Cartas de Morte
DE QUE ME SERVEM
De que me servem as camélias
Se me faltas como o ar
Que tento respirar
E não me deixa sonhar
A vida é uma cruz de espinhos
Feridas abertas que sangram
Espinhos que se cravam na alma
Nesta dura vida sofro só, a sós
Sinto-me um fantasma
Nestas lágrimas soltas de sal
Temperadas de saudade
Na cruz que carrego todas
As noites neste meu desfadado
De triste quimera miragem solta
De espinhos cravados em mim
De que me servem as camélias sem amor.
SOU
Sou uma negra cruz na serra
Onde o luar reflete escuridão
Um triste espirito que murmura
Sou um dubia luz na fraga escondida
Uma triste noite que bate no monte
Sou um espectro fugindo do carcel
Uma sombra escura perdida na serra
Do silencio lúgubre que esta minha alma
No luto de falecias que vive em mim
Sou as lágrimas que choro ser querer
No incenso branco na névoa escura
Passo as noites em claro sem conseguir dormir
Penumbra que desvanece no frio do corpo
São os vultos que desmaiam no crepusculo
Sou um rochedo esquecido no mar
Uma mortalha ferida dos cânticos das sereias
Sou um fantasma num corpo morto
Desfeito na encosta pelos verdes lameiros
Sou talvez a velha esperança de alguém
No seu leito de morte em sofrimento
Sou uma tremula lágrima vertida na cruz
De uma fé que me faz subir a serra na escuridão.
Olá Você
Olá, meu amor
Por que você voltou?
Não que eu não te queira por perto
Mas é que depois que se foi fiquei mais esperto
Ainda não deixei de te amar
Mas será que você já me esqueceu?
Acho que não
Já que voltou pra perto d'eu
Outra pessoa que nos reaproximou
Tenho de me lembrar de agradecer
Ela trouxe de volta a luz da minha vida;
Fiquei novamente perto de você.
Eu estava com saudades
Desse teu sorriso que me faz sorrir
Não acho que conseguirei parar de te amar
Mas talvez quando eu partir
Dos 16 aos 35 anos, a vida é uma festa ininterrupta. É a época em que buscamos experimentar tudo intensamente: desejamos conhecer todas as pessoas, vivenciar múltiplos amores, mergulhar em paixões avassaladoras, embarcar em aventuras sem fim, explorar o mundo em viagens memoráveis e descobrir quem somos de verdade. É uma fase de sangue nos olhos, risadas que ecoam eternamente, coragem ilimitada e uma energia vital que parece não ter limites.
No entanto, após os 35 anos, começamos a amadurecer de maneira profunda. A vida nos ensina a não dispersar energia em excesso e a valorizar cada momento com mais sabedoria. A convivência com a saudade se torna mais frequente, e entendemos o significado doloroso de perder alguém querido. O luto passa a fazer parte da nossa realidade, e mesmo vivendo momentos maravilhosos, somos confrontados com a fragilidade humana de maneira mais evidente. A vida se revela como um tecido fino e delicado, que a qualquer momento pode se rasgar, nos lembrando da impermanência de tudo.
Essa jornada nos transforma, nos molda em seres mais resilientes e compassivos. Apreciar cada fase da vida, desde a exuberância da juventude até a serenidade da maturidade, é um privilégio que nos ensina a valorizar cada experiência e cada pessoa que cruza nosso caminho.
Em todos os caminhos que tomo,
Sinto a verdade simples e serena:
Todos levam ao mesmo fim.
O fim é a única certeza,
O ponto final de cada passo.
Não há mistério, nem há desespero.
A vida é uma senda sem pressa, mas com destino certo.
Perco-me em cada curva,
E ao perder-me, encontro a paz.
É no perder-se que se vive,
Na aceitação do inevitável,
Na simplicidade de cada instante.
O campo não se preocupa com a estrada,
A flor desabrocha sem pensar no fim.
Vivamos então, como a natureza,
Sem medo, sem pressa,
Perdendo-nos na beleza de cada dia.
Pois é no perder-se que se encontra
A verdadeira liberdade do ser.
Talvez seja breve...
A recordação de um sonho...
