Leandro M. Cortes
Ainda não inventaram nenhum pronto- socorro, ou centro de terapia intensiva para tratar os vícios e dores que acometem a alma.
Não quero uma companhia para o inverno, quero calor o ano todo. Quero seu abraço mais forte. Seu beijo mais quente. Suas palavras mais aconchegantes. Sou um sonho, mas posso ser a mais doce de suas fantasias. Ame-me ao entardecer e me tenha ao amanhecer. Faça-me sentir, viver além da epiderme, entre almas essa gostosa conexão. O atravessar entre pontes internas. O encontro entre amores e amantes. Transforme-me no melhor que posso ser e dar. Doar e receber.
Ela está por ai, ele também. Não sei se existem, ou são apenas uma lenda. Em tempos de crise, pessoas interessantes tem se tornado cada vez mais raro de se encontrar por ai.
Ser avó e avô
Ser avó e avô é ser um segundo pai e uma segunda mãe. É reviver experiências do passado é ver-se entre fazes que se sucedem.
Há um dos dez mandamentos, o quarto, que diz: Honrar pai e mãe! vou além, valoriza teus avós mesmo na velhice, para então, eternizar momentos.
Talvez não haja martírio maior que o desencontro entre pensamentos, o exílio, se asilar internamente nessa casa de repouso chamada corpo.
Eles são igualmente hoje o que você será amanhã, dependente do amor e do carinho dos filhos. É ai que nos tornamos pais de nossos avôs.
Perdoe-os pelas suas escorregadas, pelos seus lapsos, pelos seus desencontros e gafes em hora imprópria.
É nessa hora que voltamos a ser criança. É nessa hora que vivemos uma vez mais a inocência perdida há muito tempo.
Avós são celeiros de sabedoria. São uma enciclopédia a céu aberto, longe da virtualidade, longe da realidade atual. São nosso museu de raridades particular.
Avós são nosso único elo com o passado distante, décadas que não voltam. São exímios contadores de causos e histórias.
São o abraço terno, colo quente, o riso mais doce, palavra e conforto insubstituíveis. Se os pais são nossos professores, eles são nossos conselheiros.
Substitutos de nossos pais, diante de sua ausência. Nosso segundo porto, nossa segunda casa. Nossa garantia estendida.
São aqueles que nos aconselham sem nada cobrar, sem nada exigir, senão, a reciprocidade entre amores de sangue.
São nosso confessionário e confidentes. Não nos julgam, nem castigam, mas sim, nos mostram o caminho da verdade.
São nossos eternos cúmplices, parceiros, amigos e companheiros a qualquer hora e tempo sem medir esforços.
Pois, aos seus olhos seremos sempre crianças, a sua infância viva, o seu atestado de lucidez, a prova da sua jovialidade.
Orgulhe-se desse título: Neto! Pois, ser neto é ser duas vezes filho. E ser avô e avó é ser abençoado em dobro.
É ser duas vezes pai e mãe!
Bonito mesmo é quando há cumplicidade, quando não há medo, mas a entrega sem receios. Quando se vive o lúdico da relação. Quando o coração vive essa gostosa diversão. Bonito mesmo é quando não há formalidades, mas se perde a compostura e se vive algumas doces loucuras a dois. Quando não se vive o lado robótico da rotina, mas o metamorfosear entre corpos. Quando a gente encontra alguém que nos mostre o lado bom da vida e nos transforme no melhor que podemos ser. Bonito mesmo é o adormecer entre risos e acordar descontraído, livre, leve e solto de todas as tensões que rodeiam o corpo e a alma. Bonito mesmo é ser feliz hoje, agora, nesse exato momento. Viver essa gostosa felicidade e ser feliz. Apenas ser feliz!
Dias de chuva. Dias de sol. Lembra? Foram tantos os verões e tempestades, entre primaveras e outonos. Sempre com a certeza da volta, do retorno, do encontro mais doce entre lábios e almas desnudas de incertezas.
