Coleção pessoal de Mannu23
Conexão Sem Explicação
Existem conexões que a gente não escolhe sentir,
elas chegam de repente, sem pedir para existir.
Derrubam nossas defesas, fazem o medo se calar,
e sem sequer percebermos, encontram um jeito de ficar.
É alguém que quebra os muros que levamos tanto tempo a erguer,
que atravessa nossas barreiras sem sequer precisar entender.
Chega leve, chega calma, sem promessa ou condição,
e quando vemos, já tomou espaço dentro do coração.
Com ela, não há motivo para fingir ou esconder,
não precisamos ser perfeitos, nem mudar para caber.
Podemos ser nossas manias, nossas formas de pensar,
nossos versos incompreendidos, nossas músicas sem parar.
Nossas chatices, nossos ciúmes, nosso jeito de complicar,
as coisas mais estranhas que ninguém consegue decifrar.
E aquilo que antes parecia motivo para se afastar,
quando existe conexão, vira motivo para admirar.
Porque quando é verdadeiro, até o estranho fica bonito,
um olhar vira abrigo, um silêncio vira infinito.
E a gente se sente leve, sem medo de se entregar,
como se, pela primeira vez, pudesse simplesmente respirar.
Mas existe um detalhe que insiste em me assustar:
e se tudo isso for sonho que o destino quis brincar?
E se, além do destino, houver pedras pelo caminho,
impedindo dois corações de seguirem no mesmo destino?
Talvez ela não possa ser minha,
não por falta de vontade ou por falta de conexão,
mas porque a vida às vezes coloca obstáculos
onde o coração só queria encontrar uma direção.
E talvez essas pequenas pedras, espalhadas pelo chão,
sejam grandes demais para os passos de dois corações.
Talvez o destino nos aproxime só para depois ensinar
que nem todo encontro bonito nasceu para ficar.
Mas se amanhã tudo acabar e o sonho se desfizer,
ainda assim terá valido a pena sentir e viver.
Porque existem pessoas que chegam sem explicação
e, mesmo sem poder ser nossas,
deixam morada no coração.
Onde Mora o Perigo
Beijo lento, quase segredo,
mordida leve, guardando o desejo,
um sorriso que entrega o que tentou esconder,
e um selinho no fim, só pra me fazer querer.
É nesse instante que mora o perigo,
quando o silêncio brinca comigo,
quando um simples toque parece dizer
tudo aquilo que a boca tenta esconder.
Porque o beijo termina,
mas a vontade não.
Fica presa no sorriso,
faz morada no coração.
E eu finjo que não percebi,
finjo que não me rendi…
mas se você repetir esse jeito de beijar,
talvez eu esqueça até de tentar escapar.
Beijo lento + mordida + sorriso + selinho no final…
Perigo?
Não.
É exatamente aí que começa o meu caos.
A Coragem do Talvez.
Talvez algumas conversas comecem como uma simples brincadeira e, sem que a gente perceba, acabem tocando em lugares que normalmente tentamos esconder até de nós mesmas.
Foi assim quando falamos sobre a razão e a vontade.
Porque algumas lembranças não ficam apenas na memória. Ficam na pele, na saudade, no peito e, principalmente, na vontade. E talvez seja justamente aí que more o conflito: quando a razão manda seguir em frente, mas alguma coisa dentro da gente continua puxando para o que sente.
Um conflito gostoso de enfrentar… ou perigoso.
Mas talvez, às vezes, o perigo sirva justamente para isso: para nos fazer viver algo que jamais imaginamos que um dia viveríamos.
Você disse que muita gente sente, mas poucos admitem.
Eu perguntei se você admitiria.
Você respondeu que seus desejos e suas vontades, sim.
Mas quando perguntei sobre sentimentos, veio aquela frase que ficou ecoando:
“Aí que mora o perigo.”
E talvez você tenha razão.
Porque admitir uma vontade pode ser simples. Admitir um sentimento é diferente. Sentimento traz consequências, muda certezas, bagunça aquilo que a razão passou tanto tempo tentando organizar.
E foi justamente aí que eu pensei: talvez o perigo não esteja em sentir. Talvez esteja em descobrir que aquilo que tentamos controlar já encontrou um lugar dentro da gente.
Você disse que prefere vivenciar a se fechar.
E eu acredito nisso também.