E um desejo pontuado de estrelas...
Talvez seja breve...
O barulho que fazem os sentimentos...
A lógica do presentimento...
A razão perdida...
A dor da ferida...
Talvez seja breve...
O agora donde se murmura a vida...
A chegada...a partida...
A glória e a ruína...
Talvez seja breve...
A memória acalentada...
Ou a memória sendo esquecida...
Talvez seja breve...
A paixão não correspondida...
O amor jurado ser eterno...
A dor do peito...
O flagelo...
Talvez seja breve...
A falsa ou verdadeira promessa...
O brilho de uma jura...
Feito em dias claros...
Ou na noite mais escura...
Talvez seja breve...
A alegria ou a tristeza...
A maldade de uma língua...
O bem e o amparo de mãos sofridas...
O medo e talvez o desejo do desconhecido...
Talvez mais breve seja o espamo de um grito...
Talvez seja breve...
O tempo que escoa...
A doença que se avizinha...
A morte que clama...
O silêncio que murmura...
O convite ou a recusa de deitar-se na cama...
O momento de se achar tudo perdido...
Mas que não seja breve...
O seu olhar sobre mim...
Seguido por um sorriso...
De que estás a pensar...
1001 maneiras de poder me amar...
Que me alegre...
Que não consegues disfarçar...
E se tudo que foi breve...
Que muito tenha valhido a pena...
Pois é vivendo que se aprende...
E aprendendo que se vive...
Sandro Paschoal Nogueira
Sentado,
é que o homem
começa a pensar em toda
a sua existência.
Sentado em seu sofá
ou em uma cadeira qualquer,
o homem começa a viajar para
o futuro ou relembrar seu passado,
mas esquece de vivenciar
seu presente.
Sentar pode ser mais prejudicial
para o homem,
do que qualquer
cigarro ou
qualquer copo de bebida.
Sentado.
Sentar pode ser
o ato de puxar o gatilho,
e ouvir o estrondo
de sua mente.
Deve ser por isso
que fazemos a maioria
das coisas sentado.
Trabalhamos sentados,
comemos sentados,
assistimos sentados,
aprendemos sentados,
e talvez
pensamos de mais,
sentados.
"Melanalcólico"
Triste solidade da realidade copiosa
Vida triste, cheia de prazer
Vida só, cheia de amigos
Vida torpe, cheia de sanidade
Vida pobre, cheia de riquezas
Vida cheia, vazia, sem razão
É a vida, ou não?
Morte! seria sorte
Condenação, é a vida em vão.
Vida raza, ou será que não?
O microfone amanheceu vazio
O taxista não ligou o rádio aquele dia
O caminhoneiro, o motorista que levava
O patrão no trabalho...
O rapaz com o fone de ouvido
dentro do metrô...
Ninguém, absolutamente, ninguém
ligou o rádio aquele dia...
O Brasil perdeu a voz...
A notícia tinha caído do ar...
Leandro Flores
11 de fevereiro de 2019
(em homenagem ao grande jornalista Ricardo Boechat)
Dor impermeável
As mortes menosprezados
recebem os gritos dos pequenos
e o silêncio dos grandes .
todo sangue se mistura entre nós,
todos abaixo do céu e acima da terra,
todos cobridos por terra e desdém
A dor é impermeável,
onde se insistem passagens
de promessas jogadas ao vento
A crise hoje é do amor,
Todo amor que se foi trocado
Trocado por bens e dor.
MEDOS DA VIDA
Não é que a gente não queira. Mas as circunstâncias nos fazem negar muitas propostas que poderiam ser a solução. As dores, as frustrações e decepções da vida criam em nós um escudo invisível que nos impedem de nos relacionarmos, de mudar, de ter sucesso, de viajar, de conquistar, de sonhar e também de viver. Esse “escudo” é uma característica do ser humano, é o tão temível MEDO.
