Azar
As pessoas dizem que falar da morte dá azar. Eu gosto de falar dela, até porque a minha só acontecerá daqui a 35 anos. Até lá, vou me divertir muito tentando driblá-la. Se ela me derrubar com uma rasteira, será falta. E, falta dentro da área é pênalti!
Morrer cedo é um azar ou uma sorte?
- Convenci-me de que a morte é sempre cedo. Apenas podemos estar preparados ou não. Não tem como ser na idade certa porque nenhuma idade é mais do que tempo.
A morte e a vida são diferentes e andam juntas, ou divididas?
Será que uma delas nos dá azar,
ou uma delas nos dá sorte?
Como será realmente a vida?
Será assim, igual, depois da morte?
Acredite em jogos de azar, papai noel, e até em girafas que voam, mas nunca acredite cegamente numa pessoa.
Quem acredita em destino não deixa o erro tomar conta da sua vida...
Não existe azar e sim consequências...
Não existe dor e quedas eternas na vida de quem traça como meta a superação...
Pensamentos filosóficos de Rabicu, o guru vândalo
Se você não tem sorte, azar o seu.
Rabicu sabe, Rabicu diz.
Palavra.
Palavra é vida, é morte,
É azar, é sorte,
É frágil é forte,
É guerra é paz,
É incapaz, é capaz,
É rapariga, é rapaz,
Hoffff!!!! Palavra.
AZAR DA MARIA
Acordava bem cedinho
Seguia pela estrada
Montada em sua burrica
Saia em disparada
Apertava o pé no estribo
Ou chegaria atrasada.
Precisava vender na feira
Quiabo, pimentão e jiló
Tinha uma boa freguesia
A velha e bondosa Filó
Sempre recebia dela
Café e pão-de-ló.
Por aquilo ela não esperava
Era um dia de azaração
A burrinha se assustou
Ela se esbarrou no chão
Levou o maior tombo
Foi a maior decepção.
Dona Maria ficou apavorada
Chorava e dizia: Eu mereço
Foi sacola pra todo lado
Esse azar eu desconheço
Logo a mercadoria
De quem tenho tanto apreço.
A bicicleta quebrou o freio
Maria nem percebeu
Quando desceu a ladeira
Na curva se perdeu
E caiu na choradeira
O tornozelo torceu.
A dor era tão forte
Ficou ali sentada
No asfalto quente
Na beira da estrada
Ninguém aparecia
Estava desesperada.
Um quarto de hora depois
Para sua felicidade
Apareceu um homem
Vindo lá da cidade
Montado em um jumento
Que parecia uma raridade.
O bicho era tão velho
Todo ele enfeitado
Um ramalhete de flores
No rabo era amarrado
O homem nem se fala
Um fantasma do passado.
Maria não teve escolha
Começou a implorar
Meu pé está quebrado
Não consigo levantar
Me leve até o hospital
Pra essa dor aliviar.
O homem não disse nada
Pegou Maria pelo braço
Colocou na sela do jumento
Enlaçou num abraço
Pediu que se segurasse
No cabresto deu um laço.
Autoria-Irá Rodrigues
Sempre se viveu do achismo.
A dúvida, sequelas, convivência, amores, sorte e azar e paixões.
Esse modo particular de pressupor o outro cai numa espécie de engodo por se tratar do que esse "eu" suposto imagina.
E, nunca sairemos desse paradoxo, por sermos humanos iludidos.
Mas não precisa acreditar em mim, sou também uma miragem!
"Não há ninguém mais sujeito ao azar na vida do que um servo de Deus, consciente do seu propósito, em processo de fuga. Tudo vai dar errado e você saberá que a culpa é sua."