Porque às vezes só vivendo conseguimos entender aquilo que nenhuma explicação consegue traduzir. Só a experiência consegue responder perguntas que a razão insiste em fazer.
Você me perguntou se eu acreditava que valeria a pena.
E eu respondi que só vivenciando para entender tudo.
Mas, pensando bem, talvez já esteja valendo a pena.
Não necessariamente pelo resultado. Não por saber onde isso vai terminar. Mas pela coragem de não fingir que nada está acontecendo.
Você chamou isso de determinação.
Eu chamei de insistência.
Talvez sejam as duas coisas.
Porque, quando a gente quer alguma coisa e aquilo nos faz bem, por que simplesmente parar no caminho sem ao menos tentar?
Eu sou assim.
Prefiro tentar a passar a vida imaginando como teria sido.
E foi então que você disse algo que ficou comigo:
“Aqueles que conseguiram porque um dia tentaram e os que tentaram um dia conseguiram.”
Talvez seja isso.
Talvez algumas histórias só existam porque alguém teve coragem de dar o primeiro passo.
Talvez algumas vontades tenham aparecido para serem compreendidas, não escondidas.
E talvez alguns sentimentos cheguem justamente para nos ensinar que nem tudo na vida precisa ser explicado antes de ser vivido.
No fim, entre a razão e a vontade, existe sempre uma escolha.
E talvez o mais bonito — e também o mais perigoso — seja descobrir o que acontece quando, por um instante, a gente deixa o coração falar mais alto.
Porque algumas coisas passam.
Outras ficam na pele como tatuagem.
E existem aquelas que, mesmo sem saber o nome, a gente simplesmente sabe que valeu a pena sentir.
Então, vale o risco?
Você sabe que sim.
E sabe também que, desse risco, eu não estou correndo para longe.
Você perguntou sobre as consequências.
E eu pensei:
As consequências?
Que venham.
Porque só saberemos se serão boas ou ruins quando deixarmos, antes de tudo, aquilo que sentimos simplesmente existir.
Sem pressa para nomear.
Sem medo de compreender.
Sem tentar apagar antes mesmo de descobrir o que poderia ser.
Talvez o risco seja justamente esse:
dar espaço para aquilo que a razão tenta controlar,
mas que a vontade insiste em fazer florescer.
E, no fim, talvez não seja sobre saber onde isso vai chegar.
Talvez seja apenas sobre ter coragem de descobrir.
Sem Precisar Ser Menos
Às vezes, a maior cura vem de alguém
que simplesmente não exige que você seja menos.
Menos intensa, menos sonhadora,
menos você.
Alguém que não tenta mudar aquilo que você é,
que não julga a sua maneira de ser feliz,
que não critica a criança que ainda mora em você,
mas aprende a brincar com ela também.
Alguém que te faz sentir protegida,
mesmo quando é você quem sempre quis proteger.
Que olha para as suas partes mais frágeis
e, em vez de querer consertá-las,
escolhe ficar.
Que queira conhecer tudo sobre você:
seus medos, suas manias, seus silêncios,
as pequenas coisas que fazem seus olhos brilharem
e até aquelas que você quase nunca conta.
Alguém que te olhe e pense, em silêncio:
“Caramba… que sorte a minha
ter essa pessoa na minha vida.”
Que queira estar perto,
mas nunca perto demais.
Que saiba permanecer
sem sufocar,
cuidar sem prender,
amar sem exigir.
Porque talvez a maior forma de cura
seja encontrar alguém
diante de quem você não precise diminuir a própria luz
para que ela se sinta confortável.
Alguém que simplesmente diga, com a presença:
“Eu gosto de você assim.
Inteira.
Intensa.
Livre.
E não quero que você seja menos
só para caber na minha vida.”
E que, nos dias em que você não souber ser forte,
não te cobre coragem.
Que saiba sentar ao seu lado no silêncio,
sem pressa de encontrar respostas.
Que não tente transformar suas lágrimas em fraqueza,
nem seus medos em defeitos.
Alguém que entenda que cuidar
também é permanecer quando não há nada para consertar.
Que não precise de uma versão perfeita de você,
apenas da sua versão verdadeira.
Porque talvez seja isso que torna alguém especial:
não a capacidade de salvar você,
mas a delicadeza de fazer você perceber
que nunca precisou ser salva de quem é.