A vida longe de uma novela, onde se vive de sentimentos prontos é composta de capítulos diários, sem reprises, nem replay. É um filme em construção, onde não se escolhe entre o drama e a comédia, o romance e a ação. Não há dublês, nem super-heróis, somente nós, seres normais, simples mortais. Os personagens, dessa história recheada de surpresas.
Te daria a chave da minha casa, da minha vida, do meu amor. Te cederia um pouco mais de mim, doaria meus pertences, o coração e diria: Toma, tudo que tenho é teu, faça bom uso. Mas, o ser usado cansa. A gente vai cansando de amores parasitas, de ser só mais uma diversão em período de férias. O tapa buracos. Não me queixo da solidão. Pelo menos, ela não me magoa, nem me machuca e nem me faz sentir ressaca de outros amores. Talvez amanhã eu volte confiar no amor. Talvez? Não sei!
Não quero muito dessa vida. O muito é demais. E tudo que é demais enjoa, cansa. Quero apenas saber que nessa vida fui feliz. Pois dessa vida nada se leva, senão, o que de bonito se vive. Ta aí, ta decidido, eu quero é ser feliz. Feliz por nada! Feliz com tudo. Tudo que me faça ser feliz!
Heróis diários
O mundo tem andado infestado de ídolos em todas as áreas. Inspiradores natos. Mas, tem se vivido uma escassez de heróis.
Não se fabrica mais heróis como antes, não se vive mais o auge de outrora, nem a fartura da nobreza.
Todo dia é dia de luta. Todo dia é dia de realizar proezas, fazer sobrar na mesa e dividir com o restante da família.
É ai que nascem os verdadeiros heróis. Heróis sem asas, nem espadas, nem poderes e nem o dom de realizar milagres como Deus.
Aliás, ai reside o milagre terrestre, sobreviver à escassez de verdadeiros heróis e não apenas sobreviver de ídolos.
Não apenas idealizar sonhos, viver fantasias através do outro, longe, distante, por meio de uma tela separando mundos.
Herói é aquele que levanta de madruga e atravessa a cidade sem reclamar da distancia entre ele e seu ganha pão.
Heroína é aquela que não desiste, apesar de ser tentada a desistir de tudo diariamente. Heroína é quem resiste e sobrevive a mais um dia.
Herói é aquele que vive o pesadelo dessa realidade caótica, mas sempre vê aquela luz no fim do túnel, entre a estação e os seus sonhos.
Heroína é aquela que educa seu filho em tempos de crise e violência em ebulição sem perder as esperanças no amanhã.
Herói é aquele que te segura pela mão e atravessa a rua sob a faixa branca em tempos de guerra, sinalizando com a paz.
Heroína é aquela que enfrenta filas diariamente sem perder a compostura, nem esmorecer, desanimar diante do caos na saúde.
Heróis de verdade somos todos nós mortais. Heróis anônimos. Os heróis diários. Heróis sem destaque, nem manchete na tevê. Ídolos sem fama.
O mundo anda tomado de heróis sem máscara, sem nome, nem identidade. Heróis, além de uma super exposição.
Nós os heróis sem super poderes é que merecemos os créditos por nossas histórias de vida!
Atirar-se à solidão é enviuvar em dobro. É antecipar férias. É demitir-se da relação. É deixar o coração em standby. É abdicar de viver a dois. É uma quase assinatura de desistência. É uma quase morte do amor. É viver a espera de um milagre. De um resgate. De um amor salvador.
Não me preencha, me complete. Não quero ser, nem ter um tapa buracos. Quero tudo que soe além de uma possibilidade, de uma tentativa, de uma substituição. Porque o amor é, sobretudo, a plenitude entre almas e, não apenas a satisfação, o saciar entre corpos. Me recuso a viver infeliz! Viver essa solidão a dois, catando felicidade aqui e acolá. Se me prometer que essa não vai ser mais ilusão, abro o paraquedas e pulo desse avião. Promete?
