Calçada
Não vale a pena enfrentar o mundo por quem não merece nem a calçada da sua casa... Se ame, se goste, se queira bem; seja você o número 1 da sua vida!
Máscaras do poeta fragmentado
Sob a lei da máscara, da ambiguidade de todas
as tuas máscaras imprecisas, te escrevo.
Oculto por elas, assim te revelas
sem nunca te revelares. Mesmo quando detrás delas
te queres o outro de muitos outros, e sem elas
te desejas confundir com o herói homérico.
Invoco-te,
ó dividido, ó sem nome, ó viúvo de ti mesmo,
ó irrevelado de muitos nomes inventados.
Ó navegante perdido no sonho do teu Mar Português
onde o céu se espelha ― mar por ti cantado,
onde sonhaste o sonho persistente:
― no poema erguer a Pátria, porque
«tudo vale a pena se a alma não é pequena».
Invoco o teu nome,
grande e tormentoso no instante em que sendo
deixaste de ser. Navegaste no teu navio sem quilha
e sem bússola de mareante. Navegaste como se
nunca tivesses deixado este cais sem Cais ―
o cais da tua ausência e solidão.
Do tamanho do que sonhaste te fizeste
Nome Maior.
Sabe aquele tempo que a gente lembra com uma certa nostalgia: amigos de infância, o céu estrelado, olhar apaixonado, amarelinha na calçada, estudar um dia antes da prova e ainda tirar nota alta, pois é, bons tempos... Um dia a gente cresce e acha que sabe tudo, que agora sim vou ser feliz, ter uma casa, um carro, um bom emprego... uma pena que a gente demora tanto tempo para perceber que bom mesmo era sentar na calçada e olhar para o céu, imaginando os monstros que as nuvens formavam... bom mesmo era rir de tudo sem grandes preocupações, com a inocência que só uma criança traz no olhar... bom mesmo era curtir estes momentos tão especiais, tão cheios de sonhos, de fantasias, de esperança, tão perto de Deus.
ARTIFICIAL
Nesse mundo tão vazio de toques na pele
Cheio de toques na tela
Olhares rasos
Conversas secas
Onde não há mais lugar para cartas escritas a mão
Nem se conhece o cheiro do amigo
Nesse mundo sem conversas na calçada
Onde não se olha mais o céu
Não se conta mais estrelas
E os pirilampos são apenas recordações
Temo que a primavera nos dê flores de plástico.
As vezes eu só quero sair por aí com alguém para bater um bom papo, dar uma volta sem destino certo, se sentar na calçada de alguma casa cujo o proprietário não fazemos a mínima ideia quem seja e esquecer do relógio
(...)e na floresta do pensamento sou calçada pelo sonho. Nele me amparo, sempre que os vendavais da vida me derrubam. Deixar de sonhar é ...morrer e eu quero apenas e só ... VIVER!
GÊNESIS
E Deus fez o mundo.
E Deus fez o homem
e repousou ao sétimo dia.
Então o homem se fez no mundo
e Deus nunca mais fez nada.
Fez-se eterno o divino
e merecido repouso
AUTOR: ( Sidney Wanderley. Nesta calçada. São Paulo. Iluminuras, 1995.)
Anjos estão em todos os lugares,não verás um ser vestindo branco e de asas, olhe pra baixo e veja aí um deitado na calçada, olha ao seu lado outro que te pede uma moeda, abre o portão, é esse mesmo que te pede um copo de água..."
Ele disse oi com a alma
Ela abaixou a cabeça
Cumprimentou a calçada
Simples, conversar sem se ver
Nos olhos que se descobre
A profundidade do ser
Frustrado ele não ficou
Talvez a decepção
Que se apossou
Pode ser que ela seja rasa
Provavelmente sim
Provavelmente sim...
Vergonha que não era
Ela se mostrou desenvolta
Pelo dono dessa nova era
Ele seguiu a caminhada
Já ela
Com sua profundidade de calçada.
- Kevin Martins
Eu sou do tipo que curte um pôr do sol a beira mar,uma bela noite estrelada,uma caminhada na areia com os pés descalços, um fim de noite com uma leitura de um belo livro, um café,uma conversa prolongada na calçada,um abraço demorado,uma amizade duradoura... pois é, eu ainda consigo ser humana.
POR AÍ
Andando pelas calçadas
Encontrei poesia onde não previa
Nos pombos que disputavam pipocas caídas
Em pequenos botões que brotavam no canteiro
Em formigas andando em fila
Nos corações pichados em um muro de escola
Andando pelas ruas
Quase tropecei em poesia
À encontrei em uma rachadura no asfalto
No badalar dos sinos da igreja
No tabuleiro da baiana
No cheiro doce de uma laranjeira
Andando por aí
A poesia quase tropeçou em mim.
Olhava as crianças brincando
com os pássaros na calçada
e não conseguia distinguir
de quem eram as asas
Calçada fria
Piso as pedras da calçada
De uma vida
Já sem vida
Procuro um caminho
Sem mágoas
Talvez sem direção
Sinto que não tenho nada
Mas talvez tenha
Tenho tudo na minha mão
Um inferno
Um céu
Com uma cruz
Numa amarga sinfonia
Que ninguém tocou
Que nunca ninguém escreveu
Amarrada de mim mesma
Dentro e amargurada
Piso as pedras da calçada
De uma vida sentida
Já sem vida
Que comigo vai morrer
Na suja e fria calçada.!
Como levar a sério um país que cria uma lei para cobrar multa de quem não arruma a calçada de frente sua residência enquanto a rua desta mesma calçada está cheia de buracos?
Quando o vento sopra aqui
os meus passos mudos se perdem
quando vejo que já estou sozinho
eu finjo ser o vento lá fora ...
pra me guiar pelas calçadas
na ilusão do encontro ...
eu fingindo não ser nada ..
me vestindo de toda saudade ..´´
Caminho na calçada, já que pela rua corro algum perigo.
Isso aprendi desde pequeno.
Um dos ensinamentos que deve ser levado para a vida toda.
Nas noites invernosas.
Da úmida calçada molhada,
Tirando o cai no poço.
Uma eterna namorada,
No cair das águas frígidas,
De minha singela morada.