Porque algumas pessoas não chegam para mudar nossa vida; chegam para nos lembrar que não precisamos mudar quem somos para sermos amados.
Aquilo que Ficou.
Você ficou na pele, no sentir,
naquela lembrança difícil de fugir.
Ficou na saudade do que aconteceu,
e em cada silêncio que o tempo não venceu.
Ficou no meu peito, sem pedir permissão,
feito segredo guardado na imensidão.
E por mais que a razão tente me convencer,
há pensamentos que insistem em você.
Talvez algumas lembranças não queiram passar,
porque certas vontades nasceram pra ficar.
E quando a noite chega e tudo fica em silêncio,
é você que aparece no meu pensamento.
Eu tento não pensar, tento disfarçar,
mas há sentimentos que sabem me encontrar.
E quanto mais digo que preciso esquecer,
mais a minha vontade me leva a você.
Então, se algum dia você quiser saber
o que acontece quando penso em você,
não procure respostas na razão ou na saudade…
procure no lugar onde ficou a vontade.
Porque algumas lembranças ficam na pele,
outras no peito, onde ninguém pode ver.
E talvez o que eu mais tente esconder
seja justamente a vontade de repetir você.
Entre a Razão e a Vontade
Por que é que a mente insiste em te buscar,
do instante em que adormeço ao despertar?
Se a noite me silencia, sem sequer avisar,
é teu nome que o pensamento insiste em chamar.
Há lembranças que não sabem partir,
ficam na pele, fazendo o sentir persistir.
Outras viram saudade, difíceis de conter,
moram dentro do peito sem pedir pra nascer.
A razão tenta explicar o que aconteceu,
mas o coração responde: “isso ainda é teu”.
E quanto mais eu tento deixar pra trás,
mais a vontade sussurra que quer um pouco mais.
Talvez seja a memória querendo ficar,
talvez seja a saudade querendo voltar.
Ou talvez seja aquilo que ninguém consegue entender:
quando alguém toca a alma, é difícil esquecer.
E assim vou da noite esperando o amanhecer,
com pensamentos que insistem em você.
Porque há sentimentos que não pedem permissão:
ficam na pele, na saudade, no peito e na razão.
E se a vontade insiste em permanecer,
talvez seja porque ainda há algo em mim querendo viver.
Não sei se é saudade, desejo ou emoção…
Só sei que você ainda mora
entre a razão e o coração.
Naquela Noite Estrelada.
Em uma noite estrelada,
sem ninguém para nos observar,
somente eu e ela,
e um sentimento difícil de explicar.
Era descoberta, era encanto,
era medo de se deixar sentir,
algo que parecia errado,
mas impossível de impedir.
Dois corações tão confusos,
sem saber onde chegar,
ligados por um fio invisível
que insistia em nos aproximar.
Chamam de conexão,
coisa de alma, talvez destino,
um encontro improvável
escrito em algum caminho.
Vieram doces madrugadas,
longas horas sem perceber,
pois quando estamos juntas,
até o tempo parece esquecer.
Parece parar por um instante,
só para nos contemplar,
como se quisesse entender
por que duas almas decidiram se encontrar.
Éramos distantes,
cada uma em seu próprio lugar,
mas talvez, desde sempre,
vivêssemos no mesmo olhar.
Dois mundos, duas histórias,
dois corações em contramão,
que descobriram, sem saber,
a mesma direção.
E naquela noite estrelada,
quando o silêncio veio nos envolver,
o universo pareceu sussurrar:
há encontros que nascem
muito antes de acontecer.
Na meia Luz
Difícil de esquecer a sensação que você causou em mim,
com o seu toque, o seu beijo,
com a forma como me olhou
e tudo aquilo que despertou sem pedir licença.
Com cuidado, foi dedilhando cada nota
que compõe minha alma e meu corpo,
me conhecendo aos poucos,
me desbravando sem pressa,
sem medo, sem receio.
E havia algo curioso nisso tudo:
eu simplesmente deixei acontecer.
Naquela meia-luz,
onde nada precisava ser explicado,
teus olhos encontraram os meus
e, por alguns instantes,
parecia que o resto havia desaparecido.
Você me fez sentir única,
não como quem promete ficar,
mas como quem, naquele momento,
soube exatamente onde tocar
para fazer o mundo desacelerar.