MEDO é o resultado das nossas fraquezas diante de tantas insistências. Medo é a desculpa de prosseguir por saber que podemos errar e nos machucar. Medo é uma pausa nas nossas rotinas em busca de um sossego. Medo é um descanso ruim para o corpo e para a alma. Medo as vezes indica morte. Medo é provocar a ponto de oprimir o outro a seu próprio benefício, à suas atitudes egoístas. Medo provoca ciúmes e causa dores profundas. Medo é não querer e nem fazer mais. Medo é agonia, choro e tormenta. Medo é sinonimo do que é mal, pois o que me faz mal provoca medo. Medo pode indicar mudança no que jamais se quer perder. Medo é aproveitar o agora pensando no amanhã que não existe. Medo é não saber viver sem. Medo é sentir-se só na multidão ou não querer encará-la. Medo indica fracasso, é admitir que não tem forças e parar antes do tempo. Medo é deixar de realizar e prosseguir por coisas estúpidas. Medo é transtorno de um momento ruim que foi marcante. Medo é evitar o erro. Medo é esconder-se do mundo. Medo é odiar tudo. Medo é fugir de si mesmo. Medo é criar seu próprio mundo. Medo é pavor de viver. Todos temos medos e eles nos acompanham por toda vida. Eles existem, mas é possível superá-los.
Quarta feira, em cinquenta tons de cinza...
O mar ficou cinza.
A linha do horizonte, nesta manhã de quarta feira tem um fundo cinza.
A areia, confete colorido, também ficou cinza.
Passou o carnaval, e o amor de carnaval também virou cinza.
Mas, cinza não é fim de nada.
Cinza é o início em cor, como gota de orvalho, nuvem de chuva,
É tempo de espera entre o preto e o branco na cabeleira dos avós.
Foto antiga que mata saudade também é cinza.
Até o amor no cinema moderno tem tons de cinza.
E nós hoje coloridos de preto, branco, amarelo, marrom...
Seremos um dia cinzas,
Em todos os tons de cinza.
Partiu antes do combinado/ Mãe
Quando os sentimentos começam a transbordar
e não cabem mais dentro do coração
então a caneta precisa o papel encontrar
para na escrita aliviar a tensão.
Achava que estava preparada
para tua partida entender
mas eu estava muito enganada
é muito difícil sem você viver.
Sinto falta de ver você chegar
do seu cheiro, que ninguém tem
do teu abraço para amenizar
as dores que da vida vem.
Para quem vou contar meus segredos
não tem mais alguém para confiar
você conhecia todos os meus medos
preciso de você para de tudo conversar.
Entendo que não posso ficar a choramingar
por que você ia dizer para eu ser forte
mas tem horas que não posso evitar
e só as lágrimas me dão um norte.
A missão de algumas pessoas é despertar a luz e nosso coração, depois só temos que cultivar está chama interior por toda nossa vida...
Vai chegar um momento em que teremos a responsabilidade de passar a tocha para frente e ilumina a vida de outros, acredito que as pessoas que amamos continuam em contato conosco através das orações diárias.
Sobre as estatísticas de mortes em acidentes de carros, caminhões e aviões:
Elas nos dizem que o transporte aéreo é o mais seguro. Mas nunca vi uma estatística deste modo: considere todos os acidentes de carros em um ano, desde simples batidas em velocidades baixas quanto às mais altas. Agora com aviões descendo e subindo das pistas e quando eles caem, de alturas baixas às mais altas, também em um ano.
É raríssimo pessoas sobreviverem nas quedas dos aviões e aqui está o diferencial: o número de mortes em carros e caminhões é maior, mas existem muito mais destes veículos e pessoas circulando no país em comparação aos aviões! Não se pode falar, nestes casos, em números absolutos, a saber, o número total de mortes, e sim em números relativos, o número total de mortes por acidentes.
Um caso simples: está acabando a gasolina do seu carro em uma rodovia oua bateria está com problemas e então você para no acostamento. Já os aviões...
O que dizer quando você entende que agora, os dias passam a ser contados de trás para frente e até passe a perceber que as cores, já não apresentam a mesma temperatura de antes?
E se você descobrisse que todos os seus significados já não são os mesmos e que não dá mais para fazer tudo aquilo que antes, você acreditava tanto que dava? E que o tempo, que já era então importante, agora passa a ser escasso e não mais como um rio abundante e sem fim?
Como você realmente enfrentaria o fato de saber que em breve a sua essência poderá ser dissolvida em um mundo onde as coisas costumam se perder nas eras tonando-se esquecidas?
