sorriso,
faz morada no coração.


E eu finjo que não percebi,
finjo que não me rendi…
mas se você repetir esse jeito de beijar,
talvez eu esqueça até de tentar escapar.


Beijo lento + mordida + sorriso + selinho no final…
Perigo?
Não.


É exatamente aí que começa o meu caos.

A Coragem do Talvez.


Talvez algumas conversas comecem como uma simples brincadeira e, sem que a gente perceba, acabem tocando em lugares que normalmente tentamos esconder até de nós mesmas.


Foi assim quando falamos sobre a razão e a vontade.


Porque algumas lembranças não ficam apenas na memória. Ficam na pele, na saudade, no peito e, principalmente, na vontade. E talvez seja justamente aí que more o conflito: quando a razão manda seguir em frente, mas alguma coisa dentro da gente continua puxando para o que sente.


Um conflito gostoso de enfrentar… ou perigoso.


Mas talvez, às vezes, o perigo sirva justamente para isso: para nos fazer viver algo que jamais imaginamos que um dia viveríamos.


Você disse que muita gente sente, mas poucos admitem.


Eu perguntei se você admitiria.


Você respondeu que seus desejos e suas vontades, sim.


Mas quando perguntei sobre sentimentos, veio aquela frase que ficou ecoando:


“Aí que mora o perigo.”


E talvez você tenha razão.


Porque admitir uma vontade pode ser simples. Admitir um sentimento é diferente. Sentimento traz consequências, muda certezas, bagunça aquilo que a razão passou tanto tempo tentando organizar.


E foi justamente aí que eu pensei: talvez o perigo não esteja em sentir. Talvez esteja em descobrir que aquilo que tentamos controlar já encontrou um lugar dentro da gente.


Você disse que prefere vivenciar a se fechar.


E eu acredito nisso também.


Porque às vezes só vivendo conseguimos entender aquilo que nenhuma explicação consegue traduzir. Só a experiência consegue responder perguntas que a razão insiste em fazer.


Você me perguntou se eu acreditava que valeria a pena.


E eu respondi que só vivenciando para entender tudo.


Mas, pensando bem, talvez já esteja valendo a pena.


Não necessariamente pelo resultado. Não por saber onde isso vai terminar. Mas pela coragem de não fingir que nada está acontecendo.


Você chamou isso de determinação.


Eu chamei de insistência.


Talvez sejam as duas coisas.


Porque, quando a gente quer alguma coisa e aquilo nos faz bem, por que simplesmente parar no caminho sem ao menos tentar?


Eu sou assim.


Prefiro tentar a passar a vida imaginando como teria sido.


E foi então que você disse algo que ficou comigo:


“Aqueles que conseguiram porque um dia tentaram e os que tentaram um dia conseguiram.”


Talvez seja isso.


Talvez algumas histórias só existam porque alguém teve coragem de dar o primeiro passo.


Talvez algumas vontades tenham aparecido para serem compreendidas, não escondidas.


E talvez alguns sentimentos cheguem justamente para nos ensinar que nem tudo na vida precisa ser explicado antes de ser vivido.


No fim, entre a razão e a vontade, existe sempre uma escolha.


E talvez o mais bonito — e também o mais perigoso — seja descobrir o que acontece quando, por um instante, a gente deixa o coração falar mais alto.


Porque algumas coisas passam.


Outras ficam na pele como tatuagem.


E existem aquelas que, mesmo sem saber o nome, a gente simplesmente sabe que valeu a pena sentir.


Então, vale o risco?


Você sabe que sim.


E sabe também que, desse risco, eu não estou correndo para longe.


Você perguntou sobre as consequências.


E eu pensei:


As consequências?


Que venham.


Porque só saberemos se serão boas ou ruins quando deixarmos, antes de tudo, aquilo que sentimos simplesmente existir.


Sem pressa para nomear.
Sem medo de compreender.
Sem tentar apagar antes mesmo de descobrir o que poderia ser.


Talvez o risco seja justamente esse:
dar espaço para aquilo que a razão tenta controlar,
mas que a vontade insiste em fazer florescer.


E, no fim, talvez não seja sobre saber onde isso vai chegar.


Talvez seja apenas sobre ter coragem de descobrir.

Sem Precisar Ser Menos


Às vezes, a maior cura vem de alguém
que simplesmente não exige que você seja menos.


Menos intensa, menos sonhadora,
menos você.


Alguém que não tenta mudar aquilo que você é,
que não julga a sua maneira de ser feliz,
que não critica a criança que ainda mora em você,
mas aprende a brincar com ela também.


Alguém que te faz sentir protegida,
mesmo quando é você quem sempre quis proteger.
Que olha para as suas partes mais frágeis
e, em vez de querer consertá-las,
escolhe ficar.


Que queira conhecer tudo sobre você:
seus medos, suas manias, seus silêncios,
as pequenas coisas que fazem seus olhos brilharem
e até aquelas que você quase nunca conta.


Alguém que te olhe e pense, em silêncio:
“Caramba… que sorte a minha
ter essa pessoa na minha vida.”


Que queira estar perto,
mas nunca perto demais.
Que saiba permanecer
sem sufocar,
cuidar sem prender,
amar sem exigir.


Porque talvez a maior forma de cura
seja encontrar alguém
diante de quem você não precise diminuir a própria luz
para que ela se sinta confortável.