E talvez seja isso que incomode um pouco:
não foi apenas o que aconteceu,
foi a facilidade com que aconteceu.
A leveza.
A confiança.
Aquela sensação estranha de não precisar pensar demais.
Foi na meia-luz que tudo aconteceu.
Foi ali que teus olhos encontraram os meus...
e, desde então,
há certas lembranças que a luz do dia
simplesmente não consegue apagar.
Entre o Sonho e o Teu Chamado
Na calada da noite, ouvi teu chamar,
uma voz entre falhas querendo me encontrar.
Fui seguindo o caminho, sem saber onde dar,
até ver-te na areia, contemplando o mar.
Teus olhos molhados, teu jeito de fugir,
um mundo tão pesado que não querias sentir.
Correste para os meus braços, sem nada explicar,
e eu apenas te abracei, deixando o silêncio falar.
Disseste baixinho, cansada de esconder:
“Hoje eu consegui fugir… e pensei em você.”
E eu, sem compreender o que havia acontecido,
fiquei ao teu lado, no silêncio dividido.
A lua testemunhava o que ninguém podia ver,
duas almas conversando sem precisar responder.
E o mar, tão sereno, parecia guardar
cada palavra perdida na imensidão do luar.
Então teus olhos pousaram na minha pele,
e tua mão, devagar, percorreu o que nela se escreve.
Dedilhaste a tatuagem, em silêncio, sem pressa,
como quem reconhece uma história que atravessa.
E disseste, com os olhos marejados de emoção:
“Eu sei que essa você fez pra mim, Mannu.”
Não respondi; deixei o silêncio falar,
pois certas verdades não precisam de um explicar.
Mas vi novamente as lágrimas em teu olhar,
e não compreendi o que te fazia chorar.
Perguntei o que havia, querendo entender,
e tu apenas disseste: “Não precisa saber.
Você não precisa entender o que sinto agora,
nem encontrar respostas para o que me devora.
Apenas me abraça e deixa o momento existir…
eu consegui fugir, e estou aqui.”
Ficamos até o céu começar a clarear,
vendo a madrugada lentamente passar.
E quando o primeiro raio surgiu no horizonte,
o sonho começou a desaparecer como espuma na fonte.
Foi quando o telefone resolveu despertar,
uma mensagem tua acabara de chegar.
Abri os olhos depressa, ainda presa ao sonhar,
e era justamente você… voltando a me chamar.
Coincidência ou mistério, não sei explicar,
há coisas que acontecem sem pedir pra começar.
Mas entre a mensagem, o sonho e o amanhecer,
ficou uma pergunta que insiste em permanecer:
“Será que eu sonhei com você naquela madrugada, ou foi minha alma que te encontrou antes da chegada?”
“Nos olhos dele, ela se reconhece; nos olhos dela, ele encontra seu próprio reflexo. Um olhar herdado, um amor multiplicado.” ❤️
Onde a Alma Encontra Morada
Sabe aquela sensação de finalmente pertencer,
de encontrar em alguém um lugar para viver?
Acho que encontrei, sem sequer procurar,
no calor dos teus braços, meu jeito de repousar.
Nas palavras proferidas com verdade e coração,
nas conversas malucas, profundas, sem direção,
no riso que se perde, na loucura compartilhada,
e na paz que encontro quando estou ao teu lado.
É sentir-me ouvida sem precisar explicar,
ser vista nos silêncios, sem precisar implorar.
É ter nos teus olhos um abrigo para ser,
sem máscaras, sem medos, sem medo de me esconder.
É não precisar cobrir aquilo que sou,
nem esconder as partes que a vida machucou.
É deixar que me vejas inteira, sem disfarce,
e ainda assim sentir que teu olhar não se desfaz.
É poder ser profunda, confusa e imperfeita,
sem temer que alguma parte de mim seja rejeitada.
É ser admirada sem precisar merecer,
como se bastasse simplesmente existir e ser.
Talvez pertencimento seja essa estranha sensação:
duas almas que se encontram sem pedir explicação.
Não é prender, nem possuir, nem querer controlar,
é sentir que, ao lado de alguém, podemos descansar.
E talvez seja isso que eu encontro em teu olhar:
um lugar onde minha alma não precisa se explicar.
Porque quando estou contigo, em silêncio ou em poesia,
parece que finalmente encontrei minha moradia.