Lembra daquele filme: Como se fosse a primeira vez? Pois é de repente me bateu uma saudade de quando não nos conhecíamos. Quando tudo tinha cheiro e essência de amor. Quando não havia, nem o peso da rotina, nem a morbidez do cotidiano e nem o convívio impregnado nas palavras. Mas sim, o dia-a-dia entre amores vivendo entre eternas metamorfoses.
Não deixe que os outros digam o que te faz bem, ou não. O que vai te fazer sorrir, ou não. O que vai te fazer feliz, ou não. Não viva de indecisões, mas de certezas. A certeza da escolha certa e mesmo que não seja a certa, arquive como aprendizado. Não de ouvido ao desamor, viva suas tristezas e alegrias e frustrações. Permita-se sentir e viver. Viva, mas sem idealizar, viva sem a ânsia e espera da perfeição. Viva tudo o que te conduz a felicidade. Viva a sua realidade. Não se deixe embrutecer pelas pancadas da vida, do amor. Viva serenamente suas relações, sem perder a essência, o tato, o toque, o desejo, a vontade de amar. Não se torne escravo de seus medos. Vá de encontro ao amor. Viva o amor, sem a lisura dos trajes, sem requintes, mas, se vista com o glamour simplista da sinceridade. Viva seus amores, paixões e contos, sem que para isso deixe de viver.
A primeira vez
A primeira vez é sempre mais gostosa. É sempre a mais doce. A primeira vez é de fato inesquecível.
O romper de lacres. O andar de bicicleta. O primeiro beijo. O estourar do champanhe. Os primeiros passos.
O primeiro amor. As primeiras alegrias. As primeiras dores do parto. As primeiras lágrimas. Os primeiros sorrisos.
As primeiras conquistas. O primeiro salário. A primeira viagem.As primeiras dores de um fim.
Não há uma ordem, apenas desordem na primeira vez. A ânsia pelo acerto, o nervosismo pela estréia que nunca chega.
A primeira vez de um principiante, de uma debutante. A primeira vez que não volta, sempre tem cheiro e essência de amor.
É só adrenalina. Êxtase puro. Felicidade que se abre em risos, espasmos de alegria. É viver entre eternas descobertas.
A primeira vez pode duras alguns segundos, uma hora, uma noite, uma selfie em um flash, um poema, uma poesia.
Pode durar um capítulo, um parágrafo, uma linha, uma frase. Pode ser um ponto final. O início, reticências, pode durar uma eternidade.
A primeira vez sempre tem um gosto passageiro. A primeira vez é sempre a mais bonita. Não há arrependimentos, mas o desejo pelo bis.
A primeira vez é o apogeu. É mutação, o transformar, mudar de fases, descobertas e histórias. É o dia em que ele deixa de ser um principiante e vira homem.
É o dia em que ela perde o selo de aprendiz, transcende mundos e se descobre mulher. É uma lua de mel antecipada.
É o encontro com a maturidade e o desencontro com a infância. É tornar-se adulto e romper laços com a inocência.
A primeira vez. A primeira prova. Os primeiros erros. Os primeiros acertos. Não há professores, mas sim, aprendizes.
A primeira vez, quando consumada a gente nunca esquece!
A primeira vez é genuinamente única e especial.
Amores invisíveis
Sempre me doei um pouco mais. Sempre precisei um pouco mais de nós do que você. Sempre priorizei o amor, a relação, o imutável entre amores.
Sempre fui o lado frágil, aquela menina mulher cheia de sonhos. E quem não sonha? Quem não vive suas fantasias?
Sempre fui coadjuvante nessa história sentimental. Sempre tive meus medos e quase sempre fui engolida por meus monstros.