O que você faria? O que deixaria? Para quem? O seu epitáfio paralelo a este?
Você consegue sentir? O vento que te acaricia neste exato momento? A respiração que te mantém consciente?
“Cogito, ergo sum”
Diga-me; há motivos em existir se não puder deixar algo? Qual sua percepção da palavra legado? Qual valor percebido da sua trajetória? Qual o valor que você percebe da minha?
Por favor não compare! Apenas permita-se. Muitas vezes temos uma visão tão limitada de quem poderíamos ser e quando nos damos conta disso, não há muito mais o que se possa fazer.
Hoje, a gente olha pro céu e clama: “Pra que tanta pressa?”; e reclama, cambaleante, sem o chão de sua voz: Marília, por que tanta pressa? Por que tão rápido?
Você ainda tinha tanta história pra viver e ouvir e depois em versos nos contar, tanto canto a doar. Por que tão rápido, pra que a pressa?
Que versos você escreveria pra explicar isso? Como termina essa canção, interrompida pelo estrondo de silêncio? Que música é essa em descompasso e desafino, onde dó é só padecimento?
Como toda história, uma canção tem começo, meio e fim. E alguém já disse que toda canção começa buscando um meio de chegar ao fim. A canção de sua vida, parece, foi interrompida antes de encontrar o meio. É tão antinatural chegar ao fim sem nem acabar de começar. Arrancaram a flor, ficou seu sonoro perfume a consolar um jardim entristecido.
Pois, agora, você que falava das coisas fugidias da vida, essas coisas de amores e dores, encontros e adeuses, você que libertava as palavras, deixando que voassem passarinhas pra nos consolar e pra que a gente as acolhesse no ninho de nossas solidões; agora, Marília, seus versos se aquietaram, imóveis, como mão de mãe, suave, sobre cabeça de menino, pousados sobre nossa memória.
Hoje a gente lhe pergunta: “Nunca mais, Marília?”
E, com um sorriso mais manso do que triste, você nos responde que não, não é “nunca mais”. Dedilha o violão, compondo uma canção pros anjos, e diz: “É pra sempre.”
"Quando criança eu deitava em seu colo
e descansava a cabeça sobre o peito
com deleite escutava o som do seu coração esse era o meu aconchego
era como se o meu coração estivesse batendo fora do meu peito
O tempo foi implacável, passou feito vento.
Um dia uma gota escorreu em meu rosto e molhou a minha barba
jamais imaginei que minha alma pudesse exprimir uma lágrima
Deitar novamente em seu colo é o meu único desejo
e poder sentir mais uma vez o meu coração batendo em seu peito
Dói na alma ao lembrar que nesse mundo já não te vejo."
Memento Mori
Quando descobri que iria morrer
Me encarei triste no espelho
Tenho tanto para fazer em tão pouco tempo
Quando descobri que iria morrer
Por um momento o chão se abriu
O vazio se fez presente e a escuridão me engoliu
Quando descobri que iria morrer
Entendi que todos vão
Me lembrei que a dona morte não faz distinção
Quando descobri que estava viva
Meu Deus! Que susto eu levei
Eu estive viva o tempo todo e nunca a reparei?
Quando descobri que estava viva
Criei asas e voei
Me livrei de todo peso que sempre carreguei
Ai que mataram a esperança
Prematuramente
Ai que mataram,
Permanentemente
Que se escondam os sorrisos
E os olhos brilhantes
Que não se encontrem mais paraísos
Nem se encontrem amantes
A esperança morreu
Morreu do descrido dos homens
E do teu e do meu
Morreu dos sonhos não sonhados
E de todos os que foram abandonados
Morreu porque beijos não foram trocados
Abraços não foram dados
E dos apaixonados
Ninguém mais ouviu falar
Morreu porque não quiseste amar
Morreu de tédio
Ou solidão
Morreu de amor
Morreu em contra mão
Ai que mataram a esperança
Que mais ninguém dance esta dança
E que mais ninguém saiba
Como é viver ... sem esperança.
Neste mundo meu
Agora que a esperança morreu
Morri Também eu!