Quando a Lua Chama
Há alguém que só desperta quando a noite vem,
surge entre as estrelas, quando dorme alguém.
Não sei se é lembrança, mistério ou ilusão,
mas deixa sua sombra presa ao coração.
De dia, é silêncio perdido pelo ar,
uma imagem distante que não sei alcançar.
Mas quando o sol se rende e começa a partir,
há qualquer coisa nela que me faz sentir.
A lua, testemunha do que não confessei,
guarda entre suas sombras tudo o que calei.
E quando a maré vem beijar a areia,
seu nome se dissolve na espuma da sereia.
Procuro no espelho alguma explicação,
mas vejo somente a minha expressão.
Quanto mais eu procuro saber quem ela é,
mais o mistério me prende de pé.
Talvez seja um sonho que insiste em ficar,
talvez seja a noite querendo me enganar.
Talvez seja alguém que eu nunca encontrei,
ou uma parte de mim que um dia abandonei.
E quando amanhece, ela deixa de existir,
como uma estrela cansada que decide partir.
Mas quando a noite retorna e a lua vem me chamar,
eu sinto sua presença outra vez no meu olhar.
Se é sonho, por que parece tão real?
Se é lembrança, por que ainda é tão igual?
Se a lua conhece o segredo que escondi,
por que toda noite ela a traz de volta a mim?
E se ela só existe quando a noite vem,
se só vive no escuro, distante de alguém...
quem é que desaparece quando nasce o dia:
ela, ou a parte de mim que por ela sorria?
SABOR MARESIA
Verso 1
Decorei teu cheiro sem saber por quê,
como quem encontra o mar sem perceber.
Entre tantos perfumes, tantos por aí,
foi no teu que alguma coisa falou de mim.
Tem sal na tua pele, tem doce no olhar,
tem qualquer mistério que me faz voltar.
E quando a noite encobre o que eu não sei dizer,
meu coração inventa um jeito de te reconhecer.
Pré-refrão
E se alguém perguntar
que perfume é esse no ar,
eu vou sorrir, vou disfarçar...
certas coisas não se podem explicar.
Refrão
É Sabor Maresia,
doce e salgado, feito poesia,
um segredo que o vento levou,
mas deixou teu nome onde meu peito guardou.
É Sabor Maresia,
uma lembrança que ninguém decifraria.
Pode procurar em qualquer lugar,
mas esse perfume só você sabe carregar.
Verso 2
Já procurei teu cheiro em noites de verão,
nas ondas, na chuva, no vento do sertão.
Mas o mar não soube me dizer onde encontrar
essa fragrância que só teu corpo sabe guardar.
Talvez não exista frasco, talvez não haja flor,
talvez seja somente uma invenção do amor.
Ou quem sabe seja o mar, em segredo, a confessar
que aprendeu teu nome antes de eu te encontrar.
Pré-refrão
E se alguém perguntar
por que eu volto a procurar,
eu vou sorrir, vou disfarçar...
há perfumes que nasceram pra ficar.
Refrão
É Sabor Maresia,
doce e salgado, feito poesia,
um segredo que o vento levou,
mas deixou teu nome onde meu peito guardou.
É Sabor Maresia,
uma lembrança que ninguém decifraria.
Pode procurar em qualquer lugar,
mas esse perfume só você sabe carregar.
Ponte — quase sussurrada
E naquela noite estrelada,
quando a lua beijou o mar,
eu não procurei mais nada...
só queria ali ficar.
Porque teu cheiro tinha qualquer coisa
que o mundo não conseguiu explicar.
Era mar, era noite, era mistério...
era você sem precisar falar.
Último refrão
É Sabor Maresia,
meu segredo em forma de melodia.
Se o vento perguntar por você,
eu digo que foi o mar que me ensinou a te reconhecer.
É Sabor Maresia,
doce lembrança que o tempo não levaria.
E se um dia eu esquecer teu olhar,
basta o vento soprar...
que eu vou saber onde te encontrar.
Final
Sabor Maresia...
tão único, tão você.
Talvez o mar tenha inventado o perfume
só pra eu nunca esquecer.
O Segredo da tua Mente.
Fico imaginando, em segredo,
o que acontece em teu pensamento,
quando sou eu que, sem medo,
moro nele a cada momento.
Quais pensamentos te invadem,
quais mistérios tentas esconder?
São eles que tanto me prendem,
e me fazem querer te entender.