Quase sempre estive em suas mãos. Quase! Mas, você fez tudo para matar o amor, nosso amor.
Sempre conjugou o eu e não o nós. E esse nó foi lenta e vagarosamente arrebentando. Você sempre Foi mais espectador, ator.
Enquanto eu me afundava, você vivia na superfície, longe de ondas e tempestades. Longe de nós. Longe de mim.
Corpos unidos, mas olhares distantes. Vivíamos essa morbidez, entre a monotonia morna e fria que ecoava do fundo.
O convívio se quebrou, criou-se o distanciamento entre nossas línguas, idiomas difusos, entre almas ausentes.
Caminhávamos, mas separados entre mundos, entre pontes, separados pelo abismo da solidão do amor a dois.
Não há continuidade para o que nunca existiu. Há apenas o enterro simbólico. A marcha fúnebre. O que manda o protocolo.
Não há culpados pelo descaso. Pelo abandono. Pela orfandade dos carinhos, afetos e emoções.
Apenas o mastigar de algumas agridoces recordações.
É menino! Vê se cresce. Mulher gosta de homem, não de criança. O amor não é um parque de diversões, o qual você usa, desusa e depois joga fora.
Ando com preguiça de amores cafajestes. Principalmente esses, que te prometem mil e uma noites de amor.
Tento ser vazia, fria e ausente, mas sempre escapa um pensamento e te abraça desesperadamente no silêncio. Entre sonhos.
Quem ama não abandona. Quem ama jamais se ausenta. Quem ama é presente que se repete. Quem ama, ama suas neuras. Quem ama, aguenta os seus dramas. Quem ama, vive seus dia de chuva. Quem ama, enxuga suas lágrimas. Quem ama, não fala, ouve teus silêncios. Quem ama não questiona, apenas compreende, mesmo discordando. Quem ama vive suas viagens interiores. Quem ama, te reanima, faz massagem cardíaca ante suas desistências. Quem ama, desfruta das suas solidões. Quem ama, não trás a cura, mas o remédio para sanar as suas dores. Quem ama, te decifra no olhar. Quem ama supre suas carências e saudades. Quem ama, será o seu corrimão, o seu apoio. Quem ama, não ama apenas uma aparência. Quem ama, ama além, ama o que reside no fundo, a essência. Quem ama, não ama por obrigação, mas sim, ama com o coração. Quem ama cativa e cultiva o bem que tem.
A curiosidade é uma grande praga. E o mundo tem andado infestado de curiosos sem noção e parasitas invejosos, que se multiplicam livremente por ai.
Tem amores que não passam de um passatempo. E não passam de uma grande perda de tempo. Nem todo Príncipe vem a cavalo. Tem sapo que vem a galope.
Não basta ser leal, tem de ser fiel. Não basta conhecer, tem que viver a intimidade da relação. Não basta culpar a rotina, à que se reinventar diariamente. Não basta vendar os olhos, tem que sentir com o coração. Não basta o toque, o arrepio, à vontade, o desejo, tem que se ir um fundo, ao fundo da alma. Não basta elevar as alturas, tem que transmitir segurança. Não basta o conforto, tem que proteger. Não basta palavrear, tem que viver com atos. Não basta dizer: Eu te amo! Eu te amo, sem provas perde a validade, a autenticidade. Não basta ser companheiro, tem que ser bem mais, tem que ser um bom amor, amante e cúmplice. Não basta sorrir, tem que ser feliz. Só é feliz, quem um dia já viveu suas tristezas. Quem amadureceu um pouco mais por dia. Só é feliz, quem valoriza suas conquistas e não uma pilha de troféus. Só é feliz aquele que vive seus momentos e coleciona suas alegrias entre paredes, no fundo. No coração!
Siga enfrente, enfrente a vida. E se der vontade de desistir, repita: "Tudo posso naquele que me fortalece"! Pois, quem tem Deus no coração, nunca está só diante das lutas diárias.
