Azar
Pensamentos filosóficos de Rabicu, o guru vândalo
Se você não tem sorte, azar o seu.
Rabicu sabe, Rabicu diz.
Palavra.
Palavra é vida, é morte,
É azar, é sorte,
É frágil é forte,
É guerra é paz,
É incapaz, é capaz,
É rapariga, é rapaz,
Hoffff!!!! Palavra.
O amor parece ridículo aos olhos meus
Tão incerto, tão volúvel, tão errático
Um jogo de azar, feito de modo tétrico
Um ímã que atrai, com poder hipnótico
Inebriado por seu efeito etílico
Caímos na sorte do sentimento único
Tão clichê, tão banal, parece satírico
Mas é real, é verdadeiro, é mágico
Por vezes nos perde, prova a bondade
Mas nos ensina a perdoar, a sermos fortes
Nos faz ver além, do ímpeto da vaidade
O amor pode ascender, e não ser ridículo
Basta deixar de lado o medo da sorte
E acreditar na sua pura verdade.
Evan do Carmo
AZAR DA MARIA
Acordava bem cedinho
Seguia pela estrada
Montada em sua burrica
Saia em disparada
Apertava o pé no estribo
Ou chegaria atrasada.
Precisava vender na feira
Quiabo, pimentão e jiló
Tinha uma boa freguesia
A velha e bondosa Filó
Sempre recebia dela
Café e pão-de-ló.
Por aquilo ela não esperava
Era um dia de azaração
A burrinha se assustou
Ela se esbarrou no chão
Levou o maior tombo
Foi a maior decepção.
Dona Maria ficou apavorada
Chorava e dizia: Eu mereço
Foi sacola pra todo lado
Esse azar eu desconheço
Logo a mercadoria
De quem tenho tanto apreço.
A bicicleta quebrou o freio
Maria nem percebeu
Quando desceu a ladeira
Na curva se perdeu
E caiu na choradeira
O tornozelo torceu.
A dor era tão forte
Ficou ali sentada
No asfalto quente
Na beira da estrada
Ninguém aparecia
Estava desesperada.
Um quarto de hora depois
Para sua felicidade
Apareceu um homem
Vindo lá da cidade
Montado em um jumento
Que parecia uma raridade.
O bicho era tão velho
Todo ele enfeitado
Um ramalhete de flores
No rabo era amarrado
O homem nem se fala
Um fantasma do passado.
Maria não teve escolha
Começou a implorar
Meu pé está quebrado
Não consigo levantar
Me leve até o hospital
Pra essa dor aliviar.
O homem não disse nada
Pegou Maria pelo braço
Colocou na sela do jumento
Enlaçou num abraço
Pediu que se segurasse
No cabresto deu um laço.
Autoria-Irá Rodrigues
Sempre se viveu do achismo.
A dúvida, sequelas, convivência, amores, sorte e azar e paixões.
Esse modo particular de pressupor o outro cai numa espécie de engodo por se tratar do que esse "eu" suposto imagina.
E, nunca sairemos desse paradoxo, por sermos humanos iludidos.
Mas não precisa acreditar em mim, sou também uma miragem!
"Não há ninguém mais sujeito ao azar na vida do que um servo de Deus, consciente do seu propósito, em processo de fuga. Tudo vai dar errado e você saberá que a culpa é sua."
É a sexta-feira, treze,
mesmo o dia do azar?
Alguém vai me perseguir
para tentar me matar?
Ou será só o pavor
pelo filme de terror
que acabei de colocar.
Sorte ou azar
Se nada
foi feito
para durar
que a gente
não tenha o azar
de ainda se amar
quando a nossa
vez chegar.
IBAMA
Azar o seu!
Trocou-me por outra
e se arrependeu!
Agora quer voltar,
feito cachorro lambão,
querendo de novo provar
do prato que comeu!
Desse prato
você já não come mais!
Minha dor de cotovelo já passou.
As lágrimas já secaram
e a fila já andou!
É melhor você
enfiar o rabinho entre as pernas,
e voltar pra sua casinha!
Sua hora já passou, baby!
Joguei tudo fora,
até sua coleirinha!
Agora tenho mais o que fazer.
Procure outra pra esquentar a sua cama.
Seu problema eu não posso resolver.
Animal abandonado é com o IBAMA!