E essa tua timidez, tão bonita,
que disfarça o que quer revelar,
faz minha alma ficar aflita
e meu sorriso querer escapar.
Dá vontade de chegar bem perto,
sem pressa, sem nada explicar,
e, nesse teu silêncio incerto,
simplesmente te abraçar.
Então me conta, sem hesitar:
que pensamento hoje irá surgir?
Quando a tua mente me encontrar,
será que vai tentar me banir?
Ou, entre um suspiro e outro,
quando ninguém puder perceber,
serei eu, de algum modo,
o pensamento que insiste em permanecer?
E talvez o que mais me intriga
não seja aquilo que pensas de mim,
mas o que tua timidez abriga
quando o pensamento chega ao fim.
Será que, quando o silêncio te alcança,
e a noite te encontra a sonhar,
alguma lembrança minha descansa
onde ninguém mais consegue chegar?
Será que, entre tantos pensamentos,
há um que você tenta esconder?
Um pequeno segredo em silêncio,
que talvez tenha meu nome sem querer?
Porque, se eu moro em tua mente,
mesmo que seja por breve instante,
confesso que isso me deixa contente
e a curiosidade... ainda mais constante.
Então me diz, sem medo de errar:
quando hoje tua mente divagar,
entre tantos pensamentos a passar,
será que em mim ela vai parar?
Quem Aprende a Minha Música
Já dancei outras canções,
já troquei passos pelo caminho,
já ouvi ritmos diferentes
e aprendi a dançar sozinho.
Já deixei algumas melodias,
já recomecei sem direção,
mas há certas notas antigas
que ainda ecoam no coração.
E talvez seja esse o perigo:
quando o coração quer acreditar,
ele inventa novos sentidos
onde os olhos deveriam enxergar.
Por isso, talvez a dança mais difícil
seja manter os pés sobre o chão,
sem fechar as portas da alma,
sem transformar cautela em prisão.
Quero sentir sem me perder,
quero sonhar sem me enganar;
quero manter o coração aberto,
mas nunca deixar de enxergar.
Não procuro quem já saiba dançar,
nem quem conheça todos os meus passos.
Procuro quem tenha paciência
para descobrir comigo os compassos.
Porque não é sobre chegar pronto,
nem sobre saber qual nota tocar;
é sobre ter sensibilidade
para aprender onde meu coração faz morada.
Há notas que ninguém percebe,
silêncios difíceis de interpretar,
pequenos detalhes escondidos
que só quem realmente escuta
consegue encontrar.
Talvez seja difícil essa companhia,
alguém que consiga acompanhar,
mas talvez seja preciso enxergar além
da música que se pode escutar.
Porque há melodias que não pertencem aos ouvidos,
há ritmos que só a alma consegue ouvir;
e existem pessoas que não precisam
conhecer a canção inteira
para saber quando permanecer.
Já dancei.
Já aprendi novos passos.
Já ouvi novos ritmos pelo caminho.
Talvez só falte uma companhia
que não tenha medo
de aprender o meu ritmo.
Alguém que não tente conduzir sozinho,
nem queira me fazer mudar;
mas que saiba alternar os passos
e, quando a música mudar,
ainda escolha continuar.
Talvez a companhia certa
não seja aquela que sabe a coreografia,
mas aquela que, mesmo sem conhecer a música,
olha nos meus olhos
e diz, sem dizer:
“Eu aprendo.”
E então, quem sabe,
a música deixe de ser procura,
o passo deixe de ser dúvida,
e duas pessoas descubram,
no meio da dança,
que algumas melodias
não precisam ser encontradas.
Precisam apenas ser vividas.
Enquanto o Ritmo Muda
Se a vida mudar de tom,
mude também a dança;
há melodias que terminam
para dar lugar à esperança.
Não nasci para ficar presa
a uma música que não me faz bem;
se o compasso já não me cabe,
que outro ritmo venha também.
Mude os passos, recomece,
deixe o coração conduzir;
às vezes, aquilo que parece fim
é só outra melodia a surgir.
— Então dance comigo?
— Eu danço, até a música fazer sentido.
Mas talvez eu ainda esteja no mesmo passo,
mesmo que a dança tenha mudado de sentido.
E talvez seja isso:
há coisas que não consegui deixar para trás,
há passos que o tempo repete
mesmo quando a alma pede mais.