Alguém que simplesmente diga, com a presença:


“Eu gosto de você assim.
Inteira.
Intensa.
Livre.
E não quero que você seja menos
só para caber na minha vida.”


E que, nos dias em que você não souber ser forte,
não te cobre coragem.
Que saiba sentar ao seu lado no silêncio,
sem pressa de encontrar respostas.
Que não tente transformar suas lágrimas em fraqueza,
nem seus medos em defeitos.
Alguém que entenda que cuidar
também é permanecer quando não há nada para consertar.
Que não precise de uma versão perfeita de você,
apenas da sua versão verdadeira.
Porque talvez seja isso que torna alguém especial:
não a capacidade de salvar você,
mas a delicadeza de fazer você perceber
que nunca precisou ser salva de quem é.


Porque algumas pessoas não chegam para mudar nossa vida; chegam para nos lembrar que não precisamos mudar quem somos para sermos amados.

Aquilo que Ficou.


Você ficou na pele, no sentir,
naquela lembrança difícil de fugir.
Ficou na saudade do que aconteceu,
e em cada silêncio que o tempo não venceu.


Ficou no meu peito, sem pedir permissão,
feito segredo guardado na imensidão.
E por mais que a razão tente me convencer,
há pensamentos que insistem em você.


Talvez algumas lembranças não queiram passar,
porque certas vontades nasceram pra ficar.
E quando a noite chega e tudo fica em silêncio,
é você que aparece no meu pensamento.


Eu tento não pensar, tento disfarçar,
mas há sentimentos que sabem me encontrar.
E quanto mais digo que preciso esquecer,
mais a minha vontade me leva a você.


Então, se algum dia você quiser saber
o que acontece quando penso em você,
não procure respostas na razão ou na saudade…
procure no lugar onde ficou a vontade.


Porque algumas lembranças ficam na pele,
outras no peito, onde ninguém pode ver.
E talvez o que eu mais tente esconder
seja justamente a vontade de repetir você.

Entre a Razão e a Vontade


Por que é que a mente insiste em te buscar,
do instante em que adormeço ao despertar?
Se a noite me silencia, sem sequer avisar,
é teu nome que o pensamento insiste em chamar.


Há lembranças que não sabem partir,
ficam na pele, fazendo o sentir persistir.
Outras viram saudade, difíceis de conter,
moram dentro do peito sem pedir pra nascer.


A razão tenta explicar o que aconteceu,
mas o coração responde: “isso ainda é teu”.
E quanto mais eu tento deixar pra trás,
mais a vontade sussurra que quer um pouco mais.


Talvez seja a memória querendo ficar,
talvez seja a saudade querendo voltar.
Ou talvez seja aquilo que ninguém consegue entender:
quando alguém toca a alma, é difícil esquecer.


E assim vou da noite esperando o amanhecer,
com pensamentos que insistem em você.
Porque há sentimentos que não pedem permissão:
ficam na pele, na saudade, no peito e na razão.


E se a vontade insiste em permanecer,
talvez seja porque ainda há algo em mim querendo viver.
Não sei se é saudade, desejo ou emoção…
Só sei que você ainda mora
entre a razão e o coração.

Naquela Noite Estrelada.


Em uma noite estrelada,
sem ninguém para nos observar,
somente eu e ela,
e um sentimento difícil de explicar.


Era descoberta, era encanto,
era medo de se deixar sentir,
algo que parecia errado,
mas impossível de impedir.


Dois corações tão confusos,
sem saber onde chegar,
ligados por um fio invisível
que insistia em nos aproximar.


Chamam de conexão,
coisa de alma, talvez destino,
um encontro improvável
escrito em algum caminho.


Vieram doces madrugadas,
longas horas sem perceber,
pois quando estamos juntas,
até o tempo parece esquecer.


Parece parar por um instante,
só para nos contemplar,
como se quisesse entender
por que duas almas decidiram se encontrar.


Éramos distantes,
cada uma em seu próprio lugar,
mas talvez, desde sempre,
vivêssemos no mesmo olhar.


Dois mundos, duas histórias,
dois corações em contramão,
que descobriram, sem saber,
a mesma direção.


E naquela noite estrelada,
quando o silêncio veio nos envolver,
o universo pareceu sussurrar:
há encontros que nascem
muito antes de acontecer.

Na meia Luz


Difícil de esquecer a sensação que você causou em mim,
com o seu toque, o seu beijo,
com a forma como me olhou
e tudo aquilo que despertou sem pedir licença.


Com cuidado, foi dedilhando cada nota
que compõe minha alma e meu corpo,
me conhecendo aos poucos,
me desbravando sem pressa,
sem medo, sem receio.


E havia algo curioso nisso tudo:
eu simplesmente deixei acontecer.


Naquela meia-luz,
onde nada precisava ser explicado,
teus olhos encontraram os meus
e, por alguns instantes,
parecia que o resto havia desaparecido.


Você me fez sentir única,
não como quem promete ficar,
mas como quem, naquele momento,
soube exatamente onde tocar
para fazer o mundo desacelerar.


E talvez seja isso que incomode um pouco:
não foi apenas o que aconteceu,
foi a facilidade com que aconteceu.


A leveza.
A confiança.
Aquela sensação estranha de não precisar pensar demais.


Foi na meia-luz que tudo aconteceu.
Foi ali que teus olhos encontraram os meus...
e, desde então,
há certas lembranças que a luz do dia
simplesmente não consegue apagar.