Alessandro Teodoro

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⁠O outro pode até confundir minha Solitude com Solidão, só não deve interrompê-la sem a Honesta Intenção de me oferecer Inteira Companhia.


Há uma diferença imensa entre estar só e sentir-se só.


Na Solitude, se experimenta a graça de se escutar; na Solidão, o drama de implorar para ser escutado.


A solidão pede presença; a solitude, muitas vezes, pede respeito.


Quem não compreende isso pode interpretar o silêncio como carência, o recolhimento como tristeza e a distância como um convite para invadir espaços que, naquele momento, são deliberadamente meus.


Solitude não é ausência de pessoas, mas presença própria.


É quando não preciso preencher cada intervalo com vozes, mensagens, encontros ou explicações.


É poder permanecer comigo sem experimentar a obrigação de fugir de mim.


E talvez uma das formas mais bonitas de afeto seja justamente compreender que nem toda porta fechada esconde alguém esperando ser salvo.


Por isso, não me incomoda que confundam meu silêncio com solidão.


O que me incomoda é que, ao suporem minha falta, me ofereçam uma presença pela metade.


Porque companhia, quando é verdadeira, não chega apenas para ocupar espaço: chega inteira.


Não exige que eu abandone minha solitude, mas sabe entrar nela sem profaná-la.


Há presenças que interrompem a paz e há aquelas que a ampliam.


As primeiras chegam por medo do nosso silêncio; as segundas chegam porque têm algo de verdadeiro a compartilhar.


E é dessas que não quero me proteger.


Se alguém pretende atravessar a distância que escolhi, que não venha apenas para impedir que eu esteja só.


Que venha disposto a estar comigo — de corpo, alma, escuta e intenção.


Porque, entre a solidão e a solitude, existe justamente esse critério: eu não preciso de alguém que simplesmente esteja presente; preciso de alguém que saiba estar por inteiro.

⁠As
Diversas Espécies de Animais Irracionais se Ajudando, e os Racionais se Matando.


Parece uma inversão da natureza, mas talvez seja apenas o reflexo da nossa própria contradição.


Enquanto o gato brinca com o papagaio — e até com o cão —, outros pássaros dividem espaço com outras espécies e até animais que disputam território conseguem, em determinadas circunstâncias, cooperar pela sobrevivência.


Nós, dotados de razão, transformamos diferenças em muros e divergências em guerras.


A ironia é que chamamos de “Irracionais” aqueles que agem movidos pelo instinto, mas somos nós que frequentemente usamos a “Desinteligência” para justificar a Intolerância, a Ganância e a Violência.


Inventamos fronteiras, ideologias, preconceitos e motivos sofisticados para fazer aquilo que nenhum animal precisa de discurso para fazer: atacar o semelhante.


Talvez o problema não esteja na Razão, mas no uso que fazemos dela.


A Inteligência deveria nos ensinar que ninguém sobrevive sozinho, que a vida é interdependente e que destruir o outro muito raramente significa vencer.


No entanto, às vezes parece que quanto mais avançamos tecnologicamente, mais retrocedemos na capacidade de conviver.


Talvez os animais não sejam tão Irracionais assim.


Eles simplesmente não precisam convencer ninguém de que são superiores para coexistir.


E nós, tão orgulhosos de sermos Racionais, ainda precisamos aprender uma lição elementar da natureza: conviver não é concordar com tudo; é reconhecer que o outro também tem direito de existir.