Difícil é encontrar alguém
que acompanhe o meu compasso,
que não queira mudar meu ritmo,
mas compreenda cada passo.
Porque eu preciso de uma nova dança,
de um ritmo que eu ainda não conheço;
não de alguém que chegue sabendo,
mas de alguém que queira aprender comigo,
mesmo quando o ritmo mudar.
Pode ser difícil encontrar essa companhia,
alguém disposto a permanecer,
mas talvez não seja preciso procurar tanto…
talvez seja preciso apenas enxergar.
Enxergar além da música ouvida,
além do compasso e da canção;
pois há melodias que os ouvidos não percebem,
mas que encontram morada no coração.
Não é sobre já chegar sabendo dançar,
é sobre aprender enquanto o ritmo muda;
é tropeçar, recomeçar, mudar os passos
e ainda assim não soltar a mão da dança.
Talvez a vida insista no mesmo passo
até que a gente escolha outra direção.
Talvez uma nova dança comece
quando duas almas, sem conhecer a melodia,
decidem descobrir juntas o refrão.
E se a música estiver no mudo,
que o silêncio nos ensine a sentir:
há ritmos que não precisam ser ouvidos,
basta haver alguém disposto a seguir.
Porque, no fim,
não é sobre dançar perfeitamente igual.
É sobre encontrar quem permaneça
quando o compasso mudar —
e, mesmo sem conhecer a música,
ainda escolha dançar.
Alma Incendiada
É carregar dentro do peito um fogo que ninguém vê,
mas que transforma tudo aquilo que a alma toca.
É arder no silêncio, sem saber o porquê,
enquanto a noite, lenta e fria, à minha porta bate e evoca.
Alma incendiada é aquela que, mesmo em meio às cinzas, conserva dentro de si uma chama que se recusa a morrer.
É guardar sob as cinzas aquilo que não se diz,
um pranto adormecido, uma saudade infeliz;
é ter no peito um incêndio e, nos olhos, solidão,
é esconder entre sorrisos os abismos do coração.
É caminhar entre ruínas, sem saber onde chegar,
com os sonhos em silêncio, mas ainda a respirar;
é trazer na própria alma as marcas do que passou,
e amar aquilo que a vida, um dia, quase apagou.
Há almas que são feitas de tempestade e de brasa,
que carregam o inverno mesmo estando em casa;
e quanto mais a vida lhes ensina a sofrer,
mais fundo se incendeiam na vontade de viver.
Pois há fogos que não queimam — apenas fazem recordar
tudo aquilo que perdemos, tudo aquilo que quisemos amar.
E há chamas tão antigas, tão difíceis de extinguir,
que fazem da própria dor uma razão para existir.
Alma incendiada é silêncio que não cessa, é ferida que se fecha, mas jamais se confessa; é morrer um pouco em cada despedida,
e ainda assim guardar uma chama pela vida.
Porque talvez viver seja exatamente isto:
ser cinza e ser fogo, ser lágrima e ser riso;
carregar dentro do peito o que ninguém pode ver
e, mesmo quando tudo acaba, ainda escolher renascer.
O Pecado de Escolher a Paz
Eu nunca compreendi como um grande amor,
que ontem era abrigo, hoje vira rancor;
como quem adormece envolto em carinho
desperta odiando quem andou no seu caminho.
Por que a ternura se torna vingança?
Por que destruir aquilo que um dia foi esperança?
Ciclos se encerram, caminhos se desfazem,
amores se transformam, pessoas se afastam.
Mas por que transformar um adeus em prisão?
Por que fazer da partida uma condenação?
Só porque alguém não coube na expectativa,
merece carregar uma culpa tão viva?
Eu também já esperei de quem não correspondeu,
já amei quem não foi aquilo que prometeu.
Nem por isso fiz do ressentimento uma arma,
nem transformei despedida em guerra ou desgraça.
Então por que fazem comigo aquilo que não fiz?
Por que me chamam de monstro, se eu só quis ser feliz?
Ninguém viu minhas noites, ninguém viu minha dor,
ninguém sabe quantas vezes calei por amor.
Eu não quis destruir, eu só quis respirar;
não quis ferir, só precisava me encontrar.
E se partir de onde eu já não podia florescer
me fez parecer cruel, então que seja —
eu escolhi viver.
Não quero tua queda, não quero vingança,
não quero transformar mágoa em lembrança.
O que um dia foi amor não precisa ser guerra,
nem todo adeus precisa incendiar a terra.
Talvez um dia você consiga entender:
eu não fui embora porque deixei de querer.
Fui embora porque, para continuar ao teu lado,
eu precisava deixar de ser quem eu sou — e isso seria errado.
E se me chamarem de vilã, deixarei o tempo falar:
há verdades que só o silêncio consegue revelar.
Porque, no fim, aprendi a duras penas:
nem todo amor nasceu para permanecer,
nem todo adeus precisa fazer alguém sofrer.
E escolher a própria paz, depois de tanto padecer,
não é crueldade — é finalmente escolher viver.
O Primeiro Amor
Cresci escutando que o primeiro amor da vida de uma menina é o pai. Nunca ouvi tanta mentira caber em tão poucas palavras.
Porque o primeiro amor de um filho não deveria ser definido pelo gênero, mas pelo vínculo, pelo cuidado, pelo lugar onde o coração encontra o primeiro abrigo. E, para mim, esse primeiro amor sempre foi a mãe.
É nela que encontramos conforto, é no colo dela que descobrimos aconchego, é na voz dela que encontramos calma quando ainda nem sabemos explicar o que sentimos. É através dela que a vida começa, é dentro dela que, antes mesmo de conhecermos o mundo, já somos existência, já somos parte de alguém.
Antes de aprender a amar qualquer outra pessoa, aprendemos o amor através dela. Antes de conhecer qualquer paixão, conhecemos o calor de um colo. Antes de entender o significado de pertencimento, já pertencemos a alguém.
Talvez o primeiro amor não seja aquele que nos ensina a amar romanticamente. Talvez seja aquele que nos ensina, pela primeira vez, o que significa ser amado.
E é por isso que nunca consegui enxergar verdade nessa frase que colocaram tantas vezes como regra. Porque amor não é uma fórmula, não é uma sentença pronta e muito menos uma definição baseada em gênero.
O primeiro amor é aquele que nos acolhe quando ainda somos pequenos demais para compreender o mundo. É aquele que nos reconhece antes mesmo de sabermos quem somos. É aquele que nos oferece abrigo quando tudo ao redor ainda é desconhecido.
E, para mim, esse amor tem nome: mãe.
Porque antes de qualquer romance, antes de qualquer paixão, antes de qualquer pessoa que um dia possa chegar e ocupar espaço no coração, existe aquela que nos ensinou, mesmo sem palavras, que amar também é cuidar, proteger, acolher e permanecer.
O primeiro amor não é necessariamente quem um dia fará o coração bater mais forte.
É quem, um dia, ensinou esse coração a bater.
A Proposta.
Minha proposta envolve nós duas,
um segredo guardado entre o olhar e o coração,
duas almas cansadas de tantos caminhos,
encontrando uma na outra uma direção.
Envolve pouca vergonha no riso,
cumplicidade e vontade de ficar,
conversas que atravessam a madrugada
e sentimentos que o silêncio insiste em revelar.
Envolve tudo aquilo que não foi dito,
mas que os olhos aprenderam a traduzir;
palavras escondidas nas entrelinhas,
sentimentos que nasceram sem pedir.
Não envolve apenas uma noite,
nem algo passageiro ou fugaz;
envolve aquilo que permanece na alma
e, mesmo depois, ainda traz paz.
Envolve duas histórias distintas,
dois mundos aprendendo a se encontrar,
duas almas intensas e imperfeitas
que descobriram um lugar para descansar.
Envolve risos, carinho e cumplicidade,
aquela estranha certeza de compreender
que, entre tantas pessoas no mundo,
algo fez você chegar até mim e eu chegar até você.
Minha proposta não promete respostas,
nem sabe exatamente onde vai chegar;
só sabe que certos encontros acontecem
e depois já não conseguimos ignorar.
Porque talvez algumas coisas não precisem
ser explicadas, nomeadas ou compreendidas;
talvez existam apenas para serem sentidas,
como as melhores coisas da vida.
E, no fim de todas as palavras,
de tudo aquilo que eu poderia dizer,
minha proposta é simples:
não envolve somente uma noite,
não envolve somente o que poderia acontecer,
não envolve somente sentimentos...
Envolve nós duas.
Envolve eu e você.
